domingo, julho 15, 2007


O homem divino

Izaias Resplandes


No princípio o homem era divino. Guardava semelhança com seu Criador. Era um ser perfeito, puro, “muito bom”, conhecedor apenas do bem. Convivia harmonicamente com Deus no Éden, o Paraíso terrestre, onde desfrutava as delícias da imortalidade.

Então o homem conheceu o mal. Atendeu a sua voz. Rompeu-se a comunhão com Deus. O homem divino humanizou-se. Foi expulso do jardim de delícias para viver numa terra de cardos, abrolhos, suor e fadigas. Tornou-se o senhor da imperfeição. Gerou filhos à sua semelhança, cada vez mais imperfeitos e mais distantes da perfeição divina. Popularizou-se o jargão de que “errar é humano”.

Sem a liderança divina os homens se perderam em seus próprios raciocínios e pensamentos. Seus líderes os fizeram errar cada vez mais. Tornaram-se filhos da ira, filhos do diabo. Anularam-se. Cada um passou a seguir o que bem quis.

A Terra, amaldiçoada por Deus, tornou-se o reino de Satanás. Um lugar de aperfeiçoamento para a prática do erro. Uma escola do mal, onde predominam a ignorância, o falso, a mentira e toda sorte de engano.

Essa era a triste realidade em que o homem se encontrava no início do século I da nossa história, em conseqüência de sua humanização. Além de perdido, estava com a mente completamente cauterizada, o que o tornava incapaz de reconhecer a verdade por si só.

É de destacar, todavia, que, sobre tal estado de coisas ainda prevalecia o amor de Deus pela sua criação. Louvado seja o Senhor porque foi esse o sentimento que O fez idealizar e executar um plano para resgatar o homem dos domínios de Satanás e convertê-lo novamente aos padrões do homem divino. Não havendo na Terra alguém que pudesse ser utilizado como instrumento para restabelecer a ordem da divindade, consubstanciada na verdade e no conhecimento autêntico, fazia-se necessário uma intervenção direta do Criador. E foi assim que aconteceu. Encarnado em Jesus, Deus veio ao mundo em pessoa para consolidar o seu plano para a salvação de sua criação.

A reação humana de rejeição à presença de Jesus na Terra, embora veemente criticada, era de se esperar. O homem perdera o seu contato com Deus. Não conhecia as Escrituras, nem o poder de Deus. Embora a divindade estivesse presente em sua essência criadora, o estado de espírito do homem prejudicava a sua capacidade de percepção.

No entanto, toda essa situação foi pesada e levada em consideração pelo Criador. Jesus não veio apenas em palavras, mas também em obras, a fim de facilitar o seu reconhecimento pelos homens.

Muitos ouviram, muitos foram chamados para segui-Lo. No entanto, comparativamente, poucos creram e poucos o seguiram. Todavia, aqueles que o fizeram, estavam devidamente convencidos de que não havia outro Caminho por onde seguir. A sua fé de que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus, era inabalável. Tal era a força do seu sentimento, que por ele muitos morreram, defendendo-o. A Igreja de Jesus se formou e com grande força e poder passou a atuar na Terra, continuando a obra desencadeada por Ele para a remição da humanidade.

Hoje são passados mais de dois mil anos da data em que ocorreram os eventos que culminaram com o surgimento da Igreja. Já somos hoje milhares de milhares. Pelas estatísticas, os cristãos somam mais de um terço da população do mundo, mais de dois bilhões de pessoas. A cada dia que passa cresce o conhecimento a respeito das coisas sagradas. Os homens estão redescobrindo a beleza da criação e estão abandonando aquelas práticas que a deformaram e a mutilaram. Estamos vivendo o processo de divinização e aperfeiçoamento do homem. Já não está longe o dia em que a conversão plena se dará. E então voltaremos a ser semelhantes a Ele, homens divinos, filhos de Deus, como Adão era no princípio.

No entanto, apesar de todo esse crescimento, ainda existem os outros dois terços da população do planeta que caminham às cegas, sem Deus e sem entendimento. É por causa desses quatro bilhões de pessoas que nós ainda estamos aqui. Da mesma maneira que fomos amados por Deus e devidamente resgatados quando ainda éramos pecadores, também devemos amá-los e nos esforçarmos ao máximo para resgatá-los deste mundo de perdição. Deus não quer que nenhum deles pereça e nos têm incumbidos da tarefa de esclarecer-lhes que existe possibilidade de salvação para todo aquele que crê que Jesus é o Cristo e recebê-Lo como Senhor de sua vida.

Ser um homem divino não significa que seremos “semelhantes ao Altíssimo”, como pensou Lúcifer, mas sim que nos submetemos com humildade e alegria aos parâmetros que ele estabeleceu para nós enquanto homens. Que Deus nos abençoe e nos ajude nesse propósito de vida.

sábado, julho 07, 2007


A Lourdes
Minha amada desde os meus 18 anos (1976) esposa desde 19/01/1984.
Izaias Resplandes
Minha senhora,
Esmeralda preciosa de Goiás,
Sonho de outrora,
O meu presente é você que sempre faz.
O meu amor é por você um sol brilhante
Que no eterno horizonte sempre sai
E aquece a vida, fazendo a luz continuar,
No seu eterno caminhar,
Gerando paz.

A dívida dos líderes

Izaias Resplandes[i]


Embora se fale em controle de natalidade e em números crescentes de mortos como conseqüência das guerras, epidemias, doenças, fome e miséria, o mundo está cada vez mais cheio. Segundo as previsões, em meados do século ultrapassaremos a casa dos 9 bilhões de habitantes. Em conseqüência disso vêm surgindo problemas de toda ordem, como por exemplo, a produção de alimentos, o efeito estufa, o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares. No entanto, poucas pessoas estão realmente preocupadas com o futuro da Terra. A grande maioria age de forma irracional, como anencéfalos. Não pensam. Não se preocupam. Não vêem nada que indague pela busca de soluções, tornando-se também em mais um dos tantos problemas que devem ser enfrentados. Aliás, é de destacar que, indubitavelmente, o maior desafio desse século será fazer com que as massas desinteressadas e sem compromisso que aumentam a densidade demográfica do planeta, possam ser transformadas em agentes multiplicadores de soluções.
É certo que o mundo tem problemas que não acabam mais. Por outro lado, faltam líderes para enfrentá-los, ao invés de ir simplesmente procrastinando, como fazem aqueles que hoje estão nas frentes de comando. Precisamos de homens comprometidos com o planeta e com as gentes que o habitam. Não é possível continuar assistindo de camarote a destruição da vida, em nome de uma ganância sem sentido. A Bíblia pergunta: “De que adianta ao homem conquistar o mundo inteiro e perder a sua alma?” É sabido que até agora não encontramos outros planetas em que a vida possa se desenvolver. A Terra ainda é o planeta vida, que precisa ser cuidada e bem administrada por todos os que dela necessitam. Ela não pertence a um. É de todos nós. Mas, poderá ser de ninguém, se verdadeiros líderes não se despontarem para governá-la em substituição aos atuais.
O líder deve saber o melhor caminho a seguir, além de ser capaz de estimular a confiança do liderado que o segue. Este não sabe para onde está indo. O verdadeiro líder deve ter a supervisão e ser apto a conduzir. Para tal missão, não basta um par de mãos. É preciso ter idéias extraordinárias para multiplicá-las e muita vontade de vencer e de acertar para ter a coragem de materializá-las, de torná-las realidade. As mãos condutoras do líder devem estar por todo o corpo, mas principalmente na mente e no coração. A condução é resultante da aplicação de atos de inteligência e de amor junto aos liderados e em prol de todos. Somente a conjugação desses dois fatores poderá otimizar as possibilidades de sucesso de uma empresa, porque essa é a função que gera o poder real, que envolve a conquista, o respeito e a confiança. É muito superior àquela que produz o poder do dinheiro e das armas e que gira em torno da ambição, egoísmo, ganância, traição e desconfiança.
Precisamos de líderes e é fato que muitos “desejam” sê-los. Todavia, poucos lograrão êxito nesse propósito, principalmente porque não estão dispostos a investir no pretenso objetivo de suas vidas. Aquele que diz querer ser alguém, mas nada faz para materializar tal desejo, na verdade está enganando a si mesmo, porque jamais poderá transformar “seu projeto” em realidade. Isso é um dos consectários da lei de causa e efeito de Newton. Se não for feita alguma coisa para algo ocorrer, salvo por milagre, a lógica é que nada acontecerá. Todavia, o norte indica que devemos agir mais por nossa conta e esperar menos pelos milagres. Hoje eles são cada vez mais escassos. Restringem-se às necessidades inatingíveis por nós e apenas àquelas situações em que são extremamente necessários. Na medida em que o homem desenvolve as potencialidades que recebeu do Criador em sua origem, diminuem-se as necessidades da intervenção divina. Não é preciso que Ele faça aquilo que nós sejamos capazes de realizar. Deus valoriza a sua criação. Ele não estimula a preguiça e a ociosidade, mas a disposição e a ação. É corrente que Ele não move um dedo sequer para realizar aquilo que o homem seja capaz de fazê-lo, embora esteja disposto a fazer o impossível quando este tiver real necessidade de Sua intervenção, for de fato incapaz de agir e tiver a humildade de reconhecer a sua impotência. “Vá ter com a formiga, ó preguiçoso”, diz o sábio Salomão.
Assim, há muitos líderes nominais, mas poucos de fato. E quantos menos forem estes, maiores serão suas dívidas de responsabilidade em relação aos liderados. É de destacar que, embora aos trancos e barrancos, alguns têm sido capazes de se autoconduzirem. Mas apenas isso não é suficiente para torná-los líderes. Não se olvide de que conduzir um seja muito diferente do que liderar um milhão. A massa é totalmente dependente, não tem cérebro. Por isso necessita de alguém que o tenha para evitar que caia nos abismos da vida. Essa é a grande necessidade do momento. Os líderes existentes não são capazes de atender à demanda. Parafraseando o matemático Maltus, poder-se-ia dizer que enquanto as multidões crescem em progressão geométrica, os líderes de fato crescem em progressão aritmética. Por conseguinte, a dívida social aumenta cada vez mais, ampliando a demanda por líderes que estejam dispostos a resgatá-la, pagando o preço que for necessário para serem bem sucedidos.
Esse é o nosso mundo atual. Cheio de gente e de necessidades. Deveras carente de pessoas que desejam se envolver com ele e com as soluções de seus problemas. Qualquer pessoa pode ser um desses homens. Basta desejar, estar disposto a pagar o preço e arregaçar as mangas com unhas e dentes. Esses são os líderes que haverão de resgatar a imensa dívida social que tem sido acumulada pelos “lideres” do passado e do presente. Que aconteça aqui o milagre e que eles possam surgir!


[i] Izaias Resplandes de Sousa é acadêmico de Direito das Faculdades UNICEN em Primavera do Leste, MT.