sexta-feira, janeiro 27, 2017

Dia de Lourdes

Dia de Lourdes
Família Andrade

Hoje é o teu dia, minha linda!
O dia em que você veio ao mundo
Trazendo alegrias para a família Andrade.
Papai Tião e mamãe Gasparina
Tinham como seu sonho mais profundo
Ter uma filha em sua mocidade.

E então, o sonho de seus pais se realizou
Com a chegada de sua primeira menina,
Morena clara, cabelos pretos, bela, um céu!
E que ao nascer, levou um tapinha e chorou,
Diante de todos que aguardavam a sua vinda
E que sorriram alegres pelo choro seu.

Porque não era um choro de tristeza.
Você chorava pela alegria de ter nascido,
De ter sido amavelmente desejada.
Você seria Maria de Lourdes, a lindeza
De papai e mamãe; o tesouro mais querido
Que a esmeralda goiana cobiçada!
 
E o tempo passou! E você, Lourdes, cresceu.
Tornou-se, entre todas, a mais linda mulher
Que eu já conheci neste mundo de Deus.
Foi por você que meu coração se rendeu
Desde que soube que você queria me ter
Como amado para os beijos seus.
 
O recado alvissareiro veio por Zezé,
De suas primas, com certeza, a mais chegada,
Minha amiga daqueles tempos de escola:
__ Tenho um recado, você quer saber o que é?
__ Claro! Desde que não seja uma “pegada”.
__ Eu tenho uma prima que está te dando bola!

__ O que? Sua prima gosta de mim? Qual prima?
Passei em breve revista, a sua família inteira
E não encontrei você, oh bela morena
Que um dia me poria a fazer rimas,
Por ser menina faceira e minha primeira
E única mulher, que para viver, valesse a pena!
 
E então nos conhecemos, namoramos,
Nos apaixonamos e nos casamos, enfim,
Depois de mil anos de namoro.
E tenho vivido ao seu lado, em todos esses anos
Como homem que na vida encontrou seu fim,
Pois minha riqueza e você, minha linda, meu tesouro!

Feliz aniversário! Parabéns por toda a sua vida!
Que Deus te dê saúde, paciência e tolerância
Para me aguentar como marido ao seu lado
De hoje e sempre, até o dia de nossa partida
Para o lugar que Ele preparou-nos desde a infância
Para vivermos sempre, eternos, juntos e irmanados.

Poxoréu, MT, 27 de janeiro de 2017.

Izaias Resplandes

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Alô, Alô Pé da Serra

Izaias e Waldomiro na Fazenda da Mata, no Pé da Serra

Alô, alô Pé da Serra
Município de Torixoréu, MT.
Izaias Resplandes, filho dessa terra,
Avisa que não precisa alvoroço,
Que está bem e que agora no fim do mês
Voltará para casa outra vez.

Também avisa ao povo de seu avô
Que já não aguenta mais de saudade,
Que sente no peito uma grande dor
E que não quer mais ficar na cidade.
Que é na fazenda que quer morar
E com seu povo é que quer estar.

Pede a quem ouvir
O favor de comunicar
Que lugar bom como esse aí,
Nem aqui, nem em qualquer lugar.
Manda a todos um abraço de coração,
Com carinho, ternura e gratidão!

Poxoréu, MT, 26/01/2017

Izaias Resplandes

segunda-feira, janeiro 16, 2017

A brincadeira do caracol


A brincadeira do caracol 

Vovô está com saudade 
De brincar com seu netinho.
O brincar não tem idade,
Só precisa de carinho! 

E aí, meu garotinho:
Vamos brincar o cacaracol!
_ Vamos sim, vovozinho.
Mas, como é que se binca o caracol?

Para brincar o caracol
Tem que saber fazer curva. 
E ele é bom para os dias de sol 
E também nos dias de chuva. 

Primeiro faça o desenho circular
Das várias casas, do céu até a primeira,
Onde cada um, com empenho irá,
Pulando de pé em pé, a brincadeira. 

Se você for ao céu e voltar
Sem pisar nas riscas em qualquer lugar,
Uma casa, como sua, poderá marcar
E nas outras vezes, nela descansar. 

E assim, um por vez, todos vão pulando
Até as casas serem todas conquistadas.
E nessa brincadeira sairá ganhando 
Aquele que tiver mais casas marcadas.

Izaias Resplandes

quarta-feira, janeiro 04, 2017

A hora do Ó

A hora do Ó

Izaias Resplandes

“Davi, o ponteiro pequeno já passou em cima do X faz tempo. Está na hora! Vamos pra cama, meu filho”, disse Vovó Lourdes.
“Ah, vovó!  Só mais um pouquinho. Deixa eu ficar acordado só mais um pouquinho”, respondeu Davi meio acordado, meio dormindo.
“Está bem, mas só até a vovó fazer o seu mamá”. E lá se foi para a cozinha, enquanto seu avô Bigodão, escutando tudo, pensava muito preocupado.
Ainda que estivessem vendo o filme “Imagine Só”, que era muito legal, já estava quase na hora do Ó e todos na sala já estavam cochilando fazia um tempão, pois não queriam estar acordados quando ela chegasse. A bisavó Maria chega roncava de fazer tremer os bigodes: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... Seu ronco a cada tique-taque aumentava o tanto de Ó.
Naquela hora Bigodão deu uma olhada no relógio da parede para ver as horas. E entre as vozes do filme e os roncos da bisavó dava bem para ouvir a voz do relógio dizendo que já se aproximava a terrível e temida hora do Ó.
Tique-taque, tique-taque, tique-taque... Faltavam vinte vezes sessenta tique-taques para iniciar o quarto dia do ano primeiro que vem depois dos quatro primeiros bissextos do século vinte e um. Contei nos dedos, fiz a conta, mas o roncar da bisavó me fez errar.
Levantei. Fui até a janela e olhei o tempo. Ouvi um trovão: TROÃO-VÃO-VRÃO-VRÃO-TROAO-VRÃO...  O céu estava coberto por um véu mais negro que o negro da noite sem lua. Vi que também não havia mais ninguém na rua. Todos tinham ido dormir há muitos tique-taques atrás. Ninguém queria estar acordado quando chegasse a hora do Ó.
Capitão Davi sempre soubera o quanto a hora do Ó era perigosa. Desde os tempos em que ele e Bigodão exploravam a Mata do Vô, que ele aprendeu que criança naquela casa deveria dormir cedo, antes que chegasse a hora do Ó, a hora do pega pra cantá. Vovô Bigodão sempre lhe dizia para tomar muito cuidado, porque quando chegasse a hora do Ó, ele não deixaria ninguém escapar e pegaria todo mundo que estivesse acordado para cantar com ele o terrível canto do Ó, em muitas e diferentes línguas, até não poder mais cantar e cair no sono de cantaço, o cansaço de tanto cantar.
Na verdade, todo mundo lá gostava de cantar. Na hora do almoço cantavam: “AO SENHOR AGRADECEMOS, ALELUIA! O ALIMENTO QUE TEREMOS, ALELUIA!”   Também cantavam na hora da janta e em muitas outras horas. E todo mundo achava legal. O problema era cantar na hora do Ó, porque a música que Bigodão inventava na hora era uma música comprida e sem graça e que não acabava nunca, pois após se cantar em uma língua, ele chamava para cantar em outra língua e outra língua e outra... Aí ninguém conseguia dormir tão cedo, porque aquele Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró não saía mais da cabeça. E quando a gente dormia, acabava sonhando com o canto e acordando de novo. Era muito terrível!
 E o vovô Bigodão começava:
Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

Agora vocês. Vamos lá. Bis!!!

Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

 Agora é o canto do POCOTÓ!
Vamos cantar, ó bisavó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar Vovó, Vovó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.

Mais uma vez.... E assim prosseguia, inventando outras rimas esquisitas com o Ó, desafiando os acordados para repetir o verso do Ó que acabara de ser inventado. 

E a partir de agora essa vai ser a história do Ó, que afinal não tinha nada de mais, pois era apenas isso só.

Oh, outro Ó! Então vamos cantar: E ERA APENAS ISSO SÓ!
Vamos cantar, ó Bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ- PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar, Vovó, Vovó: QUE ERA APENAS ISSO SÓ!


Aí encerrava o Vovô, dando um Boa Noite para todos. Mas ninguém mais respondia. Todos imitavam a bisavó: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... E se alguém que até então não dormira de verdade, também a imitava até que dormisse, sonhando com aquele terrível canto do Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.