domingo, agosto 31, 2008

Independência espiritual

Foto ilustrativa: Irmã Maria de Lourdes, Pr. Antônio Júlio
e Irmã Maria Resplandes. Visita a Cuiabá. Foto em frente ao local de reuniões
da Igreja Neotestamentária de Cuiabá, MT
As datas históricas são momentos oportunos para estabelecermos parâmetros de comparação que nos possibilitem refletir sobre as nossas relações espirituais. Durante esta semana o Brasil redireciona suas atividades para as comemorações da independência do país, desencadeada por Dom Pedro I há 186 anos e que ainda se encontra em curso de materialização, haja vista que a conquista da independência é sempre relativa. Sempre estaremos dependendo de alguém ou de alguma coisa para nos realizarmos plenamente. A independência pode ser o objetivo, mas sempre será uma meta inatingível, principalmente quando se leva a reflexão para o plano espiritual.

A independência espiritual é contrária à ordem estabelecida pelo Criador. O mundo – aqui entendido como sinônimo de universo – foi estabelecido de forma encadeada, tanto podendo desenvolver-se, quanto destruir-se a partir de uma seqüência progressiva, tal qual ocorre no efeito dominó, onde uma coisa leva à outra. Além disso, é de lembrar que, segundo o físico e matemático Isaac Newton, em sua terceira lei, “a cada ação corresponde uma reação, de mesma intensidade, mesmo sentido e direção oposta”. Cf. Gn 7:11; 8:2; 2 Cr 36:16; Sl 42:7; 78:1-72; Ap 13:10; Jó 8:11; Rm 1:17; 2 Co 8:7; Fp 2:12; 3:12-14.

Quanto ao homem, seu corpo constitui um ser complexo. Compõe-se de muitos membros. Todavia, em um corpo perfeito, nenhum deles pode prescindir dos demais. É como se cada um fosse membro do outro, complementando-se, principalmente porque, individualmente, são incumbidos de realizarem tarefas diferentes. Cf. Rm 12:3-8; 1 Co 11:3, 11-12; 12:12-27; Ef 4:25.
Na ordem espiritual, Jesus se compara como uma videira, onde cada um de seus discípulos é um ramo de produção. Segundo ele, se o ramo estiver ligado nele, poderá conseguir tudo o que desejar. Todavia, desligado, secará e será recolhido e lançado ao fogo. Cf. Jo 15:1-14.

Todo homem é livre para tomar a decisão que quiser. Evidentemente, sempre arcando com as devidas conseqüências. Deus não obriga a ninguém em nada. Cada tem a liberdade de ação. Livre arbítrio. No entanto, independente da decisão tomada, Ele não retirará nem a sua Palavra, nem a sua misericórdia, até que se chegue à plenitude dos tempos. Aí, sim, a vida será difícil e cada um terá que lutar pela sua própria salvação, destacando-se que nenhum ficará vivo fisicamente para contar a história. Muitos serão salvos para a via eterna, mas enfrentarão a morte na face da terra. Cf. Gn 3:15; Sl 100:5; 103:11; Lm 3:22; Rm 5:8; Ap 6:9-11; Ap 13:1, 7-8, 11, 14-15.

É de destacar que embora as coisas terrenas possam ser utilizadas como parâmetros para melhor entendermos as espirituais, a ordem destas não é semelhante à daquelas. A lógica divina é diferente da humana. É de observar que às vezes pensamos que somos sabedores de tudo e no fundo não sabemos de nada. Cf. Is 55:8; Jo 3:12, 31; 1 Co 1:26-29; 2:13 Fp 3:19; Tg 3:15.

Sócrates, filósofo grego foi considerado no seu tempo o homem mais sábio do mundo. Não pelo que ele sabia, mas justamente por reconhecer que, na verdade, ele não sabia de nada. A maioria das pessoas nada sabe, mas apresenta-se como dona de tudo quanto é conhecimento. Esse é o pior caminho. O melhor é o da humildade. Segundo o matemático Blaise Pascal, “ninguém é tão ignorante que não tenha algo a ensinar; e ninguém é tão sábio que não tenha algo a aprender”. Há muita honra para o mestre. Todavia, há muito mais sabedoria com o aprendiz. Em se tratando de questões espirituais, a dependência de Deus e de sua sabedoria é o melhor caminho. Perfeito não é o que se realiza, mas aquele que ajuda os outros a se realizarem. Pensar nos outros, dar-se aos demais. Esse é o caminho que conduz à vida. Cf. Pv 8:5; Is 1:17; Mt 9:13; Jo 15:13.

Essas são as diretrizes divinas. Que elas possam nos conduzir pelos caminhos da vida até o fim de nossos dias.

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