segunda-feira, fevereiro 20, 2006

O quinto ano

Izaias Resplandes

A ordem natural sob a qual se encontra organizado o universo, diz que nossa vida é um elemento de constante fluidez. A todo instante estamos sofrendo o efeito das mudanças. Ainda que algumas pareçam imperceptíveis, o tempo não nos deixa esquecer. Já não somos mais os jovens de antigamente. Hoje estamos mais velhos do que ontem. A ordem natural que Deus estabeleceu para o homem é nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. Reconhecê-la é uma questão de sabedoria. O rei Davi sempre pedia ao seu Deus, por ele e por seu povo: “ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio” (Sl 90:12).
Como é notório, estamos terminando o primeiro ciclo do terceiro milênio e iniciando o seu quinto ano. Um ciclo completo equivale a um grau a mais, tanto na evolução, quanto no conhecimento. Pela lógica, após tantas idas e vindas pela vida, devemos estar agora mais sábios do que antes, mais perspicazes, mais aptos para ver as novas possibilidades que se desenham aos nossos olhos. O tempo pode tornar as pessoas mais sábias, enquanto a história cíclica passa e repassa no seu eterno vai e vem. Várias escrituras falam sobre isso.
“Acrescentai ano a ano, deixai as festas que completem o seu ciclo” (Is 29:1). “Enquanto durar a terra, não deixará de haver sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite” (Gn 8:22). “Fixaste os confins da terra; verão e inverno, tu os fizeste” (Sl 74:17).
Compreender que estamos no curso da história, repetindo-o, tal qual nos anos anteriores, é de capital importância para que possamos nos preparar para receber o novo ciclo que se inicia neste quinto ano do milênio. Muitos têm continuado na mesmice, sem progredirem, sem evoluírem. Isso se deu porque não foram capazes de perceber como funciona a ordem universal estabelecida pelo Criador. Quando se tem essa virtude, então tal pessoa pode se preparar para enfrentar o novo, o qual nada mais é do que a volta do velho.
Se eu moro na beira do rio e sei que todos os anos ele pode encher, então eu tomo as providências. Construo uma barreira, mudo a minha casa para mais longe, aumento a altura dos seus alicerces, enfim, faço alguma coisa para que a minha casa não seja inundada no próximo ano. Ou seja, a pessoa que conhece os ciclos universais, se prepara para não ser surpreendida. Certa vez, estando Jesus no território de Magadã, aproximaram-se dele fariseus e saduceus, pedindo-lhe “que lhes mostrasse um sinal vindo do céu. Ele, porém, lhes respondeu: Chegada a tarde, dizeis: Haverá bom tempo, porque o céu está avermelhado; e, pela manhã: Hoje, haverá tempestade, porque o céu está de um vermelho sombrio. Sabeis, na verdade, discernir o aspecto do céu e não podeis discernir os sinais dos tempos?” (Mt 15:39-16:1-2).
O tempo que chega e que passa é uma aula que se renova a cada período, desde o tempo do microssegundo, até o tempo do macroscópico. A terra gira em torno de seu eixo, no movimento de rotação, gerando os dias e as noites. A cada manhã temos uma nova oportunidade para recomeçar melhor, onde a brisa e a chuva novamente regarão a terra e o sol despontará no horizonte para ajudar a natureza a fazer a síntese da vida. Ao mesmo tempo, como em uma nave espacial, orbitamos anualmente em torno do sol e, num ciclo muito mais longo, a Terra juntamente com todos os astros que compõem o sistema solar, faz o movimento de translação em direção ao ápex, que fica entre as constelações de Hércules e de Libra. Enquanto viajamos pelo espaço sideral, temos a oportunidade de conhecer e sondar as possibilidades de novos mundos e novas galáxias, onde possamos viver e desenvolver. O futuro da humanidade está realmente “escrito nas estrelas”, porque nós vivemos e viajamos pelo universo segundo seu governo.
“Disse também Deus: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para fazerem separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais, para estações, para dias e anos. E sejam para luzeiros no firmamento dos céus, para alumiar a terra. E assim se fez. Fez Deus os dois grandes luzeiros: o maior para governar o dia, e o menor para governar a noite; e fez também as estrelas” (Gn 1:14-16).
A ordem universal é temporal. Se nos aprofundarmos na compreensão dos ciclos dos tempos, haveremos de descobrir a chave que abre a porta das possibilidades. Então poderemos avançar mais um grau na evolução e no conhecimento. Caso contrário, continuaremos como crianças, ao sabor do acaso. E esse não é o propósito divino.
A Bíblia nos orienta “para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro” (Ef 4:14). O apóstolo Pedro nos alerta sobre a ignorância. Diz ele: “Vós, pois, amados, prevenidos como estais de antemão, acautelai-vos; não suceda que, arrastados pelo erro desses insubordinados, descaiais da vossa própria firmeza; antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno” (2 Pe 3:17-18). O próprio Jesus chamou a atenção dos seus ouvintes, ao dizer-lhes: “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt 22:29); “Examinais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5:39).
Estamos na dispensação do conhecimento dos mistérios de Deus. Devemos aproveitar a oportunidade para nos aprofundarmos naquilo que tem sido insondável. Esse é o desejo divino, a respeito do qual o apóstolo Paulo se manifestara nos primeiros tempos da igreja, dizendo: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de pregar aos gentios o evangelho das insondáveis riquezas de Cristo e manifestar qual seja a dispensação do mistério, desde os séculos, oculto em Deus, que criou todas as coisas, para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3:8-11).
Assim sendo, que possamos começar o quinto e todos os anos deste milênio com novos olhos e nova mente, para vermos a salvação e a vida que Deus tem preparado para cada um de nós que conseguirmos alcançar a sua luz.

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