sábado, maio 26, 2007

O salário do obeiro

Izaias Resplandes[i]

Trabalhar e ser remunerado. Esse é um princípio milenar, consagrado tanto na Bíblia, quanto no Direito Brasileiro. Somente os escravos não são remunerados. E nesse particular, é de registrar que desde 13 de maio de 1888, está “abolida a escravidão no Brasil”, conforme a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel de Bragança.
Em que pese a Bíblia ser bastante clara a respeito dessa temática, a comunidade neotestamentária tem optado por se manter distanciada desse assunto, evitando colocá-lo em prática nas diversas igrejas locais. O mesmo não acontece, todavia, do ponto de vista teórico. Nossos mestres têm explorado o tema com muita propriedade.
É de destacar, por exemplo, o ensino produzido pelo memorável neotestamentário Benjamin G. Fay, na obra Estudos Bíblicos, volume II, pág. 19, editado pela UMNT, em 1997, intitulado “Um direito não usado”, no qual o autor traça os fundamentos bíblicos para essa questão. Para que possamos nos posicionar adequadamente sobre o tema, reputamos de importância capital que todos façamos também uma revisão naquele estudo. Afinal, não é de bom alvitre que venhamos emitir opiniões superficiais nem sobre esse, nem sobre qualquer outro assunto, haja vista exercermos influência direta sobre as demais pessoas. Não podemos permitir que os nossos interlocutores percam a confiança em nós, em face de comportamentos tais. O ensino Paulino nos mostra que “algumas pessoas, desviando-se destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1 Tm 1:6-7). Nesse, ou em qualquer outro assunto, sobressaem as recomendações de Jesus aos saduceus: “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29), de Paulo a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15) e ainda o que se diz dos bereanos, os quais “receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11).
A natureza humana se divide em querer ser diferente ou querer ser igual aos demais. A Palavra nos ensina a quem nós devemos ou não imitar. Vejamos alguns textos bíblicos nesse sentido: 1) Negativos: Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que prevaricaram contra o SENHOR, Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação, como estais vendo (2 Cr 30:7). Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem (Sl 32:9). Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o SENHOR (Zc 1:4). 2) Positivos: Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo (1 Co 11:1). Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados (Ef 5:1). Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós (Fp 3:17). Não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas (Hb 6:12).
Eis um bom caminho.
Por outro lado, é de observar o que se diz por aí: que é muito fácil ser pedra, mas é muito difícil ser vidraça. Não sei se o motivo que levou nossas igrejas locais a não remunerar seus obreiros foi o afã de ser diferente daqueles que exploravam a boa-fé dos irmãos e buscavam tirar proveito da situação de necessitados espirituais em que se encontravam. “Deus o sabe” (2 Co 11:11).
É de lembrar que durante muitos anos evitamos falar em “dízimos”, porque havia um abuso em termos práticos por parte das denominações em torno da questão e não queríamos ser incluídos entre os que abusavam e, evidentemente sermos também criticados. Então não falávamos de dízimos. Por conta dessa omissão, nossos missionários padeciam necessidades no campo, enquanto as congregações não tinham dinheiro sequer para pagar as contas de água e luz do local. Saímos de um extremo e fomos para o outro. E isso sempre traz conseqüências muito danosas. A orientação bíblica é para a ponderação. Não devemos fugir da questão, mas agir com cautela. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação (2 Tm 1:7). Como Deus tem nos abençoado em relação aos dízimos! Poucos discutem, poucos criticam, porque a verdade é que quase todos vêem como muito natural a renúncia parcial de seus direitos para que possam viver em comunidade e ser por ela protegidos. É claro que ainda existem aqueles que preferem a marginalidade. Para tais resta ensinar até que aprendam e passem também a imitar a boa prática dos demais.
Talvez o motivo que tenha nos afastado de remunerar adequadamente aqueles que trabalham em nosso benefício espiritual, tenha sido a falta de dinheiro. Então o problema atual seria uma conseqüência negativa da nossa omissão em relação aos dízimos. Não tínhamos recursos porque não entregávamos os dízimos requeridos pelo Senhor.
Assim diz a Palavra: Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa (Ml 3:10). Nossos obreiros não podem se dedicar plenamente ao trabalho espiritual. Necessitam trabalhar fora, em casas estranhas ao serviço, para garantir o seu sustento e o de sua família, porque não há “mantimento na Casa de Deus”, porque ali nós não levamos os nossos dízimos.
Motivos, motivos, motivos.... Talvez fosse isso, talvez fosse aquilo, talvez fosse aquilo outro. Não importa o motivo que nos impulsionou no passado a agir desta ou daquela forma. “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13-14). Passado é passado e se for de coisa errada, deve ser apagado. O que importa é o daqui para frente.
Muitos de nossos obreiros podem se dedicar ao ministério como Paulo, porque não dependem de apoio financeiro de ninguém. São autônomos. Outros, porém (aqui talvez esteja a grande maioria), estão parcialmente inativos, produzindo pouco porque não têm esse apoio tão necessário. E nós, o que fazemos enquanto isso? Um compositor brasileiro responde em nosso lugar: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos...”
Concluindo (pelo menos nesse momento), é de enfatizar que a decisão de remunerar ou não os obreiros do Senhor é de cada comunidade. O que se defende é o direito de liberdade para aqueles que assim decidirem favoravelmente. Que tais irmãos não venham ser considerados maus neotestamentários pelo fato de se preocuparem com o sustento material daqueles que lhes prestam serviços espirituais. E, de igual forma, que também haja respeito, consideração e amor por aqueles que pensarem de outra maneira. E a todos, os favoráveis e os contrários, digo que “o intuito da presente admoestação visa o amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia” (1 Tm 1:5).
Que o Senhor esclareça melhor esse assunto em nossos corações.

[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.

terça-feira, maio 08, 2007

Nosso gentílico, nosso topônimo: Poxoreense, Poxorense e Poxoreano


João Batista de Araújo Barbosa (Batistão)



A professora Eliane Carvalho, hoje prestando seus serviços em Sinop, norte do estado, questiona a forma correta do nosso gentílico (o natural ou habitante de Poxoréo). Segundo o IBGE e o dicionário do Aurélio Buarque de Holanda o nosso gentílico seria poxorense ou poxoreano. Ocorre que a maioria do povo de Poxoréo refere ao nosso gentílico como "poxoreense".

Até 1985 era pacífica essa grafia, em pleno acordo com a nossa tradicional maneira de falar, conforme pesquisa aos jornais editados anteriormente.

A controvérsia surgiu quando o professor Izaias Resplandes, então redator do Correio de Poxoréo, reeditado em uns dois anos na administração do prefeito Lindberg Rocha (1982/1988) me fez esse questionamento por volta de 1984 e a ele respondi conforme acima. A partir daí, Resplandes passou a escrever "poxorense", forma essa que grafou o nome da “UPE - União Poxorense de Escritores”, da qual foi fundador e primeiro presidente.

Para o escritor Luis Carlos Ferreira, poeta também fundador da UPE, trata-se de substantivo e adjetivo de dois gêneros, o gentílico, sinônimo de poxoreano que Dicionário Aurélio, designa quem é "de ou pertencente ou relativo a Poxoréu (MT); natural ou habitante de Poxoréu". Quanto à "poxoreense"... isso é apenas força de expressão lingüística dogmática, sem quaisquer sustentações que fundamente o termo. Entretanto, carinhosamente aceita, por tradição, ou seja, transmissão provinda de gerações em gerações.De forma que dizer "poxorense", ou "poxoreano", ou, ainda, "poxoreense" está se referindo a quem é nascido em Poxoréu, ou que está vivendo no município e cidade de mesmo nome, conclui Ferreira.

O professor Antônio Carlos Messias Pereira acompanha o entendimento dos escritores upeninos Izaias e Luis Carlos e acrescenta que por questão de regra gramatical o gentílico correto seria poxorense, na forma indicada pelo mestre Aurélio.

Evidentemente, com o Aurélio Buarque e os escritores da UPE à frente, pela norma culta diz-se "poxorense" ou "poxoreano".

Na placa de ampliação do Fórum da Comarca de Poxoréo está grafado "poxoreense". Eu e minha família falamos "poxoreense" e assim escrevemos quando referimos ao nosso gentílico, acompanhando a tradição da maioria dos moradores do município. O historiador Suelme "Biela" Fernandes, o jornalista Nides de Freitas, os advogados Ruy Nogueira Barbosa e Juscilene Souza (Cila), o ex-vereador e pioneiro José Moraes Barbosa, o professor Reinaldo Bispo, e muitos outros, também falam "poxoreense".

Quanto ao topônimo, há quase dois anos Câmara Municipal aprovou irregularmente a Lei Ordinária nº 976, de 25 de maio de 2005, com a pretensão de retornar o nome do município de POXORÉO para POXORÉU. Acontece que a lei maior de um município é sua Lei Orgânica. A nossa Lei Orgânica não foi alterada. Não sendo alterado o topônimo na lei maior, não se fala em mudança do nome do município. Assim, acompanhamos a LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE POXORÉO, para continuarmos com essa grafia para o topônimo de nossa terra natal.!

Eis aí mais dois mistérios da nossa contradição!


segunda-feira, maio 07, 2007

AURÉLIO MIRANDA: O VIOLEIRO QUE “CANTA POXORÉU”



Izaias Resplandes[i]



O município de Poxoréu é um celeiro natural de talentos, tendo seus expoentes consagrados em praticamente todas as áreas da atividade humana: literatura, pintura, escultura, música, política, etc.. A UPE – União Poxorense de Escritores é uma tentativa de congregar aqueles que se dedicam especialmente à literatura, os chamados upeninos. Todavia, tem ainda como proposta atuar "em defesa da arte e da cultura". Nesse sentido, através de suas publicações, como o jornal “O UPENINO", têm procurado acompanhar e registrar os principais acontecimentos ligados a esta temática. Cumprindo esse propósito, conversamos através de e-mail com o cantor e compositor AURÉLIO MIRANDA, o qual está lançando o seu novo CD CANTA POXORÉU e que nos concedeu a seguinte entrevista.

O UPENINO: Você poderia nos dar alguns de seus dados biográficos, como: Onde nasceu, data de seu nascimento, quem são seus pais, seus irmãos, quando e com quem casou, quem são seus filhos, onde você viveu, onde vive e qual é, em sua opinião, a sua produção mais importante.

AURÉLIO: Nasci em Mato Grosso para as bandas de Cuiabá num povoado chamado Mutum, num sítio.
Nasci no dia 05/05/50 mas, como artista tenho o meu direito particular de dar a idade que aparento. Minha mãe grande guerreira da lida, que entendo muito bem o porquê de deixar-me afastar da sua companhia com 13 ou 14 anos de idade, para que eu pudesse com garra e luta realizar o meu sonho de cantar e tocar.
Meu pai que tive a felicidade de conhecê-lo em 1990 aos meus 40 anos.
Não posso julgá-lo irresponsável e nem tenho esse direito. Quanto a seu nome é Claro Bispo, primo de mãe; tenho uma única irmã: Irenil Miranda Rodrigues; tenho outros, que são filhos de criação de minha mãe, mas que considero irmãos, o Idenil Miranda da Costa, e o Carlos César (in memóriam).
Casei-me em Campo Grande com a professora e assistente social, Marina Ferreira Souza de Miranda há 27 anos, tivemos dois filhos: Aurelinho hoje com 22 anos, jornalista, pós graduado, hoje trabalhando na Rede de TV Canal do Boi e Laura Miranda, 24 anos, pós graduada em jornalismo, atualmente fazendo mestrado; é assessora de imprensa do Deputado Marquinhos Trad na Assembléia Legislativa de Campo Grande e, jornalista responsável pelo Jornal Fonte Aérea distribuído no Aeroporto Internacional de Campo Grande.
Ambos cantam profissionalmente e trabalham em suas especialidades.
Tenho em Cuiabá dois filhos de quando solteiro, o Klainner e a Cristiane, nome dado em homenagem à minha avó materna, Cristiana.
Moro há 35 anos em Campo Grande - MS, com várias etapas em viagens artísticas.
Quanto à produção considero todas importantes e agora até sugiro entrar em minha comunidade amigos de AURÉLIO Miranda, que focaliza todo o meu currículo.

O UPENINO:
Quando foi que você descobriu que tinha um talento especial para a música e qual foi a sua primeira produção musical?
AURÉLIO: Cara... Foi em Poxoréu com meus 8 anos de idade, quando eu ia para o Diamante Clube ouvir o conjunto de nossa cidade tocar. Seus componentes: Newtom, Banana, Gerônimo, Joaquinzinho e outros; eram todos feras e que só iam dormir quando acabava a festa; nesta mesma idade tocava bombo com o carpinteiro, o trombonista era Seu Gerônimo.
A primeira produção foi um disco, (mas só 1 mesmo), quando tocava dava choque, gravamos uma música de nossa autoria em parceria com o poeta Carolino Leóbas.
Terra natal eu nem comento... Aos meus 13 anos como dupla sertaneja, com meu compadre Renato, ficamos famosos em Cuiabá, na Rádio A Voz do Oeste, na época de ouro do saudoso Alves de Oliveira, grande amigo da dupla Cigano e Ciganinho. Tivemos quando garotos o apoio incondicional do Nonoca, do Tarquínio, ambos locutores do Serviço de Alto Falante, pessoas conhecidas e respeitadas em Poxoréu, também o finado Cheiro, que nos levava para cantar na zona e no Alto Coité, o cachê era passear de carro e beber refrigerantes.
Fiz 1º, 2º, 3º e um pedaço do 4º... Acho que foi isso, não tenho certeza; quando toquei em Alto Garças, fiz admissão e fui o primeiro lugar no colégio Dr. Ítrio Correia; no decorrer da minha vida fiz curso supletivo do 1º e 2º graus, pretendo fazer ainda a faculdade de música em Campo Grande com incentivo total da minha esposa e dos meus filhos; desculpe pelas lágrimas, eu me emociono fácil! Estou agora ouvindo Minha Doce Poxoréu cantada por meus filhos... Cara, foi muita luta, muito sofrimento, muitas humilhações, sozinho é barra... Aliás, sempre com nosso Senhor Jesus ao meu lado, com certeza. Se não tivesse minha esposa Marina e meus filhos, estaria sem dúvida na rua da amargura. Família para mim é a base, mas tudo do ser humano com uma palavra de carinho vale mais do que bens materiais.

O UPENINO: Quantos discos ou CDs você gravou ao longo de sua vida e, se possível, quando foi gravado cada um e quem o apoiou nessa iniciativa?
AURÉLIO: Em 1978, na Califórnia SP, com a dupla Cruzeiro e Tostão com apoio da dupla Délio e Delinha; em 1979, na gravadora Chantecler, a maior do Brasil na época, só feras, Roberta Miranda, Milionário... e outros famosos; depois fiz gravações independentes em 1985, 1997, 2000; em 2003 fiz um projeto junto ao governo chamado: Poetas e Cantadores; idealizei e executei um projeto junto à Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com muitos shows, intitulado: Caravana Popular.

O UPENINO: Qual foi o grande sucesso de sua carreira? E qual a música que não pode deixar de ser cantada em todos os shows que você realiza?
AURÉLIO: A música Estrada de Chão da minha autoria.

O UPENINO: Ao longo de sua carreira, como tem sido o seu relacionamento com os seus conterrâneos de Poxoréu? De que maneira os poxorenses têm apoiado o seu trabalho?
AURÉLIO: Cara, agora você falou do lado que eu escuto!!! Sou muito amado aí e amo de coração o povo da minha terra; mesmo eu tendo chegado com 5 anos, fui adotado pelos garimpeiros, pelas donas de casa, pelos amigos e amigas da cidade e do campo. Em família, às vezes existem atritos, mas são rápidos, nada que o tempo não os coloque em seus devidos lugares.
Sempre tive apoio também dos políticos da minha terra; nunca me disseram não. Inclusive, o CD exclusivo para Poxoréu, tem o apoio cultural da Prefeitura Municipal e da Câmara Municipal, sem consultá-los, devido ao tempo para o encontro de violeiros, mas na certeza de que tanto o Tonho do Menino Velho quanto a Câmara de Vereadores irão me ajudar porque não é fácil gravar cd de qualidade sozinho.

O UPENINO: Já tivemos oportunidade de assistir apresentações de seus filhos aqui em Poxoréu. Fale um pouco sobre eles e sobre suas expectativas em relação ao futuro deles como cantores.
AURÉLIO: Meu amigo, falar dos filhos sem dúvida eu sou suspeito....
Mas..., vamos lá. Mostraram talento para música muito cedo, assim eu e a Marina sempre trabalhamos no sentido de que jamais trocassem a instrução escolar pela arte musical, devido às dificuldades que todo artista brasileiro enfrenta para ser alguém. Então cresceram estudando muito, porém sempre cantando, viajando muito, dividindo o tempo entre a escola ou a faculdade com os shows nos fins de semana, em lugar de descansar ou ir para baladas; sempre estavam na estrada.
Hoje, já formados em jornalismo os dois (unidos até na profissão) exercem-nas com sucesso; com isso, afastaram naturalmente um pouco da música, mas em casa a cantoria é diária; com a casa cheia de amigos e artistas, sempre tem alguém para almoçar e dividir conosco momentos de alegria e partilha.
Caso eles decidam voltar com tudo para a música, daremos maior apoio.

O UPENINO: Em relação aos novos talentos poxorenses para a música, que palavras você diria a eles? A carreira de artista vale a pena a ser seguida, tem recompensas? Se fosse possível recomeçar, você seguiria essa mesma estrada ou teria outra opção?
AURÉLIO: Não parem de forma nenhuma, sejam persistentes. Quanto a mim, não fui nome nacional por falta de aprender, que pra ser artista a responsabilidade está acima do talento.
Quem está começando (pelo amor de DEUS!!!), estude, ponha junto da mente um curso superior, não se envolva com drogas, álcool e gandaias, porque assim jamais irão conhecer o sucesso. O maior veículo de comunicação de todos os tempos é a música, mas essa viagem requer renúncias aos prazeres da carne; tem que trabalhar muito e ser criativo, não brincar de cantar e tocar; é preciso ser profissional.
Sem duvida, teria outra opção. Não deixaria Poxoréu sem pelo menos ter o segundo grau, para depois encarar o mundo, pois a barra é pesada para o analfabeto. Imagine eu, se não soubesse cantar e tocar. Estaria ferrado!
Aqui não poderia deixar passar em branco os valores artísticos dos meus conterrâneos. Portanto, gostaria de discorrer aqui um pequeno comentário sobre os poetas e o que me chamou atenção em suas obras:
As poesias, em sua maioria com estilos contemporâneos. Lendo, dava-me a impressão de paginar os clássicos dos grandes: Castro Alves, J.G de Araújo Jorge até mesmo, Machado de Assis e tantos outros ..
Joaquim Moreira, que madeira de dar em doido, dê um abraço a ele e diga-lhe que viajei no meio das pedras... Resplandes, grande rei da poesia, um grande pensador e representante espiritual do bem e da verdade, reencarnação de um dos apóstolos de Jesus Cristo; tantos outros que li e aos quais louvo a versatilidade em fazer poesias; e meu orgulho maior, todos de Poxoréu.
Quanto aos cantores, compositores, duplas e trios... Existe um casting repleto de diamantes musicais.
São do meu tempo: Amorésio, Neto, família Bento de Brito, compadre Renato, grande talento da música sertaneja, uma raridade musical; meu amigo Julio Coutinho o campeão em harmonia; outro excelente amigo e músico de primeira qualidade a quem todos devemos apoiar é o Gigio (Ednon Pereira), filho do compadre Evilásio; alem de muitos outros que agora me fogem à memória.

O UPENINO: Agora nos fale sobre o seu novo CD e sobre suas expectativas em relação a ele.
AURÉLIO: Está pronto o CD Canta Poxoréu. Fizemos porque era enorme a cobrança do povo pelas músicas da terra, de modo que, com esse trabalho atendo a todos os que querem ter a canção da nossa terra em casa. Levarei comigo dia 11 quinhentos exemplares para quem quiser adquirir, com preço simbólico, contendo as músicas que eu fiz em homenagem à minha terra e mais algumas composições minhas que têm despontado pelo Brasil afora. Em seguida farei um para atingir o grande público ou um CD estilo regional, estamos em estudo.

O UPENINO: Quais são suas palavras finais para os leitores do jornal "O UPENINO" e aos membros da UPE em particular?
AURÉLIO: Em primeiro lugar a minha gratidão eterna, e todo meu respeito ao grupo de profissionais que dirigem o jornal O UPENINO, que sabem bem mais do que eu o quanto é difícil fazer arte neste país. Parabéns pelo trabalho de vocês aí do jornal, pois é através da instrução e da cultura que se chega à educação integral e ao desenvolvimento de um povo.
Quero em especial me curvar à bondade e ao carinho do povo de nossa terra, em valorizar minhas canções e ter por mim um carinho muito especial.
Ao casal de Poxoréu que abriu na internet a comunidade amigos de AURÉLIO Miranda, querem saber o nome deles? Acessem: aureliomirandaviola@hotmail.com
O meu perdão de coração para algumas pessoas se porventura eu as ofendi.
Quanto às recaídas na cerveja é normal, porque em Poxoréu não tem jeito não, sócio. Até dia 12.

[i] Izaias Resplandes de Sousa é fundador da UPE – União Poxorense de Escritores, professor em Poxoréu e acadêmico do 7º semestre de Direito na UNICEN em Primavera do Leste, MT.