domingo, agosto 12, 2007

Beleza Interior

Izaias Resplandes

Mesmo sendo um cara feio
E com fama de durão
Não há razão pra receio:
Cara não é coração.

A beleza é um detalhe
Que tem pouca importância,
Não diz o que alguém vale
Não guarda a eqüidistância.

Ao olhar uma pessoa
Veja o seu interior
Isso te dirá se é boa
Seja que aparência for.

Se alguém te ter a mão
Querendo te ajudar
Não lhe feche o coração
Convide-o para entrar.

Dê-lhe a coroa de louro
Mostrando-lhe que você
Possui um coração de ouro
E que sabe conviver.

domingo, julho 15, 2007


O homem divino

Izaias Resplandes


No princípio o homem era divino. Guardava semelhança com seu Criador. Era um ser perfeito, puro, “muito bom”, conhecedor apenas do bem. Convivia harmonicamente com Deus no Éden, o Paraíso terrestre, onde desfrutava as delícias da imortalidade.

Então o homem conheceu o mal. Atendeu a sua voz. Rompeu-se a comunhão com Deus. O homem divino humanizou-se. Foi expulso do jardim de delícias para viver numa terra de cardos, abrolhos, suor e fadigas. Tornou-se o senhor da imperfeição. Gerou filhos à sua semelhança, cada vez mais imperfeitos e mais distantes da perfeição divina. Popularizou-se o jargão de que “errar é humano”.

Sem a liderança divina os homens se perderam em seus próprios raciocínios e pensamentos. Seus líderes os fizeram errar cada vez mais. Tornaram-se filhos da ira, filhos do diabo. Anularam-se. Cada um passou a seguir o que bem quis.

A Terra, amaldiçoada por Deus, tornou-se o reino de Satanás. Um lugar de aperfeiçoamento para a prática do erro. Uma escola do mal, onde predominam a ignorância, o falso, a mentira e toda sorte de engano.

Essa era a triste realidade em que o homem se encontrava no início do século I da nossa história, em conseqüência de sua humanização. Além de perdido, estava com a mente completamente cauterizada, o que o tornava incapaz de reconhecer a verdade por si só.

É de destacar, todavia, que, sobre tal estado de coisas ainda prevalecia o amor de Deus pela sua criação. Louvado seja o Senhor porque foi esse o sentimento que O fez idealizar e executar um plano para resgatar o homem dos domínios de Satanás e convertê-lo novamente aos padrões do homem divino. Não havendo na Terra alguém que pudesse ser utilizado como instrumento para restabelecer a ordem da divindade, consubstanciada na verdade e no conhecimento autêntico, fazia-se necessário uma intervenção direta do Criador. E foi assim que aconteceu. Encarnado em Jesus, Deus veio ao mundo em pessoa para consolidar o seu plano para a salvação de sua criação.

A reação humana de rejeição à presença de Jesus na Terra, embora veemente criticada, era de se esperar. O homem perdera o seu contato com Deus. Não conhecia as Escrituras, nem o poder de Deus. Embora a divindade estivesse presente em sua essência criadora, o estado de espírito do homem prejudicava a sua capacidade de percepção.

No entanto, toda essa situação foi pesada e levada em consideração pelo Criador. Jesus não veio apenas em palavras, mas também em obras, a fim de facilitar o seu reconhecimento pelos homens.

Muitos ouviram, muitos foram chamados para segui-Lo. No entanto, comparativamente, poucos creram e poucos o seguiram. Todavia, aqueles que o fizeram, estavam devidamente convencidos de que não havia outro Caminho por onde seguir. A sua fé de que Jesus era o Cristo, o Filho de Deus, era inabalável. Tal era a força do seu sentimento, que por ele muitos morreram, defendendo-o. A Igreja de Jesus se formou e com grande força e poder passou a atuar na Terra, continuando a obra desencadeada por Ele para a remição da humanidade.

Hoje são passados mais de dois mil anos da data em que ocorreram os eventos que culminaram com o surgimento da Igreja. Já somos hoje milhares de milhares. Pelas estatísticas, os cristãos somam mais de um terço da população do mundo, mais de dois bilhões de pessoas. A cada dia que passa cresce o conhecimento a respeito das coisas sagradas. Os homens estão redescobrindo a beleza da criação e estão abandonando aquelas práticas que a deformaram e a mutilaram. Estamos vivendo o processo de divinização e aperfeiçoamento do homem. Já não está longe o dia em que a conversão plena se dará. E então voltaremos a ser semelhantes a Ele, homens divinos, filhos de Deus, como Adão era no princípio.

No entanto, apesar de todo esse crescimento, ainda existem os outros dois terços da população do planeta que caminham às cegas, sem Deus e sem entendimento. É por causa desses quatro bilhões de pessoas que nós ainda estamos aqui. Da mesma maneira que fomos amados por Deus e devidamente resgatados quando ainda éramos pecadores, também devemos amá-los e nos esforçarmos ao máximo para resgatá-los deste mundo de perdição. Deus não quer que nenhum deles pereça e nos têm incumbidos da tarefa de esclarecer-lhes que existe possibilidade de salvação para todo aquele que crê que Jesus é o Cristo e recebê-Lo como Senhor de sua vida.

Ser um homem divino não significa que seremos “semelhantes ao Altíssimo”, como pensou Lúcifer, mas sim que nos submetemos com humildade e alegria aos parâmetros que ele estabeleceu para nós enquanto homens. Que Deus nos abençoe e nos ajude nesse propósito de vida.

sábado, julho 07, 2007


A Lourdes
Minha amada desde os meus 18 anos (1976) esposa desde 19/01/1984.
Izaias Resplandes
Minha senhora,
Esmeralda preciosa de Goiás,
Sonho de outrora,
O meu presente é você que sempre faz.
O meu amor é por você um sol brilhante
Que no eterno horizonte sempre sai
E aquece a vida, fazendo a luz continuar,
No seu eterno caminhar,
Gerando paz.

A dívida dos líderes

Izaias Resplandes[i]


Embora se fale em controle de natalidade e em números crescentes de mortos como conseqüência das guerras, epidemias, doenças, fome e miséria, o mundo está cada vez mais cheio. Segundo as previsões, em meados do século ultrapassaremos a casa dos 9 bilhões de habitantes. Em conseqüência disso vêm surgindo problemas de toda ordem, como por exemplo, a produção de alimentos, o efeito estufa, o aquecimento global e o descongelamento das calotas polares. No entanto, poucas pessoas estão realmente preocupadas com o futuro da Terra. A grande maioria age de forma irracional, como anencéfalos. Não pensam. Não se preocupam. Não vêem nada que indague pela busca de soluções, tornando-se também em mais um dos tantos problemas que devem ser enfrentados. Aliás, é de destacar que, indubitavelmente, o maior desafio desse século será fazer com que as massas desinteressadas e sem compromisso que aumentam a densidade demográfica do planeta, possam ser transformadas em agentes multiplicadores de soluções.
É certo que o mundo tem problemas que não acabam mais. Por outro lado, faltam líderes para enfrentá-los, ao invés de ir simplesmente procrastinando, como fazem aqueles que hoje estão nas frentes de comando. Precisamos de homens comprometidos com o planeta e com as gentes que o habitam. Não é possível continuar assistindo de camarote a destruição da vida, em nome de uma ganância sem sentido. A Bíblia pergunta: “De que adianta ao homem conquistar o mundo inteiro e perder a sua alma?” É sabido que até agora não encontramos outros planetas em que a vida possa se desenvolver. A Terra ainda é o planeta vida, que precisa ser cuidada e bem administrada por todos os que dela necessitam. Ela não pertence a um. É de todos nós. Mas, poderá ser de ninguém, se verdadeiros líderes não se despontarem para governá-la em substituição aos atuais.
O líder deve saber o melhor caminho a seguir, além de ser capaz de estimular a confiança do liderado que o segue. Este não sabe para onde está indo. O verdadeiro líder deve ter a supervisão e ser apto a conduzir. Para tal missão, não basta um par de mãos. É preciso ter idéias extraordinárias para multiplicá-las e muita vontade de vencer e de acertar para ter a coragem de materializá-las, de torná-las realidade. As mãos condutoras do líder devem estar por todo o corpo, mas principalmente na mente e no coração. A condução é resultante da aplicação de atos de inteligência e de amor junto aos liderados e em prol de todos. Somente a conjugação desses dois fatores poderá otimizar as possibilidades de sucesso de uma empresa, porque essa é a função que gera o poder real, que envolve a conquista, o respeito e a confiança. É muito superior àquela que produz o poder do dinheiro e das armas e que gira em torno da ambição, egoísmo, ganância, traição e desconfiança.
Precisamos de líderes e é fato que muitos “desejam” sê-los. Todavia, poucos lograrão êxito nesse propósito, principalmente porque não estão dispostos a investir no pretenso objetivo de suas vidas. Aquele que diz querer ser alguém, mas nada faz para materializar tal desejo, na verdade está enganando a si mesmo, porque jamais poderá transformar “seu projeto” em realidade. Isso é um dos consectários da lei de causa e efeito de Newton. Se não for feita alguma coisa para algo ocorrer, salvo por milagre, a lógica é que nada acontecerá. Todavia, o norte indica que devemos agir mais por nossa conta e esperar menos pelos milagres. Hoje eles são cada vez mais escassos. Restringem-se às necessidades inatingíveis por nós e apenas àquelas situações em que são extremamente necessários. Na medida em que o homem desenvolve as potencialidades que recebeu do Criador em sua origem, diminuem-se as necessidades da intervenção divina. Não é preciso que Ele faça aquilo que nós sejamos capazes de realizar. Deus valoriza a sua criação. Ele não estimula a preguiça e a ociosidade, mas a disposição e a ação. É corrente que Ele não move um dedo sequer para realizar aquilo que o homem seja capaz de fazê-lo, embora esteja disposto a fazer o impossível quando este tiver real necessidade de Sua intervenção, for de fato incapaz de agir e tiver a humildade de reconhecer a sua impotência. “Vá ter com a formiga, ó preguiçoso”, diz o sábio Salomão.
Assim, há muitos líderes nominais, mas poucos de fato. E quantos menos forem estes, maiores serão suas dívidas de responsabilidade em relação aos liderados. É de destacar que, embora aos trancos e barrancos, alguns têm sido capazes de se autoconduzirem. Mas apenas isso não é suficiente para torná-los líderes. Não se olvide de que conduzir um seja muito diferente do que liderar um milhão. A massa é totalmente dependente, não tem cérebro. Por isso necessita de alguém que o tenha para evitar que caia nos abismos da vida. Essa é a grande necessidade do momento. Os líderes existentes não são capazes de atender à demanda. Parafraseando o matemático Maltus, poder-se-ia dizer que enquanto as multidões crescem em progressão geométrica, os líderes de fato crescem em progressão aritmética. Por conseguinte, a dívida social aumenta cada vez mais, ampliando a demanda por líderes que estejam dispostos a resgatá-la, pagando o preço que for necessário para serem bem sucedidos.
Esse é o nosso mundo atual. Cheio de gente e de necessidades. Deveras carente de pessoas que desejam se envolver com ele e com as soluções de seus problemas. Qualquer pessoa pode ser um desses homens. Basta desejar, estar disposto a pagar o preço e arregaçar as mangas com unhas e dentes. Esses são os líderes que haverão de resgatar a imensa dívida social que tem sido acumulada pelos “lideres” do passado e do presente. Que aconteça aqui o milagre e que eles possam surgir!


[i] Izaias Resplandes de Sousa é acadêmico de Direito das Faculdades UNICEN em Primavera do Leste, MT.

sábado, junho 23, 2007

Esperando a morte




Izaias Resplandes[i]



De todos os seres vivos, o único que tem plena consciência de que vai morrer é o homem. Pode-se dizer até que “vivemos” esperando a morte chegar. Ela pode demorar ou não, mas, inexoravelmente, virá para todos, seja de forma direta (quando simplesmente deixamos de viver), ou indireta (quando formos transformados de carnais para espirituais). A Bíblia diz que aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois disto, o juízo. Noutro texto, o apóstolo São Paulo diz: “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados”
Sabendo que vamos morrer, não é ilógico que deixemos de desfrutar com toda a intensidade daquilo que temos à nossa disposição enquanto estamos vivos? Deus fez um mundo maravilhoso, “muito bom” em sua própria avaliação. Ele também abençoou o homem dando-lhe inteligência para saber a melhor maneira de usufruir do mundo criado. Então, por que não fazermos uso dessa prerrogativa? Por que ficar simplesmente esperando a morte chegar, quando há tantas coisas boas para serem feitas, gozadas e desfrutadas?


Há quem pense que um bom cristão não pode usufruir das coisas maravilhosas que Deus fez, bem como daquelas que ele tornou possíveis de existir. Com essa atitude a morte adquire mais importância do que a vida. Não se pode beber, não se pode comer, não se pode festejar, não se pode vestir roupa bonita, não se pode se embelezar, não se pode contar piadas, não se pode praticar esportes, não se pode tirar férias, não se pode descansar, não se pode passear, não se pode isso, não se pode aquilo... O bom homem deve viver em função da cultura do “não pode”. Isso, lamentavelmente o faz infeliz e, pior, um hipócrita que se diz feliz! A verdade é que isso denota apenas falta de conhecimento e nada mais. Deus deseja a nossa felicidade e que tenhamos prazer, alegria e satisfação em nossas vidas.


Nada é proibido. O que é preciso é saber administrar a nossa vida. Deus depositou o mundo todo em nossas mãos, confiando que saberíamos usar a sabedoria que Ele nos deu para sermos felizes. Infelizmente, muitos de nós nos temos tornado escravos de nossa própria falta de entendimento. Todas as coisas são boas para aquele que sabe tirar o bom proveito delas. É o mau uso que faz com que elas se tornem ruins e prejudiciais ao homem. Então a questão principal que gira em torno do tema é o entendimento. A cultura do “não pode” é para aquele que ainda é como menino e que “não sabe” das coisas. Para o entendido há liberdade, porque saberá discernir e julgar entre o que presta e o que não presta e aproveitar o melhor. Então viverá, ao invés de, simplesmente, ficar esperando a morte chegar.


Alguém disse certa vez que devemos viver o hoje como se fôssemos morrer amanhã e trabalharmos hoje como se fôssemos viver eternamente. É evidente que estamos nos referindo à vida terrena. O dinheiro que nós ganhamos é para ser gasto em benefício nosso e dos demais que conosco convivem, mas com certeza não é para ser entesourado. Nós não levaremos nada dessa vida além daquilo que usufruirmos e que compartilharmos com os demais. Quantos não são aqueles que se apegam em demasia aos bens materiais, sendo “mão de vaca”, “unha de fome”, avarentos e impiedosos, vivendo uma vida de miserável, quando poderia ter o mundo aos seus pés! Que adianta ter tudo e não ter alegria e não ter paz e não ter amigos e não ter Deus em seu coração e em sua vida? A verdade é que somente o estulto fica esperando a morte chegar sem tirar o devido proveito da vida maravilhosa que Deus nos deu. É de se perguntar: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” Devemos ser crentes fiéis a Deus, mas acima de tudo, devemos ser verdadeiros. Se ainda não encontramos um meio de vivermos felizes, alegres e contentes, então ainda não conhecemos o Senhor da felicidade e da alegria.


É de destacar quão grande é a importância de se descobrir a utilidade proveitosa de cada uma das coisas que existem no mundo, a fim de usá-las em benefício da vida, ao invés de ficarmos fugindo de tudo com receio de sermos alcançados pela morte. Que o Senhor da Inteligência nos ilumine e nos abra os olhos para que possamos ver e viver com segurança durante todos os dias de nossa existência. 2 Rs 6:17.


[i] Izaias Resplandes de Sousa é acadêmico de Direito em Primavera do Leste, MT.

domingo, junho 17, 2007

O “CONHECIMENTO” DA SALVAÇÃO

Izaias Resplandes[i]


Existem vários elementos que se relacionam diretamente com a salvação, dentre os quais se destacam o conhecimento e a fé. Muitas pessoas possuem uma fé cega, que não se fundamenta em nada, senão na própria fé. Não há teorias, não há lógica, não há sabedoria. Apenas fé. É deveras admirável que em plena era do conhecimento ainda se possam encontrar pessoas com esse atributo. Aqueles que nada viram e que crêem incondicionalmente. É elogiável! Cf. Jo 20:29.

Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que é grande, a fé cega é muito frágil e então, passível de crítica. Ela não dá nenhuma segurança concreta para o seu possuidor. Baseia-se apenas na confiança no mensageiro. Um fala e outro ouve, acredita e absorve a mensagem como guia de vida. Todavia, poucos homens são merecedores de confiança. As aparências, como é cediço, normalmente nos enganam. Diz o ditado que “quem vê cara, não vê coração”. Há tantas vozes no mundo que é difícil sabermos quais são as verdadeiras. De forma que se não tivermos um meio de garantia sobre a autenticidade daquilo que ouvimos, então corremos sérios riscos de sermos enganados. Cf. Rm 10:17; Jo 7:24; 2 Co 11:14-15; 1 Co 14:10; Jr 17:15.

A palavra que se ouve, para ser merecedora da nossa fé deve ter uma origem confiável. Aquele que fala diz estar se embasando na Palavra de Deus. Isso pode ser verdade ou não. O ouvinte deve verificar a procedência, julgá-la e só então aceitá-la e incorporá-la em sua vida. Até mesmo um verdadeiro discípulo pode se equivocar. Além do mais, têm os enganadores de fato. Cf. At 17:11; Lc 9:5; 1 Co 14:29.

Devemos buscar o conhecimento. Há quem pense que a sabedoria é contrária à fé. Isso não é verdade. A sabedoria gera a fé. É o conhecimento sólido e merecedor de confiança que produz a fé. Não é por acaso que somos exortados a crescer no conhecimento. Cf. Jo 5:39; 1 Pe 3:18.

É de destacar que uma das mais poderosas armas usadas pelo maligno em nossos dias é aquela que induz o homem à ignorância. Que alega não haver a necessidade de se saber das coisas. Que tudo o que se precisa saber está na Bíblia. O fato é que, diante disso, muitos têm sucumbido e até atrapalhado a propagação do evangelho. Cf. Sl 19:1; Jo 20:30-31; 1 Co 9:20-22.

Devemos ter consciência de que somos os portadores dos princípios da Sabedoria. A Bíblia é um livro de princípios. Ao aplicá-los, ampliamos o nosso conhecimento a respeito daquilo que o Senhor deixou revelado em sua criação. Devemos ter mais conhecimento que os conhecedores das vãs filosofias desse mundo. Em tudo devemos ser muito mais do que vencedores. Não podemos ser taxados de analfabetos e ignorantes por negar o conhecimento do obvio, de verdades que a ciência tem provado por meios puramente naturais. A Bíblia não nega a ciência. A Bíblia traz as teses e ciência analisa, contrapõe e comprova que a Palavra de Deus é realmente a verdade. Se a Ciência prova a Bíblia, porque temeríamos a ciência? Devemos é saber usá-la. 1 Co 13:11; 2 Tm 2:15.

Ser ministro de Cristo exige que cresçamos no conhecimento muito mais do que os nossos opositores. A Bíblia está cheia de verdades que estão sendo comprovadas ao longo dos anos. No passado, ante o conhecimento possível, muitas interpretações foram construídas. Algumas não eram verdadeiras e sucumbiram quando se conseguiu provar o contrário. Nós devemos interpretar segundo as possibilidades do conhecimento de nossos dias. Não podemos ficar presos em interpretações ultrapassadas. Isso é dar lugar ao maligno. Cf. Dt 29:29; 1 Co 13:10-12; 1 Jo 2:13-14.

Nesse sentido, devemos buscar a fé. Todavia, não a fé cega, mas aquela que é sustentada pelo conhecimento das coisas que estão reveladas. É de saber que o visível conduz àquilo que ainda é desconhecido, mas que também será um dia esclarecido. Para concluir, quero dizer que “a nossa exortação não procede de engano, nem de impureza, nem se baseia em dolo” (1 Ts 2:3).


[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.

domingo, junho 10, 2007

Aprendendo e fazendo o certo

Izaias Resplandes[i]


Nossos sonhos. Desde que nascemos, idealizamos fazer muitas coisas. E, ao longo de nossa vida nos esforçamos ao máximo para transformar todas essas idéias e projetos em realidade. Em algumas coisas somos bem sucedidos. Em outras, não. Nesse sentido, talvez eu pudesse dizer isso não importa, porque é assim que acontece na vida de todo mundo e o que interessa é que não ficamos omissos e não deixamos de fazer. Ou seja, certo ou errado, nós fizemos algo na tentativa de acertar e de fazer o melhor. Eu creio que essa seria uma boa palavra, principalmente se contraposta à idéia de não fazer nada. No entanto, creio a Palavra de Deus pode nos dar uma orientação ainda melhor a respeito de como devemos fazer as coisas e de como poderemos ser bem sucedidos em nossos projetos. Sim, queridos, Deus deseja que nós sejamos perfeitos e nos dá orientações precisas sobre como poderemos atingir a perfeição. Cf. Fp 3:12-14.

Disse certa vez que “sem planejamento, qualquer caminho é caminho para lugar nenhum. Como planejamento se sabe para onde se vai, como se está indo e como se fará para chegar lá”. Toda atividade bem sucedida deve ser precedida de discussão, avaliação e planejamento. Seja qual for: um emprego, uma missão, um empreendimento. Nenhuma pessoa que anda às cegas possui condições de ser bem sucedida. Cf. Lc 14:28-32.

Um professor me disse certa vez que se eu pretendesse abandonar alguma coisa em minha vida, mas não tivesse outra melhor para colocar no lugar, então seria preferível que eu continuasse com o que tinha, pois corria o risco de acabar colocando algo pior em seu lugar. É isso que normalmente acontece com quem não tem o devido cuidado em cada coisa que faz ou pretende fazer. Como se diz por aí, o mundo está cheio de boas intenções, mas nem tem tudo o que se pode fazer é um bom projeto para qualquer pessoa. Na rua, na escola, na igreja e em tantos outros lugares nós aprendemos coisas que nos parecem muito interessantes e que às vezes nos arrastam para verdadeiras aventuras mal sucedidas, simplesmente porque não fizemos uma análise de custo e benefício. Cf. Mt 12:43-45; 1 Co 3:10.

Querer nem sempre é poder. Existe a hora certa para fazermos cada coisa. A precipitação é péssima conselheira. Devemos cuidar de estarmos preparados para a tarefa que vamos desempenhar. Nenhuma atividade bem sucedida será feita de qualquer maneira, sem o devido preparo prévio. Se não temos domínio de nossas ações e se em tudo dependemos dos outros, então somos alvos fáceis do fracasso e da derrota. A maioria dos erros cometidos é conseqüência de falta de preparo, falta de conhecimento e de domínio das leis de causa e efeito. Em Direito, uma pessoa é considerada culpada quando faz algo com negligência, imperícia ou imprudência. E essa é uma idéia aplicável em qualquer situação. Somente nós mesmos poderemos ser culpados dos nossos erros e fracassos, principalmente se fizemos as coisas de qualquer maneira. Cf. Mt 22:29; Jr 48:10; 2 Tm 2:15.

Diz o ditado: “o que é do homem o bicho não come”. Essa é uma verdade relativa, porque muitas vezes nem o bicho e nem o homem come, porque sequer chegamos a descobrir o que realmente era nosso. Devemos descobrir qual é a nossa praia, a nossa vocação. Ninguém veio ao mundo para ser qualquer coisa. Temos a nossa missão e devemos descobrir qual é a nossa verdadeira vocação. E então envidar nela todos os nossos esforços. Perguntada sobre o seu projeto de vida, certa pessoa disse que seu desejo era ser um advogado. E quando se lhe perguntaram sobre o que ele estava fazendo para tornar o seu projeto de vida uma realidade, não teve palavras para responder. Muitos andam de um lado para outro, fracassando por querer imitar a atividade bem sucedida de outros, deixando de lado aqui para o qual é realmente vocacionado. Cf. 1 Co 1:26; 7:20; 2 Pe 1:10.

Essas são algumas das razões que fundamentam os nossos sucessos ou fracassos. Por isso acredito que a melhor palavra então não seria aquela que nos orienta para fazer alguma coisa, no sentido de não ficar parado. Essa seria uma boa palavra. Mas a melhor orientação seria aquela que nos encaminha para o desenvolvimento de nossa própria vocação. Esse deve ser sempre o nosso alvo: a) descobrir para que viemos a este mundo; b) preparar-nos em conhecimento e meios para exercer a nossa missão; c) e, por fim, investir em nossa vida, de corpo e alma, para alcançar nossos objetivos. Então seremos como árvores plantadas junto a ribeiro de águas, que no devido tempo dá o seu fruto, e cuja folhagem não murcha. Então seremos bem sucedidos em tudo o que fizermos. Cf. Sl 1:3

[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.

sábado, maio 26, 2007

O salário do obeiro

Izaias Resplandes[i]

Trabalhar e ser remunerado. Esse é um princípio milenar, consagrado tanto na Bíblia, quanto no Direito Brasileiro. Somente os escravos não são remunerados. E nesse particular, é de registrar que desde 13 de maio de 1888, está “abolida a escravidão no Brasil”, conforme a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel de Bragança.
Em que pese a Bíblia ser bastante clara a respeito dessa temática, a comunidade neotestamentária tem optado por se manter distanciada desse assunto, evitando colocá-lo em prática nas diversas igrejas locais. O mesmo não acontece, todavia, do ponto de vista teórico. Nossos mestres têm explorado o tema com muita propriedade.
É de destacar, por exemplo, o ensino produzido pelo memorável neotestamentário Benjamin G. Fay, na obra Estudos Bíblicos, volume II, pág. 19, editado pela UMNT, em 1997, intitulado “Um direito não usado”, no qual o autor traça os fundamentos bíblicos para essa questão. Para que possamos nos posicionar adequadamente sobre o tema, reputamos de importância capital que todos façamos também uma revisão naquele estudo. Afinal, não é de bom alvitre que venhamos emitir opiniões superficiais nem sobre esse, nem sobre qualquer outro assunto, haja vista exercermos influência direta sobre as demais pessoas. Não podemos permitir que os nossos interlocutores percam a confiança em nós, em face de comportamentos tais. O ensino Paulino nos mostra que “algumas pessoas, desviando-se destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações” (1 Tm 1:6-7). Nesse, ou em qualquer outro assunto, sobressaem as recomendações de Jesus aos saduceus: “errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29), de Paulo a Timóteo: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Tm 2:15) e ainda o que se diz dos bereanos, os quais “receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11).
A natureza humana se divide em querer ser diferente ou querer ser igual aos demais. A Palavra nos ensina a quem nós devemos ou não imitar. Vejamos alguns textos bíblicos nesse sentido: 1) Negativos: Não sejais como vossos pais e como vossos irmãos, que prevaricaram contra o SENHOR, Deus de seus pais, pelo que os entregou à desolação, como estais vendo (2 Cr 30:7). Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento, os quais com freios e cabrestos são dominados; de outra sorte não te obedecem (Sl 32:9). Não sejais como vossos pais, a quem clamavam os primeiros profetas, dizendo: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Convertei-vos, agora, dos vossos maus caminhos e das vossas más obras; mas não ouviram, nem me atenderam, diz o SENHOR (Zc 1:4). 2) Positivos: Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo (1 Co 11:1). Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados (Ef 5:1). Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós (Fp 3:17). Não vos torneis indolentes, mas imitadores daqueles que, pela fé e pela longanimidade, herdam as promessas (Hb 6:12).
Eis um bom caminho.
Por outro lado, é de observar o que se diz por aí: que é muito fácil ser pedra, mas é muito difícil ser vidraça. Não sei se o motivo que levou nossas igrejas locais a não remunerar seus obreiros foi o afã de ser diferente daqueles que exploravam a boa-fé dos irmãos e buscavam tirar proveito da situação de necessitados espirituais em que se encontravam. “Deus o sabe” (2 Co 11:11).
É de lembrar que durante muitos anos evitamos falar em “dízimos”, porque havia um abuso em termos práticos por parte das denominações em torno da questão e não queríamos ser incluídos entre os que abusavam e, evidentemente sermos também criticados. Então não falávamos de dízimos. Por conta dessa omissão, nossos missionários padeciam necessidades no campo, enquanto as congregações não tinham dinheiro sequer para pagar as contas de água e luz do local. Saímos de um extremo e fomos para o outro. E isso sempre traz conseqüências muito danosas. A orientação bíblica é para a ponderação. Não devemos fugir da questão, mas agir com cautela. Porque Deus não nos tem dado espírito de covardia, mas de poder, de amor e de moderação (2 Tm 1:7). Como Deus tem nos abençoado em relação aos dízimos! Poucos discutem, poucos criticam, porque a verdade é que quase todos vêem como muito natural a renúncia parcial de seus direitos para que possam viver em comunidade e ser por ela protegidos. É claro que ainda existem aqueles que preferem a marginalidade. Para tais resta ensinar até que aprendam e passem também a imitar a boa prática dos demais.
Talvez o motivo que tenha nos afastado de remunerar adequadamente aqueles que trabalham em nosso benefício espiritual, tenha sido a falta de dinheiro. Então o problema atual seria uma conseqüência negativa da nossa omissão em relação aos dízimos. Não tínhamos recursos porque não entregávamos os dízimos requeridos pelo Senhor.
Assim diz a Palavra: Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa (Ml 3:10). Nossos obreiros não podem se dedicar plenamente ao trabalho espiritual. Necessitam trabalhar fora, em casas estranhas ao serviço, para garantir o seu sustento e o de sua família, porque não há “mantimento na Casa de Deus”, porque ali nós não levamos os nossos dízimos.
Motivos, motivos, motivos.... Talvez fosse isso, talvez fosse aquilo, talvez fosse aquilo outro. Não importa o motivo que nos impulsionou no passado a agir desta ou daquela forma. “Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:13-14). Passado é passado e se for de coisa errada, deve ser apagado. O que importa é o daqui para frente.
Muitos de nossos obreiros podem se dedicar ao ministério como Paulo, porque não dependem de apoio financeiro de ninguém. São autônomos. Outros, porém (aqui talvez esteja a grande maioria), estão parcialmente inativos, produzindo pouco porque não têm esse apoio tão necessário. E nós, o que fazemos enquanto isso? Um compositor brasileiro responde em nosso lugar: “Isso tudo acontecendo e eu aqui na praça, dando milho aos pombos...”
Concluindo (pelo menos nesse momento), é de enfatizar que a decisão de remunerar ou não os obreiros do Senhor é de cada comunidade. O que se defende é o direito de liberdade para aqueles que assim decidirem favoravelmente. Que tais irmãos não venham ser considerados maus neotestamentários pelo fato de se preocuparem com o sustento material daqueles que lhes prestam serviços espirituais. E, de igual forma, que também haja respeito, consideração e amor por aqueles que pensarem de outra maneira. E a todos, os favoráveis e os contrários, digo que “o intuito da presente admoestação visa o amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia” (1 Tm 1:5).
Que o Senhor esclareça melhor esse assunto em nossos corações.

[i] Izaias Resplandes de Sousa é membro da Igreja Neotestamentária de Poxoréu, MT.

terça-feira, maio 08, 2007

Nosso gentílico, nosso topônimo: Poxoreense, Poxorense e Poxoreano


João Batista de Araújo Barbosa (Batistão)



A professora Eliane Carvalho, hoje prestando seus serviços em Sinop, norte do estado, questiona a forma correta do nosso gentílico (o natural ou habitante de Poxoréo). Segundo o IBGE e o dicionário do Aurélio Buarque de Holanda o nosso gentílico seria poxorense ou poxoreano. Ocorre que a maioria do povo de Poxoréo refere ao nosso gentílico como "poxoreense".

Até 1985 era pacífica essa grafia, em pleno acordo com a nossa tradicional maneira de falar, conforme pesquisa aos jornais editados anteriormente.

A controvérsia surgiu quando o professor Izaias Resplandes, então redator do Correio de Poxoréo, reeditado em uns dois anos na administração do prefeito Lindberg Rocha (1982/1988) me fez esse questionamento por volta de 1984 e a ele respondi conforme acima. A partir daí, Resplandes passou a escrever "poxorense", forma essa que grafou o nome da “UPE - União Poxorense de Escritores”, da qual foi fundador e primeiro presidente.

Para o escritor Luis Carlos Ferreira, poeta também fundador da UPE, trata-se de substantivo e adjetivo de dois gêneros, o gentílico, sinônimo de poxoreano que Dicionário Aurélio, designa quem é "de ou pertencente ou relativo a Poxoréu (MT); natural ou habitante de Poxoréu". Quanto à "poxoreense"... isso é apenas força de expressão lingüística dogmática, sem quaisquer sustentações que fundamente o termo. Entretanto, carinhosamente aceita, por tradição, ou seja, transmissão provinda de gerações em gerações.De forma que dizer "poxorense", ou "poxoreano", ou, ainda, "poxoreense" está se referindo a quem é nascido em Poxoréu, ou que está vivendo no município e cidade de mesmo nome, conclui Ferreira.

O professor Antônio Carlos Messias Pereira acompanha o entendimento dos escritores upeninos Izaias e Luis Carlos e acrescenta que por questão de regra gramatical o gentílico correto seria poxorense, na forma indicada pelo mestre Aurélio.

Evidentemente, com o Aurélio Buarque e os escritores da UPE à frente, pela norma culta diz-se "poxorense" ou "poxoreano".

Na placa de ampliação do Fórum da Comarca de Poxoréo está grafado "poxoreense". Eu e minha família falamos "poxoreense" e assim escrevemos quando referimos ao nosso gentílico, acompanhando a tradição da maioria dos moradores do município. O historiador Suelme "Biela" Fernandes, o jornalista Nides de Freitas, os advogados Ruy Nogueira Barbosa e Juscilene Souza (Cila), o ex-vereador e pioneiro José Moraes Barbosa, o professor Reinaldo Bispo, e muitos outros, também falam "poxoreense".

Quanto ao topônimo, há quase dois anos Câmara Municipal aprovou irregularmente a Lei Ordinária nº 976, de 25 de maio de 2005, com a pretensão de retornar o nome do município de POXORÉO para POXORÉU. Acontece que a lei maior de um município é sua Lei Orgânica. A nossa Lei Orgânica não foi alterada. Não sendo alterado o topônimo na lei maior, não se fala em mudança do nome do município. Assim, acompanhamos a LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE POXORÉO, para continuarmos com essa grafia para o topônimo de nossa terra natal.!

Eis aí mais dois mistérios da nossa contradição!


segunda-feira, maio 07, 2007

AURÉLIO MIRANDA: O VIOLEIRO QUE “CANTA POXORÉU”



Izaias Resplandes[i]



O município de Poxoréu é um celeiro natural de talentos, tendo seus expoentes consagrados em praticamente todas as áreas da atividade humana: literatura, pintura, escultura, música, política, etc.. A UPE – União Poxorense de Escritores é uma tentativa de congregar aqueles que se dedicam especialmente à literatura, os chamados upeninos. Todavia, tem ainda como proposta atuar "em defesa da arte e da cultura". Nesse sentido, através de suas publicações, como o jornal “O UPENINO", têm procurado acompanhar e registrar os principais acontecimentos ligados a esta temática. Cumprindo esse propósito, conversamos através de e-mail com o cantor e compositor AURÉLIO MIRANDA, o qual está lançando o seu novo CD CANTA POXORÉU e que nos concedeu a seguinte entrevista.

O UPENINO: Você poderia nos dar alguns de seus dados biográficos, como: Onde nasceu, data de seu nascimento, quem são seus pais, seus irmãos, quando e com quem casou, quem são seus filhos, onde você viveu, onde vive e qual é, em sua opinião, a sua produção mais importante.

AURÉLIO: Nasci em Mato Grosso para as bandas de Cuiabá num povoado chamado Mutum, num sítio.
Nasci no dia 05/05/50 mas, como artista tenho o meu direito particular de dar a idade que aparento. Minha mãe grande guerreira da lida, que entendo muito bem o porquê de deixar-me afastar da sua companhia com 13 ou 14 anos de idade, para que eu pudesse com garra e luta realizar o meu sonho de cantar e tocar.
Meu pai que tive a felicidade de conhecê-lo em 1990 aos meus 40 anos.
Não posso julgá-lo irresponsável e nem tenho esse direito. Quanto a seu nome é Claro Bispo, primo de mãe; tenho uma única irmã: Irenil Miranda Rodrigues; tenho outros, que são filhos de criação de minha mãe, mas que considero irmãos, o Idenil Miranda da Costa, e o Carlos César (in memóriam).
Casei-me em Campo Grande com a professora e assistente social, Marina Ferreira Souza de Miranda há 27 anos, tivemos dois filhos: Aurelinho hoje com 22 anos, jornalista, pós graduado, hoje trabalhando na Rede de TV Canal do Boi e Laura Miranda, 24 anos, pós graduada em jornalismo, atualmente fazendo mestrado; é assessora de imprensa do Deputado Marquinhos Trad na Assembléia Legislativa de Campo Grande e, jornalista responsável pelo Jornal Fonte Aérea distribuído no Aeroporto Internacional de Campo Grande.
Ambos cantam profissionalmente e trabalham em suas especialidades.
Tenho em Cuiabá dois filhos de quando solteiro, o Klainner e a Cristiane, nome dado em homenagem à minha avó materna, Cristiana.
Moro há 35 anos em Campo Grande - MS, com várias etapas em viagens artísticas.
Quanto à produção considero todas importantes e agora até sugiro entrar em minha comunidade amigos de AURÉLIO Miranda, que focaliza todo o meu currículo.

O UPENINO:
Quando foi que você descobriu que tinha um talento especial para a música e qual foi a sua primeira produção musical?
AURÉLIO: Cara... Foi em Poxoréu com meus 8 anos de idade, quando eu ia para o Diamante Clube ouvir o conjunto de nossa cidade tocar. Seus componentes: Newtom, Banana, Gerônimo, Joaquinzinho e outros; eram todos feras e que só iam dormir quando acabava a festa; nesta mesma idade tocava bombo com o carpinteiro, o trombonista era Seu Gerônimo.
A primeira produção foi um disco, (mas só 1 mesmo), quando tocava dava choque, gravamos uma música de nossa autoria em parceria com o poeta Carolino Leóbas.
Terra natal eu nem comento... Aos meus 13 anos como dupla sertaneja, com meu compadre Renato, ficamos famosos em Cuiabá, na Rádio A Voz do Oeste, na época de ouro do saudoso Alves de Oliveira, grande amigo da dupla Cigano e Ciganinho. Tivemos quando garotos o apoio incondicional do Nonoca, do Tarquínio, ambos locutores do Serviço de Alto Falante, pessoas conhecidas e respeitadas em Poxoréu, também o finado Cheiro, que nos levava para cantar na zona e no Alto Coité, o cachê era passear de carro e beber refrigerantes.
Fiz 1º, 2º, 3º e um pedaço do 4º... Acho que foi isso, não tenho certeza; quando toquei em Alto Garças, fiz admissão e fui o primeiro lugar no colégio Dr. Ítrio Correia; no decorrer da minha vida fiz curso supletivo do 1º e 2º graus, pretendo fazer ainda a faculdade de música em Campo Grande com incentivo total da minha esposa e dos meus filhos; desculpe pelas lágrimas, eu me emociono fácil! Estou agora ouvindo Minha Doce Poxoréu cantada por meus filhos... Cara, foi muita luta, muito sofrimento, muitas humilhações, sozinho é barra... Aliás, sempre com nosso Senhor Jesus ao meu lado, com certeza. Se não tivesse minha esposa Marina e meus filhos, estaria sem dúvida na rua da amargura. Família para mim é a base, mas tudo do ser humano com uma palavra de carinho vale mais do que bens materiais.

O UPENINO: Quantos discos ou CDs você gravou ao longo de sua vida e, se possível, quando foi gravado cada um e quem o apoiou nessa iniciativa?
AURÉLIO: Em 1978, na Califórnia SP, com a dupla Cruzeiro e Tostão com apoio da dupla Délio e Delinha; em 1979, na gravadora Chantecler, a maior do Brasil na época, só feras, Roberta Miranda, Milionário... e outros famosos; depois fiz gravações independentes em 1985, 1997, 2000; em 2003 fiz um projeto junto ao governo chamado: Poetas e Cantadores; idealizei e executei um projeto junto à Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, com muitos shows, intitulado: Caravana Popular.

O UPENINO: Qual foi o grande sucesso de sua carreira? E qual a música que não pode deixar de ser cantada em todos os shows que você realiza?
AURÉLIO: A música Estrada de Chão da minha autoria.

O UPENINO: Ao longo de sua carreira, como tem sido o seu relacionamento com os seus conterrâneos de Poxoréu? De que maneira os poxorenses têm apoiado o seu trabalho?
AURÉLIO: Cara, agora você falou do lado que eu escuto!!! Sou muito amado aí e amo de coração o povo da minha terra; mesmo eu tendo chegado com 5 anos, fui adotado pelos garimpeiros, pelas donas de casa, pelos amigos e amigas da cidade e do campo. Em família, às vezes existem atritos, mas são rápidos, nada que o tempo não os coloque em seus devidos lugares.
Sempre tive apoio também dos políticos da minha terra; nunca me disseram não. Inclusive, o CD exclusivo para Poxoréu, tem o apoio cultural da Prefeitura Municipal e da Câmara Municipal, sem consultá-los, devido ao tempo para o encontro de violeiros, mas na certeza de que tanto o Tonho do Menino Velho quanto a Câmara de Vereadores irão me ajudar porque não é fácil gravar cd de qualidade sozinho.

O UPENINO: Já tivemos oportunidade de assistir apresentações de seus filhos aqui em Poxoréu. Fale um pouco sobre eles e sobre suas expectativas em relação ao futuro deles como cantores.
AURÉLIO: Meu amigo, falar dos filhos sem dúvida eu sou suspeito....
Mas..., vamos lá. Mostraram talento para música muito cedo, assim eu e a Marina sempre trabalhamos no sentido de que jamais trocassem a instrução escolar pela arte musical, devido às dificuldades que todo artista brasileiro enfrenta para ser alguém. Então cresceram estudando muito, porém sempre cantando, viajando muito, dividindo o tempo entre a escola ou a faculdade com os shows nos fins de semana, em lugar de descansar ou ir para baladas; sempre estavam na estrada.
Hoje, já formados em jornalismo os dois (unidos até na profissão) exercem-nas com sucesso; com isso, afastaram naturalmente um pouco da música, mas em casa a cantoria é diária; com a casa cheia de amigos e artistas, sempre tem alguém para almoçar e dividir conosco momentos de alegria e partilha.
Caso eles decidam voltar com tudo para a música, daremos maior apoio.

O UPENINO: Em relação aos novos talentos poxorenses para a música, que palavras você diria a eles? A carreira de artista vale a pena a ser seguida, tem recompensas? Se fosse possível recomeçar, você seguiria essa mesma estrada ou teria outra opção?
AURÉLIO: Não parem de forma nenhuma, sejam persistentes. Quanto a mim, não fui nome nacional por falta de aprender, que pra ser artista a responsabilidade está acima do talento.
Quem está começando (pelo amor de DEUS!!!), estude, ponha junto da mente um curso superior, não se envolva com drogas, álcool e gandaias, porque assim jamais irão conhecer o sucesso. O maior veículo de comunicação de todos os tempos é a música, mas essa viagem requer renúncias aos prazeres da carne; tem que trabalhar muito e ser criativo, não brincar de cantar e tocar; é preciso ser profissional.
Sem duvida, teria outra opção. Não deixaria Poxoréu sem pelo menos ter o segundo grau, para depois encarar o mundo, pois a barra é pesada para o analfabeto. Imagine eu, se não soubesse cantar e tocar. Estaria ferrado!
Aqui não poderia deixar passar em branco os valores artísticos dos meus conterrâneos. Portanto, gostaria de discorrer aqui um pequeno comentário sobre os poetas e o que me chamou atenção em suas obras:
As poesias, em sua maioria com estilos contemporâneos. Lendo, dava-me a impressão de paginar os clássicos dos grandes: Castro Alves, J.G de Araújo Jorge até mesmo, Machado de Assis e tantos outros ..
Joaquim Moreira, que madeira de dar em doido, dê um abraço a ele e diga-lhe que viajei no meio das pedras... Resplandes, grande rei da poesia, um grande pensador e representante espiritual do bem e da verdade, reencarnação de um dos apóstolos de Jesus Cristo; tantos outros que li e aos quais louvo a versatilidade em fazer poesias; e meu orgulho maior, todos de Poxoréu.
Quanto aos cantores, compositores, duplas e trios... Existe um casting repleto de diamantes musicais.
São do meu tempo: Amorésio, Neto, família Bento de Brito, compadre Renato, grande talento da música sertaneja, uma raridade musical; meu amigo Julio Coutinho o campeão em harmonia; outro excelente amigo e músico de primeira qualidade a quem todos devemos apoiar é o Gigio (Ednon Pereira), filho do compadre Evilásio; alem de muitos outros que agora me fogem à memória.

O UPENINO: Agora nos fale sobre o seu novo CD e sobre suas expectativas em relação a ele.
AURÉLIO: Está pronto o CD Canta Poxoréu. Fizemos porque era enorme a cobrança do povo pelas músicas da terra, de modo que, com esse trabalho atendo a todos os que querem ter a canção da nossa terra em casa. Levarei comigo dia 11 quinhentos exemplares para quem quiser adquirir, com preço simbólico, contendo as músicas que eu fiz em homenagem à minha terra e mais algumas composições minhas que têm despontado pelo Brasil afora. Em seguida farei um para atingir o grande público ou um CD estilo regional, estamos em estudo.

O UPENINO: Quais são suas palavras finais para os leitores do jornal "O UPENINO" e aos membros da UPE em particular?
AURÉLIO: Em primeiro lugar a minha gratidão eterna, e todo meu respeito ao grupo de profissionais que dirigem o jornal O UPENINO, que sabem bem mais do que eu o quanto é difícil fazer arte neste país. Parabéns pelo trabalho de vocês aí do jornal, pois é através da instrução e da cultura que se chega à educação integral e ao desenvolvimento de um povo.
Quero em especial me curvar à bondade e ao carinho do povo de nossa terra, em valorizar minhas canções e ter por mim um carinho muito especial.
Ao casal de Poxoréu que abriu na internet a comunidade amigos de AURÉLIO Miranda, querem saber o nome deles? Acessem: aureliomirandaviola@hotmail.com
O meu perdão de coração para algumas pessoas se porventura eu as ofendi.
Quanto às recaídas na cerveja é normal, porque em Poxoréu não tem jeito não, sócio. Até dia 12.

[i] Izaias Resplandes de Sousa é fundador da UPE – União Poxorense de Escritores, professor em Poxoréu e acadêmico do 7º semestre de Direito na UNICEN em Primavera do Leste, MT.