quinta-feira, maio 24, 2018

Sexagenário

Sexagenário


E então eu cheguei aos sessenta em plena atividade. 

Creio que posso ser considerado um trabalhador.

Desde os meus tempos de menino, eu fui preparado para ser um trabalhador.
Meu pai nunca nos deixou na moleza. Nos trabalhos da roça, fui o aguadeiro. Cuidava da cabaça, mantendo-a sempre cheia, saciando a sede da peonada de meu pai. Nos trabalhos com o carro de bois, meu pai foi o carreiro e eu fui o candieiro. Ainda me recordo de Sombreiro e Sobrado, a junta de bois de guia, bem treinada e que obedecia cegamente aos meus chamados: vem cá, Sombreiro; vem cá, Sobrado.

Fazenda da Mata, Pé da Serra. Eu e mano Waldomiro 

Também trabalhei na foice e na enxada, a famosa mansinha, como era apelidada. Ajudava a carpir o quintal e roçar os pastos. Meu pai me avaliava como meio homem. O meu dia de serviços valia a metade do dia de um homem. Vivi no Pé da Serra, em Torixoréu, MT, até os dez anos, quando fui estudar em Alto Araguaia, MT.

Minhas Guarirobas 

Em Alto Araguaia, eu limpava a minha sala de aula todos os dias, em troca das mensalidades. Também vendia bolos para minha tia Marina; guarirobas ou guerobas, como nós as chamávamos, para o meu tio Irani. Eu vendia tudo o que me punham nas mãos e ganhava o dinheiro para comprar meus lanches e materiais didáticos. Fiz isso por dois anos (1869-1970).
Em 1971 nós mudamos para Goiânia. Ali também eu vendi de tudo: picolés, frutas, água, chocolates, pirulito de açucar. Fiz frete de mão nas feiras livres. Trabalhei como office boy, balconista de padaria e de mercearia, fui arrumador de banca nas feiras livres e também trabalhei como servente de pedreiro, ajudante geral e ainda ajudei o Chico a furar cisternas.
Comecei a trabalhar de carteira assinada, em dezembro de 1976, quando tinha 18 anos. Meu primeiro emprego foi como cobrador de ônibus, na HP Transportes Coletivos, onde fiquei por pouco tempo. Aliás, é de ver que naqueles primeiros anos de minha maioridade exerci o labor em várias empresas de Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Mato Grosso. Eu ficava pouco tempo em cada emprego. E meus empregos eram servicinhos sem muita importância. A atividade mais relevante que eu exerci nesse período foi a de Professor de uma sala multisseriada na Fazenda Passo Fundo, município de Cuiabá, MT. Ah, sim! Também fui dono de uma mercearia em Goiânia, GO.

No alto do Morro da Mesa, em Poxoréu, MT, com meus parentes: Elieth, Flávia, Dionice, Aberaldo e Aparecida dos Anjos. 

Em 01 de junho de 1981 comecei a trabalhar no DERMAT/RERO-5, em Poxoréu, MT. Em 01 de junho de 1985, também comecei a trabalhar na Prefeitura de Poxoréu, acumulando cargos públicos, onde exerci diversas funções. Em 17 de março de 1986, o Município assinou a minha Carteira de Trabalho como Supervisor de Educação. Em 1989 fiz concurso para Assistente Administrativo. Deixei o serviço público municipal em 2004, embora ainda tenha prestado alguns meses de serviço, posteriormente.

Poxoréu, MT 

Desde 1983 eu passei a exercer a cátedra na rede estadual de ensino de Mato Grosso, mais precisamente na cidade de Poxoréu.. Até 1990, eu fui professor interino. Em maio daquele ano tomei posse como professor efetivo das séries iniciais do primeiro grau. Em 1998, quando concluí o curso de Pedagogia, fui enquadrado como Professor de Educação Básica. Em 2004 eu concluí a Licenciatura em Matemática e em 08 de agosto de 2007, tendo sido aprovado em novo concurso público, tomei posse também como professor de Matemática.
Em 28 de março de 2018 eu me aposentei na cadeira de Pedagogia. E, atualmente, já tendo tempo de contribuição mais do que suficiente (são mais de 35 anos), estou tentando me aposentar também na cadeira de Matemática, a qual ainda estou exercendo na Escola Profª Juracy Macêdo, em Poxoréu, MT.

Creio que posso ser considerado um escritor.

Sempre gostei de escrever, mas, somente em 1982 eu comecei a publicar os meus escritos. Comecei escrevendo no Jornal Estudantil A SEIVA, que circulava na Escola Pe. César Albisetti, onde eu estudava o curso de Magistério.

Upeninos: Izaias, Luís Carlos, João,Dona Antônia e Joaquim Moreira, Professora Elienor e Genivá, João Batista, Gaudêncio, Zendaide e Josélia. 

Em 1983 eu fundei o Jornal Estudantil A Gazeta do Estudante, onde publicava as minhas ideias. Naquele mesmo eu fui convidado para assumir a Redação do Jornal Correio de Poxoréo, a ser mantido pela Prefeitura de Poxoréo. Aceitei o convite, começando as atividades em 01 de junho de 1983.
Ainda no ano de 1983, publiquei o livro Saudades e Melancolias, em co-autoria com Gaudêncio Filho Rosa de Amorim e Kautuzum de Araújo Coutinho.

Edições do Jornal O Upenino 

Em 31 de março de 1988, eu presidi uma reunião de sete pessoas, na qual decidimos fundar a União Poxorense de Escritores (UPE). Éramos Aquilino Souza Silva, Joaquim Moreira, João de Sousa, Enir Arge Conceição, Genivá Bezerra, Kautuzum de Araújo Coutinho e eu.
A Upenina nº 06 

Como upenino, membro da UPE, participei da publicação de dezenas de edições do Jornal O Upenino, bem como de sete edições da Revista A Upenina, sendo cinco impressas e duas eletrônicas.
Em 2004 participei como co-autor da edição do livro Antologia Poética: síntese da poesia upenina.
Por último, quero destacar as minhas publicações na rede mundial de computadores, onde mantenho alguns blogs, nos quais venho publicando todas as minhas novas produções, ao tempo em que estou tentando resgatar e publicar as produções mais antigas. Dentre minhas publicações eletrônicas mais recentes está o livro “A Família” - um conjunto de crônicas, artigos e poesias relacionadas com essa temática.
É de registrar, ainda, que tenho feito diversas publicações nos jornais da região, como A Gazeta, de Cuiabá; o Diário de Cuiabá; A Crônica, de Paranatinga; o Diário, de Primavera do Leste, o Noticiário Evangélico, de Campo Grande (MS), entre outros.

Eu creio também que posso ser chamado de um homem de Deus.

Acampamento Rio dos Crentes, propriedade da Igreja Neotestamentária 

Por muitos anos eu fiz o que me deu na testa. Desenvolvi três vícios: café, tabaco e álcool. Usei e abusei, até o dia em que compreendi que precisava parar. E com a ajuda de Deus, eu parei. E desde então dedico grande parte de minha vida para as atividades espirituais.
Sou membro da Igreja Evangélica Neotestamentária de Poxoréu. É de dizer que essa foi a primeira igreja evangélica a instalar-se no Município de Poxoréu. Sua primeira sede ficava na atual Praça da Liberdade, no local onde hoje está instalada a Igreja Presbiteriana do Brasil, a qual assumiu o nosso trabalho naquele local a partir da década de quarenta.
Em 1981, com a minha família morando em Poxoréu, por incentivo do Pastor Manoel Francisco Paulo, nós decidimos reativar o trabalho neotestamentário nesta cidade. Fiz parte da primeira Diretoria, como Presidente da Mesa Administrativa. Inicialmente, nossas reuniões aconteciam em um barraco de palhas, no bairro Jardim Tropical, mas, desde 01 de junho de 1985, a Igreja está instalada na Rua Osvaldo Cândido Pereira nº 70, Bairro Lagoa I.
Em 1994, eu fui eleito Pastor, exercendo o ministério ao lado do Pastor Valmi Resplande de Sousa (meu primo). Hoje, continuo à frente do trabalho, dividindo as responsabilidades com os demais irmãos, mas somos bem poucos membros. 

Creio que sou um homem de família.

Junto com a família nos meus 50 anos. 

Sou filho de Marcelino Argemiro de Sousa e dona Maria Resplandes de Sousa. Sou casado com dona Maria de Lourdes Resplandes, filha de Sebastião Rodrigues de Andrade e Gasparina Rosa de Andrade. Tenho três filhos: Ricardo (o caçula), Mariza (a do meio) e Fernando Resplandes, cassado com Mariana Nascimento Resplandes, com a qual possui dois filhos, Davi e Arthur, meus lindos netinhos. Eu amo a todos por demais.

E então, agora sou um sexagenário.

E esse sou eu. Um sessentão feliz com sua vida, com sua família e com suas realizações. Acredito que ainda tem muita água para correr no rio de minha existência. Estou forte, ativo, bem disposto e com muita vontade de continuar na vida até o dia em que Deus quiser.


Tenho o desejo de publicar mais três livros, consolidando as minhas produções: Emoções (poesias); Crônicas Poxoreanas (reflexões sobre a vida em Poxoréu); e, O maravilhoso mundo de Deus (reflexões bíblicas). Isso não significa que deixarei de produzir. Pelo contrário, enquanto houver luz em meus olhos e minha mente estiver lúcida, jamais pretendo deixar de fazer alguma coisa em favor da minha família, dos meus amigos, da minha cidade e de meu país.
Gosto muito de estar em contato com a Natureza. Faço isso todo dia, na Mata do Vô, o quintal de minha casa em Poxoréu, onde cultivo um pouco de cada coisa. Tenho gosto de ver cada planta crescer, florescer e dar seus frutos. Eu pensava em ter uma fazenda, mas não cheguei a tanto. De forma que estou satisfeito em ter uma casa com um belo quintal. Não adianta ter muita terra e não fazer nada nela.
A terra precisa cumprir sua função social. Tem que produzir. Nós precisamos de alimentos, de flores, de frutos. A terra precisa ser bem cuidada para que possa nos atender em nossas necessidades.
Agradeço a Deus, aos familiares de perto e aos de longe, aos irmãos de fé e aos irmãos de lutas sociais e culturais, aos colegas de trabalho e a todos que participaram da minha vida, e que, de alguma forma, têm me ajudado a chegar ao topo dos meus sessenta anos.

Família: Izaias, Mariza, Fernando, Arthur, Davi, Mariana, Lourdes e Ricardo. Aniversário de 7 anos do Davi. 

E depois disso, o que mais posso dizer? Creio que um bom pedido seja: e que venham outros sessenta, como complemento para a minha melhor idade! Obrigado.

Poxoréu, MT, 25 de maio de 2018.

Izaias Resplandes de Sousa, agora sexagenário.

terça-feira, dezembro 26, 2017

A Família

A FAMÍLIA

Compartilho com os leitores desse Blog o meu novo livro, intitulado 

A FAMÍLIA. 

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sábado, agosto 12, 2017

Nos braços de meu pai

Nos braços de meu pai!

IZAIAS RESPLANDES DE SOUSA

Não esquecerei de meu pai! Vou manter as lembranças que tenho dele guardadas dentro de mim. Elas ficarão no lugar onde conservo tudo aquilo que vale a pena ser lembrado. Ainda que elas pareçam diminuir em quantidade, na medida em que o tempo vai passando, aquelas que ficam aumentam de intensidade, mantendo em alta o nível de minhas lembranças.

Ando preocupado com minhas lembranças de meu pai. Ainda que eu procure me lembrar de momentos de carinho, de colo, de cafuné... Eu quase não consigo me lembrar desses momentos. O que eu mais recordo são as surras e os conselhos que vinham depois. Lembro-me de várias sessões dessa natureza.


Lourdes, minha esposa, me disse que isso é pelo fato de que os sermões e as surras valeram a pena, porque me conservei uma pessoa de bem. Assim, os sermões e as surras foram gestos de amor, para me manter uma pessoa direita e de bem.



Agora à noite me recordei de um dia que o meu pai me carregou nos braços. Eu estava doente. Muito atacado de reumatismo. Naquele dia eu amanhecera com as pernas muito inchadas e fui parar no Hospital. Lembro-me que fui numa ambulância da Polícia Militar de Goiás, que o Tio Divino, da Dona Castorina arrumou para me levar até o Hospital do Rassi, ali perto do Lago das Rosas, em Goiânia, Goiás. O INPS funcionava lá.



Naquele dia eu fui atendido no Pronto Socorro do Rassi e encaminhado para a Policlínica de Goiânia que ficava na Av. Tocantins, no centro da cidade. Então o meu pai me pegou nos braços e me carregou até o ponto de ônibus. Entramos no ônibus. Não lembro se alguém ofereceu um lugar para nós. Devem ter oferecido, mas não me lembro.


Na Policlínica tinha muita gente para ser atendida. Se não me engano, o meu médico se chamava Dr. Udirse. Será que ele ainda é vivo? Pesquisei na internet. Meu Deus! Encontrei um Dr. Udirse Rodrigues Do Nascimento, Reumatologista - CRM 711, Goiânia - GO. Deve ser ele mesmo. Fiquei com vontade de reencontrá-lo, ainda que não me lembre de suas feições. Mas ele fez um bom tratamento em mim e, durante muitos anos, eu não tive mais problemas com reumatismo. Acho que pagaria uma consulta só para conversar um pouco com ele. Faz tanto tempo!


Lá na Policlínica nós nos sentamos em um banco de cimento que ficava na beira de uma parede, se não me engano. Estava lá a Dona Dayse, Diretora do Colégio Estadual Dom Abel, onde eu estudava. Meu pai estava comigo no colo e ela perguntou-lhe porque ele estava comigo no colo. E meu pai explicou. Mas ela duvidou que eu estivesse tão mal, mesmo.


Dona Dayse pediu ao meu pai que me deixasse no meio da sala de espera e então ele veria que eu conseguiria andar e voltar ao banco para me sentar. Não sei por que, mas meu pai fez o que ela mandou. Acho que ele não queria discutir com a Diretora, que era uma autoridade diante da simplicidade de meu pai, recém-chegado de Torixoréu, MT, onde vivíamos em um pequeno sítio. Então ele me deixou no meio da sala. E aí a professora me chamou para me sentar. Lembro-me que somente dei uma olhada para ela e desmaiei. Quando acordei estava no consultório do Dr. Udirse, em uma maca.


Dr. Udirse decidiu que eu deveria ser internado. Fui encaminhado para o Hospital São Jorge, que ficava próximo da antiga Rodoviária e do Lago das Rosas. E novamente meu pai me pegou nos braços e saiu do consultório me carregando. Dona Dayse ainda estava na sala de espera. E ao nos ver ela se aproximou de meu pai e conversou com ele. Ela deu o dinheiro do táxi para que o meu pai me levasse para o Hospital São Jorge. E assim nós fomos para lá.


Era o ano de 1972 e eu estava com 14 anos de idade. Hoje estou com 59 anos. Já se passaram 45 anos.


Essa foi uma boa lembrança que tive de meu pai, de um dia em que ele me carregou nos braços e me pôs no colo. Ainda que as boas lembranças pareçam tão poucas, vou torná-las grandes, sempre me relembrando delas. E assim, não te esquecerei, meu pai! Não te esquecerei!
Saudades!

Poxoréu, MT, 13 de agosto de 2017.


Izaias Resplandes de Sousa

sábado, julho 08, 2017

Passeio na Cachoeira do Porto

Foi uma linda tarde de sábado. Bastante sol e pouco frio. Uma tarde maravilhosa para um banho de cachoeira. E tomada a decisão, combinamos de sair ali por volta das duas da tarde. Vovó Lurdes ficou encarregada de tudo que se precisaria levar, porque ela é uma pessoa extraordinária para essas funções. Não esquece nada. Aí ela preparou o lanche, um bolo delicioso, suco e refrigerantes.

E lá fomos nós pela estrada afora esperando obter uma tarde show de bola. E realmente valeu a pena, porque o lugar é espetacular.

A estrada vai até bem perto da cachoeira. Atualmente, o seu José Porto, proprietário do sítio está cobrando R$ 5,00 por pessoa para a entrada, mas vale a pena.

E fomos até a primeira cachoeira. Ficamos deslumbrado diante de tanta beleza. Esse poço é muito fundo Não dá para ver o fundo. É bom para nadar, mas é melhor banhar nos lugares rasos.

Há muitas piscinas naturais. Os caldeirões. É uma delícia banhar dentro deles. A água forma uma espuma linda. Dá vontade de ficar ali o tempo todo.
E foi o que nós fizemos. E então descemos até a segunda cachoeira. Meu Deus, que coisa linda! É espetacular!
Brincamos. Fizemos a festa. Você fica sem palavras diante daquele monumento da natureza. Não resisti. Fiz uma oração a Deus agradecendo por nos presentear com aquela visão panorâmica que ainda não tinha visto em Poxoréu. Também pedi a proteção, porque o lugar não deixa de ser perigoso.
Com a companhia ideal, tivemos que ensaiar um momento love para marca a visita. Amei a cachoeira e também a companhia de Vovó Lurdes, minha amada goiana.
Capitão Davi gostou demais, ainda que tenha reclamado da água fria. Mas essa que é a água boa. Banhamos. Tiramos mil fotos. Nunca vamos esquecer desse lugar.

Ficamos enquanto tinha sol. E voltamos para casa agradecidos. Foi uma tarde daquelas. Obrigado, Senhor.

Um novo Acampamento

O dia sempre começa muito cedo quando Capitão Davi está em Poxoréu. Há tanta coisa para se fazer. Tantos cantos e recantos para se explorar. Não há tempo a perder.

Levantei bem cedo, com as galinhas fazendo a festa ao redor da barraca onde acampamos para amanhecer hoje. Pena Rocha cantava com efusiva alegria. À sua moda, dizia: Quem manda no terreiro é o galo! Não adianta montar essas barracas em meu território. Aqui é o Reino de Pena Rocha, filho do famoso Crista Vermelha.

Fui molhar as plantas enquanto Capitão e sua turma se preparava para mais um dia de aventuras. Tiadriano me acompanhou nos trabalhos matinais. Enquanto eu molhava um pé de planta aqui, outro pé de planta ali, eu ia mostrando para ele a variedade de espécies vegetais que temos na Mata do Vô: abóboras, batata-doce, muitas guarirobas, pupunhas, bananeiras, abacaxis, entre tantas outras. Tenho grande satisfação de falar de minhas plantinhas. Cada uma é muito especial e tem a sua história. E quando conto a história delas eu também vou compondo a minha. E de uma coisa não tenho dúvidas. Eu gosto muito de cuidar de minhas plantinhas.

Mas ainda nem começara direito e eis que surge o valente e intrépido explorador da Mata do Vô. Capitão chegou entusiasmado e foi direto para o primeiro Acampamento que ele e Kaká começara a construir ontem.

Ele queria acabar o serviço. E lá se foi o moço, arregaçando as mangas do pijama e mandando ver.

Fez o que pode, mas não estava muito entusiasmado sozinho. E aí foi atrás de Kaká. Aí, sim. Fizeram e aconteceram. Muitas melhorias e reformas no velho Acampamento que se tornou novo. Até cadeiras eles levaram para se sentar.

Levei a água para as brincadeiras. Eles gostaram muito. E assim foi a manhã desse segundo dia das férias de julho de 2017.

Só paramos, porque Vovó Lurdes chamou: o almoço está na mesa.

E corremos para nos lavar e comer as delícias que ela fez para nós: arroz com galinha, gueroba e pequi. Uma deliciosa comida goiana. Todos gostamos demais.
À tarde vamos à Cachoeira do Porto, um local em que ainda não estive, mas que me foi bastante recomendado, como sendo uma das mais belas cachoeiras de Poxoréu.

Acampamento na Mata do Vô

Capitão Davi chegou hoje à tarde em Poxoréu. Estávamos com mútua e intensa saudade. Nosso abraço foi renovado com ardor. Ele me apertou com força. Não disse nada. Não precisava. Não tive dúvidas de sua mensagem. Compreendi cada letra de todas as palavras que não foram ditas. Tive que controlar meus impulsos para não chorar de emoção. A maior alegria de um avô é ser amado pelos seus netos. E isso é coisa que não tem faltado entre Capitão e eu.
Ele veio com Tiadalva, Tiadriano e suas primas Bel e Kaká. E tão logo chegou já correu a fazer o reconhecimento de seu território, de seus brinquedos. E com a mesma pressa foi esparramando tudo pela área. E brincou bastante. Ele e Kaká fizeram a festa.

E aí fomos para a Mata ver as novidades. E ele ia na frente mostrando tudo para Kaká, como se sempre estivesse vivido aqui. Como me sinto bem ao ver essa manifestação de intimidade com a Mata do Vô.
E fomos parar lá no fundão, sob a sombra acolhedora de um velho cajueiro, cujos cajus são muito doces e cuja florada promete muitas frutas para os próximos meses.
E lá eles brincaram até começar a escurecer. Capitão disse que o Acamámento deles era muito legal. Eu limpei a área, cortei folhas de gueroba para que eles forrassem o chão. Foi muito bacana vê-los desenvolvendo aquela aventura de acampamento. E foi então que tomei a decisão e lhe pergumtei: Você quer acampar essa noite aqui na Mata? E dá para imaginar a alegria dele. Saiu correndo para dizer as novidades para todo mundo. E assim começamos mais uma aventura: o primeiro acampamento na Mata do Vô, embaixo da velha Mangueira.
Isso é que foi uma festa das boas. Enquanto fui na escola, Tiadriano ficou providenciando a lenha para a fogueira. Acampamento tem que ter fogueira,
E quando voltei a festa já tinha começado. Tiricardo também chegou e tomou conta do churrasco. Vovó Lurdes cozinhou a mandioca, fez o arroz e o vinagrete. E a fogueira já estava crepitando.
E então foi só animação. Cantamos para a linda cheia o "Luar do Sertão" que estava demais de lindo. Capitão e Kaká também cantaram as músicas que aprenderam este ano.
E então jantamos em volta da fogueira. Um churrasco para lá de especial, Foi maravilhoso. A carne estava no ponto. Comemos até lamber os beiços. Delícia!
E aí cantamos mais até que o pessoal foi indo dormir. Estavam cansados. Afinal, viajaram quase oitocentos quilômetros para estar hoje conosco. Mas nossa aventura ainda não tinha acabado. Pelo contrário, só estava começando, pois íamos passar a noite na Mata.
As barracas á estavam armadas e eles foram se acomodando. Mas decidi ficar mais um pouco e conversar com a lua enquanto tivesse fogo na fogueira.
Tiricardo ficou comigo ao pé da fogueira. E contamos algumas histórias. Foi uma experiência maravilhosa poder estar com meu caçula ali naquela aventura.
Mas agora também vou dormir. O galo acabou de cantar a primeira vez nessa madrugada de Acampamento na Mata do Vô. O fogo já está quase apagando, Acho que vai ser difícil esquecer esse dia.
Seja benvindo, Capitão Davi. A casa estava sentindo a sua ausência e agora tudo voltará a sorrir de novo. Vou dormir e sonhar com nossas aventuras nessas férias. Vamos aproveitar o máximo, porque o tempo passa e a gente só leva daqui o que consegue aproveitar.