quinta-feira, dezembro 31, 2015

Vovô, eu te amo muito!

Vovô, eu te amo muito!

Izaias Resplandes de Sousa

Ricardo e Izaias
Foi assim que o meu neto Davi, me cumprimentou nessa manhã! E me abraçou e me beijou. Como não emocionar! Como não sentir que esse será um dia de bênçãos muito mais do que especial!
Ricardo e Lourdes

A verdade é que todos os dias são portadores de bênçãos. Muitas e incontáveis bênçãos! Cada uma melhor do que a outra! Mas, agora, aproveite o ar! Respire fundo, porque hoje será um dia fantástico! 
Ilmá e Ricardo

Hoje faremos a colheita das últimas bênçãos deste ano. E quero te convidar para colher principalmente aquelas de janeiro, fevereiro, março... Aquelas dos meses passados, você não se lembra? Aquelas que não foram colhidas, aquelas que ficaram para trás e que não conseguimos trazer para casa, porque estávamos com os braços cheios e não tínhamos onde por. 
Ricardo e Maramei

Então! Hoje é dia de colher e compartilhar as bênçãos poupadas, que nos foram dadas para serem dadas e que não tivemos a oportunidade de dar em tempo oportuno.
Michelly e Ricardo

Quero testemunhar a respeito de uma prova difícil e das bênçãos que essa prova me tem proporcionado. Refere-se ao meu filho Ricardo. Quem já sabe de tudo o que aconteceu conosco, também pode testemunhar. Nossas vidas são transparentes. Que Deus possa ser glorificado por meio delas!
Dorvacy e Ricardo

No início de 2010, meu filho diagnosticado como tendo um angioma cavernoso se desenvolvendo no topo de seu tronco encefálico, na região do mesencéfalo. Bem no centro da cabeça. Não é uma doença. O angioma é um órgão extra. Conforme o lugar em que ele se desenvolve, não há nenhum risco. Já viram algumas pessoas com um sexto dedo nas mãos? É parecido com essa situação. 
Ricardo e Dionice

No caso de meu filho, o angioma surgiu em um lugar onde não há espaço físico para ele crescer. Mas, como todo órgão do corpo, ele também foi crescendo, mesmo com as dificuldades topográficas de sua localização. 
Ricardo e Aparecida

O neurocirurgião que cuida de Ricardo diz que ali é como se fosse a alma dele, porque aquela é a região de tudo o que liga o corpo ao cérebro. E qualquer lesão ali provoca sequelas na pessoa.
Ricardo e José

E então, depois de muitas lutas, Ricardo foi operado em 31/03/2010. Na ocasião, a equipe médica fez o seu melhor. Não pode retirar todo o angioma, para evitar sequelas, mas Ricardo ficou muito bom, com pouquíssimas sequelas. E durante esses quase seis anos, de lá para cá, ele teve uma vida normal, estudando, trabalhando, amando, participando das atividades da igreja e da vida.
Aparecida e Ricardo

Ricardo é um rapaz muito especial. É generoso. Para ele, tudo está bem. Quase não reclama de nada. Nem mesmo das dores que sente. É um moço que só contribui para que nós possamos ser uma família feliz.
Ricardo e Tia Fia

Mas então ele chegou para nós e nos pediu para fazer novos exames, nova ressonância magnética para ver como ele estava, porque ele vinha sentindo fortes dores de cabeça e os analgésicos não estavam surtindo efeitos. 
Mariza e Ricardo

Destaque-se: Ricardo é farmacêutico. Acreditamos que estava tomando os remédios que entendia ser adequados para tirar as dores que estava sentindo. 
Dalvany e Ricardo

E assim chegamos em Goiânia. Procuramos o mesmo médico que fez a cirurgia anterior. Ele é considerado um dos melhores profissionais da neurocirurgia do Brasil. Uma nova ressonância foi realizada, revelando as nossas preocupações: o angioma voltara a crescer. Ricardo precisaria ser operado novamente.
Tia Zulmira e Ricardo

Ficamos sem palavras! Naquele momento, percebendo a nossa impotência diante do problema, o médico nos disse que não haveria pressa; que não precisávamos fazer a cirurgia imediatamente; que poderíamos esperar mais algum tempo, lá para janeiro ou fevereiro. Mas também nos disse que a cirurgia precisava ser feita, para evitar que o cavernoma, continuando a crescer, não viesse ser perfurado como fora em 2010 e provocasse novas lesões na região, que poderiam alterar as funções normais do corpo.
Lourdes, Izaias, Davi e Ricardo

Então nós entendemos que não podíamos esperar. Não queríamos correr os riscos do agravamento da situação, sem a perspectiva de regressão. 
Tia Ana e Ricardo

E então decidimos fazer a cirurgia. Pedimos um orçamento... No princípio a previsão era de 40 mil, mas ao fim, ficará em 60 mil reais. Não dispomos desse dinheiro. Mas não temos dúvidas que vamos conseguir levantá-lo. Cremos em Deus. Somos cristãos. Servimos àquele que é dono do ouro e da prata. Fazemos parte da família de Deus. 
Fernando e Ricardo

Somos seus filhos e cremos que seremos socorridos em nossa necessidade. Se tudo der certo, Ricardo será operado dia 5 de janeiro de 2016, a partir das 8 horas da manhã. Será uma cirurgia longa. O médico disse que não fará mais nada nesse dia, dedicando-se integralmente à realização do procedimento. Por várias vezes, falou-me sobre a delicadeza dessa operação. Sabendo que somos pessoas que vivem pela fé, pediu-me que orássemos por Ricardo, mas que também orássemos por ele.
Adriano e Ricardo

O pedido do médico me pareceu muito especial. Muitos médicos pensam que são deuses e que podem fazer milagres nas vidas de seus pacientes. Não compreendem que são apenas instrumentos nas mãos do Médico dos médicos. Graças a Deus, o médico do Ricardo sabe qual é o seu lugar nessa operação. Peço que sejam replicadas orações a Deus em seu favor.
Ricardo e Alan

Esse é o começo da nova história. No que tange ao financeiro, a situação não é muito diferente daquela de 2010, quando fomos socorridos.
Ricardo e Euzainy

Eu me lembro de tantas coisas que aconteceram naquela época. Lembro-me das diversas vezes em que as pessoas me estenderam as suas mãos para me entregarem os seus presentes, o seu amor, o seu carinho, a sua generosidade. Alguns mais, outros menos. Todos muito importantes e necessários.
Ricardo e Rogério

Alguns podem pensar que eu não preciso de ajuda. Mas quero dizer, com toda a humildade, que estão errados. 
Ricardo e Edirlene

Eu preciso e muito do amor de cada um de vocês. E recebo o presente de cada um, com um coração agradecido, não importa o valor e o tamanho de sua graça em meu favor. O que mais conta é o gesto e atitude amorosa de cada um.
Euzaidem e Ricardo

Nós julgamos que as pessoas com muito dinheiro sejam pessoas muito ricas. E pode ser assim, mas não é a quantidade de dinheiro que define a riqueza de alguém. Uma pessoa pode ter muito dinheiro e mesmo assim ser muito pobre. E pode ter pouco dinheiro e, em contrapartida, ser uma pessoa muito rica.
Ricardo e Brunna

A riqueza de uma pessoa sempre será medida pelos seus gestos de amor para com os outros. As riquezas da terra vêm e vão. Os seus gestos de amor, de entrega e de doação são as riquezas eternas que formam, no céu, os seus verdadeiros tesouros, que não podem ser consumidos nem pela traça, nem pela ferrugem, nem por qualquer outro meio.
Ricardo e Davi

Jesus conta a história de um fazendeiro que teve uma grande colheita em determinado ano, de sorte que não tinha lugar para colocar os mantimentos. E então disse que destruiria todos os seus celeiros e construiria outros maiores. E aí diria à sua alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus. Lucas 12:19-21.
Ricardo e Luzia

Já o apóstolo Paulo, escrevendo aos Coríntios, falou a respeito de um grupo de irmãos da Macedônia, considerados terrenamente pobres, usando as seguintes palavras:
Ricardo e Auxiliadora

Irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus (2 Coríntios 8:1-5).
Ricardo e Lucélia

Tanto para a realização da cirurgia de 2010, como para essa nova cirurgia, tenho recebido doações de pessoas com mais e com menos riquezas. Alguns, com menos, que talvez até estejam precisando de ajuda para sobreviver, tem me pedido para aceitar a sua oferta de amor. E é claro que isso me emociona muito, porque eu sei que qualquer quantia que tais pessoas abrirem mão, lhes fará falta. Mas, com o coração muito grato eu tenho recebido todas essas doações, sejam grandes ou sejam pequenas, porque o amor de alguém por outrem, não é medido pelo valor da sua oferta, mas por tudo o que esteja envolvido em seu gesto.
Luíza e Ricardo

De minha parte, Deus já me disse tantas vezes que todas aquelas bênçãos que Ele me dava e que excediam às minhas necessidades, não eram exatamente para que eu as colocasse em depósito, ou para que esbanjasse de uma ou outra forma. Aquelas eram as bênçãos que ele confiava em minhas mãos, para que eu as entregasse àqueles que tivessem necessidade delas. Ele já me disse, pelas suas ações que Ele é bom e generoso e que seu desejo é que cada um de seus filhos também seja bom e generoso, mas sem passar necessidades. E por isso, toda vez que ele nos abençoa, eu extrapola o que pedimos, para que possa sobrar das nossas necessidades, um tanto a mais, a fim de que possamos exercitar as nossas virtudes de amor, bondade, generosidade e fraternidade.
Ricardo e Tiago

A medida de Deus é desmedida. E seu desejo é que o imitemos. 
Ricardo e Nayara

Jesus disse: “Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo”. Lucas 6:38.
Marly e Ricardo

E o apóstolo Paulo acrescenta: Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados (Efésios 5:1).
Floriezete e Ricardo

Obrigado a todos os que têm orado por nós, pela operação de meu filho Ricardo e pelo médico que fará a cirurgia. Temos certeza de que tudo dará certo. Temos fé nisso. Entendemos que não pode ser diferente, porque é Deus quem estará no controle. Pensamos como Davi. Ele disse de Deus: O norte e o sul tu os criaste; Tabor e Hermom jubilam em teu nome. Tu tens um braço poderoso; forte é a tua mão, e alta está a tua destra. Salmos 89:12, 13.
Ricardo e Flávia

No entanto, seja o que for e como for, em tudo seja feita a vontade de Deus, a quem louvamos e honramos para sempre. Amém.
Jonhatan e Ricardo

quarta-feira, dezembro 30, 2015

Provas e bênçãos

Provas e bênçãos

“Benção, sobre bênção... Vivendo a cada dia, no Senhor!” – Agnus Dei.

Ricardo e Izaias Resplandes
Todos os dias nós recebemos novas lições para incrementarmos ou não, a nossa vida, aproveitando-as ou não. É de sabermos que a vida é dinâmica. E assim, dificilmente, uma lição é oferecida nos mesmos moldes das anteriores. Normalmente, isso não acontece. Elas são quase sempre aperfeiçoadas, ainda que possam ser planejadas sobre os mesmos fundamentos. Dessa forma, cada lição é uma lição para um dia: o dia de hoje.

Assim disse Paulo Freire: 

A melhor maneira que a gente tem de fazer possível amanhã alguma coisa que não é possível de ser feita hoje é fazendo hoje aquilo que hoje pode ser feito. Mas se eu não fizer hoje aquilo que hoje pode ser feito e tentar fazer hoje aquilo que hoje não pode ser feito, dificilmente eu faço amanhã aquilo que hoje não pude fazer.

Por outro lado, o aprendizado não é apenas teórico. A lição deve ser experimentada na prática. Não dá para se aprender de verdade o que significa estar na lama, se não passarmos por essa experiência. É preciso estar dentro do atoleiro, no meio da lama, para saber o que significa ser atolado e para descobrir as alternativas de libertação. Não devemos resistir às possibilidades de aprendizagem concreta. Devemos agradecer por elas.

Bem-aventurado o homem que sofre a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Tiago 1:12.

O Senhor da Vida quer nos ensinar a viver. Para tanto, ele se utiliza de tudo e de todos. É preciso que saibamos ver e compreender que cada situação de aprendizado é uma parte de nossa libertação.

Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.João 8:36.

Cada momento deverá ser especial para que possamos ser abençoados por ele. Quanto mais difícil a experiência, maior a possibilidade de bênção. Não importa o que seja, pois uma coisa é certa: a prova não é maior que a nossa capacidade. 

Fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. 1Coríntios 10:13.

No nosso dia a dia somos preparados para esse enfrentamento. Vamos de experiência em experiência. Num crescendo. De fé em fé! Uma coisa mais simples nos conduz a outra mais complexa. E assim, vamos sendo aperfeiçoados e ficando mais fortes. Temos convicção e fé de que Deus está conosco; de que não estamos sozinhos e que milhares de pessoas estão do nosso lado, nesse cabo de guerra contra as adversidades. 

O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. Salmos 34:7.

Sabemos que qualquer que seja a dificuldade, nós teremos condições de superá-la. E quando isso acontecer... Oh, glória! As palavras serão insuficientes para expressarmos os nossos sentimentos de vitória.

Que todos tenham um bom fim de ano e um feliz ano novo!

Goiânia, 30 de dezembro de 2015.


Prof. Izaias Resplandes

quinta-feira, dezembro 24, 2015

Com o coração nas mãos

Com o coração nas mãos
Prof. Izaias Resplandes de Sousa

Introdução. E então, meus queridos. Este ano já está quase no fim. E aí? Como foi o ano de cada um? Estamos felizes? Será que poderemos sorrir? 

Tivemos muitas adversidades neste ano. Desastres ambientais. Crimes horríveis. Mortes de muitos. Doenças na família. Como está a nossa contabilidade? Temos saldo positivo ou negativo? 

Já está chegando a hora do balanço, quando fecharemos as portas para abri-las novamente somente no próximo ano.

Perder e ganhar? Desde que o mundo é mundo, sempre foi assim: ganham-se umas e perdem-se outras. Se apenas ganhássemos, o que iríamos fazer com os resultados? Quem iria participar conosco? Seria um jogo de cartas marcadas. Se apenas perdêssemos, por que jogaríamos? 

Na verdade, tudo aquilo que existe no universo está em nossas mãos, nas minhas, nas suas ou nas nossas. E vivemos um jogo de permutações. Como professor, os meus principais produtos são aulas de conhecimento ou reconhecimento das coisas que existem. Já o meu médico, seus principais produtos são intervenções de tratamento de enfermidades. Nesse passo, quando adoeço, pratico com ele o escambo: dou-lhe algumas aulas em troca de uma consulta. Ele, por sua vez, dá algumas consultas em troca dos bens que precisa. Assim, os nossos bens, valorados em papel moeda, passam de mãos em mãos, em infinitas trocas. Até aquilo que chamamos de lixo pode ser trocado por tomates, automóveis e até viagens espaciais. 

Em suma, todos nós ganhamos e todos nós perdemos... Assim é a vida. Se nós ganhamos, ficamos felizes; se nós perdemos, nos entristecemos. Tudo, por conta da dificuldade de compreendermos as regras do jogo da vida. 

Dentre todos os bens, existem alguns que, de tão caros e preciosos não têm preço, como por exemplo, a vida, a liberdade, a salvação da alma... 

Nesse sentido, minha avaliação é positiva em relação a todos aqueles que conquistaram esses bens neste ano. E quem está chegando ao dia 31 de dezembro vivo, livre e salvo, esse ficou muito rico. 

Por outro lado, avalio negativamente todos aqueles que só conquistaram os piores bens, aqueles que não passam em nosso controle de qualidade, tais como a morte sem liberdade e sem salvação. 

No meu caso em particular, chego ao final do ano muito feliz. Ainda que esteja enfrentando com meu filho um processo de enfermidade muito resistente, estamos felizes porque acreditamos na vitória final. 

Anos atrás, numa linguagem mais simples, ele se submeteu a uma cirurgia para retirada de um angioma cavernoso instalado em sua cabeça. Na época, o médico que o operou fez o que podia ser feito, de forma a evitar sequelas indesejáveis. E, graças àquela intervenção, chegamos até aqui. Foram vários anos felizes, sem a pressão daquele corpo estranho. 

No entanto, o bendito voltou a crescer e a incomodar. Isso nos assustou um pouco no princípio, mas não alterou a nossa determinação de lutar pela vida, pela liberdade e pela salvação. 

Haverá uma nova cirurgia, mais delicada que a anterior. Será outra luta contra aquele angioma cavernoso. A pretensão do médico agora é extrair o corpo estranho de uma vez por todas, embora tenhamos que conviver com a hipótese de que isso talvez não seja possível por conta de eventuais lesões. 

Mas, seja o que for, será. Meu filho é corajoso. Ama a vida, a liberdade e a salvação. E está disposto a seguir em frente. 

É claro que ele é mais corajoso do que todos nós, mas nem por isso vamos fugir da raia. Enquanto o sol bilhar, nós estaremos lutando juntos com ele nessa batalha. Estaremos com o coração nas mãos, mas não arrefeceremos, principalmente porque “até aqui nos abençoou o Senhor” e cremos que, de igual forma, Ele nos abençoará até o fim.

É com esse espírito que estamos fechando a conta deste ano. Viva a vida! Viva a liberdade! Viva a salvação! 

Que Deus nos abençoe!

quinta-feira, outubro 15, 2015

Viva o Professor!

Viva o  professor!

Prof. Izaias Resplandes


Antes de dizer tudo o que eu vou dizer depois, eu quero dizer uma coisa muito importante, já que muitos vão ler apenas as primeiras linhas dessa redação e não vão chegar até o grande final, onde eu vou repetir o que digo agora: Ainda que muitos pensem o contrário, de professor para professor, eu te digo: vale a pena ser professor. Se tivesse outra vida, eu faria de novo o mesmo percurso, porque eu sou o que sou. Eu sou professor e amo ser professor. E quero te cumprimentar por também ser e amar o que você é: um professor. Parabéns a você, meu colega de caminhada, meu amigo e meu irmão! Feliz dia do professor!


E então é isso. E agora que já disse o mais importante, eu também quero dizer mais umas coisinhas e gostaria que você lesse e também participasse um pouco dos sentimentos e das emoções que estou sentindo agora, vestido e revestido com peles de professor.

Eu sei que muitos de vocês se lembram de que o professor já foi “o cara”! Ele foi uma pessoa de grande importância. Para alguns, era mais que um pai ou uma mãe. Suas palavras eram ouvidas, seus conselhos eram acatados, suas orientações eram seguidas ao pé da letra. Mas, como já disse: o professor já foi o cara!
Prof. Luís Carlos, Prof. Izaias Resplandes, Profª Márcia Nunes,
 Prof. João de Sousa,  Profª Ana Paula Rossini e Profª Rosana Rocha
Hoje, o professor não é mais nada! Nem a própria escola reconhece a importância de seus professores. Outrora, a escola fazia uma festa em homenagem ao professor. Alunos recitavam poesias, liam mensagens. O dia do professor era um dia muito especial. Mas, como disse: o dia do professor era muito especial!

Hoje, o dia do professor não passa de mais um dia. Um dia normal de aulas! Um dia letivo comum. E todo mundo aceita isso com naturalidade. Por que parar? Por que feriar? Já não tem o dia do funcionário público? Então! Vamos feriar no dia do funcionário público e então comemoraremos também o dia do professor.

Na hora de fazer o calendário escolar, a escola tem a prerrogativa de dizer quais os dias que serão letivos, que vão ter aulas e quais os dias que vão ter recesso, que não haverá aulas. No entanto, os próprios professores em função de gestão e de coordenação escolar são os primeiros a puxar o tapete do dia do professor. São os primeiros que alegam que já tem o dia do funcionário público, então porque parar também no dia do professor? Eles esqueceram a resposta. Eles se esqueceram de que se paravam as atividades no dia do professor, porque era o mínimo que a escola podia fazer por ele: dar-lhe um dia de descanso de suas atividades. E é assim que está sendo hoje. Todo mundo esqueceu da importância do professor. Como já disse: o dia do professor não passa de mais um dia!

Profª Alice, Profª Wislene, Profª Saira e Profª Marinalva
E então, o professor já não precisa mais ter o seu dia especial. Se ele for professor funcionário público, comemorará o seu dia junto com os outros funcionários públicos; e se for um empregado comum, que fique do jeito que está. Afinal, o que é que se tem para comemorar? Eu penso que em breve, a escola também vai entender que não há necessidade de se parar no dia do funcionário público também. Para que parar. Já não tem o dia do trabalho, o dia do trabalhador, o dia primeiro de maio! Então! Professor, funcionário público, diretor, secretário, vigia, merendeira e tantos outros profissionais que trabalham na escola são todos trabalhadores. Não precisam de um dia especial para parar de trabalhar. O dia primeiro de maio já basta para todas as comemorações! Como já disse: o professor não precisa de mais um dia!

Profª Adjair Miranda, Diretora da Escola Pe. César Albisetti
Nem todo professor é funcionário público, embora muitos sejam. Mas, o status não é o mesmo, as condições de trabalho não são as mesmas, o stress do dia a dia é muito diferente. O professor é o testa de ferro, é a linha de frente, é a pessoa que resolve, é a face visível da escola. Os outros funcionários públicos da educação, para não generalizar, também têm a sua importância. Eles fazem o trabalho dos bastidores: limpam, guardam, organizam a papelada... Seu trabalho é difícil, mas é um pouco mais tranquilo do que o trabalho do professor. Eles não sofrem a pressão que o professor sofre. Mas, com certeza, eles também merecem ser homenageados. E para isso se pensou no dia do funcionário público, quando todos os funcionários públicos são homenageados. Mas o professor, além dessa homenagem genérica, fazia jus a uma homenagem especial. O professor tinha o seu dia de glória, o seu dia de honra. Mas, como já disse: o professor tinha seu dia de honra!

Profª Marinalva e Profª Wislene
E então! Que mensagem eu vou passar para os meus alunos nesse dia 15 de outubro? Hoje, na véspera do dia, um aluno me disse que amanhã ele não viria à escola em homenagem a nós, seus professores. Já que não tínhamos a coragem de parar no próprio dia, ele não se sentia à vontade de ter que vir à escola cobrar que nós lhe déssemos aulas nessa data. Vários outros alunos me perguntaram se haveria aulas amanhã. E eu, porta-voz da escola, tive de dizer também várias vezes que sim, que haveria aulas, que era um dia letivo normal, que não era feriado, que não tínhamos nada para comemorar e coisas assim. E muitos disseram: mas professor, não é o seu dia! O senhor vai dar aulas no dia do professor? No seu dia? E então, triste e humilhado, sem ter mais o que dizer, eu só pude dizer uma coisa: sim! Como já disse: o dia do professor é um dia normal de aulas!

Profª Leda Lago, Secretária Mun. de Educação
E então é isso. Dia 15 de outubro não é mais nada. Tanto o dia, como o professor também: ambos não passam de um mais nada! Tanto para a sociedade, quanto para a própria escola. Não há respeito, não há glórias, não há valorização, não há reconhecimento, não há parabéns, não há elogios, não há nada, salvo críticas, desprezo, desrespeito e pouco caso. Como já disse: do dia do professor, não há nada para dizer que vá além de tudo o que eu já disse!

No entanto, eu sou eu, homem é homem e rato é um bicho. Não vou ficar de choradeira. Eu nunca fui valorizado mesmo. De que estou reclamando? Durante tantos anos, ganhei uma merreca. Trabalhei em salas de aulas quentes, escrevi em quadros esburacados com gizes duros como pedra. Aguentei as críticas e as humilhações da desvalorização. Eu poderia ter escolhido tantas outras profissões, mas escolhi ser professor. E olhem e escutem bem. Eu não escolhi ser professor porque não tinha outra profissão. Eu tinha. Tornei-me professor, porque alguém me convenceu de que a escola precisava de mim como professor. E fiquei muito feliz com isso.

Prof. José Antônio Vieira e Profª Izabel Vieira
Eu me tornei professor quando ainda nem era professor na verdadeira acepção da palavra. Eu ainda nem tinha concluído o curso de Magistério (em nível de segundo grau, hoje nível médio), quando fui procurado para assumir uma sala de aula como professor regente. Naquele dia, nos anos oitenta do século passado, um diretor me disse que o município de Poxoréu tinha mais de vinte mil habitantes, mas não tinha professores de Matemática. E então, por recomendação de um professor amigo, eu fui convidado para dar aulas. E foi assim que eu me tornei professor. Terminei o Magistério. Fiz concurso público. Ainda me recordo de minha boa classificação naquele concurso. Fiquei feliz demais por ser, então, um professor oficial da rede pública mato-grossense. E vesti a camisa. E somei, diminui, multipliquei, dividi... Quantas e quantas vezes eu me desesperei com a falta de aprendizagem de meus alunos e busquei soluções junto com outros colegas para resolver esse problema.

Prof. Sebastião, Prof. Urano, Profª Débora, Detinha, Profª Emily, Lourdes,
Profª Maria Iva, Prof. Izaias, Prof. Gaudêncio, Prof. Luiz Sérgio, Prof. Antenor,
Profª Lenice, Profª Zeny e Profª Adjair Miranda.
Ser professor não é só comparecer na escola e dar suas aulinhas disso ou daquilo. Isso, qualquer um pode fazer. Ser professor é sofrer com a situação da educação brasileira. Ser professor é descabelar em preocupações para encontrar soluções que melhorem a qualidade de vida das famílias que nos entregam seus filhos, como se nós fôssemos “Sassás Mutemas” salvadores da Pátria! Ser professor é crer que os milagres podem acontecer. Ser professor é ter olhos para ver os avanços e progressos de nossos alunos, que outras pessoas não conseguem ver. Ser professor é acreditar que vale a pena trabalhar, até mesmo no dia do professor, porque não existe Pátria, não existe povo, não existe país, não existe gente, não existe humanidade se não houver antes, durante e junto com cada um desses status, um professor para educar e mostrar os rumos a seguir.

Prof. João de Sousa, Dr. Raniere Farias, Profª Sandra Sol, Profª Márcia Lorenzon,
Prof. Luís Carlos Ferreira, Dr. Volnei Lorenzon, Prof. Gaudêncio Amorim e
Prof. Izaias Resplandes
Para os outros, queridos professores, podemos não ser nada. Mas para nós, não. Nós não somos apenas os missionários, nós também somos a própria missão. E tanto o missionário, quanto a missão são importantes. Um não existe sem o outro. Vamos crer que o milagre possa acontecer, como diz o hino. E vamos sonhar com o dia em que as pessoas possam tirar o chapéu para os seus professores e possam cantar para eles uma canção de agradecimento pelas vitórias que conseguiram. Vamos em frente! Ainda há muito por fazer. Enxugue suas lágrimas, lave o rosto, passe uma brilhantina no cabelo, levante a cabeça, assovie uma canção, sorria, seja o palhaço do dia, abrace e abra o seu coração para amar e ser amado. E, por último, me escute: os homens não sabem o que fazem, mas Deus está acompanhando tudo o que você está fazendo e Ele tem uma coroa de honra e de glória para você. Não desanime! Continue na luta. Continue se esforçando por seus alunos, como se eles fossem seus filhos, suas joias e seus tesouros mais preciosos.

Ainda que muitos pensem o contrário, de professor para professor eu te digo: vale a pena ser professor. Se tivesse outra vida, eu faria de novo o mesmo percurso, porque eu sou o que sou. Eu sou um professor e amo ser um professor. 


Viva o professor! Viva eu, viva você, viva a todos os professores desse país!

domingo, agosto 09, 2015

Feliz Dia dos Pais



Tem vários tipos de pais, mas de um modo geral podemos dizer que PAI é aquele que fez alguma coisa para nos garantir a existência. Eu sou cristão. Creio em Deus PAI, Filho e Espírito Santo, a Santíssima Trindade. Esse DEUS é o PAi NOSSO QUE ESTÁ NOS CÉUS. Depois tem o nosso pai biológico, que foi aquele que forneceu, em um ato de amor ou não, o gene de nossa existência. Depois teve o pai que cuidou de nós, que banhou, que vestiu, que alimentou, que brincou, que se encantou, que ensinou, que acariciou, que amou. Às vezes esse pai foi um pai pleno, às vezes parcial, às vezes bem pontual. 
Alguns foram Joões, outros foram Marias, outros foram Marias Joões e outros Joões Marias. Teve também os anônimos Joões Ninguém, que fizeram por nós, mas nunca quiseram aparecer. Teve o pai pastor, o pai padre, o pai professor, o pai doutor que fez o parto ou consultou, ou operou... São tantos os pais que passaram por nossa vida, que ninguém jamais foi órfão de verdade. Todos nós tivemos e ainda temos um ou muitos pais. Eu sempre tive muitos pais. E hoje eu quero agradecer a cada um que foi pelo menos uma vez, ou um dia, um mês, um ano, uma existência, um de meus pais na minha vida. Obrigado por ter se preocupado comigo de alguma forma. Diz a Bíblia que ninguém que tenha feito por um cristão qualquer coisa, ficará sem a recompensa divina, ainda que esse ato seja apenas o de dar um copo de água fria. Você fez muito mais que isso por mim. Eu quero te agradecer por isso e pedir que Deus te dê a recompensa por ter sido um de meus pais nessa vida. Obrigado por tudo. Abraço fraterno. 
Feliz dia dos pais!