quarta-feira, março 08, 2006

Quanto custa o seu voto?

Izaias Resplandes
O nosso voto, em tempos de eleições, tem se transformado em mercadoria de troca. Para algumas pessoas, ele não vale absolutamente nada. Elas entendem que o ato de votar não passa de uma imposição legal sem qualquer importância. Para elas, votar no Macaco Tião, no Marechal Ditadura, no Cacique Tapajós ou no Pedro dos Anzóis é a mesma coisa. Todos eles se dizem ser um Salvador da Pátria. Todos são farinha do mesmo saco. Logo, não faz nenhuma diferença para tais eleitores votar em qualquer deles.
A nível de senso comum, essa é a leitura de mundo mais generalizada que já consegui detectar. A nossa Constituição Federal diz em seu Art. 205, o seguinte: "A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho" (grifo meu).
Sem querer ser juiz ou médico dos males da sociedade, mas ao mesmo tempo assumindo a minha parcela de responsabilidade na educação do povo, delegada pela nossa Constituição, entendo que aqui está em jogo um dos mais sérios problemas de nosso país.
Não sabendo o valor que tem o seu voto, os brasileiros o estão entregando de graça ao primeiro aventureiro que aparece em sua frente, dizendo que é candidato, que vai resolver os nossos problemas de educação, justiça, segurança, saúde e outros lero-leros que lhes vêm à cabeça. Acabam entregando o ouro ao bandido de mão beijada e ainda agradecendo a Deus por tê-los livrado desse grande fardo decisório.
Essa situação não pode continuar perdurando. Aqueles que forem às urnas para votar, devem fazê-lo com a consciência de que estão assinando um cheque em branco e dando um procuração com plenos poderes para que alguém governe o Município, o Estado ou o País em seu nome. Se um eleitor não tem condições de fazer essa análise, ele não pode continuar exercendo esse direito de votar. Isso não é democracia, é anarquia. O governo não pode ser entregue nas mãos de pessoas que não estão preparadas para exercê-lo com responsabilidade e sabendo o que estão fazendo.
Com toda certeza nós temos candidatos sérios na disputa das vagas executivas e legislativas nessas eleições municipais. Mas, de igual forma, também temos inúmeros oportunistas, desempregados e ociosos. Pessoas que no dia-a-dia nada vêm fazendo para contribuir na solução dos nossos problemas sociais: vivem no bairro, mas não participam da eleição da Associação de Moradores, não comparecem em suas assembléias e nem sequer sabem o nome do seu Presidente; vivem no Município, mas nunca assistem a uma reunião da Câmara, nunca vão à Prefeitura saber como o Prefeito está administrando, passa anos sem ir ou nunca foram a determinados bairros da cidade, etc.. Todavia, quando se fala em eleição, aí estão eles, todos com a mesma máscara de bons samaritanos.
Nós não somos adivinhos e os bons políticos não vêm com uma estrela na testa. Mas nós não somos burros. Somos dotados de inteligência e temos condições de analisar o passado e o presente dos atuais candidatos, a fim de podermos fazer uma decisão sensata e racional no dia 1º de outubro. Votar de graça, é votar em qualquer um; é não dar valor ao seu voto; é admitir a nossa incapacidade de decidir e de exercer a cidadania.
Nosso voto não vale apenas um milheiro de tijolos, ou o aviamento de uma receita médica, de uma consulta, um caminhão de areia, a mudança de um parente que vem de fora, uma cesta básica, o pagamento de uma conta de luz ou água ou até mesmo uma ajuda financeira; nosso voto não vale apenas a promessa de um cargo em comissão, de uma promoção ou mesmo de um emprego em qualquer coisa na Prefeitura.
Nosso voto, nesses tempos de eleição, é um de nossos bens de maior valor. Não há dinheiro, presente, favor... não há nada que o pague. Nosso voto representa a nossa consciência, a nossa dignidade, a nossa fé e a nossa esperança de melhores dias em nosso Município. Esse é o preço do nosso voto.

2 comentários:

Luiz Roberto Lins Almeida disse...

e a verticalização?!!!!
os caras que defendiam agora dizem o avesso do avesso.
Há momentos, professor, que dá vontade de jogar tudo pro alto e desistir.
Abração.

Prof. Izaias Resplandes disse...

Verticalização... Fidelidade partidária... Bi-partidarismo... Eleições diretas/indiretas... Democracia...
Sabe, Beto, faz tempo que também sinto esse ímpeto de mandar tudo às favas, mas sempre sou chamado à ordem pela tal da responsabilidade social e volto a teimar, "acreditando"/desacreditando que é melhor escolher errado do que não escolher. Parafraseando o filósofo: escolher ou não escolher, essa é também uma questão. Acho que devemos escolher. Dentre os piores, o melhor. Abraços.