sábado, julho 08, 2017

Passeio na Cachoeira do Porto

Foi uma linda tarde de sábado. Bastante sol e pouco frio. Uma tarde maravilhosa para um banho de cachoeira. E tomada a decisão, combinamos de sair ali por volta das duas da tarde. Vovó Lurdes ficou encarregada de tudo que se precisaria levar, porque ela é uma pessoa extraordinária para essas funções. Não esquece nada. Aí ela preparou o lanche, um bolo delicioso, suco e refrigerantes.

E lá fomos nós pela estrada afora esperando obter uma tarde show de bola. E realmente valeu a pena, porque o lugar é espetacular.

A estrada vai até bem perto da cachoeira. Atualmente, o seu José Porto, proprietário do sítio está cobrando R$ 5,00 por pessoa para a entrada, mas vale a pena.

E fomos até a primeira cachoeira. Ficamos deslumbrado diante de tanta beleza. Esse poço é muito fundo Não dá para ver o fundo. É bom para nadar, mas é melhor banhar nos lugares rasos.

Há muitas piscinas naturais. Os caldeirões. É uma delícia banhar dentro deles. A água forma uma espuma linda. Dá vontade de ficar ali o tempo todo.
E foi o que nós fizemos. E então descemos até a segunda cachoeira. Meu Deus, que coisa linda! É espetacular!
Brincamos. Fizemos a festa. Você fica sem palavras diante daquele monumento da natureza. Não resisti. Fiz uma oração a Deus agradecendo por nos presentear com aquela visão panorâmica que ainda não tinha visto em Poxoréu. Também pedi a proteção, porque o lugar não deixa de ser perigoso.
Com a companhia ideal, tivemos que ensaiar um momento love para marca a visita. Amei a cachoeira e também a companhia de Vovó Lurdes, minha amada goiana.
Capitão Davi gostou demais, ainda que tenha reclamado da água fria. Mas essa que é a água boa. Banhamos. Tiramos mil fotos. Nunca vamos esquecer desse lugar.

Ficamos enquanto tinha sol. E voltamos para casa agradecidos. Foi uma tarde daquelas. Obrigado, Senhor.

Um novo Acampamento

O dia sempre começa muito cedo quando Capitão Davi está em Poxoréu. Há tanta coisa para se fazer. Tantos cantos e recantos para se explorar. Não há tempo a perder.

Levantei bem cedo, com as galinhas fazendo a festa ao redor da barraca onde acampamos para amanhecer hoje. Pena Rocha cantava com efusiva alegria. À sua moda, dizia: Quem manda no terreiro é o galo! Não adianta montar essas barracas em meu território. Aqui é o Reino de Pena Rocha, filho do famoso Crista Vermelha.

Fui molhar as plantas enquanto Capitão e sua turma se preparava para mais um dia de aventuras. Tiadriano me acompanhou nos trabalhos matinais. Enquanto eu molhava um pé de planta aqui, outro pé de planta ali, eu ia mostrando para ele a variedade de espécies vegetais que temos na Mata do Vô: abóboras, batata-doce, muitas guarirobas, pupunhas, bananeiras, abacaxis, entre tantas outras. Tenho grande satisfação de falar de minhas plantinhas. Cada uma é muito especial e tem a sua história. E quando conto a história delas eu também vou compondo a minha. E de uma coisa não tenho dúvidas. Eu gosto muito de cuidar de minhas plantinhas.

Mas ainda nem começara direito e eis que surge o valente e intrépido explorador da Mata do Vô. Capitão chegou entusiasmado e foi direto para o primeiro Acampamento que ele e Kaká começara a construir ontem.

Ele queria acabar o serviço. E lá se foi o moço, arregaçando as mangas do pijama e mandando ver.

Fez o que pode, mas não estava muito entusiasmado sozinho. E aí foi atrás de Kaká. Aí, sim. Fizeram e aconteceram. Muitas melhorias e reformas no velho Acampamento que se tornou novo. Até cadeiras eles levaram para se sentar.

Levei a água para as brincadeiras. Eles gostaram muito. E assim foi a manhã desse segundo dia das férias de julho de 2017.

Só paramos, porque Vovó Lurdes chamou: o almoço está na mesa.

E corremos para nos lavar e comer as delícias que ela fez para nós: arroz com galinha, gueroba e pequi. Uma deliciosa comida goiana. Todos gostamos demais.
À tarde vamos à Cachoeira do Porto, um local em que ainda não estive, mas que me foi bastante recomendado, como sendo uma das mais belas cachoeiras de Poxoréu.

Acampamento na Mata do Vô

Capitão Davi chegou hoje à tarde em Poxoréu. Estávamos com mútua e intensa saudade. Nosso abraço foi renovado com ardor. Ele me apertou com força. Não disse nada. Não precisava. Não tive dúvidas de sua mensagem. Compreendi cada letra de todas as palavras que não foram ditas. Tive que controlar meus impulsos para não chorar de emoção. A maior alegria de um avô é ser amado pelos seus netos. E isso é coisa que não tem faltado entre Capitão e eu.
Ele veio com Tiadalva, Tiadriano e suas primas Bel e Kaká. E tão logo chegou já correu a fazer o reconhecimento de seu território, de seus brinquedos. E com a mesma pressa foi esparramando tudo pela área. E brincou bastante. Ele e Kaká fizeram a festa.

E aí fomos para a Mata ver as novidades. E ele ia na frente mostrando tudo para Kaká, como se sempre estivesse vivido aqui. Como me sinto bem ao ver essa manifestação de intimidade com a Mata do Vô.
E fomos parar lá no fundão, sob a sombra acolhedora de um velho cajueiro, cujos cajus são muito doces e cuja florada promete muitas frutas para os próximos meses.
E lá eles brincaram até começar a escurecer. Capitão disse que o Acamámento deles era muito legal. Eu limpei a área, cortei folhas de gueroba para que eles forrassem o chão. Foi muito bacana vê-los desenvolvendo aquela aventura de acampamento. E foi então que tomei a decisão e lhe pergumtei: Você quer acampar essa noite aqui na Mata? E dá para imaginar a alegria dele. Saiu correndo para dizer as novidades para todo mundo. E assim começamos mais uma aventura: o primeiro acampamento na Mata do Vô, embaixo da velha Mangueira.
Isso é que foi uma festa das boas. Enquanto fui na escola, Tiadriano ficou providenciando a lenha para a fogueira. Acampamento tem que ter fogueira,
E quando voltei a festa já tinha começado. Tiricardo também chegou e tomou conta do churrasco. Vovó Lurdes cozinhou a mandioca, fez o arroz e o vinagrete. E a fogueira já estava crepitando.
E então foi só animação. Cantamos para a linda cheia o "Luar do Sertão" que estava demais de lindo. Capitão e Kaká também cantaram as músicas que aprenderam este ano.
E então jantamos em volta da fogueira. Um churrasco para lá de especial, Foi maravilhoso. A carne estava no ponto. Comemos até lamber os beiços. Delícia!
E aí cantamos mais até que o pessoal foi indo dormir. Estavam cansados. Afinal, viajaram quase oitocentos quilômetros para estar hoje conosco. Mas nossa aventura ainda não tinha acabado. Pelo contrário, só estava começando, pois íamos passar a noite na Mata.
As barracas á estavam armadas e eles foram se acomodando. Mas decidi ficar mais um pouco e conversar com a lua enquanto tivesse fogo na fogueira.
Tiricardo ficou comigo ao pé da fogueira. E contamos algumas histórias. Foi uma experiência maravilhosa poder estar com meu caçula ali naquela aventura.
Mas agora também vou dormir. O galo acabou de cantar a primeira vez nessa madrugada de Acampamento na Mata do Vô. O fogo já está quase apagando, Acho que vai ser difícil esquecer esse dia.
Seja benvindo, Capitão Davi. A casa estava sentindo a sua ausência e agora tudo voltará a sorrir de novo. Vou dormir e sonhar com nossas aventuras nessas férias. Vamos aproveitar o máximo, porque o tempo passa e a gente só leva daqui o que consegue aproveitar.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Dia de Lourdes

Dia de Lourdes
Família Andrade

Hoje é o teu dia, minha linda!
O dia em que você veio ao mundo
Trazendo alegrias para a família Andrade.
Papai Tião e mamãe Gasparina
Tinham como seu sonho mais profundo
Ter uma filha em sua mocidade.

E então, o sonho de seus pais se realizou
Com a chegada de sua primeira menina,
Morena clara, cabelos pretos, bela, um céu!
E que ao nascer, levou um tapinha e chorou,
Diante de todos que aguardavam a sua vinda
E que sorriram alegres pelo choro seu.

Porque não era um choro de tristeza.
Você chorava pela alegria de ter nascido,
De ter sido amavelmente desejada.
Você seria Maria de Lourdes, a lindeza
De papai e mamãe; o tesouro mais querido
Que a esmeralda goiana cobiçada!
 
E o tempo passou! E você, Lourdes, cresceu.
Tornou-se, entre todas, a mais linda mulher
Que eu já conheci neste mundo de Deus.
Foi por você que meu coração se rendeu
Desde que soube que você queria me ter
Como amado para os beijos seus.
 
O recado alvissareiro veio por Zezé,
De suas primas, com certeza, a mais chegada,
Minha amiga daqueles tempos de escola:
__ Tenho um recado, você quer saber o que é?
__ Claro! Desde que não seja uma “pegada”.
__ Eu tenho uma prima que está te dando bola!

__ O que? Sua prima gosta de mim? Qual prima?
Passei em breve revista, a sua família inteira
E não encontrei você, oh bela morena
Que um dia me poria a fazer rimas,
Por ser menina faceira e minha primeira
E única mulher, que para viver, valesse a pena!
 
E então nos conhecemos, namoramos,
Nos apaixonamos e nos casamos, enfim,
Depois de mil anos de namoro.
E tenho vivido ao seu lado, em todos esses anos
Como homem que na vida encontrou seu fim,
Pois minha riqueza e você, minha linda, meu tesouro!

Feliz aniversário! Parabéns por toda a sua vida!
Que Deus te dê saúde, paciência e tolerância
Para me aguentar como marido ao seu lado
De hoje e sempre, até o dia de nossa partida
Para o lugar que Ele preparou-nos desde a infância
Para vivermos sempre, eternos, juntos e irmanados.

Poxoréu, MT, 27 de janeiro de 2017.

Izaias Resplandes

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Alô, Alô Pé da Serra

Izaias e Waldomiro na Fazenda da Mata, no Pé da Serra

Alô, alô Pé da Serra
Município de Torixoréu, MT.
Izaias Resplandes, filho dessa terra,
Avisa que não precisa alvoroço,
Que está bem e que agora no fim do mês
Voltará para casa outra vez.

Também avisa ao povo de seu avô
Que já não aguenta mais de saudade,
Que sente no peito uma grande dor
E que não quer mais ficar na cidade.
Que é na fazenda que quer morar
E com seu povo é que quer estar.

Pede a quem ouvir
O favor de comunicar
Que lugar bom como esse aí,
Nem aqui, nem em qualquer lugar.
Manda a todos um abraço de coração,
Com carinho, ternura e gratidão!

Poxoréu, MT, 26/01/2017

Izaias Resplandes

segunda-feira, janeiro 16, 2017

A brincadeira do caracol


A brincadeira do caracol 

Vovô está com saudade 
De brincar com seu netinho.
O brincar não tem idade,
Só precisa de carinho! 

E aí, meu garotinho:
Vamos brincar o cacaracol!
_ Vamos sim, vovozinho.
Mas, como é que se binca o caracol?

Para brincar o caracol
Tem que saber fazer curva. 
E ele é bom para os dias de sol 
E também nos dias de chuva. 

Primeiro faça o desenho circular
Das várias casas, do céu até a primeira,
Onde cada um, com empenho irá,
Pulando de pé em pé, a brincadeira. 

Se você for ao céu e voltar
Sem pisar nas riscas em qualquer lugar,
Uma casa, como sua, poderá marcar
E nas outras vezes, nela descansar. 

E assim, um por vez, todos vão pulando
Até as casas serem todas conquistadas.
E nessa brincadeira sairá ganhando 
Aquele que tiver mais casas marcadas.

Izaias Resplandes

quarta-feira, janeiro 04, 2017

A hora do Ó

A hora do Ó

Izaias Resplandes

“Davi, o ponteiro pequeno já passou em cima do X faz tempo. Está na hora! Vamos pra cama, meu filho”, disse Vovó Lourdes.
“Ah, vovó!  Só mais um pouquinho. Deixa eu ficar acordado só mais um pouquinho”, respondeu Davi meio acordado, meio dormindo.
“Está bem, mas só até a vovó fazer o seu mamá”. E lá se foi para a cozinha, enquanto seu avô Bigodão, escutando tudo, pensava muito preocupado.
Ainda que estivessem vendo o filme “Imagine Só”, que era muito legal, já estava quase na hora do Ó e todos na sala já estavam cochilando fazia um tempão, pois não queriam estar acordados quando ela chegasse. A bisavó Maria chega roncava de fazer tremer os bigodes: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... Seu ronco a cada tique-taque aumentava o tanto de Ó.
Naquela hora Bigodão deu uma olhada no relógio da parede para ver as horas. E entre as vozes do filme e os roncos da bisavó dava bem para ouvir a voz do relógio dizendo que já se aproximava a terrível e temida hora do Ó.
Tique-taque, tique-taque, tique-taque... Faltavam vinte vezes sessenta tique-taques para iniciar o quarto dia do ano primeiro que vem depois dos quatro primeiros bissextos do século vinte e um. Contei nos dedos, fiz a conta, mas o roncar da bisavó me fez errar.
Levantei. Fui até a janela e olhei o tempo. Ouvi um trovão: TROÃO-VÃO-VRÃO-VRÃO-TROAO-VRÃO...  O céu estava coberto por um véu mais negro que o negro da noite sem lua. Vi que também não havia mais ninguém na rua. Todos tinham ido dormir há muitos tique-taques atrás. Ninguém queria estar acordado quando chegasse a hora do Ó.
Capitão Davi sempre soubera o quanto a hora do Ó era perigosa. Desde os tempos em que ele e Bigodão exploravam a Mata do Vô, que ele aprendeu que criança naquela casa deveria dormir cedo, antes que chegasse a hora do Ó, a hora do pega pra cantá. Vovô Bigodão sempre lhe dizia para tomar muito cuidado, porque quando chegasse a hora do Ó, ele não deixaria ninguém escapar e pegaria todo mundo que estivesse acordado para cantar com ele o terrível canto do Ó, em muitas e diferentes línguas, até não poder mais cantar e cair no sono de cantaço, o cansaço de tanto cantar.
Na verdade, todo mundo lá gostava de cantar. Na hora do almoço cantavam: “AO SENHOR AGRADECEMOS, ALELUIA! O ALIMENTO QUE TEREMOS, ALELUIA!”   Também cantavam na hora da janta e em muitas outras horas. E todo mundo achava legal. O problema era cantar na hora do Ó, porque a música que Bigodão inventava na hora era uma música comprida e sem graça e que não acabava nunca, pois após se cantar em uma língua, ele chamava para cantar em outra língua e outra língua e outra... Aí ninguém conseguia dormir tão cedo, porque aquele Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró não saía mais da cabeça. E quando a gente dormia, acabava sonhando com o canto e acordando de novo. Era muito terrível!
 E o vovô Bigodão começava:
Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

Agora vocês. Vamos lá. Bis!!!

Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

 Agora é o canto do POCOTÓ!
Vamos cantar, ó bisavó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar Vovó, Vovó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.

Mais uma vez.... E assim prosseguia, inventando outras rimas esquisitas com o Ó, desafiando os acordados para repetir o verso do Ó que acabara de ser inventado. 

E a partir de agora essa vai ser a história do Ó, que afinal não tinha nada de mais, pois era apenas isso só.

Oh, outro Ó! Então vamos cantar: E ERA APENAS ISSO SÓ!
Vamos cantar, ó Bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ- PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar, Vovó, Vovó: QUE ERA APENAS ISSO SÓ!


Aí encerrava o Vovô, dando um Boa Noite para todos. Mas ninguém mais respondia. Todos imitavam a bisavó: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... E se alguém que até então não dormira de verdade, também a imitava até que dormisse, sonhando com aquele terrível canto do Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

terça-feira, dezembro 20, 2016

POR AMOR A KARITA

POR AMOR A KARITA
Antes de tudo, quero me apresentar: eu sou um TUNIQUINHO! Esse é o nome que nós escolhemos para o nosso grupo familiar, em homenagem ao meu avô Antônio Gomes de Sousa, notoriamente conhecido e respeitado na região de Torixoréu, MT, como o TUNICO SOUSA. Neste ano de 2016 nós participamos de três campanhas de saúde em nosso próprio meio, além de nos envolvermos também em outras frentes de ação. A primeira começou ainda no ano passado e marcou o início desse ano, quando lutamos pela vida de meu filho Ricardo Resplandes. Depois veio a luta pela saúde de tia Zulmira de Sousa. E agora, estamos chegando ao fim do ano lutando POR AMOR A KARITA. Lutamos pela realização de cirurgias delicadas e muito onerosas. Infelizmente, ainda que nossa Constituição diga que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”, isso está longe de ser realidade no Brasil, quando vemos ser noticiados quase que diariamente a morte de pessoas nas filas de espera para realização de cirurgias eletivas. É nessas horas que a gente se desespera, porque apesar dos avanços tecnológicos, tais benefícios somente são colocados à nossa disposição, quando temos recursos financeiros para assegurá-los. E isso, em um país onde a maioria da população é muito pobre, nós sabemos que não é algo fácil de conseguir. Mesmo assim, nós nunca deixamos de acreditar que com a união dos esforços de muitas mãos e com muito amor em nossos corações, nós sempre poderemos ver e vivenciar milagres em nossas vidas.
E então eu pude dizer hoje à noite esse breve mais tão significativa frase. Vencemos! Bastou-me uma só palavra para traduzir o meu sentimento de gratidão às centenas de pessoas que nos ajudaram na obtenção dos recursos necessários para que a cirurgia renal de minha prima Karita se tornasse realidade.
Foram três dias intensos de conversas e muita ação. E ao final dessa Campanha, quero dizer que foi maravilhoso poder receber e dar um abraço de amor como esse que cada um de nós conseguiu dar e receber durante essa operação por AMOR A KARITA. 
Eu sei como é grande o coração e a capacidade de amar de tantos dos tantos que convivem comigo. Eu sei porque eu tenho sido amado por demais. E isso me sensibiliza para tentar compreender e amar também, na mesma medida, ainda que isso seja quase impossível, porque sempre recebi bênçãos com medida transbordante, recalcada e sacudida!
Eu não gosto do amor de gogó. Eu gosto do amor de fato. Da mesma forma, eu gosto muito de orações, mas de orações ativas, carregadas de ação, pesadas de concretude, conscientes e saborosas. Não gosto de falatórios vazios e hipócritas, que falam, falam, mas não produzem nenhuma ação. Gosto de orações que me mostram a face de Deus agindo na minha vida, porque o Deus que eu acredito não é um Deus de fala vazia, mas é um Deus que quando fala, as coisas acontecem.
O que Deus nos mobilizou para fazer por três dias foi uma grande missão de amor pela vida de Karita. Isso, sim, é o amor que eu conheci e quero que Deus me ajude a praticar muitas e muitas vezes até ser capaz de não discutir, mas apenas amar!
Quero dizer que é desse tipo amor que estou me esforçando para aprender. E que é sendo amado com esse tipo de amor que eu também estou aprendendo a amar. Essa nessa dimensão pedagógica que faço esse meu discurso. Afinal, como não amar se a cada instante dessa vida eu sou muito amado? É o exemplo e não a teoria que produz o resultado desejado por mim e, com certeza, por todos nós.
 Além disso, eu tenho aprendido que para amar é preciso ser capaz de ver além daquilo que se vê. Normalmente nós vemos apenas as aparências e por isso temos dificuldades de amar.
O amor não é fruto de aparências. O amor brota na alma e se espalha pelo coração e pela mente. Quando se é possuído pelo amor, a gente faz as coisas sem perguntar por quê; a gente consegue ver o que é invisível para os olhos normais; a gente consegue sentir a dor e a alegria que está dentro do outro; e a gente se dispõe a ser instrumento nas mãos de Deus para trazer o alívio  ao sofrimento de nosso irmão.
Eu quero agradecer a cada um dos meus queridos TUNIQUINHOS e das centenas de amigos que vamos colecionando pela vida afora, pelos tantos lugares que passamos, pela alegria que me proporcionaram de poder viver e sentir as emoções desses dias de lutas por AMOR A KARITA!
E a mensagem que deixo a cada um é esta: vamos em frente! Nós estamos nos tornando uma família de verdade, nós estamos aprendendo a ser família. Não é difícil amar e se relacionar com uma ou duas pessoas, mas estar presente na vida de centenas já não é uma tarefa tão fácil. Mas nós estamos nos aperfeiçoando na medida em que caminhamos para sermos milhares de TUNIQUINHOS! Começamos com os filhos, netos e bisnetos de Tunico Sousa. Incorporamos genros, noras, primos, sobrinhos, tios... Estamos realmente nos transformando em uma Grande Família, principalmente quando deixamos fluir em nosso meio o sangue de nossos ancestrais, que sempre valorizaram a família e a amizade. É esse fluxo que nos anima, que nos enche de saudades deles e nos faz sentir vontade de seguir os seus passos e ser pelo menos um pouquinho do que eles foram.

Parabéns aos TUNIQUINHOS & AMIGOS que hoje dormem o sono feliz de quem fez o bem da melhor forma que foi possível fazer. Saúde para todos, mas em especial para a musa inspiradora dessa nossa Campanha de Amor. Que Deus abençoe a você, KARITA DIOGO GOMES e que sua operação seja bem sucedida para que sua alegria de viver feliz e sem dor seja restabelecida. Amém! 

sábado, maio 07, 2016

Feliz dia das mães, minha mãe!

Querida mamãe!

Quero te cumprimentar pelo dia das mães neste ano de 2016. Sou muito feliz de poder ter a oportunidade de conviver contigo, ainda que frequente muito pouco a sua casa. Talvez pudesse ter passado um pouco mais do meu tempo de vida ao seu lado, mas infelizmente, tenho vivido muito ocupado com os corre-corres da vida cotidiana. De forma que, mais que lamentar, eu quero te agradecer pelo seu exemplo, que fez de mim um homem trabalhador.

Admiro a sua fibra de luta e de disposição para o trabalho. Posso ter sido omisso no afeto, no carinho e na atenção, mas me dediquei aos estudos e ao trabalho, buscando alcançar os melhores resultados nesses campos. Seu exemplo de mulher trabalhadora sempre me encantou. Você sempre trabalhou incansavelmente e nunca se envergonhou de ter que trabalhar, ainda que às vezes tivesse de executar trabalhos considerados mais inferiores. Aprendi contigo e com o meu pai também, que o mais importante é trabalhar e posso dizer que desde que alcancei a maioridade, foram raros os dias em que fiquei desempregado, embora nem sempre tenha escolhido o serviço a fazer. Essa lição de ser trabalhador eu a aprendi muito bem com vocês. E ainda hoje, do alto de seus cabelos embranquecidos pela vida, você ainda continua ensinando aos meus irmãos e a mim, que todos nós devemos trabalhar e fazer a nossa parte. É claro que carinho e amor são muito importantes, mas dificilmente haverá carinho e amor onde houver a falta dos bens necessários para sobrevivência.

Aprendi que primeiro devemos cuidar da barriga, para depois cuidar do coração. Afinal, ainda que muitos pensem o contrário, saco vazio não para em pé. E assim tem sido durante toda a nossa vida. Demonstramos o nosso carinho e o nosso amor uns pelos outros, trabalhando para que em nossos lares nunca tivéssemos que ficar de barriga vazia. Tivemos dias difíceis, nossas lembranças que o diga, mas nós os vencemos porque nós nos amávamos e soubemos trabalhar sempre unidos para vencer os dias maus.

Por outro lado, ainda que esteja agradecido porque fui educado para ser um trabalhador e dar o melhor de mim, não posso negar que, por muitas vezes, me encontrei a lamentar o fato de ter dedicado quase todo o meu tempo de vida ao trabalho, deixando muito pouco para a convivência familiar com a senhora, minha mãe, e também com minha esposa, meus filhos e meu neto. Quero dizer-te que sinto muita falta dessa convivência e sei que ainda poderei lamentar por não ter aproveitado mais. Mas, infelizmente, o que foi, foi. E, por isso, não vou agora começar a chorar pelo leite derramado.
Todavia, antes do abraço desse dia, mesmo que minha educação recebida diga que não seja preciso, eu quero te pedir perdão por ter-lhe dado apenas umas poucas migalhas de minha atenção e quero agradecer-te por me ter dado o máximo da sua quando pude estar contigo.

Obrigado por tudo o que tem feito por mim até aqui. Sei que nossa realidade foi dura, mas foi vivida com dignidade. Ninguém diga que seus filhos não sejam homens de fibra como você também tem sido até aqui e, com certeza será até o final de seus dias.

É claro que hoje a senhora não precisaria mais continuar trabalhando. No entanto, continua. De sol a sol, de domingo a domingo. Eu entendo que sua mensagem está a me dizer que nunca poderá parar de me ensinar, ainda que hoje eu já comece a viver os meus dias como ancião. Não tenho dúvidas que enquanto eu viver estarei sendo ensinado pelo seu exemplo de mulher trabalhadora.

Também te agradeço pela orientação espiritual. A ciência que estudei travou duras batalhas comigo, mas sempre busquei dominá-la ao invés de ser dominado por ela. Assim, não me tornei um cético, mas um cientista de fé, que aprendeu a usar a ciência para consolidar as instruções espirituais aprendidas com a senhora, no estudo teórico e prático da Bíblia Sagrada, ao invés de me tornar uma espécie de cientista ateu e sem esperança, que somente conseguisse ver o que estivesse na ponta do seu dedo indicador. Assim, uso o melhor da ciência em meu benefício material, ao tempo em que me aprofundo no conhecimento da Palavra de Deus. Afinal, não duvido que seja Ele o criador de todas as coisas, diga o que diga quem quiser dizer o contrário. Há muitos que acham impossível esse casamento, mas vivo muito bem como um cientista criacionista. E nisso eu te louvo, minha mãe. Pois foi a senhora que me encaminhou no caminho das profundidades do conhecimento espiritual. A senhora não poderia ter feito melhor do que isso, posto que hoje, guardo em meu coração a convicção de que um dia nós estaremos todos juntos para sempre na presença de Deus, nosso Pai, porque, além desse ser o Seu desejo, Ele não mediu esforços, misericórdia e bondade para que isso acontecesse.

Por tudo isso que disse, mas principalmente pelo que não disse e que talvez diga outro dia, muito obrigado, mamãe. Você é uma mãe nota dez! Eu te amo e te admiro e te guardo no mais profundo aconchego de meu coração.


Feliz dia das mães, minha mãe!