sexta-feira, janeiro 09, 2015

A mata do Vô

Ela é uma extensa área de cobertura vegetal com milhares de centímetros quadrados. Está localizada no Reino dos Bororos Coroados, na cidade de Poxoréu, MT, na latitude 15º50'14" Sul e na longitude 54º23"21".


Quase não há mais índios bororos na região, embora, recentemente, um pequeno grupo dessa Nação Indígena tenha retornado para a Reserva de Jarudore, neste município, pleiteando reintegração na Justiça sobre aquela área, a qual há muito tempo foi sendo ocupada por fazendeiros criadores de gado.


Na Mata do Vô habitam diversas espécies animais. São aves das mais diversas cores, como tucanos, araras, periquitos, beija-flores, pardais, sabiás, rolinhas, bem-te-vis, pássaros pretos, pinhéus, corujas, entre outros. Também vivem ali sapos, pererecas, minhocas, cupins, formigas, cigarras, grilos e outros insetos, os quais são caçados pela tribo do Crista Vermelha, um galo muito bravo que comanda um pequeno grupo de galinhas.


Crista Vermelha defende suas galinhas a custo de bicadas. Ele não teme o tamanho das pessoas. Vovó Lourdes já tomou diversas carreiras dele. Se quiser ver sua braveza é só tentar pegar uma de suas galinhas. Ele vem em cima feito uma onça macho. Infelizmente, ele não consegue manter os gambás e mãos-peladas afastado de seu reino, os quais vivem atacando as galinhas e comendo os ovos, bem como muitos dos pintinhos.


Davi teve dois confrontos com ele. No primeiro, Crista Vermelha se afastou, fugindo da briga. Isso deu coragem para o Davi. Mas, no segundo encontro, Davi tentava pegar uma galinha bem mansa, quando Crista Vermelha surgiu disparado em alta velocidade em sua direção. Davi largou a galinha de mão e deu no pé. Ele é um menino muito inteligente e sabe quando é conveniente fazer uma retirada estratégica.


A Mata do Vô tem também uma grande variedade de plantas frutíferas e ornamentais, destacando-se três grandes mangueiras, onde sempre gostamos de subir para tirar fotos. Seus troncos são grossos e aconchegantes. A maior e mais antiga é um pé de manga bourbon. As mangas bourbonas são deliciosas, mas são muito perseguidas pelas moscas que estragam muitas dessas frutas. As outras duas mangueiras são um pé de manga comum e outra de manga coquinha.


Yes, nós também temos bananas. Banana prata, banana nanica e uma banana que foi geneticamente modificada e que parece uma mistura de nanica com prata. Nós ganhamos uma muda do professor Aparecido Magne e já comemos vários cachos dessa fruta. É uma banana deliciosa, mas de alta perecibilidade. Quando começa a madurar, ou se come logo, ou ela vai perder.


Desde 2013 nós também temos colhido cerejas, pitangas e jabuticabas na Mata do Vô. Vovó Lourdes, um dia fez um doce de pitanga que ficou uma delícia. E tia Dionízia gosta de fazer geleia de jabuticaba. Já as cerejas, eu gosto mesmo é de degustá-las frescas, colhidas na hora. Como foi farta a colheita de cerejas ano passado! Eu espalhei as sementes pela Mata e nasceram pés de cereja por todo lado. Se vingar, vamos ter abundância dessa fruta.


Ainda há duas tamarindeiras, um araçá-boi, um pé de curriola, outro de guapeva, um pé de banha-de-galinha, pés de maracujá, mamoeiros, limoeiros, ingás, none, cajueiros tantos, pequizeiros vários, marmelada preta (que chamamos de bosta de cachorro), mama-cadela, abacateiros, abacaxizeiros, as amoreiras, o jambeiro, dentre outras espécies.


Mas, dentre todas as plantas que se vê na Mata do Vô, as que mais se destacam são as palmeiras: as guarirobas, que chamamos de gueirobas ou guerobas, os acuris que chamamos de bacuris e também as pupunhas que já somem nas alturas do céu.

As  palmeiras já estão começando a dar cocos. E assim, nós vamos espalhando mudas delas por todo lado. Temos guarirobas de todos os tamanhos. O seu palmito é amargo, mas é muito apreciado pelos goianos e também por muitos mato-grossenses, principalmente aqueles que nasceram e viveram na divisa de Mato Grosso com Goiás, como nós, os Sousas. Nascemos e vivemos, muitos de nós, em Torixoréu, Barra do Garças e Alto Araguaia.


Outros aspectos geográficos da Mata do Vô são a Cachoeira da Torneira,os Buracos de Lama, a novíssima Montanha do Vulcão, recém descoberta e que tem sido a sensação dessas férias de janeiro de 2015 que Davi está passando em Poxoréu. Mas isso são outras aventuras e histórias para outros dias.


É de lembrar que Davi chegou em Poxoréu no dia 3 de janeiro de 2015. Durante a primeira semana do ano, passamos a Mata do Vô no pente fino, explorando cada palmo desse chão, descobrindo coisas novas e redescobrindo as coisas velhas de outras tantas emoções.

O Capitão está apreciando os passeios e as aventuras que temos planejado para cada dia de nossas férias.


Por hoje é isso. Amanhã, com certeza terá muito mais.

Um comentário:

A busca do saber disse...

Parabens! Vou ter que voltar a escola para escrever uma destas historias, mas e esta ficou ótima! Parabens!
Uma linda historia