sábado, agosto 23, 2008

O primeiro amor

Foto ilustrativa: Os ascendentes de Ricardo Resplandes (foto maior) são mantidos vivos em sua memória, como exemplos de vida. De cima para baixo: Tataravós Jerônimo e Narcisa, Bisavós Antônio, Maria Cândida e Castorina; bisavós João Resplandes e Jorcelina; avos Marcelino e Maria Resplandes; pais Izaias e Maria de Lourdes Resplandes; avô Sebastião de Andrade.

O primeiro amor

Izaias Resplandes

Início. Tudo o que vem depois depende desse momento. Uma vida bem ou mal sucedida, vitórias ou derrotas, força ou fraqueza, bênção ou maldição... As primeiras experiências marcam para sempre a vida de uma pessoa, o seu destino, o seu futuro. Elas preenchem o vazio, o nada, a tabula rasa. Servirão de base, alicerce, fundamento e razão da existência. Daí a importância de que esse começo seja organizado pelos pais, pela igreja, pela escola e pelo Estado, instituições criadas pelo conjunto da sociedade para responderem pela formação moral, ética, espiritual e social de todos. Cf. Gn 1:1-2; 25:28-34; 27:32-38; Dt 4:40; 5:16; 11:26-28; Js 24:14-15; Sl 37:5; Pv 22:6; Ef 2:20; 1 Tm 3:14-15; At 7:22; 22:3; Lc 2:46; Rm 13:1.
É bem verdade que a vida de muitas pessoas costuma ser atropelada, tirando delas a oportunidade de vivenciar cada momento e cada fase da existência. Quantas não tiveram infância! Quantas não conheceram os pais! Quantas ficaram sozinhas tanto na vida quanto na hora da morte! Mas as coisas não eram para ser assim. Nunca foram pensadas dessa forma. A vida deveria seguir o curso das estações. Após desabrocharem, as flores teriam um verão ideal para se transformarem nos frutos do outono que no inverno se desfazem.
A criança precisa ser e viver essa primeira fase da existência. É nessa hora que conhecerá o amor, a amizade, a fraternidade, a solidariedade. Com seus pais desenvolverá as atitudes de respeito, de consideração e de confiança. Saberá que todos nós temos um próximo junto de nós, ao qual, no exercício de nossa primeira missão na vida, devemos aprender a tratar como nosso irmão. Aqueles que não têm essas experiências na primeira infância sofrem um estrangulamento fatal em suas vidas. Aprendem o que não presta, conhecem as drogas, o crime e tantos outros dos lados miseráveis da existência. São discriminados, desrespeitados e vilipendiados. Ninguém deseja a sua companhia. Cf. Ex 33:11; Dt 13:6-8; Pv 18:24b; Pv 27:10; Lc 16:9; 3 Jo 1:15; Ex 20:16-17; Lv 19:13-18; Mt 19:19; Sl 1:1-2; Pv 6:3. Tt 3:9-10;
O homem não foi criado para viver na solidão. A vida começa a dois. Desde o início, cada um deve ter alguém ao seu lado para compartilhar a grande jornada da vida. O homem deve ter sua mulher e a mulher o seu homem, formando a unidade de “uma só carne”. Os filhos também devem ter os seus pais ao seu lado, até o dia em que os deixarem para constituir a sua própria família. Então tudo se repetirá. A ordem da criação é que o homem viva em família, onde cada um quita para com os demais uma dívida de amor. Aquele que se isola em seu próprio mundo é um transgressor do princípio da unidade familiar. Não é considerado como uma pessoa sábia e, tampouco sabe o que é o amor, esse desejo e essa vontade que existe dentro de nós, que nos faz devotar a nossa existência em favor de nossos semelhantes. Cf. Gn 2:18; Sl 68:6; Pv 18:1; Ec 4:10; 1 Co 13:5; 1 Tm 5:8.
O inverno é o fim da jornada terrena, mas é também a porta dos céus. Todos nós haveremos de passar pela morte, de uma forma específica. Determinadas mortes nos parecem muito tristes e não as desejaríamos nem aos nossos piores inimigos. Aliás, a morte, embora seja uma conseqüência natural, não é algo para ser desejado. Em que pese ela representar o final do sofrimento humano, morrer não é uma coisa boa. O homem deve querer a vida. Jesus disse que viera ao mundo para o que nós pudéssemos ter uma vida abundante, sendo que seu sacrifício foi realizado para tornar esse projeto uma realidade. Ec 7:1; Hb 9:27; Jo 5:24; Jo 10:10.
A velhice é para ser a fase mais digna da vida de uma pessoa. Deve corresponder mesmo à melhor idade. É de se esperar daquele que chegou até esse momento, que tenha sido uma boa pessoa, capaz de amar e respeitar os demais, que foi solidário e fraterno com o seu próximo e tenha aprendido na infância as lições de seus pais e as aplicadas ao longo de sua convivência com os demais. Mas a verdade é que nem sempre as coisas correm dessa maneira e muitos terminam os seus dias completamente solitários e abandonados. É uma tristeza muito grande quando isso acontece, porque, da mesma forma que no começo da vida a pessoa precisa de alguém, assim também será na sua velhice. Destarte, cada um deve fazer a sua parte no momento oportuno, para depois poder usufruir dos benefícios de suas ações. Os pais devem cuidar dos filhos para que depois estes cuidem deles. Também devem fazer amigos, para que não fiquem sozinhos na hora da morte e tenha quem lhes possa conduzir até a sepultura. Em que pese muitos parentes faltarem na responsabilidade para com os mais velhos de sua família, não é isso o que normalmente acontece, principalmente em relação às pessoas de boa criação. Deus nos deixou instruções preciosas sobre as nossas responsabilidades para com os nossos velhos. Devemos amar e cuidar deles, dando-lhes o melhor de nossas potencialidades. Gn 15:15; Ec 11:4; Gl 6:7
A essa altura, espera-se que cada um tenha compreendido a importância de se ter um primeiro amor sólido e consistente, capaz de assegurar o viver nas demais fases da existência segundo os padrões divinos. É de lembrar também que mesmo àquele que se desviou daquelas orientações primeiras, sempre existe uma possibilidade de reajustamento. Se isso aconteceu com você, tome consciência do seu estado e volte àquele primeiro amor, sem o qual a felicidade eterna jamais será alcançada. O nosso desejo é que cada um possa viver bem, ser feliz e concluir com dignidade a sua missão na terra, entrando no céu em portas abertas pelo próprio Deus, recebendo a saudação pessoal de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo”. Cf. Ap 2:4; 3 Jo 1:2; Mt 25:34.
Que cada um, pensando na vida pregressa de seu semelhante, possa dizer-lhe que ele foi uma figueira que deu os seus figos verdes, uma vide em flor que ainda exala o seu aroma e que, portanto sua companhia é muito querida e desejada. Segundo Santo Agostinho, “uma vez penetrado pelo primeiro perfume, o vaso conservará por longo tempo o aroma”. Que ninguém perca o agradável perfume de seu primeiro amor. Amém.

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