terça-feira, janeiro 27, 2015

Aniversário de Lourdes

Lourdes é minha companheira de abraço desde que tinha catorze anos.



Ela era ainda adolescente quando começamos a namorar. Morávamos em Goiânia. 



Éramos vizinhos, mas demoramos em nos conhecer. 
Ela trabalhava fora, quase não vinha em casa... 



Mas, pelo que fiquei sabendo através de Zezé, uma de suas primas, Lourdes andava me namorando às escondidas.
  

  Naquele tempo eu tinha dezoito anos. Hoje, tenho quase cinquenta e sete. Já se vão quase quarenta anos caminhando, construindo , amando, vivendo e sempre namorando juntos...



Lourdes é o meu amor, o meu planetóide, a minha rosa sempre linda... 



Os anos que passam deixam sua beleza cada dia mais viçosa... Isso, para falar na beleza exterior, porque além de tudo, estou certo de que existem poucas mulheres com a sua personalidade.



Hoje não foi um dia especial para a vida de Lourdes. Foi um dia comum. Mas foi bom passarmos esse dia juntos, receber pessoas, conversar...


Queria que seus dias fossem todos grandes, para que ela pudesse ter mais momentos de alegria e de felicidade...  Mas ela é feliz com cada segundo de vida que ganha de Deus. E eu, feliz com cada segundo que posso viver ao lado dela.

Parabéns a você, minha amada.



Obrigado a Deus por me ter dado você como esposa. Você é a alegria de meus dias. E com você, sou uma das pessoas mais felizes desse mundo.



Que seu caminho seja iluminado por Deus e por todas as pessoas que te querem bem, sejam de sua família terrena, seja de sua família espiritual, seja da família casual, formada por seus inúmeros amigos. Quem tem amigos, querida, não fica sozinho; quem tem família sempre tem um ombro e um cafuné.



Sou seu amigo; sou sua família. Te dou meu ombro e meu cafuné.
Feliz aniversário!




Beijos de seu esposo. 


Izaias Resplandes


domingo, janeiro 25, 2015

Lembranças da fazenda, do engenho e do calabouço

E eis que estávamos na Fazenda da Mata, reino outrora comandado pelo meu avô Tunico Sousa e seus filhos: o carreiro Marcelino (meu pai), Tiberó, Tijosias, Tirani, Tiita, Tiodílio... 
Andamos a cavalo, moemos cana, nadamos... São tantas coisas para fazer e a gente vai pulando de uma para outra a cada momento.
Atualmente, a Fazenda tem o comando de Tiosvaldo e Tialeide, Zé e Nelson do Tiberó, Tioracílio... 
Aqui Davi andou tanto no cavalo com o primo Diego, como sozinho na égua "Gaúcha", que ele chamava de "Garrucha". 

Me lembrei dos nossos tempos de criança. Já cavalguei muito por essas pastagens que percorri com meu netinho. Ele ficou encantado.

E enquanto passeávamos fui recordando dos tempos em que morei nessa região.
Naquele tempo, praticamente não havia cimento. O reboco era feito com barro branco (principalmente o fogão de lenha) e também com uma mistura de terra com "bosta de vaca" (para dar liga). Na cobertura se usava palinha, que também era a matéria prima para fazer vassouras.

A água encanada chegou até as casas. Outrora, era somente a água da bica. Havia os monjolos para socar o arroz, o café em coco e o milho para canjica. 

Eu me lembro do engenho de ferro e do grande canavial. Buscávamos as canas para moer com o carro de bois. Da cana moída fazíamos açúcar mascavo, cachaça, rapadura, melado. Também tomávamos garapa na boca do engenho.

O engenho era movido a bois. Uma parelha ou duas puxava o engenho. Tachas e tachas de garapa eram cheias de garapa, que, aquecidas em muitos graus nas grandes fornalhas, em grandes tachas de cobre, se transformavam em melado...

O tempo da moagem de cana era uma festa. Movia muitas pessoas. A gente levantava de madrugada para buscar os bois na invernada.
Hoje não tem mais os carros de bois, nem os grandes engenhos. Não fazemos mais cachaça, açúcar e rapaduras. Mas ainda temos canas para moer. Mas o engenho é manual.

Minha prima Layla queria fazer melado. Não animei a tanto, mas fui ao quintal e cortei umas canas. Meu primo Renan, irmão de Layla, foi comigo buscar as canas. Eles são filhos de Tiáguida, grandes companheiros de aventuras no pé da serra.

Agora o engenho é manual. Preparamos as canas. Lavamos o engenho. 

Houve grande movimentação em torno dessa aventura. Até Tiosvaldo, Tialeide, Tiáguida e Lourdes (minha esposa) participaram.

O engenho, novamente lavado foi devidamente untado para ficar mais leve. E então mandamos ver. Tiosvaldo e eu tocamos o engenho. Tialeide e Tiáguida colocaram as canas. Renan pegava o bagaço. Lourdes aparava o caldo de cana. Revezávamos nas tarefas. Finalmente acabamos e todos nós nos deliciamos com um copo de caldo de cana caprichado. E depois da moagem, mais piscina!

De manhã, no café da manhã, além de bolo e pão com mussarela feito na fazenda, também havia caldo de cana gelado. É isso que é bom na fazenda. 

A vida é bem simples, mas há muita fartura.
No local do antigo calabouço agora existe uma piscina. Eu gostava de tomar banho de calabouço. Agora tomamos banho de piscina, o que é muito bom.

Em nossa chegada na fazenda, Davi foi correndo para a piscina e já foi logo tirando a roupa e entrando na água. 
Tiáguida pulou junto para protegê-lo. 
Mas o garoto é esperto. Também entrei logo na água. Mariza também! E aproveitamos ao máximo. 
Fiamos até de noite. A água estava. Uma delícia!

E então jantamos, relembramos histórias, vimos fotos e fomos dormir.

Foi uma maravilhosa tarde na fazenda!

sábado, janeiro 24, 2015

Passeio na Fazenda da Mata

A Fazenda da Mata é o reino encantado dos Sousas. 
Foi nesse recanto, aberto ao pé da serra da irara pelo velho Tunico Sousa e seus filhos, que a maioria de seus descendentes nasceu.
Tal qual a música "Meu Reino Encantado", posso dizer que eu nasci nesse recanto feliz, distante da povoação e que ali também eu vivi com meu pai, mamãe e os irmãos".
A Fazenda fica em um imenso vale. De um lado a serra da irara e do outro o planalto que demanda para Torixoréu.
 Quando a gente chega no alto que vai para a cidade e avista as sedes da fazenda, não tem jeito: o coração bate mais acelerado e voltam à nossa mente as lembranças de nossa infância.
Quantas vezes já desci e subi essas ladeiras! A pé, a cavalo, em carro de bois, em outros veículos. A subida é bastante íngreme. Às vezes dava até calafrios na descida ou na subida, mas as emoções de estar ali sempre superaram tudo.
Eu cresci subindo e descendo essas ladeiras e essas serras. Levei meus filhos e meus netos várias vezes para passear nesse lugar. E nessa viagem, fiz questão de trazer aqui o meu neto Davi. E ele também se encantou como todos nós.
Depois da descida, Davi teve a emoção de acompanhar tia Mariza na abertura da porteira. O vento, que soprava forte em nossa chegada, batia em seu peito, assanhava os cabelos de Mariza... Eles abriram os braços para abraçar a fazenda.
E eis que surgiu à nossa frente a velha casa grande de vovô, onde nasci. Não é uma casa tão grande, mas na minha mente de criança ela sempre foi muito grande.
Eu me lembro das tantas vezes que brinquei nessa casa. 
Eu gostava de me esconder dentro da rede para que outras crianças me procurassem. 
Vovô Tunico não gostava muito de nos ver nessas brincadeiras. 
Uma vez ele nos pegou brincando, quando chegava em casa. 
E naquela ocasião, recordo que ele me deu uma pinholada por cima da rede. Assustei. Mas não fora tão forte. Só deu mesmo um susto.
A gente gostava de descer escorregando no corrimão da escada. Parecia ser uma escada tão grande, mas ela é bem pequena. São poucos degraus.
Eu dormia nesses degraus durante o jantar. Eu me sentava ali para comer. Começava a comer e dormia com o prato na mão.
Na cozinha, nos tempos das chuvas, quando "invernava", minava água na cozinha. 
Segundo tia Leide, que hoje comanda esse reino, ainda continua minando água, mas ela fez um fosso embaixo do assoalho para drenar a água e encaminhá-la para fora da casa, sem passar pela cozinha.
A casa tem muitas janelas. 
O charme era tirar fotografia com uma ou mais pessoas em cada janela. 
Temos várias fotos assim. 
Nesse passeio, Mariza e Davi também experimentaram essa emoção.
Em um dos lados da casa fica o curral. 
Antigamente ele era maior. Havia um tronco bem no meio do curral. Mas é ali que ainda hoje, o tio Osvaldo, esposo de tia Leide passa a maior parte de seu tempo, tirando leite. Ele faz isso duas vezes por dia.
A ordenha agora é mecânica e até os cavalos estão sendo substituídos por motos. 
Tio Osvaldo me disse que quase não usa mais o cavalo, só a moto. 
Nos meus tempos na fazenda, não havia motos, nem carros de passeio na fazenda. 
Bem antigamente, só me lembro de um caminhão que tio Irani possuía. 
Parece que havia um leão na porta, se não me engano. 
Quando o tia chegava de suas viagens, ele descia a serra buzinando longamente. 
Aquilo nos enchia de alegria e nos fazia correr pelas estradas simulando estar dirigindo nosso próprio caminhão.
Tio Irani tinha um bolicho. 
A gente ia lá fazer compras. Comprávamos balinhas. 
Íamos com uma moeda e voltávamos com o bolço cheio de caramelos. 
Ali era o ponto de encontro da vizinhança.

Do outro lado da casa havia o terreirão. 
Me lembro de que nós sentávamos ali nas noites para ouvirmos as histórias de tia Zulmira, que nos emocionavam. 
Ouvíamos com muita atenção.
Foi muito bom estar na fazenda.