domingo, março 26, 2006

A medalha de bronze




Izaias Resplandes

Século XXI. Na linha do tempo, esse século deverá ficar assinalado como o marco zero da “era do conhecimento”, caracterizada pela imprescindibilidade do saber. Nesse sentido, temos presenciado o surgimento de uma onda gigantesca de cursos, os quais abrangem desde a mera alfabetização até as pós-graduações em nível superior. Que ótimo, poderíamos dizer! Todavia, a coisa não está sendo tão boa assim. Junto com essa multiplicação de centros de escolarização e de modalidades de aquisição do conhecimento, também está acontecendo a banalização do conjunto.
Conhecimento e diploma de escolarização estão sendo vistos como produtos de mesma grandeza, embora nem sempre um esteja relacionado com o outro. Em tempos remotos, a pessoa que possuía um diploma, realmente possuía um atestado a respeito do seu nível de conhecimento. Hoje em dia o diploma tem pouco significado, principalmente em decorrência da velocidade com que o conhecimento se torna obsoleto e ultrapassado.
Com a globalização da informação, principalmente através da internet, as pesquisas científicas nas mais diversas áreas foram incrementadas e hoje já não são mais feitas a duas mãos. Centenas de cabeças pensam sobre um mesmo assunto e, colocando suas idéias na grande rede www, permitem que outros possam contribuir para o avanço da pesquisa. O maior exemplo do que estamos falando foi o mapeamento do genoma humano, quando cientistas do mundo inteiro foram envolvidos no processo.
Por outro lado, se é verdadeiro que as descobertas hoje são muito mais aceleradas do que antigamente, também é verdade que elas perdem o seu caráter de atualidade com a mesma rapidez. Tais fatos requerem das pessoas de nossos tempos, uma dinâmica cada vez mais intensa na busca da atualização e da reformação de seus conhecimentos, sob pena delas se tornarem inúteis como cooperadoras do desenvolvimento da humanidade.
Ter o conhecimento hoje é uma questão de sobrevivência. A cada dia, dezenas de postos de trabalho são extintos, aumentando os índices de desemprego no mundo. Conhecimento é um poder inerente ao seu possuidor, o qual é colocado à disposição da organização para a qual trabalhamos. Se nossos conhecimentos estão atualizados à luz das mais recentes descobertas, nós somos interessantes para as organizações e aumentamos as nossas possibilidades de permanecer ativos no processo produtivo. Caso contrário, somos peças descartáveis e, fatalmente, seremos substituídos por outros que detenham os novos poderes da transformação.
Já foi o tempo em que ter um diploma era garantia de ser aproveitado no mercado de trabalho. A ferramenta de hoje é o conhecimento. Quem sabe mais, pode mais. Por isso não basta ter um diploma. É preciso que esse diploma seja sinônimo de novos e atualizados conhecimentos. Caso contrário esse documento não tem qualquer valor.
Ao concluir, queremos enfatizar a necessidade do conhecimento como questão de sobrevivência, ao tempo em que fazemos um alerta contra os milhares de fábricas de diplomas que estão espalhadas por todo o mundo e que estão seduzindo muitos incautos, tomando seu suado dinheiro e não oferecendo, em contrapartida, o necessário conhecimento. Nossa orientação é para que a pessoa não se matricule em nenhum curso e em nenhuma escola apenas pelo diploma, mas que se matricule pelo conhecimento. E se a escola ou o curso não puder oferecer-lhe isso, que se fuja dela. Que ninguém se deixe enganar. No mundo capitalista de nossos dias, só existe lugar para os “primeiros”. Até se admitem alguns “segundos”, mas com toda certeza, não existem vagas para “terceiros”. A medalha de bronze já não vale mais nada. É “ouro” ou prata. É tudo ou nada! Ou se conhece e se participa, ou se ignora e se está fora. Conhecer ou não conhecer, com certeza, “eis a questão”!

terça-feira, março 21, 2006

MÃE CELINA COMPLETOU SUA CARREIRA




Izaias Resplandes


Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; nesse caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente e nós voamos” (Sl 90:10).


Meus queridos. Nascer, crescer, constituir família, ter filhos, netos, bisnetos, tataranetos e ir para Deus. Essa não seria uma vida simples. Seria uma vida excepcional. Não são muitos os que tiveram esse privilégio. Graças a Deus, “Mãe Celina” teve essa satisfação. No dia 25 de dezembro de 2005 ela festejou seus 89 anos de vida, cercada pelo carinho de sua parentela, em completa lucidez, pegando os bisnetos no colo, abraçando e sendo abraçada. Foi um dia muito feliz e que ficará em nossa lembrança enquanto nós vivermos, da mesma forma que também guardamos outros momentos felizes que passamos juntos com outros familiares que também já partiram para a eternidade.
Assim é a vida do homem. Ninguém veio ao mundo para viver aqui para sempre. Viemos para cumprir a missão de ser feliz e de fazer os outros felizes.
Esse sempre foi o plano de Deus para o homem. Diz no Gênesis que no sexto dia da criação, Deus fez o homem. Mas entendeu que “não era bom que o homem estivesse só” (2:18). Então fez também a mulher. Em seguida os abençoou e disse: “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra.” (1:28) Diz também que “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (1:31). Diz ainda que Deus plantou para o homem cuidar e guardar “um jardim no Éden”, com “toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento” (2:8-9) e deu orientações ao homem de quais árvores ele poderia apenas apreciar e de quais ele poderia comer sem correr o risco de morrer (2:16-17). Percebemos, assim, que desde o início do mundo, Deus queria que o homem fosse feliz, que tivesse sua família, que tivesse um lugar para trabalhar, que tivesse o que comer, enfim, que tivesse tudo o que fosse necessário para que ele vivesse bem. Vó Jorcelina teve os seus dias de glória na Terra, foi feliz no meio daqueles com quem viveu e agora chegou a sua hora de partir, a sua hora de dizer juntamente com o apóstolo Paulo:
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:7-8).
Em nossa vida nos relacionamos com diferentes tipos de pessoas. Muitas delas não fizeram, nem fazem qualquer diferença para nós. Há outras, no entanto, que nos inspiram, que nos estimulam a continuar vivendo cada vez com mais intensidade. Vó Jorcelina, com sua simplicidade, seu jeito humilde e paciente desempenhava o papel da mulher que ensina com seu procedimento e com seu modo de viver. Não era uma mulher de muitas palavras. Falava pouco. Mas dizia muito com seus atos, com seu modo de viver. E a sabedoria é essa: o nosso verdadeiro valor não está naquilo que falamos, mas naquilo que fazemos. Um bom ato vale mais do que todos os discursos vazios e teóricos que possamos realizar. A autoridade não está no falar, mas no praticar.
Embora já debilitada pelas enfermidades da velhice, dificilmente víamos essa mulher desanimada. Se perguntássemos se estava boa, era honesta e incisiva: “não tô muito boa, não”. No entanto, quando era levada para o tratamento estava sempre dizendo que queria voltar para casa. Somente em casa ela se sentia verdadeiramente bem.
Agora, neste dia 21 de março de 2006, ela nos deixa por um breve espaço de tempo e parte para estar com o Senhor da Glória, em casa. Tendo se preparado em tempo oportuno, tornando-se serva de Jesus, Vó Jorcelina vai para o céu tomar posse de uma daquelas moradas que o Senhor foi preparar para os seus discípulos, conforme ele disse, antes de também deixar este mundo:
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Não casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar” (Jo 14:1-2).
Vovó agora se mudou de vez para a sua nova casa. Para todos nós que conhecemos a Palavra de Deus, isso é uma grande vitória. Quantas pessoas começaram essa corrida da fé e desistiram no meio do caminho. A respeito disso o apóstolo Paulo conversa com eles e pergunta: “Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer a verdade?” (Gl 5:7). Vovó não desistiu. Ela continuou obedecendo a verdade. Quantos outros não ficaram desmaiando de desanimados diante da carreira cristã! O autor de Hebreus registra uma longa lista de exemplos de pessoas que viveram com fé, que não desanimaram, que não desistiram, que continuaram fiéis até o fim e concluiu:
Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).
Irmã Jorcelina está inclusa nessa lista de heróis da fé a partir de hoje, porque foi uma vencedora, perseverando até o fim da vida, fiel ao Senhor. Que ela sirva de exemplo para os suas filhas, sua nora, seus genros, netos, bisnetos, tataranetos e demais parentes e amigos. Sigam as pegadas dela. A todos, ela diz com o salmista Davi: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37:5). Não vejam a morte de nossa irmã como o fim, mas como o começo de uma nova etapa da vida dela. A sua partida certamente será sentida por todos, mas ela se sentiria muito mais valorizada e muito mais amada, se a sua descendência seguisse o seu exemplo de vida como crente em Jesus, porque somente dessa forma é que uma pessoa pode ser completamente feliz. E tendo sido feliz, tenho certeza de que “Mãe Celina” desejava que você também fosse muito feliz.
Essa é a pregação que faço em nome de minha vó.
Que Deus nos abençoe!

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D. Jorcelina de Sousa Carrijo, a “Mãe Celina”, nasceu em Mineiros, GO, em 25/12/1916 e faleceu em 21/03/2006, em Primavera do Leste, MT. Deixou uma prole de 8 filhos, 48 netos, 100 bisnetos e 14 tataranetos. Foi sepultada em Santo Antônio do Leste, MT. Izaias Resplandes de Sousa é o seu primeiro neto.

sexta-feira, março 17, 2006

Parentes de sangue


Izaias Resplandes

Nós temos uma preocupação particular com os nossos parentes de sangue e isso faz parte da natureza humana. No início do mundo, quando Deus criou os animais, podemos observar que Adão não se interessou por nenhum deles em particular, continuando sozinho. Diz a Bíblia que Deus o viu assim e disse: “Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). Então Deus o fez adormecer, retirou uma de suas costelas, transformou-a em uma mulher e trouxe-lha. Então o homem se sentou completo e feliz. Ali nascia a família.
Um homem sem família não é um homem completo. O homem necessita da companhia dos seus idôneos. Poderíamos generalizar e dizer que todos os homens são idôneos entre si, mas na medida em que a humanidade cresceu e se multiplicou, também foram se formando os grupos, as famílias, as parentelas, os de casa (1 Sm 10:5; Gn 10:5; 12:1; 7:1).
Quando nós descobrimos alguma coisa boa, as pessoas que normalmente nós procuramos para compartilhar, são os nossos parentes. Também quando nós vemos algum perigo pela frente, logo nos preocupamos em livrar os nossos de suas conseqüências. A Igreja começou assim. André conheceu Jesus e levou seu irmão Pedro até ele (Mt 4:18). Depois os irmãos André e João também foram chamados (Mt 4:21). E a idéia da influência da família era tão real que na mensagem apostólica, Paulo dizia: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa” (At 16:31).
Quando um homem encontra-se com a verdade, logo ele se preocupa em fazê-la conhecida do resto de sua família. Diz a Bíblia que o crente que não se preocupa com os seus é pior do que os descrentes. O texto de 1 Tm 5:3-16 nos dá uma excelente lição de responsabilidade com os nossos parentes. Os filhos que não amparam suas mães quando se tornam viúvas são chamados à responsabilidade. Antes de termos outras pretensões missionárias, devemos aprender a ser generosos com os nossos familiares (vv. 4, 8). Muitas vezes nós vemos crentes que se omitem em relação aos seus, querendo ir de imediato até aos “confins da terra” para falar de Cristo, sob os auspícios financeiros da igreja, sem antes realizar o trabalho em “Jerusalém e na Judéia” (Mt 1:8), ou seja, no seu próprio meio familiar. Isso é uma irresponsabilidade que precisa ser reparada.
Há muito que se aprender, mas uma das coisas que todo crente precisa saber é como ter responsabilidade administrativa. O evangelho não progride, muitas vezes, porque nós “lançamos nossas pérolas aos porcos”, gastando os nossos poucos recursos com os “nossos próprios interesses”, não se importando nem com nossos parentes, nem com mais ninguém a não ser com nós mesmos. Gastamos tudo com nós mesmos, demonstrando que não sabemos administrar o “talento” que Deus nos deu.
O crente irresponsável onera a igreja e ela não consegue cumprir a sua missão de ser “luz para o mundo”. Os seus recursos financeiros quase sempre não são suficientes para atender sequer às necessidades locais, quanto menos do campo missionário, principalmente porque normalmente são mal gerenciados. Um exemplo disso é o fato de termos o costume de pagar para fazer aquilo que seria a mínima obrigação que teríamos de fazer, mas que deixamos de fazer, que ignoramos como se não fosse nossa responsabilidade.
Olhemos para a ilustração dos filhos que não cuidam de suas mães viúvas e que sobrecarregam a igreja com esse fardo, impedindo que a igreja aplique os seus parcos recursos em benefício daqueles que realmente precisam. Não podemos ser coniventes com tal situação. A Igreja não pode ser solidária com os maus administradores, que se envolvem nessas situações. A obra de Deus é prioridade. Se não podemos ir, não podemos deixar de contribuir para que outros sejam a nossa boca e falem por nós.
Todo crente tem a sua primeira responsabilidade missionária com a sua família. E não deve desistir dela, antes deve lutar para levar todos à presença de Jesus, como fez André com Pedro (Jo 1:40-42). Enquanto houver vida, há esperança. Serve como referência a atitude de Davi quando Deus feriu de morte a criança que ele tivera com Bate-Seba em adultério. Ele buscou a Deus pela criança, prostrado em terra, chorando e jejuando por sete dias, esperando alcançar a complacência de Deus. Mas não conseguindo o seu intento e morrendo a criança, levantou-se, comeu e se fortaleceu novamente. Quando criticado, lembrou que enquanto a criança vivia, ainda era possível a sua salvação da morte, mas depois da morte, já nada mais podia ser feito (2 Sm 12:13-23). Devemos fazer alguma coisa pelos nossos enquanto estamos vivos.
A parábola do rico e do mendigo Lázaro é outro bom exemplo dessa argumentação (Lc 16:19-31). Nessa história, vemos uma pessoa se preocupando com os seus familiares, tarde demais. O rico que fora parar no inferno pede que Lázaro seja mandado à sua casa para falar aos seus sobre os riscos que corriam, para que eles também não fossem parar naquele lugar. Infelizmente ele não foi atendido da forma que desejava. Que seus parentes ouvissem a Palavra de Deus, escrita por Moisés e pelos profetas, foi a resposta que obteve. A hora de nos preocuparmos com os nossos familiares é agora, enquanto nós estivermos vivos e eles também. Depois que morrermos, nada mais poderemos fazer por eles. Essa é uma responsabilidade que não podemos escusar. Nossos parentes são nossa responsabilidade primeira.
Finalmente, uma argumentação para aquele que alega não saber falar, ou que é pesado de língua. Tal pessoa deve tomar as providências para que o conhecimento da mensagem aconteça. Lembremos do exemplo de Moisés (Ex 3 e 4). Ele fez tantas alegações (Ex 3:11, 13, 4:1, 10, 13). Deus deu uma resposta para todas elas, dizendo-lhe ao fim da discussão que ele usasse a boca de seu irmão Arão (Ex 4:16). Se não estamos preparados para falar por meio de palavras, então devemos falar por meio de atos. Devemos ser um exemplo a ser seguido e devemos contribuir com os nossos recursos para que outros possam chegar até eles. Mas não podemos ficar omissos, sob pena de estarmos negando a fé que temos abraçado (1 Tm 5:3-16). Jesus fez por nós. Deu o melhor de si pela nossa salvação. Agora é nossa vez de fazer pelos demais. Sigamos os seus exemplos (Jo 13:15; 13:34). E que Deis nos abençoe!

Izaias Resplandes é membro da Igreja Neo-Testamentária de Poxoréo, MT.

segunda-feira, março 13, 2006

A maioridade upenina

Izaias Resplandes

União Poxorense de Escritores: A entidade completa em 2006, 18 anos de sua fundação. Atinge a idade legal da maioridade. Muita coisa boa aconteceu durantes esses anos, dentre as quais podemos destacar a publicação de duas edições especiais da revista "A UPENINA", diversas edições do jornal "O UPENINO", além dos livros. "Poxoréo e o Garças", do upenino Jurandir da Crux Xavier; "Poxoréo: Um olhar sobre os Distritos", do upenino Gaudêncio Filho Rosa de Amorim; "Raios Misturados", da upenina Zenaide Farias Pinto; "Antologia Poética Upenina", obra coletiva dos upeninos, coordenada por Gaudêncio Amorim; "Pegadas de Longe", do upenino Luiz Carlos Ferreira; "No meio das pedras há diamantes", do upenino Joaquim Moreira.
É evidente que são muitos os nossos sonhos e que não temos condições de realizá-los todos, mas o mais importante de tudo é que não deixamos de sonhar. Continuamos acreditando que sempre será possível melhorar o nosso Meio Ambiente Cultural, apesar das dificuldades. Por pensar assim, continuamos investindo em novos projetos de livros, revistas, jornais, tertúlias e recitais de poesia, além da programa radiofônico "Momento de Arte e Cultura" que continua sendo transmitido pela Rádio Sul Mato-grossense desde que a mesma era a Rádio Cultura de Poxoréo. São 18 anos de programação, levando uma hora semanal de reflexão sobre a cultura poxoreana.
Toda a atividade cultural que temos desenvolvido ao longo desses 18 anos representa a nossa vontade de melhorar a qualidade de vida e o bem-estar do povo de Poxoréu. Entendemos que essa é uma responsabilidade de todos e estamos fazendo a nossa parte. Podemos perguntar com orgulho: quantas publicações foram feitas na história de Poxoréu antes da União de Escritores? Que registros históricos e literários havia? E depois da UPE, como ficou essa questão?
Hoje Poxoréu tem uma memória histórica e cultural sendo registrada dia-a-dia pelos upeninos. Esse será o nosso legado para as presentes e futuras gerações.
Por outro lado, temos aprendido que quanto mais uma pessoa produz, mais se exige dela. Estamos certos de que a sociedade poxoreana vai exigir cada vez mais de nós e estamos prontos para corresponder a essas expectativas, pois não colocamos as mãos no arado para recuarmos diante dos desafios. Por isso, temos certeza de que agora estamos muito mais aptos e maduros para desfraldar a bandeira upenina "em defesa da arte e da cultura", do que estávamos há 18 anos atrás. Não atemos nenhuma dúvida de que o trabalho upenino daqui para frente será também muito mais aprimorado e de melhor qualidade do que tem sido até hoje.
Acreditamos também que já demonstramos que nossa idéia de União de Escritores não era um fogo de palha, mas algo permanente. Diante disso, esperamos que toda a nossa comunidade receba essa dádiva de seus filhos que têm se notabilizado pelo talento na arte de escrever; que vejam a UPE como um patrimônio de Poxoréu e que possam dar o devido apoio às suas iniciativas em prol dessa terra. Esse é o nosso desejo e o nosso maior sonho.
Parabéns a todos pelos 18 anos de vida upenina.

domingo, março 12, 2006

XXVI Retiro de Famílias de Poxoréu, MT


UM RETIRO ESPECIAL. Os Neotestamentários que vieram ao XXVI Retiro de Famílias, em Poxoréu, este ano, no período de 25 a 28/02 próximo passado, participaram de um Retiro muito especial. Além dos estudos bíblicos, da comunhão sempre deliciosa de todas as almas presentes, levaram as inesquecíveis lembranças da imposição de mãos sobre o irmão Ademar Soares de Lima como novo missionário da UMNT no Brasil, além de honrarem os jovens irmãos Zigomar Oliveira Silva e Helen, que escolheram o Retiro para as orientações e os pedidos de bênçãos a Deus para serem felizes em seu casamento. Completando a programação, vários irmãos das congregações presentes foram batizados no “Rio dos Crentes”. Todos esses eventos foram prestigiados por aproximadamente 420 testemunhas que estavam presentes. As três cerimônias foram presididas pelo missionário Isaías da Silva Almeida. E o melhor de tudo isso foi que Deus supriu as necessidades de seu povo, apesar da previsão de participação ter sido superada.
ESTUDOS. 1 – Adultos: Houve uma sintonia maravilhosa com relação aos temas apresentados pelos ensinadores,. Embora os mesmos não houvessem acordado preliminarmente, os estudos se complementaram uns aos outros, o que demonstrou-nos a presença do Espírito Santo conduzindo o Retiro. Na classe de adultos, o missionário Paulo Moraes falou sobre “Fazer missões sem sair de casa”; o missionário Genaro Moreno abordou como tema “A igreja modelo: a igreja de Tessalônia”; o missionário José Maria Iturriaga falou sobre “Um serviço efetivo a Deus”; o missionário Ademar Soares de Lima abordou o tema “Dois pesos e duas medidas”. 2 – Jovens: Eis o relato de minha filha Mariza Resplandes: “o irmão José Maria trouxe 2 estudos baseados em 1 Jo 2:14, que trata da importância de sermos fortes, firmes e vencedores, vitoriosos e cita como exemplos José, Gideão, Josias, Saul e Davi. O irmão Nanao trouxe 4 estudos e falou da importância dos jovens buscarem a santificação, o chamado de Deus para sermos santos, baseado em Rm 12:1-2. Irmão Peter Rees trouxe apenas um estudo, mas de grande edificação também; falou de sua vida e das mudanças que ocorreram depois que se converteu ao Senhor, citando ainda o exemplo de Noé e de sua obediência ao Senhor, concluindo com Jo 14:21. O irmão Nino (de Barão de Melgaço) trouxe também só um estudo e falou-nos sobre o chamado de Deus para sermos santos; que Ele nos tem escolhido (Ef 1:4-5); completa falando sobre a importância de cada um seguir o serviço que o Senhor tem predestinado, fazendo o devido uso dos dons espirituais concedidos a nós. Por último, o irmão Genaro em um estudo nos falou sobre sermos padrão, modelo dos fiéis, glorificando a Deus no nosso corpo. Destaca a importância de preservarmos o nosso corpo santo, porque este é o santuário de Deus e é sagrado, baseando-se em Rm 6:11-14 e 1 Co 3:16-17”. Adolescentes e crianças. Também tiveram classes separadas e foram dedicadamente atendidos em suas necessidades espirituais.
Conclusão. Todos os que gostaram de estar aqui, divulguem para que outros também possam vir e se aproveitar desse lugar que Deus tem dado a nós. Quem tem sugestões e reclamações, não guarde para si, mas conte para quem pode resolver. Escreva uma carta ou mande um e-mail para nós. Assim a coordenação tomará conhecimento e procurará suprir as falhas para os encontros futuros. Que Deus abençoe a todos e até o próximo encontro. – Izaias Resplandes de Sousa – Secretário do Acampamento.

sexta-feira, março 10, 2006

A relação entre nós e nosso Deus

Izaias Resplandes
Creio que Deus sempre irá nos abençoar para que nós possamos dar conta de atender aos nossos compromissos. É claro que, para que isso ocorra, não devemos deixá-lo de lado. Pelo contrário, devemos sempre nos achegar a ele, sendo fiéis a ele e cumprindo a sua palavra. "Entrega o teu caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará" (Sl 37:5). Devemos ir à Igreja, ler e estudar a Bíblia, não deixar de orar. Enfim, devemos ter uma vida com Deus. Esse é o caminho. Dediquemo-nos aos nossos estudos, mas não deixemos que a nossa ciência seja superior à Palavra de Deus. Devemos ver o quanto a Ciência comprova da Palavra e não o que a ciência critica sem provar.
O verdadeiro cientista admite como hipótese (que pode ser verdade) aquilo que ele ainda não consegue provar. Nós cremos em muitas coisas que a ciência não pode provar. Isso não quer dizer que elas não sejam verdadeiras, mas apenas que ainda não chegamos ao plano em que é possível a nós comprendê-las. Tenho certeza de que um dia tudo ficará claro. Não percamos a nossa fé na Palavra de Deus. Fiquemos felizes porque a ciência já consegue comprovar muitas verdades bíblicas. Esse é um bom indício de que as demais afirmações, mais cedo ou mais tarde também serão comprovadas. Não nos esqueçamos: Deus criou o Universo, o homem apenas o tem transformado. E, pela Lei de Lavoisier, sabemos que "na natureza, nada se cria..., tudo se transforma". A persistência dos cientistas têm descoberto inúmeras leis divinas que não conseguíamos entender. Isso tem melhorado a qualidade de vida do homem. A cada descoberta das verdades divinas que estão implantadas na criação, nós vamos nos aperfeiçoando e melhorando a nossa qualidade de vida.
Fiquemos com Deus. Ele é o melhor caminho para aquele que tem pouco conhecimento e também para o que tem muito conhecimento e que se humilha diante dele, reconhecendo que foi ele quem nos deixou tudo isso, para o nosso bem. Deus quer que nós sejamos felizes. Não corramos atrás do vento, atrás de coisas que não valem a pena.

quarta-feira, março 08, 2006

Uma visita ao Rei dos Reis

Izaias Resplandes de Sousa

"Havia, entre os fariseus, um homem, chamado Nicodemos, um dos principais dos judeus. Este, de noite, foi ter com Jesus e lhe disse: Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele. A isso respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, voltar ao ventre materno e nascer segunda vez? Respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo: Quem não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne, é carne; o que é nascido do Espírito, é espírito. Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo. O vento sopra onde quer, ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo o que é nascido do Espírito. Então lhe perguntou Nicodemos: Como pode suceder isto? Acudiu Jesus: Tu és mestre em Israel, e não compreendes estas cousas? Em verdade, em verdade te digo que nós dizemos o que sabemos e testificamos o que temos visto, contudo não aceitais o nosso testemunho. Se tratando de cousas terrenas não me credes, como crereis, se vos falar das celestiais? Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do homem [que está no céu]. E do modo por que Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna. Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna". Amém.
Nicodemos era um dos grandes homens de Israel. Era um dos principais dos judeus, membro do Sinédrio (Jo 7:50), o Supremo Tribunal dos Judeus, o qual decidia sobre os assuntos religiosos de Israel. Nicodemos era um mestre da seita dos fariseus. Um homem entendido nas Escrituras Sagradas. Um dos papas da religião judaica. Um homem realmente muito influente em Israel. E como acontecia com muitos, ele também creu em Jesus, "vendo os sinais que ele fazia"(Jo 2:23). Mas creu de que forma? Nicodemos sabia que qualquer pessoa "não podia fazer os sinais" que Jesus fazia (Jo 3:2), se Deus não estivesse com ele. Ele tinha olhos e via que Jesus não era uma pessoa qualquer, mas quem era realmente Jesus, Nicodemos não sabia. Todavia queria saber, porque na qualidade de homem importante entre os judeus, ele precisava ter a resposta.
Toda pessoa que se julga importante, se acha uma autoridade em todos os assuntos. Nós temos visto pessoas que mal sabem assinar o nome e que desistiram da escola porque não conseguiam entender nada de nada e que, de repente, penduradas na garupa de algum padrinho, conseguem se eleger vereador, prefeito e até deputado. Isso não teria nada de extraordinário, se não fosse o fato de que essas pessoas, após se elegerem, se julguem tão sábias e entendidas, que são capazes até mesmo de proferirem palestras e conferências para os professores e doutores da nossa sociedade. Nicodemos era uma dessas pessoas. E agiu exatamente como elas agem, ou seja, como um espertinho. Os nossos homens importantes, que se tornam sábios da noite para o dia, costumam pegar carona no conhecimento dos outros, se apoderando desse conhecimento como se fosse deles. Dessa forma, assim que ouve uma pessoa entendida de verdade dizer algo, ele, como bom aluno, "capta a mensagem" e depois sai a repeti-la por todo lado como sendo a sua mensagem. Nicodemos queria ter a mensagem de Jesus, queria se apropriar dela, para ser ainda mais influente do que já era. Ele queria ser o homem que conhecia e sabia quem era o fazedor de milagres e sinais chamado Jesus. Mas ninguém podia saber do seu encontro com Jesus. Ninguém podia saber da sua conversa com o carpinteiro. O que haveriam de dizer as pessoas, ao saberem que o grande Nicodemos havia procurado o pobre carpinteiro de Nazaré? Essa opinião das pessoas era muito importante para Nicodemos, muito mais importante do que a sua crença em Jesus. E assim Nicodemos procura Jesus à noite, na calada da noite. Quantas pessoas não fazem assim também! Preocupam-se muito mais com as aparências do que com a realidade. Vivem uma vida falsa. Às vezes estão atolados de dívidas até o pescoço, mas continuam vivendo na ostentação, gastando o que não podem gastar, fazendo mais e mais dívidas, até perderem completamente a saída. Então fogem, desaparecem do mapa, ou se matam, porque não têm coragem de encarar a sua própria miséria e realidade.
Nicodemos chega até Jesus nessas condições. E começa um papo-furado, dizendo que sabe quem é Jesus: "Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; ". Sabia coisa alguma. Nicodemos jogava o verde para colher o maduro. Ou, de outra forma, paparicava Jesus com conversa mole, para ver se arrancava dele a verdade que desejava descobrir. Quantas pessoas não vem nos cumprimentar com tapinhas nas costas e abraços, como se fossem grandes amigos nossos e que na verdade nós nunca vimos mais gordos, ou não temos qualquer intimidade, não é verdade? Nas épocas de eleições, então! Todos já conhecem muito bem a novela dos cumprimentos. E Nicodemos esperava uma resposta de Jesus à altura da sua saudação. Algo mais ou menos assim: Que é isso, Nicodemos, você é que é o nosso Mestre, o homem que sabe das coisas e etc.. Mas em vez de algo assim, Nicodemos recebe uma cortada de Jesus, que daria para que ele ficasse pelo menos um mês sem sair de casa. Jesus, sabendo muito bem o que Nicodemos queria, corta logo o papo furado e lhe diz que, infelizmente Nicodemos iria perder o seu tempo, porque não estava em condições de receber a mensagem de Jesus. Nicodemos, como sacerdote fariseu do judaísmo, sem sombra de qualquer dúvida, julgava-se um cidadão do reino dos céus. Ele não tinha dúvida de que a sua morada no céu, ao lado de Deus, já estava garantida. E esse era o problema de Nicodemos. Ele estava iludido por um falso conhecimento das coisas celestiais. Na sua conversa ele como que dizia: Olha, Jesus, eu, como sacerdote fariseu, membro do Sinédrio, com toda a minha autoridade, com todo o meu conhecimento, eu reconheço que você vem de Deus. Mas Jesus lhe diz em alto e bom som: Escute e escute bem, seu Nicodemos, se você não nascer de novo, você não pode ver o reino de Deus. E você não nasceu e, portanto, não tem autoridade, nem conhecimento e nem condições de dizer coisa alguma "da parte de Deus". Com essas palavras Jesus bagunçou todo o esquema de Nicodemos. Se ele já não sabia muita coisa sobre Jesus antes, agora é que não sabia nada de verdade. Mesmo assim, como bom político, ele não se dá por derrotado e começa a questionar Jesus: Como é que o senhor quer que eu, um homem velho, nasça de novo? Será que eu posso voltar ao ventre de minha mãe para nascer outra vez?
Nicodemos começa a fazer gozação com as palavras de Jesus, como a dizer: quem esse fazedorzinho de milagres pensa que é para dizer que eu não posso entrar no reino de Deus se não nascer de novo? Mas novamente, Jesus lhe diz que se ele não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. E diante da incompreensão de Nicodemos Jesus ilustra a situação para ver se facilita o seu entendimento. Jesus compara a ação do vento com a ação do Espírito Santo. O vento atua de forma imprevisível; o Espírito Santo também. O Espírito Santo transforma a vida da pessoa de tal forma que ela não sabe explicar como aconteceu; só sabe que aconteceu. E para completar a chicotada em Nicodemos, Jesus lhe diz: se você não aceita as coisas naturais e terrenas como verdades, como é que você vai entender e aceitar as coisas celestiais? Era triste a situação de Nicodemos. Ele sabia que Jesus não era uma pessoa comum, mas não conseguia receber a sua mensagem. Ele achava impossível de acontecer as coisas que Jesus lhe dizia. Ele não conseguia compreender e aceitar a mensagem do "nascer de novo". Ele era um materialista que não conseguia se unir espiritualmente com Deus. Faltava-lhe a fé na palavra de Jesus. Ele só cria no que ele vira, ou seja, nos sinais. Mas a palavra de Jesus ainda era teoria para ele e ele não conseguia praticá-la.
Nós temos muitas pessoas como Nicodemos, também nesse sentido. Há muitas pessoas bastante religiosas, materialmente falando. Pessoas que ensinam e pregam a Palavra de Deus, mas que ainda não experimentou a ação da Palavra em sua vida. São pessoas que vivem de aparências. Que, aos olhos de todo o mundo, são santas, devotas, religiosíssimas, mas que por dentro, em sua intimidade, não conseguem sentir a presença de Deus em sua vida, em seu interior. São pessoas que duvidam das verdades contidas na Palavra de Deus, que querem mudar e distorcer o que está escrito, para justificar a sua falta de fé.
A Bíblia diz com muita clareza que é necessário "nascer de novo", "nascer do Espírito" para entrar no reino de Deus. Esse diálogo de Nicodemos com Jesus ilustra muito bem essa questão. E a Bíblia diz também como se opera o novo nascimento. E diz que esse é um ato de fé, é um ato de crer, é um ato de receber. Só Deus pode proporcionar o novo nascimento. Em São João 1:11-13 está escrito sobre Jesus: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus; a saber: aos que crêem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus". Esse é o novo nascimento de que Jesus falou para Nicodemos. E todos nós que desejamos entrar no reino de Deus, precisamos passar por essa experiência, a qual se desencadeia a partir do momento em que, acreditando nas palavras de Jesus, nós o recebemos como o Redentor de nossas vidas, como o nosso Senhor e Salvador. A partir do momento em que, movidos pelo Espírito Santo, tomamos essa decisão, o mesmo Espírito Santo opera em nossas vidas e nos transforma em novas criaturas. Essa transformação é o novo nascimento. E nós não podemos fazer nada para que ela aconteça, salvo crer que Deus pode nos salvar através de Jesus e aceitar esse mesmo Jesus como nosso Salvador, conforme nos direciona o Espírito Santo através da mensagem que lemos ou ouvimos. Nicodemos viu os sinais que Jesus fez e creu nos sinais. Essa foi a obra de Nicodemos. É muito simples crer naquilo que se vê. Todavia smente muito depois, após ser trabalhado pelo Espírito Santo, foi que ele creu na mensagem de Jesus e porque creu, Nicodemos ainda pôde ser salvo.
E aqui encerro essa mensagem, rogando a você que me ouviu para que não sejas incrédulo e sim, um crente. Abra seu coração para que o Espírito Santo e a Palavra de Deus habite em você, para que você seja abençoado e feliz. Que Deus nos abençoe. Amém.


POXORÉO, MT, 18/11/95

Quanto custa o seu voto?

Izaias Resplandes
O nosso voto, em tempos de eleições, tem se transformado em mercadoria de troca. Para algumas pessoas, ele não vale absolutamente nada. Elas entendem que o ato de votar não passa de uma imposição legal sem qualquer importância. Para elas, votar no Macaco Tião, no Marechal Ditadura, no Cacique Tapajós ou no Pedro dos Anzóis é a mesma coisa. Todos eles se dizem ser um Salvador da Pátria. Todos são farinha do mesmo saco. Logo, não faz nenhuma diferença para tais eleitores votar em qualquer deles.
A nível de senso comum, essa é a leitura de mundo mais generalizada que já consegui detectar. A nossa Constituição Federal diz em seu Art. 205, o seguinte: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (grifo meu).
Sem querer ser juiz ou médico dos males da sociedade, mas ao mesmo tempo assumindo a minha parcela de responsabilidade na educação do povo, delegada pela nossa Constituição, entendo que aqui está em jogo um dos mais sérios problemas de nosso país.
Não sabendo o valor que tem o seu voto, os brasileiros o estão entregando de graça ao primeiro aventureiro que aparece em sua frente, dizendo que é candidato, que vai resolver os nossos problemas de educação, justiça, segurança, saúde e outros lero-leros que lhes vêm à cabeça. Acabam entregando o ouro ao bandido de mão beijada e ainda agradecendo a Deus por tê-los livrado desse grande fardo decisório.
Essa situação não pode continuar perdurando. Aqueles que forem às urnas para votar, devem fazê-lo com a consciência de que estão assinando um cheque em branco e dando um procuração com plenos poderes para que alguém governe o Município, o Estado ou o País em seu nome. Se um eleitor não tem condições de fazer essa análise, ele não pode continuar exercendo esse direito de votar. Isso não é democracia, é anarquia. O governo não pode ser entregue nas mãos de pessoas que não estão preparadas para exercê-lo com responsabilidade e sabendo o que estão fazendo.
Com toda certeza nós temos candidatos sérios na disputa das vagas executivas e legislativas nessas eleições municipais. Mas, de igual forma, também temos inúmeros oportunistas, desempregados e ociosos. Pessoas que no dia-a-dia nada vêm fazendo para contribuir na solução dos nossos problemas sociais: vivem no bairro, mas não participam da eleição da Associação de Moradores, não comparecem em suas assembléias e nem sequer sabem o nome do seu Presidente; vivem no Município, mas nunca assistem a uma reunião da Câmara, nunca vão à Prefeitura saber como o Prefeito está administrando, passa anos sem ir ou nunca foram a determinados bairros da cidade, etc.. Todavia, quando se fala em eleição, aí estão eles, todos com a mesma máscara de bons samaritanos.
Nós não somos adivinhos e os bons políticos não vêm com uma estrela na testa. Mas nós não somos burros. Somos dotados de inteligência e temos condições de analisar o passado e o presente dos atuais candidatos, a fim de podermos fazer uma decisão sensata e racional no dia 1º de outubro. Votar de graça, é votar em qualquer um; é não dar valor ao seu voto; é admitir a nossa incapacidade de decidir e de exercer a cidadania.
Nosso voto não vale apenas um milheiro de tijolos, ou o aviamento de uma receita médica, de uma consulta, um caminhão de areia, a mudança de um parente que vem de fora, uma cesta básica, o pagamento de uma conta de luz ou água ou até mesmo uma ajuda financeira; nosso voto não vale apenas a promessa de um cargo em comissão, de uma promoção ou mesmo de um emprego em qualquer coisa na Prefeitura.
Nosso voto, nesses tempos de eleição, é um de nossos bens de maior valor. Não há dinheiro, presente, favor... não há nada que o pague. Nosso voto representa a nossa consciência, a nossa dignidade, a nossa fé e a nossa esperança de melhores dias em nosso Município. Esse é o preço do nosso voto.

sexta-feira, março 03, 2006

A Primavera


Izaias Resplandes

Já chegou a Primavera.
Trouxe flores para mim,
Perfumou a minha terra,
Enfeitou o meu jardim!

E o floral?
O floral floriu.
Floresceu o floral.
A natureza sorriu
Um sorriso natural
O pé de mal-me-quer
Está todo bem querer
Só há flor de bem-me-quer
Coisa linda de se ver
E o floral?
O floral floriu.
Floresceu o floral.
A natureza sorriu
Um sorriso natural

E o beija-flor?
O beija-flor está em festa,
Pulula de flor em flor
Buscando ver entre essas
A razão do seu amor.

E o floral?
O floral floriu.
Floresceu o floral.
A natureza sorriu
Um sorriso natural

Poxoréo, MT, 08/02/2004.

Justiça, sublime Justiça!

Izaias Resplandes

A Justiça é o ideal supremo. É um dos atributos inerentes ao arquétipo humano. Apesar de ser sinônima de perfeição, não é uma utopia indefinida e inatingível. É, antes de tudo, o alvo, a meta e o objetivo a ser alcançado pela criatura na qual foi inculcada. Ao Operador do Direito cabe estabelecê-la como a diretriz primeira de sua ação profissional. Esse é o norte para o qual aponta a bússola divina e pelo qual reclama a ordem social. Esse é o nosso objetivo enquanto bacharelando do primeiro curso de Direito de Primavera do Leste, MT.
“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva” (Isaías 8:20). Essa é a regra teológica para aqueles que desejam conduzir seus semelhantes na busca da verdade, da justiça e da paz social. Os profetas de Deus somente foram bem sucedidos em suas missões no passado, quando pautaram os seus atos por essa regra áurea. Assim se deu com Isaías, Daniel e tantos outros, como relatam as Escrituras Sagradas do Cristianismo.
Modernamente, temos a lição que nos lega o eminente Prof. Dr. Luiz Amaral, da Faculdade de Direito da Universidade Católica de Brasília, DF, um batalhador incansável da Justiça, perseguido, criticado e marginalizado, mas que jamais desvaneceu desse ideal maior. Através de um artigo que escreveu sobre a Ética na Justiça, publicado em 09/06/1999, destaca que, sob nenhuma circunstância, o Operador do Direito deverá deixar de “lutar pela legitimidade e justiça em todos os processos judiciais”. Esse foi o mote do seu juramento diante da sociedade que o reconheceu enquanto profissional e o revestiu de autoridade para que pudesse desempenhar a sua função de mediador dos conflitos sociais.
Vemos, dessa forma, a desnecessidade de contra-argumentar essa questão, dada a profundidade com que o ideal de Justiça se encontra arraigado no cerne da natureza humana, a ponto de não admitir que seu operador desfralde outra bandeira de luta, por quaisquer motivos outros que possam vir estimular-lhe.
Eis que, assim são postos os nossos propósitos enquanto acadêmicos de Direito nas Faculdades UNICEN, em Primavera do Leste, MT. Objetivamos fortalecer a fé e a credibilidade do povo na Justiça e no Operador do Direito que a intermedeia quando no desempenho desse mister que encerra a sua verdadeira função social.