quinta-feira, abril 20, 2006

Os sonhos de Fernando


Izaias Resplandes

Olá, meu filho! Graças a Deus por mais um dia de vida, onde, com certeza, fizemos a nossa parte na história da humanidade, pensando, planejando, agindo... Qualquer que tenha sido a nossa contribuição de hoje, o mais importante de tudo é que não fomos omissos e buscamos fazer alguma coisa. Você, com certeza, meu filho, continuou a trajetória que planejou para sua vida, estudando e se preparando para ser um profissional de qualidade, alguém que detém o conhecimento que faz a diferença. Com certeza, você lutou hoje para fazer a diferença, formando idéias que são e serão somente suas, às quais, se alguém algum dia se reportar, dirá: "Conforme disse Fernando..." E isso é o que realmente vale a pena. Se nós formos simplesmente alguém que passou por essa vida, seguindo as pegadas dos outros, seremos simplesmente mais um entre os milhares que não conseguiram deixar as suas próprias marcas. Não teremos sido ninguém!
(...) Agora é tarde da noite; já é a última hora deste dia 24 de abril de 2003. Muitos já estão dormindo. Eles merecem dormir. Eu também já deveria estar dormindo; faz um bom tempo que sua mãe se recolheu. Mas senti que não poderia ir para cama antes de refletir sobre o que eu fiz neste dia para contribuir com a sobrevivência da minha espécie. Ainda há pouco terminei de assistir um filme chamado "A Justiça de um bravo", cujas cenas finais mexeram efetivamente com os meus brios e chamou-me à responsabilidade de pai. Naquela história, um homem fora condenado à morte pelas conseqüências de sua luta por justiça. Ele pediu Justiça ao Estado e este arquivou a sua petição. Ele não se contentou com essa decisão e decidiu fazer ele mesmo a justiça no seu pleito, seguindo suas próprias regras. Infelizmente, na sua trajetória aconteceram coisas que embora fossem previsíveis, eram indesejáveis... Outras pessoas que não se relacionavam diretamente com o caso acabaram se envolvendo e morreram. Pagaram o preço da dívida de outros. E isso tudo pesou contra aquele homem, quando o Estado decidiu reabrir o seu processo, caso ele se entregasse à Justiça e deixasse que ela julgasse o caso. E acreditando, ele se entregou e foi condenado. E foi morto. Mas deixou sua marca, sua mensagem e um exemplo de vida para nós e para o seu filho, a quem ele disse que nunca deixasse de lutar por aquilo que acreditasse ser correto, justo e verdadeiro.
"A Justiça de um bravo" foi um bom filme para um fim de noite. E seria apenas um filme, se não aproveitássemos a sua lição de vida. Antes de tudo é preciso acreditar em alguma coisa. Precisamos de um ideal que dê sentido à nossa vida. Então, devemos lutar para que ele se realize. Para tanto, devemos fazer até mesmo o impossível, se for possível. Devemos estar dispostos a pagar o preço. Se o nosso ideal não tiver um valor caríssimo a ser pago, então não é um ideal, mas apenas um passatempo. E a última coisa que deve ocupar a curta vida de um homem é o nada, porque ele atenta contra tudo. A vida é preciosa demais para que seja gasta com nada... Eu aprendi isso muito cedo e por isso ocupei bastante a minha vida, embora ainda ache que tenha ficado aquém do desejado.
Eu sonhei demais, mas creio que ainda sonhei pouco. E lutei bastante para tornar meus sonhos em realidade, mas também creio que ainda não lutei o suficiente. Todavia, eu sonhei, eu lutei e dei um sentido para a minha vida. E hoje, meu filho, quando eu te vejo na faculdade com a vontade que seus dezessete anos está lhe dando, caminhando para ser um farmacêutico-bioquímico de primeira e que faça a diferença, então eu vejo que valeu a pena ter sonhado e lutado, porque você também aprendeu que é possível tornar os nossos sonhos em parcelas da nossa realidade. E é por isso que tenho certeza de que você será um vencedor, porque você está lutando e se esforçando por algo que você sonhou, acreditou e idealizou como futuro. E isso é o que tem feito a diferença e que hoje vai embalar o sono de seu pai neste começo de madrugada. Boa noite!
Nota: Hoje é 20/04/2006. Fernando continua lutando para realizar seu sonho de ser um farmacêutico-bioquímico, aos quais tem acrescentado outros sonhos. Continuo insistindo e acreditando que vale a pena sonhar. O sonho é o começo de tudo.

2 comentários:

Fernando disse...

O Fernando continua sonhando!! E ainda continua procurando meios para que esses sonhos se concretizem. Os sonhos do Fernando vão muito além da vida proficional, hoje pode incluir nas mesmas proporções que a vida proficional, a vida emocional.
Beijos Pai, obrigado por escrever. Te amo

Prof. Izaias Resplandes disse...

Hoje é 22 de março de 2008. Fernando já realizou seu sonho de ser um Farmacêutico-Bioquímico. Já está formado e trabalhando na área.