domingo, outubro 22, 2006

Aniversário de Poxoréu

Izaias Resplandes [i]


É aniversário de Poxoréu mais uma vez. Sua gente está em festa, está feliz. Baile, gincanas, jogos, os recitais de poesias da UPE, shows, feriado... De tudo um pouco, permitindo que cada munícipe faça a comemoração ao seu gosto e arbítrio. Assim é que, enquanto uns se divertem às arrobas, usufruindo de toda a programação, outros, também aos quilos e ao estilo de Judas Iscariotes, atiram criticas para todos os lados. "Como se pode gastar o precioso dinheiro do povo para promover festas, ao invés de se fazer alguma coisa pelos pobres?", ou então: "Ah, a festa é só essa festinha?". A verdade é que as festas são necessárias para diminuir o estresse do corre-corre cotidiano. Nicolau Maquiavel, o sábio pensador italiano, diz em seu livro " O Príncipe", que o governante "deve, nas épocas convenientes do ano, distrair o povo com festas e espetáculos ". Mesmo em tempos difíceis deve haver festas para amenizar o sofrimento do povo. A festa é um bem de primeira necessidade, tanto para ricos, quanto para os pobres.

E, enquanto o povo festeja, vamos recordar a história.

Poxoréu nasceu do garimpo de diamante. Foi involuntariamente plantada em 24 de junho de 1924 pelo garimpeiro João Ayrenas Teixeira (que, infelizmente, ainda não ganhou o monumento a que faz jus nessa cidade). Esse bandeirante fora à região em busca de ouro e pedras preciosas. Era sua segunda expedição. Na primeira, estivera junto com Antônio Cândido de Carvalho, mas nada encontraram. Dessa feita, na data aprazada, eles chegam às margens de um riacho onde "pegam" sete chibius, sete pequenos diamantes de pouco valor. O riacho ficou conhecido como Sete. Mas o fato a ser destacado é que essas pedras do Sete foram encontradas de uma faiscada. Isso animou os exploradores a continuar com as prospecções, as quais resultaram bem sucedidas, atraindo para a região diversas levas de garimpeiros, oriundas de todos os monchões e grupiaras do país, contribuindo para que, em pouco tempo se formasse ali o povoado de São Pedro, em cujos termos chegaram a palpitar três mil corações. Segundo o jornal A Plebe, de Cuiabá, "a notícia da riqueza repercutiu até na Europa". Baxter, em seu Garimpeiros de Poxoréo (1998), registra que em 1933 foram garimpados e taxados 2.313 quilates de diamantes em Poxoréu.

O mesmo historiador conta que várias frentes garimpeiras surgiram em torno de São Pedro. Dentre elas, Morro da Mesa (mais tarde Poxoréu). O povoado de São Pedro foi quase totalmente destruído por um incêndio, em outubro de 1927, o que possibilitou a "ascendência de Poxoréu". O povoado virou distrito e finalmente se tornou cidade. Da pena do Interventor Federal de Getúlio Vargas em Mato Grosso, Júlio Müller, saiu em 26 de outubro de 1938, o seu decreto da emancipação, apesar de que somente em 01 de janeiro de 1939 o município foi instalado, tendo Luís Coelho de Campos como seu primeiro prefeito nomeado.

Desde então, são passados 68 anos. Muita água e muito cascalho já passaram pelas peneiras dos garimpeiros de Poxoréu, inspirando poetas, cantores e artistas na produção de seus versos, suas rimas e cantorias. Seu território inicial de 25.509 quilômetros quadrados hoje está reduzido a 6.907,60 quilômetros quadrados. De seu domínio, dentre outros, saíram Rondonópolis, Dom Aquino e Primavera do Leste. Atualmente, Alto Coité também está querendo ganhar o mundo. E, com certeza, quando chegar a hora, também vai se emancipar e vai contribuir mais significativamente para o desenvolvimento da região, como estão fazendo muito bem os seus irmãos mais velhos. Como bom sonhador, vejo uma grande metrópole sendo erguida no entorno do Morro da Mesa (450 metros acima do nível do mar), em cujo sopé está a cidade de Poxoréu, onde estará centralizado o governo metropolitano. Dali fluirá o comando do desenvolvimento para toda a região. Ao que, precipitadamente sorri, eu apenas pergunto: E por que não? A possibilidade somente surge a partir dos sonhos. Feliz é o povo que sonha. E Poxoréu é uma terra de gente que pensa e sonha grande. Exemplos disso são seus filhos que ganharam o mundo. É de destacar, o Prof. Júlio Delamônica Freire (ex-Reitor da UFMT), deputados como Osvaldo Cândido Pereira, Rachid Mamed e até senadores, como Louremberg Nunes Rocha, um ilustre filho que Poxoréu deu a Joaquim Nunes Rocha, o Rochinha, o qual também, depois de ser deputado, chegou a ser suplente de Senador, além de escritores, jornalistas e profissionais liberais de toda ordem.

Desse modo, por tudo o que aconteceu desde 1924 e pelo que ainda acontece nos dias de hoje, é muito justo que Poxoréu faça uma grande festa para comemorar os seus 68 anos de emancipação e os seus 82 anos de história. O seu povo está de parabéns pelo progresso que tem disseminado em toda a região sudeste mato-grossense. Que todos se abracem, cantem, se divirtam e festejem bastante. É o que merecem. E, para que ninguém fique enciumado por conta de meus aplausos e desvarios, cumprimento a todos através do abraço que deixo aos meus filhos poxorenses Ricardo, Fernando (acadêmico de Farmácia e Bioquímica) e Mariza Resplandes (acadêmica de Direito).

E viva Poxoréu! Viva! E viva Poxoréu! Viva! E viva Poxoréu! Viva! E viva João Ayrenas Teixeira, o garimpeiro que acreditou na riqueza desta terá. Viva! Viva! Viva!


[i] Izaias Resplandes de Sousa é escritor mato-grossense, professor em Poxoréu, fundador da União Poxorense de Escritores (UPE) e da ASSEMP (Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Poxoréu). Acadêmico de Direito UNICEN (Primavera do Leste). E-mail: respland@terra.com.br.

domingo, outubro 15, 2006

Ao “nosso” professor

Izaias Resplandes


Jean Piaget diz que “ninguém ensina ninguém, que o indivíduo é sujeito de sua própria aprendizagem”. Ele pode estar certo no sentido de que somente aprendemos aquilo que nos interessa ou aquilo que queremos aprender. O resto, pelo magistério do prof. Amaral Fontoura, "decora-se para passar nos exames e se esquece no dia seguinte". Por outro lado, não se pode ignorar que as experiências que realizamos foram selecionadas e orientadas pelos nossos professores. Se estivéssemos sozinhos no processo ensino-aprendizagem, talvez viéssemos a aprender alguma coisa quando atingíssemos cada estádio etário de nossa vida, como pensava Jean-Jacques Rousseau, em seu "Emílio", mas, certamente, a humanidade não teria chegado aonde chegou na escalada do desenvolvimento, se não pudesse ter contado com as parcerias e o empenho daqueles que se dedicaram ao ofício do magistério.
Mal remunerados, culpados pelos fracassos escolares e colocados à margem em relação aos bem sucedidos, o professor é objeto da poesia genérica, como se não tivesse nome, como se não tivesse título, como se não fosse alguém especial. Ele é como o palhaço do circo na área da educação. Aquele tem de fazer sorrir a qualquer preço. Este tem de garantir o sucesso de seu aluno, além de ser sempre gentil, não ter problemas, nem tristezas, nem nada. Isso é um pouquinho da vida do professor.
Mas, para o aluno UNICEN, o professor não é apenas um alguém, alguém. Em uma ou duas palavras, ele é o Iglesias, do ser humano ético e moral acima de tudo; o Thedoro, da dignidade fundamental da pessoa humana; o Derly, condutor da idéia filosófica; o Paulo Henrique, da importância do método; o Reinaldo, das falas fortes do Novo Código Civil; a meiga Ana Cristina, do direito e das questões práticas da vida; a sempre séria e linear Marilei, dos contratos e das questões de família; a Lurdes, amorosa e zelosa com os direitos das crianças e adolescentes; a Adriana, do nosso primeiro contato com o Estado-Juiz, a Fabíola, cortês, simples e sincera no trato conosco; o Fred, dos seminários sobre as questões mais problemáticas dos Estados; o Wagner, da realidade dura e crua e dos problemas concretos enfrentados pelo Juiz; o César, da objetividade no trato da matéria penal; a Eloína, aluna exemplo e sempre vencedora, mostrando que sempre é tempo de aprender; o Jessé, das questões muito importantes do processo penal, que conquistou a nossa alma; a Danira, um exemplo de humanidade; a Keila, de 25 horas no ar e dos mil e um arquivos jurídicos pesquisados, uma verdadeira madrinha na nossa vida diária; o Di Pieri, compenetrado e certinho na orientação do processo, deixando claro que o detalhe faz a diferença; o Rodrigo, de fala mansa e calma que nos fez ver o Direito Penal com outros olhos; a Neusa, da linguagem corretamente necessária; e, a Fabiane, da responsabilidade com as futuras gerações.
É evidente que esses professores são citados apenas para termos alguns exemplos concretos, visto que tantos outros nomes poderão ser incorporados a esse rol não taxativo, mas meramente exemplificativo, pelos alunos dos diversos cursos e turmas.
É de destacar ainda, que essas duas ou três palavras que acabamos de dizer sobre cada um, não passam de pretextos para um princípio de conversa, para que possamos afinal dizer que você, professor, é alguém real para nós, com um nome e personalidade; e ainda, que você é o nosso professor e o seu exemplo tem sido a lição mais importante que incorporamos na nossa vida. Poderemos até não ter aprendido muitas coisas ao término de nossa jornada acadêmica (Sócrates dizia não saber nada de nada), mas, teorias à parte, sempre iremos lembrar de vocês pelos pequenos detalhes como esses, os quais sempre haverão de fazer a diferença em qualquer relação. Mais do que suas palavras, o seu exemplo é que vai ficar gravado para sempre em nossas mentes e corações.
Sabemos que a vida de professor não é das mais compensadoras e que você não ficará mais rico ou mais famoso trilhando os caminhos da docência. Mesmo assim, gostaríamos de dizer, junto com todos os alunos da UNICEN, que nossos filhos e nossos clientes saberão quem foi cada um de vocês como nosso professor e que somos filhos do seu conhecimento do mundo.
Por último, queremos destacar que por onde andarmos, você estará conosco semeando o conhecimento que possibilita uma melhor compreensão da vida.
Parabéns pelo dia dos professores. Parabéns pelo 15 de outubro de 2006.

domingo, outubro 08, 2006

A Chave do Crescimento

Izaias Resplandes[i]


O crescimento no conhecimento segue o princípio da progressão parcial. Somente se passa para o estágio seguinte quando o anterior tiver sido incorporado à prática. Começa-se do pouco, do conhecimento de pequenas coisas, de fundamentos. Paulatinamente, na medida em que o aprendido torna-se uma realidade natural na vida da pessoa sem o requerimento de forças extraordinárias, vai-se então aumentando as doses de conhecimento teórico, sempre seguindo o mesmo principio gradativo.
O ponto de partida do crescimento é o nascimento de uma nova postura da parte do aprendiz. Senso comum e ciência não combinam. Achismo não é conhecimento. O velho que “achava” e ficava por isso mesmo e o novo que descobre e “experiência” são incompatíveis. O velho não suporta o novo. Não se põe remendo novo em pano velho, nem vinho novo em odres velhos. O novo destrói o velho. Os dois extremos são inconciliáveis. Um deve desaparecer para dar lugar ao outro. O homem de ontem era ideal para ontem, não para hoje. O agora requer um novo homem incorporado àquele outro. Como dizia Karl Marx: “o concreto é a síntese das múltiplas determinações” (apud PRETI, Oreste. Pesquisa educacional. Cuiabá, MT: IE/UFMT, 1992, p. 65).
A tendência humana de ajeitar as coisas conforme a conveniência não é cabível também nesse caso. Há quem pense que não é necessário estudar, pesquisar, construir uma base de conhecimentos e que na hora agá, sempre se dará um jeito. Não é assim. Não é com fraudes, colas e falsidades que se cresce. Segundo José Saramago, “não há verdadeiro progresso se não houver progresso moral” (apud NALINI, José Renato. Ética geral e profissional. 4.ed. São Paulo: RT, 2004, p. 135).
Existe um projeto universal para o desenvolvimento do homem, o qual é perfeito e não admite adequação, jeitinho, discussão, ou seja, não comporta mudança. É algo tão perfeito como perfeito é o seu autor, o Criador do universo. O debate em torno do mesmo deve-se dar no sentido de conhecê-lo para cumpri-lo, não para discutir os seus termos. A insistente tentativa de mudanças poderá acarretar o surgimento de aberrações, de desequilíbrios e o próprio fim da humanidade. Os grandes progressos apresentados pelos mais notáveis cientistas de todos os tempos consistiram apenas em descobrir as estruturas presentes na criação universal e reproduzi-las com sabedoria. Eles não inventaram nada. Descobriram o que já estava inventado. Esse é o fundamento da Lei de Lavoisier, segundo a qual, “nada se cria, tudo se transforma”.
Quanto à passagem para o estágio seguinte, é de destacar que a mesma não é diretamente proporcional ao tempo de escola de cada um. Estudantes de longa data ainda podem estar na fase inicial, enquanto outros, com pouco tempo de estudos, podem apresentar notável crescimento. Igualmente, não é a idade que habilita a pessoa para prosseguir, mas apenas a incorporação à prática daquilo que foi teoricamente apreendido. O prof. João Álvaro Ruiz, em seu livro “Metodologia Científica”, publicado pela Editora Atlas, SP, já dizia que aprender não é simplesmente decodificar ou ler, mas “saber reproduzir com inteligência”.
A teoria e a prática devem estar sempre associadas. O crescimento não se dá apenas em uma dessas vertentes, mas somente no consórcio de ambas. A teoria sem prática é como a fé sem obras; é morta. Os livros contêm as conjecturas, os pensamentos e as teorias dos mais renomados cérebros, cujo conhecimento pode habilitar o homem para a prática de muitas coisas boas para a sua vida. Para isso eles foram escritos. Todavia, seu aprendizado somente se consolida na prática. Quem diz que sabe, mas não pratica é porque na verdade não sabe nada. Não passa de um estúpido enfatuado, de um fanfarrão. Se soubermos, com certeza praticaremos. Ou deixaremos de praticar, aplicando o sentido negativo, haja vista que nem todas as ações descritas nos livros devem ser praticadas. Algumas são mencionadas justamente para que sejam evitadas, para que nos sirvam de exemplos negativos.
Essa é a chave do crescimento. Ela foi seguida por todos aqueles que viram nas teorias mais do que simples elucubrações e acreditaram que eram possibilidades de transformação e de melhoria da qualidade de suas vidas, ou seja, por aqueles que amaram mais ao conhecimento verdadeiro do que a si mesmos e aos seus achismos e vaidades pessoais. Para que serve um conhecimento que não ajuda a pessoa a melhorar de vida?
Aquele que busca conhecer apenas para conhecer, mas não para praticar o conhecido, será como um cego: não será capaz de ver na plenitude, mesmo que seja um mestre, mesmo que seja muito capaz. Pode até tatear no rumo da luz, mas não verá. Destarte, não haverá crescimento se não houver uma transformação nas idéias que fundamentam a aprendizagem. Somente a partir do momento em que se tiver aprendido a aprender é que se estará apto a prosseguir para o estágio seguinte. Não é por acaso que este é um dos quatro pilares da educação (DELORS, Jacques. Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: UNESCO/MEC/Cortez, 1999).
Enfim, o crescimento no conhecimento não é teórico, é prático. Não se aprende na escola ou na academia, mas no campo e na vivência experimental das teorias. O conhecimento teórico somente terá sentido para o seu estudioso quando se concretizar em sua vida. Esse é o caminho da sabedoria que está ao alcance de todos os que desejam realmente encontrá-la.

[i] Izaias Resplandes de Sousa é pedagogo. Acadêmico de Direito da UNICEN de Primavera do Leste, MT.

Voto Racional

Izaias Resplandes[i]


Estamos vivendo o tempo da alternância no poder político em nosso país, o que requer de cada um de nós, um conhecimento mais aprofundado das regras que norteiam o processo de transição governamental.
Mudar, ou não mudar, eis a questão – diria Shakespeare. O certo é que, seja Lula, seja Alckmin, não se pode continuar/mudar sem que se saiba o que deve continuar ou o que deve mudar. A esse respeito é oportuna a lição do nacionalista Monteiro Lobato, através de seu personagem Américo Pisca-Pisca, o qual resolvera tomar para si o encargo de reformador do mundo (LOBATO, Monteiro. O reformador do mundo. Fábulas. 16.ed., São Paulo: Brasiliense, 1973).
Américo não se conformava com o fato de existirem na natureza muitos dos elementos que ele considerava inúteis, como por exemplo, os sapos e as chuvas. Mas o cúmulo de sua indignação era o fato das jabuticabas (tão pequenas) estarem naquelas imensas jabuticabeiras, enquanto que as grandes abóboras eram frutos das frágeis aboboreiras. Para ele isso teria que ser mudado. Nesse vai-e-vem reflexivo, adormeceu embaixo da frondosa e produtiva jabuticabeira. E então sonhou com o novo mundo totalmente reformado por ele. Era uma terra muito quente, haja vista não haver chuvas para alimentar o ciclo das águas. Também era cheio de mosquitos e maribondos de todos os tamanhos e tipos, dada a inexistência de sapos para comê-los. E assim sonhava Pisca-Pisca, quando “pluft!”, é bruscamente acordado por uma jabuticaba lhe caíra sobre o nariz. Então concluiu seu projeto de reforma achando que seria oportuno tudo ficar do jeito que estava. “Espiga! Se fosse uma abóbora, então ele teria sido a primeira vítima de seu mundo reformado”, concluiu.
O que nós desejamos que continue ou que mude em nosso país? Qual dos candidatos traz as propostas que nós desejamos realizadas pelo próximo presidente? Isso é algo de importância capital e que se precisa estar claro para cada eleitor desse Brasil dividido entre o tucano Geraldo Alckmin e o petista Lula da Silva. E esse é realmente o xis da questão eleitoral deste ano.
Segundo analistas políticos, os programas de governo dos dois candidatos se confundem pelas semelhanças entre eles. Para o jornalista Luís Brasilino, “fica difícil identificar para quem os presidenciáveis pretendem governar: se para os latifundiários ou para os sem-terra e pequenos agricultores, se para as transnacionais ou para os operários, se para os bancos ou para as indústrias, se para a exploração ou para a preservação ambiental, se para os Estados Unidos ou para Cuba etc.”.
Ambos prometem reduzir os juros para combater a dívida (atualmente eles consomem 17% do PIB brasileiro); os dois prometem continuar com o Programa Bolsa Família, reduzir impostos, aumentar o crédito; ambos não estabelecem metas para reforma agrária, mas dizem que não basta dar terra e que é preciso dar crédito e serviços sociais; o ProUni (Programa Universidade para Todos) também será mantido pelos dois candidatos. Em suma, não existem diferenças significativas entre os programas de governo dos dois candidatos. Eles propõem a mesma coisa com palavras diferentes.
Nessa verdadeira confusão de programas de governo, onde não se sabe o que é de Lula ou o que é de Alckmin, quem fica ainda mais confuso é o eleitor. É evidente que não dá para votar em um ou em outro apenas por critérios pessoais, porque um é doutor na ciência o outro é doutor na vida ou coisa que o valha. Não dá para votar só com isso. Isso seria o exercício do voto irracional, sem lógica e sem futuro, o chamado voto emocional.
Devemos votar com a consciência de que estamos votando no melhor para todos os brasileiros e não apenas para alguns segmentos da população. No próximo mandato, o presidente de todos nós, deverá resolver os problemas nacionais que envolvem fazendeiros e sem-terras, operários e industriais, excluídos e incluídos, doutores e analfabetos, saudáveis e doentes. Não se pode conceber que a justificativa para votar em um ou em outro seja porque esse ou aquele segmento está sendo prejudicado ou beneficiado mais do que os demais no atual governo. Isso sempre aconteceu nos governos e deverá acontecer nos futuros.
Somente no Anarquismo, quando não haveria necessidade de autoridade, porque todos fariam o que deveriam fazer sem esperar pelos demais, sem se aproveitar da situação ou sem buscar qualquer privilégio, haveria a possibilidade de igualdade absoluta. Mas isso é coisa para discutirmos no céu e não aqui na terra, onde sempre seremos desiguais. Fazer isso agora seria colocar jabuticabas nas aboboreiras e abóboras nas jabuticabeiras com graves conseqüências para todos nós. E isso não é o que queremos.
Devemos, portanto, mais do que nunca aguçar e usar a nossa inteligência para que não sejamos iludidos com jogos de palavras e conversa mole para boi dormir. Que o nosso voto seja lógico, coerente e racional, tanto para continuar, quanto para alternar. E que haja o devido respeito à nossa inteligência e à soberania da vontade popular.
Ás urnas!

[i] Izaias Resplandes de Sousa, escritor mato-grossense, membro-fundador da UPE (União Poxorense de Escritores) é pedagogo e matemático pela UFMT, Gerente de Cidades pela FAAP/SP e membro do IMGC (Instituto Mato-grossense de Gerentes de Cidade), Especialista em Estatística pela UFLA/MG e Acadêmico de Direito pela UNICEN, de Primavera do Leste, MT.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Perdas e ganhos eleitorais




Izaias Resplandes


Domingo, 01/10/2006, foi um belo dia de eleição. O povo foi às urnas, escolheu e votou democraticamente em seus candidatos. Quanto aos resultados, é evidente que não poderiam agradar a todos. E como sempre ocorre, começaram as avaliações populares e técnicas sobre os resultados. É genérica a discussão sobre quem ganhou e quem perdeu a eleição, mas a grande pergunta é sobre o que vai mudar a partir de 1º de outubro? E isso somente o futuro dirá.

Ganhar e perder é questão de ponto de vista. Ninguém agrada a gregos e troianos. O resultado da eleição presidencial, meio a meio, mostra bem clara essa divisão conceitual. No meu ponto de vista, todo aquele que votou é um ganhador, não importando se o seu candidato foi eleito ou não, principalmente porque aquele que foi eleito também será o meu senador, o meu deputado federal, o meu governador e o meu deputado estadual, como também será o meu presidente o que for eleito no segundo turno, seja Lula, seja Alkmin. Esse é o regime democrático. Se os eleitos representassem apenas o percentual de eleitores que votou nele, eles não teriam a representatividade necessária para dar suporte aos seus projetos administrativos e legislativos. Eu não ganho uma eleição porque o meu candidato foi eleito, mas porque eu participei do processo, exercendo o meu direito ao sufrágio, de decidir sobre as questões importantes do meu país. Se o meu candidato particular foi eleito, ótimo! Isso significa que eu escolhi de acordo com a maioria.

Por outro lado, aquele que não votou, que se absteve (embora também exerceu um direito de não votar), esse perdeu, porque não fez nada para mudar o status quo. Mutatus mutandis, guardadas as devidas proporções, esse que não votou porque não quis votar, porque entendia que de nada adiantaria, esse é um 'Maria vai com as outras" que se conforma com qualquer coisa que se lhe oferece. Batendo ou apanhando está satisfeito. A passividade é uma caracterísitca dos derrotados, dos submissos, dos conformados. Não existe nada pior para um país do que um povo conformado com a situação.

Uma pessoa que não tem nada para contribuir com os demais é um parasita e, sem dúvida alguma, está pronta para morrer. Todos podemos e devemos contribuir com alguma coisa para o progresso e o desenvolvimento da sociedade. Todos somos responsáveis por todos e devemos fazer a nossa parte.

O processo eleitoral ainda não acabou. Ainda temos que definir alguns governadores e também o nosso próximo presidente. É hora de voltar a arregaçar as mangas, formar novas opiniões junto àqueles que ainda não têm e estimular as pessoas de nosso círculo social à participação. Mais do que nunca devemos participar. Não vai adiantar ficar chorando o leite derramado e reclamando que fulano não é "o meu" presidente e sim "o seu" porque não votei nele ou coisa semelhante, quando todos teremos que carregar o fardo que ele nos colocar nas costas. É preciso participar da formação de opinião, dos esclarecimentos e depois votar. Se formos deixar que uma minoria decida as coisas por nós, então que não se reclame depois, se a situação que for implantada não for ao seu gosto, como escutamos muito hoje em dia. Se queremos mudanças, a hora de decidir isso é agora; se queremos que continue do jeito que está, também agora é a hora de decidir isso. A mudança ou a continuação só depende de nós. O que nós queremos?

De um modo geral, até aqui todos ganhamos, porque continuamos tendo o direito ao sufrágio pelo voto direto e secreto. Que as coisas possam continuar assim. As próximas gerações esperam isso de nós. E nós contamos com elas para que todo o nosso esforço não seja em vão.

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Izaias Resplandes é pedagogo e professor de Matemática. É acadêmico de Direito nas Faculdades UNICEN, em Primavera do Leste, MT.