quarta-feira, maio 10, 2006

Rochinha

Eis que mais um patriarca poxoreano se vai para o descanso eterno dos justos no “seio de Abraão”, o pai de todas as Nações. “Rochinha faleceu!”.
Joaquim Nunes Rocha, o “Rochinha”, o “Rocha”, “seo Rocha”, cidadão dos céus, membro da família dos santos, pertencente à comunidade Assembléia de Deus, nosso irmão, companheiro e líder já está discursando na Tribuna Celeste. Nosso amigo já está com Deus. A sua passagem para a eternidade aconteceu em Cuiabá, a Capital do Estado, às 11 horas e trinta minutos de 20 de Outubro de 2001, Sábado, no segundo dia das festividades alusivas ao 63º aniversário de emancipação político-administrativa de Poxoréo. Acompanhado por autoridades políticas, civis e religiosas, ele foi sepultado no jazigo da família Nunes Rocha, no Cemitério de Poxoréo.
“Poxoréo está de luto”. O povo poxoreano pranteou e homenageou seu grande líder. A Câmara Municipal foi pequena para receber as centenas de pessoas que lá compareceram para dar o seu adeus a Rochinha. O sentimento e a comoção da população foi transmitido pelo presidente da Câmara Municipal Adolfo Fernandes Catalá Neto e pelo prefeito municipal Antônio Rodrigues da Silva. Ambos destacaram o exemplo, a dedicação e o amor do do ex-prefeito pelo Município de Poxoréo, qualificando a sua perda como dano irreparável.
Rochinha veio de Goiás, da terra das preciosas esmeraldas do Anhangüera, para ser em Mato Grosso um dos construtores da cidade de Poxoréo, nossa eterna Capital dos Diamantes. Herdou a tenacidade e a firmeza das pedras preciosas, conservando a lucidez e sendo sempre um homem brilhante e ativo em todos os seus 85 anos de vida, advogando as causas dos mais pobres e menos favorecidos da fortuna, mediando, assim, os litígios sociais de sua gente. Essa sua dedicação foi lembrada na homenagem póstuma que a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, secção de Poxoréo/Primavera do Leste/Paranatinga fez ao seu ilustre membro Dr. Joaquim Nunes Rocha, através do Dr. Carlos Mandú da Silva, presente na ocasião.
“Rochinha foi um forte até a morte!” Inquiridor irrequieto, persistente, metódico, disciplinado e muito inteligente, ele sempre soube como conduzir. E por isso foi, com certeza, um líder durante toda a sua vida. Como político amou a terra mato-grossense, dando-se por ela em diversos mandatos como deputado federal e estadual, vereador e prefeito de Poxoréo. Inegavelmente, ele foi o maior e mais importante líder político que esta terra poxorense já produziu e que por ela se dedicou com tamanha intensidade. Aqui ele não veio passear, não veio visitar. Ele veio para ficar e aqui estará para sempre, nos corações de seus amigos, de seus seguidores políticos, de seus descendentes e até mesmo de seus adversários, que irão se lembrar dele e de sua lealdade nas disputas pelo poder.
“Rochinha continuará vivo entre nós!”. A Igreja Assembléia de Deus, através do seu pastor Abel Azambuja enfatizou a fé, a esperança e o caminho que ele encontrou na pessoa de Cristo de Jesus, do qual se tornou dedicado discípulo nos últimos anos. Segundo Azambuja, Rochinha escreveu um documento onde declarou que "depois de percorrer várias igrejas e de examinar várias doutrinas, finalmente havia encontrado o caminho na pessoa de Jesus". Na religião ele encontrou o caminho para os céus. Na terra, ele foi o patriarca de uma família que tem feito as coisas acontecerem neste país. Junto com seus sete filhos (Louremberg - ex-deputado-federal e ex-senador da República, Lindberg - ex-prefeito, Lindemberg - médico, Sílvio Romero - Advogado, Benedito César - Sociólogo e historiador, e, Lindsey - sua única filha), Joaquim Nunes Rocha escreveu muitas páginas na história do Brasil, razão porque sempre está vivo na nossa memória.
"Rochinha sonhou, pensou e projetou". Pensar o futuro é uma questão de responsabilidade. Principalmente quando esse é o futuro da nossa cidade. Seu filho Lindberg Ribeiro Nunes Rocha, nas poucas palavras que pronunciou em agradecimento ao apoio, à solidariedade e ao amor que estava sendo dedicado ao seu pai, lembrou que ele sempre proclamava nos discursos que fazia, os seus sonhos de ter uma Poxoréo com avenidas largas e floridas, com espaço para que a juventude pudesse viver e ser feliz. Ele foi um crente extremado que sempre acreditou na possibilidade de seu povo ser feliz. Com certeza foi no seu exemplo que Lindberg aprendeu que "para se administrar uma cidade, antes de tudo é preciso amá-la", o que lhe garantiu quatro mandatos como administrador de Poxoréo.
“Rochinha discursou.” E como! Garcia Neto, antigo companheiro de Rocha, da velha UDN - União Democrática Nacional, ex-governador de Mato Grosso presente nas homenagens póstumas, relembrou dos 50 anos que caminhou lado a lado com Rochinha por esse Estado, construindo as suas estruturas políticas.
"Rochinha proclamou!". Ainda está bem vivo em minha mente as palavras de seo Rocha sobre os seus sonhos de felicidade para a cidade de Poxoréo, quando disputou a Prefeitura de Poxoréo em 1992. Ele disse e eu gravei para a história: “Com muita satisfação eu me dirijo ao povo de Poxoréo, para que nos ajudem nessa peleja, porque essa peleja é uma peleja legítima a defender os interesses daqueles que vivem nessa região. Nós estamos disputando o cargo de Prefeito Municipal, não por vaidade. Absolutamente! Não por aventureirismo. Nós estamos disputando, porque verificamos que dispomos das condições necessárias para trazer a esta coletividade o dinheiro que seja necessário à construção de obras, à abertura de outras atividades, à instalação de novas empresas que tragam os benefícios ao povo, que tragam a felicidade desta região. Dessa forma, nós nos encontramos na condição de carrear para a nossa gente, toda sorte de benefícios para assegurar a felicidade do nosso povo e o engrandecimento da nossa cidade”. Ao finalizar seu discurso, ele disse: “Eu estou oferecendo um prêmio, eu estou oferecendo um serviço, estou oferecendo os meus conhecimentos nas últimas décadas da vida. Quero trazer isso como prêmio para o meu povo, para minha gente, trabalhando, conseguindo recursos, encaminhando estudantes, conseguindo o aprimoramento do ofício daqueles que laboram aqui dentro de nossas fronteiras”. Ele se doou por inteiro ao povo de Poxoréo. Desde então, nuca mais deixou essa cidade.
“Rochinha foi um grande intelectual.” Membro honorário da UPE - União Poxorense de Escritores, ele escreveu vários artigos que foram publicados em diversos jornais. Ao lado de João José Freire, Joaquim Dias Coutinho, foi um dos fundadores do Jornal Correio de Poxoréo, no qual registrou muito do seu pensamento. Mas a sua sede pela cultura e pelo conhecimento nunca foi saciada. Não faz muitos dias, ele esteve em minha casa para conversar comigo. Ele sempre me procurara para tratar sobre assuntos profissionais e eu pensava que nossa conversa daquele dia versaria sobre a pauta costumeira. Mas não foi assim. Ele puxou da memória a história e conversamos durante mais de hora sobre diversos assuntos da cultura geral. E, em nossa última conversa, por telefone, ele me solicitou que pesquisasse e o informasse sobre quem foi o filho que Júlio César teve com Cleópatra, quando andou lá pelas bandas do Egito. Infelizmente não pude passar-lhe a informação, pois logo ele adoeceu e foi em busca de tratamento especializado na Capital. Daniel, seu neto, disse que guardaria do avô, o seu o último sorriso. De minha parte, guardarei dele como última lembrança, esse seu interesse apaixonante pelo conhecimento, pelo qual me inspiro a continuar buscando as respostas para os novos problemas que a atual era do conhecimento irá desafiar-nos.
Até breve, Rochinha! Não te daremos um adeus, mas um até breve, na certeza de que logo nos encontraremos na eternidade dos céus, onde os dias não são contados. Que sua dedicação e seu amor por esta terra doce e amada chamada Poxoréo, continue sendo uma inspiração para aqueles que continuarem a sua trajetória no governo deste Município e deste Estado. Seja também nosso o "obrigado" que Pe. Pietro Melesi, da Missão Salesiana de Mato Grosso lhe fez postumamente. Obrigado, de coração, pelo seu exemplo concreto de liderança.
Descanse em paz, amigo! Nós continuaremos a sua luta pela felicidade de Poxoréo. (Poxoréo, MT, 21/10/2001).

A unidade upenina

Izaias Resplandes
Caríssimos confrades upeninos. Quero saudá-los com as palavras do imortal Machado de Assis e dizer-lhes com ele que "pode a sorte separar-nos, ou a morte de um ou de outro; mas o amor subsiste, longe ou perto, na morte ou na vida" (Machado de Assis, Páginas Recolhidas, p. 203).

Quero também cumprimentá-los pelos dez anos de existência de nossa agremiação cultural. Quem duvidava de nossos ideais e propósitos e que não conseguia conceber uma organização como a nossa, formada por tantas crenças, tantas definições e ideologias diferentes, com certeza também duvidava que haveríamos de subsistir e que um dia estivéssemos comemorando um aniversário tão importante com esse, ao qual quero chamar de aniversário da unidade.

O jargão é velho, mas a sua praticidade é cada vez mais atual. Nenhuma entidade, de qualquer natureza que seja, pode sobreviver se não estiver assentada sobre as bases da união. Sem união nós não venceremos, não seremos e nem existiremos. A união é a base da existência. E, se não fôssemos unidos, com toda certeza não teríamos chegado até aqui, neste momento tão especial e tão sublime para a União Poxorense de Escritores. Nossa união não é apenas um mote para batizar a nossa entidade. Nossa união é marcada pelos dez anos de existência desse grupo que se caracteriza pela singularidade de cada um de seus membros.

Não somos uma união de iguais; não somos clones uns dos outros. Cada um de nós possui as suas peculiaridades, a sua identidade, as suas crenças, a sua ideologia, as suas particularidades. Somos uma união de desiguais e é por isso que temos sempre, a cada dia, algo novo para ofertar aos nossos semelhantes. Há bem pouco tempo uma pessoa muito ingênua e desavisada pichava a calçada em frente à sede de nossa entidade, a frase "desunião de escritores", a qual permanece ali, recebendo a resposta do vento para quem foi dirigida, porque a mesma não fora dirigida a nós, haja visto que nunca estivemos tão unidos como agora estamos, com dez anos de relacionamento positivo, construído sobre as nossas diferenças e desigualdades.

Quero aproveitar esse momento especial para homenagear a memória dos nossos co-irmãos que já partiram dessa vida. Quero abraçar ao Fraga Filho e ao Mestre Aquilino Souza Silva, os quais hoje escrevem seus versos nas estrelas dalém Terra e os transportam através dos raios de luz pelas galáxias que Deus construiu neste universo. E se dalém eles continuam vivos, daquém não é diferente. Fraga e Aquilino são poetas imortais da União Poxorense de Escritores. Aqui haverão de continuar vivos na nossa memória e na memória de nosso povo.

Não choro e nem sofro por esses companheiros que já partiram. Eles vieram, mostraram para o que vieram, concluíram sua missão e se foram. Essa é, inexoravelmente a trajetória de todos nós. Hoje eles são espíritos e a poesia, que também é um produto do espírito, não poderia estar nas mãos de melhores intérpretes que esses nossos companheiros. De Fraga e Aquilino guardo apenas três coisas: saudade, saudade e saudade!

Por outro lado, a vida continua. E cá estamos nós elegendo mais uma Diretoria Upenina. A décima primeira. E quero desejar a todos os novos eleitos, os meus votos de sucesso e de felicidades no desempenho da nobre tarefa de conduzir os destinos da cultura poxoreana.

Que Deus nos ilumine, para que possamos semear o amor, a união e a paz entre os homens deste mundo e desta cidade. Um abraço a todos.

Poxoréo, MT, 18 de Abril de 1998

Prof. Izaias Resplandes de Sousa

A última esperança

Izaias Resplandes

Onde estás que os homens não te encontram?
Eles clamam por ti, pois são pobres
E se vêem náufragos da miséria,
humilhados!
Esquecidos da fortuna,
Até da alegria e paz consigo mesmos,
vivem a fome:
Mina que lhes minam
Até a minguada ânsia de esperança
Que lhes restam, de terem cor e calor,
Em melhores dias contigo, ó Justiça!

Choram sobre o suor; regam a terra
Esperando os frutos que não lhes dás;
Esperando as folhas verdes
Brotarem do vermelho sangue
Que seus corações sofridos
Orvalham sobre a terra.

Onde estás, se é que existes
E não passes de utopia
Para desesperados mortos de fome?
Onde te encontras, que buscam e não te acham,
Se é que estais em algum lugar deste Universo infinito?

Dais lugar à incredulidade
E, à fé, destróis,
Se não voltares ao mundo
Para acabares com as desgraças que lhe acabam!
Sois a última esperança, ó Cristo,
Deste mundo sofrível que ainda acredita:
"Um dia haverá justiça!"
Volte, antes que seja tarde demais
Até para a esperança continuar existindo na Terra.

Poxoréo, 19 de dezembro de 1983