sábado, junho 23, 2007

Esperando a morte




Izaias Resplandes[i]



De todos os seres vivos, o único que tem plena consciência de que vai morrer é o homem. Pode-se dizer até que “vivemos” esperando a morte chegar. Ela pode demorar ou não, mas, inexoravelmente, virá para todos, seja de forma direta (quando simplesmente deixamos de viver), ou indireta (quando formos transformados de carnais para espirituais). A Bíblia diz que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo. Noutro texto, o apóstolo São Paulo diz: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”
Sabendo que vamos morrer, não é ilógico que deixemos de desfrutar com toda a intensidade daquilo que temos à nossa disposição enquanto estamos vivos? Deus fez um mundo maravilhoso, “muito bom” em sua própria avaliação. Ele também abençoou o homem dando-lhe inteligência para saber a melhor maneira de usufruir do mundo criado. Então, por que não fazermos uso dessa prerrogativa? Por que ficar simplesmente esperando a morte chegar, quando há tantas coisas boas para serem feitas, gozadas e desfrutadas?


Há quem pense que um bom cristão não pode usufruir das coisas maravilhosas que Deus fez, bem como daquelas que ele tornou possíveis de existir. Com essa atitude a morte adquire mais importância do que a vida. Não se pode beber, não se pode comer, não se pode festejar, não se pode vestir roupa bonita, não se pode se embelezar, não se pode contar piadas, não se pode praticar esportes, não se pode tirar férias, não se pode descansar, não se pode passear, não se pode isso, não se pode aquilo... O bom homem deve viver em função da cultura do “não pode”. Isso, lamentavelmente o faz infeliz e, pior, um hipócrita que se diz feliz! A verdade é que isso denota apenas falta de conhecimento e nada mais. Deus deseja a nossa felicidade e que tenhamos prazer, alegria e satisfação em nossas vidas.


Nada é proibido. O que é preciso é saber administrar a nossa vida. Deus depositou o mundo todo em nossas mãos, confiando que saberíamos usar a sabedoria que Ele nos deu para sermos felizes. Infelizmente, muitos de nós nos temos tornado escravos de nossa própria falta de entendimento. Todas as coisas são boas para aquele que sabe tirar o bom proveito delas. É o mau uso que faz com que elas se tornem ruins e prejudiciais ao homem. Então a questão principal que gira em torno do tema é o entendimento. A cultura do “não pode” é para aquele que ainda é como menino e que “não sabe” das coisas. Para o entendido há liberdade, porque saberá discernir e julgar entre o que presta e o que não presta e aproveitar o melhor. Então viverá, ao invés de, simplesmente, ficar esperando a morte chegar.


Alguém disse certa vez que devemos viver o hoje como se fôssemos morrer amanhã e trabalharmos hoje como se fôssemos viver eternamente. É evidente que estamos nos referindo à vida terrena. O dinheiro que nós ganhamos é para ser gasto em benefício nosso e dos demais que conosco convivem, mas com certeza não é para ser entesourado. Nós não levaremos nada dessa vida além daquilo que usufruirmos e que compartilharmos com os demais. Quantos não são aqueles que se apegam em demasia aos bens materiais, sendo “mão de vaca”, “unha de fome”, avarentos e impiedosos, vivendo uma vida de miserável, quando poderia ter o mundo aos seus pés! Que adianta ter tudo e não ter alegria e não ter paz e não ter amigos e não ter Deus em seu coração e em sua vida? A verdade é que somente o estulto fica esperando a morte chegar sem tirar o devido proveito da vida maravilhosa que Deus nos deu. É de se perguntar: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Devemos ser crentes fiéis a Deus, mas acima de tudo, devemos ser verdadeiros. Se ainda não encontramos um meio de vivermos felizes, alegres e contentes, então ainda não conhecemos o Senhor da felicidade e da alegria.


É de destacar quão grande é a importância de se descobrir a utilidade proveitosa de cada uma das coisas que existem no mundo, a fim de usá-las em benefício da vida, ao invés de ficarmos fugindo de tudo com receio de sermos alcançados pela morte. Que o Senhor da Inteligência nos ilumine e nos abra os olhos para que possamos ver e viver com segurança durante todos os dias de nossa existência. 2 Rs 6:17.


[i] Izaias Resplandes de Sousa é acadêmico de Direito em Primavera do Leste, MT.

domingo, junho 17, 2007

O “CONHECIMENTO” DA SALVAÇÃO

Izaias Resplandes[i]


Existem vários elementos que se relacionam diretamente com a salvação, dentre os quais se destacam o conhecimento e a fé. Muitas pessoas possuem uma fé cega, que não se fundamenta em nada, senão na própria fé. Não há teorias, não há lógica, não há sabedoria. Apenas fé. É deveras admirável que em plena era do conhecimento ainda se possam encontrar pessoas com esse atributo. Aqueles que nada viram e que crêem incondicionalmente. É elogiável! Cf. Jo 20:29.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que é grande, a fé cega é muito frágil e então, passível de crítica. Ela não dá nenhuma segurança concreta para o seu possuidor. Baseia-se apenas na confiança no mensageiro. Um fala e outro ouve, acredita e absorve a mensagem como guia de vida. Todavia, poucos homens são merecedores de confiança. As aparências, como é cediço, normalmente nos enganam. Diz o ditado que “quem vê cara, não vê coração”. Há tantas vozes no mundo que é difícil sabermos quais são as verdadeiras. De forma que se não tivermos um meio de garantia sobre a autenticidade daquilo que ouvimos, então corremos sérios riscos de sermos enganados. Cf. Rm 10:17; Jo 7:24; 2 Co 11:14-15; 1 Co 14:10; Jr 17:15.

A palavra que se ouve, para ser merecedora da nossa fé deve ter uma origem confiável. Aquele que fala diz estar se embasando na Palavra de Deus. Isso pode ser verdade ou não. O ouvinte deve verificar a procedência, julgá-la e só então aceitá-la e incorporá-la em sua vida. Até mesmo um verdadeiro discípulo pode se equivocar. Além do mais, têm os enganadores de fato. Cf. At 17:11; Lc 9:5; 1 Co 14:29.

Devemos buscar o conhecimento. Há quem pense que a sabedoria é contrária à fé. Isso não é verdade. A sabedoria gera a fé. É o conhecimento sólido e merecedor de confiança que produz a fé. Não é por acaso que somos exortados a crescer no conhecimento. Cf. Jo 5:39; 1 Pe 3:18.

É de destacar que uma das mais poderosas armas usadas pelo maligno em nossos dias é aquela que induz o homem à ignorância. Que alega não haver a necessidade de se saber das coisas. Que tudo o que se precisa saber está na Bíblia. O fato é que, diante disso, muitos têm sucumbido e até atrapalhado a propagação do evangelho. Cf. Sl 19:1; Jo 20:30-31; 1 Co 9:20-22.

Devemos ter consciência de que somos os portadores dos princípios da Sabedoria. A Bíblia é um livro de princípios. Ao aplicá-los, ampliamos o nosso conhecimento a respeito daquilo que o Senhor deixou revelado em sua criação. Devemos ter mais conhecimento que os conhecedores das vãs filosofias desse mundo. Em tudo devemos ser muito mais do que vencedores. Não podemos ser taxados de analfabetos e ignorantes por negar o conhecimento do obvio, de verdades que a ciência tem provado por meios puramente naturais. A Bíblia não nega a ciência. A Bíblia traz as teses e ciência analisa, contrapõe e comprova que a Palavra de Deus é realmente a verdade. Se a Ciência prova a Bíblia, porque temeríamos a ciência? Devemos é saber usá-la. 1 Co 13:11; 2 Tm 2:15.

Ser ministro de Cristo exige que cresçamos no conhecimento muito mais do que os nossos opositores. A Bíblia está cheia de verdades que estão sendo comprovadas ao longo dos anos. No passado, ante o conhecimento possível, muitas interpretações foram construídas. Algumas não eram verdadeiras e sucumbiram quando se conseguiu provar o contrário. Nós devemos interpretar segundo as possibilidades do conhecimento de nossos dias. Não podemos ficar presos em interpretações ultrapassadas. Isso é dar lugar ao maligno. Cf. Dt 29:29; 1 Co 13:10-12; 1 Jo 2:13-14.

Nesse sentido, devemos buscar a fé. Todavia, não a fé cega, mas aquela que é sustentada pelo conhecimento das coisas que estão reveladas. É de saber que o visível conduz àquilo que ainda é desconhecido, mas que também será um dia esclarecido. Para concluir, quero dizer que “a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo” (1 Ts 2:3).


[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.

domingo, junho 10, 2007

Aprendendo e fazendo o certo

Izaias Resplandes[i]


Nossos sonhos. Desde que nascemos, idealizamos fazer muitas coisas. E, ao longo de nossa vida nos esforçamos ao máximo para transformar todas essas idéias e projetos em realidade. Em algumas coisas somos bem sucedidos. Em outras, não. Nesse sentido, talvez eu pudesse dizer isso não importa, porque é assim que acontece na vida de todo mundo e o que interessa é que não ficamos omissos e não deixamos de fazer. Ou seja, certo ou errado, nós fizemos algo na tentativa de acertar e de fazer o melhor. Eu creio que essa seria uma boa palavra, principalmente se contraposta à idéia de não fazer nada. No entanto, creio a Palavra de Deus pode nos dar uma orientação ainda melhor a respeito de como devemos fazer as coisas e de como poderemos ser bem sucedidos em nossos projetos. Sim, queridos, Deus deseja que nós sejamos perfeitos e nos dá orientações precisas sobre como poderemos atingir a perfeição. Cf. Fp 3:12-14.

Disse certa vez que “sem planejamento, qualquer caminho é caminho para lugar nenhum. Como planejamento se sabe para onde se vai, como se está indo e como se fará para chegar lá”. Toda atividade bem sucedida deve ser precedida de discussão, avaliação e planejamento. Seja qual for: um emprego, uma missão, um empreendimento. Nenhuma pessoa que anda às cegas possui condições de ser bem sucedida. Cf. Lc 14:28-32.

Um professor me disse certa vez que se eu pretendesse abandonar alguma coisa em minha vida, mas não tivesse outra melhor para colocar no lugar, então seria preferível que eu continuasse com o que tinha, pois corria o risco de acabar colocando algo pior em seu lugar. É isso que normalmente acontece com quem não tem o devido cuidado em cada coisa que faz ou pretende fazer. Como se diz por aí, o mundo está cheio de boas intenções, mas nem tem tudo o que se pode fazer é um bom projeto para qualquer pessoa. Na rua, na escola, na igreja e em tantos outros lugares nós aprendemos coisas que nos parecem muito interessantes e que às vezes nos arrastam para verdadeiras aventuras mal sucedidas, simplesmente porque não fizemos uma análise de custo e benefício. Cf. Mt 12:43-45; 1 Co 3:10.

Querer nem sempre é poder. Existe a hora certa para fazermos cada coisa. A precipitação é péssima conselheira. Devemos cuidar de estarmos preparados para a tarefa que vamos desempenhar. Nenhuma atividade bem sucedida será feita de qualquer maneira, sem o devido preparo prévio. Se não temos domínio de nossas ações e se em tudo dependemos dos outros, então somos alvos fáceis do fracasso e da derrota. A maioria dos erros cometidos é conseqüência de falta de preparo, falta de conhecimento e de domínio das leis de causa e efeito. Em Direito, uma pessoa é considerada culpada quando faz algo com negligência, imperícia ou imprudência. E essa é uma idéia aplicável em qualquer situação. Somente nós mesmos poderemos ser culpados dos nossos erros e fracassos, principalmente se fizemos as coisas de qualquer maneira. Cf. Mt 22:29; Jr 48:10; 2 Tm 2:15.

Diz o ditado: “o que é do homem o bicho não come”. Essa é uma verdade relativa, porque muitas vezes nem o bicho e nem o homem come, porque sequer chegamos a descobrir o que realmente era nosso. Devemos descobrir qual é a nossa praia, a nossa vocação. Ninguém veio ao mundo para ser qualquer coisa. Temos a nossa missão e devemos descobrir qual é a nossa verdadeira vocação. E então envidar nela todos os nossos esforços. Perguntada sobre o seu projeto de vida, certa pessoa disse que seu desejo era ser um advogado. E quando se lhe perguntaram sobre o que ele estava fazendo para tornar o seu projeto de vida uma realidade, não teve palavras para responder. Muitos andam de um lado para outro, fracassando por querer imitar a atividade bem sucedida de outros, deixando de lado aqui para o qual é realmente vocacionado. Cf. 1 Co 1:26; 7:20; 2 Pe 1:10.

Essas são algumas das razões que fundamentam os nossos sucessos ou fracassos. Por isso acredito que a melhor palavra então não seria aquela que nos orienta para fazer alguma coisa, no sentido de não ficar parado. Essa seria uma boa palavra. Mas a melhor orientação seria aquela que nos encaminha para o desenvolvimento de nossa própria vocação. Esse deve ser sempre o nosso alvo: a) descobrir para que viemos a este mundo; b) preparar-nos em conhecimento e meios para exercer a nossa missão; c) e, por fim, investir em nossa vida, de corpo e alma, para alcançar nossos objetivos. Então seremos como árvores plantadas junto a ribeiro de águas, que no devido tempo dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha. Então seremos bem sucedidos em tudo o que fizermos. Cf. Sl 1:3

[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.