sexta-feira, setembro 29, 2006

Plantão de Eleição



Izaias Resplandes[1]


É dia de eleição outra vez. Ah, mas isso todo mundo já sabe; não é nenhuma novidade, diria alguém. A esse eu responderia dizendo que, de fato, isso seria, provavelmente, uma verdade relativa. E que, apesar das campanhas educativas realizadas, principalmente pelos meios de comunicação de massa, ainda persiste muita desinformação e confusão em torno da temática eleição, conduzindo os brasileiros, por um lado, ao exercício enviesado da cidadania e, por outro, à prática da infração penal. E se existem dúvidas, ainda é tempo de esclarecer. É esse o diapasão condutor da presente reflexão.
Os brasileiros, principalmente os remanescentes do período discricionário 1964/1984, têm muito orgulho do atual momento democrático. Naquele tempo temia-se expressar as idéias e os sentimentos que latejavam dentro do peito de cada um, reclamando liberdade, democracia e exercício pleno da cidadania. O grito era sufocado na garganta. Aqueles que ousavam soltá-los sofriam perseguições diretas e indiretas, pois não raras vezes também os seus familiares eram alvos da retaliação. Contra aquela situação, fazia-se um trabalho subterrâneo, de sótão e de porão, semeando coragem e esperança nos corações dos brasileiros. A restauração da democracia não caiu do céu, foi resultado de muitas lutas, lágrimas e sacrifícios. Até hoje não se tem claro o número de todos os “desaparecidos” durante o regime de exceção. Aqueles que não viveram os malfadados dias precisam saber dessas coisas, mesmo que seja a minutos do momento em que se exercitará o sufrágio eleitoral por meio do voto direto e secreto.
A campanha partidária está encerrada. Não é mais a hora de ninguém estar batendo na sua porta e no seu ouvido para te entregar “santinhos” e pedir o seu voto para o Fulano ou para o Beltrano de Tal. Mas a aquisição do conhecimento não tem hora para acontecer, como diz o cantor Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Dia de eleição é um dia de ser cidadão por inteiro e não cidadão de meia pataca. Nós temos o costume de ir votar “mais tarde”, depois que os outros votaram, “quando acabar as filas”. Por conta disso, não poucos deixam de votar, seja porque chegam ao local de votação depois da hora, seja porque nem lá conseguem chegar por um ou outro imprevisto.
Dia de eleição é dia levantar cedo, tomar um bom café da manhã e, sem perda de tempo, ir logo à sua seção eleitoral e exercer o seu direito de decidir os rumos do país. Saia de casa sabendo os números certos dos candidatos em que vai votar: do deputado federal, do deputado estadual, do senador, do governador e do presidente. Escreva os números em um papel. Lembre-se de que apenas essa cola é permitida; os santinhos não são.
O brasileiro gosta de fazer boca de urna. Isso é proibido. É crime. O que deveria ter sido feito em prol do candidato A ou B, já foi feito. Agora cada um deve permitir que o outro exerça livremente o seu direito de votar, sem qualquer embaraço. É bom saber também que um voto válido poderá ser suficiente para eleger um candidato, o qual, depois de eleito será o deputado, ou o senador, ou o governador ou o presidente de todos nós. O voto nulo e o branco não são válidos para eleger. O Código Eleitoral e a Constituição Federal dizem claramente que somente os votos válidos serão computados para eleger. A eleição não será anulada se muitas pessoas deixarem de votar. Quem não vota, também ajuda a eleger.
Dia de eleição é um dia de plantão para todos os verdadeiros cidadãos. É dia de honrar a todos aqueles que no passado lutaram para que hoje pudéssemos ter o direito de decidir quem nos representará e quem governará por nós. É dia de mostrar aos olheiros internacionais que aqui no Brasil a democracia funciona e o povo participa de fato e de direito do processo decisório. E por fim, é dia de educar pelo exemplo, aos nossos filhos e às próximas gerações. Palavras são simples palavras, são como escritos na areiam que logo são apagadas pelo vento e esquecidas. Exemplos são eternos, são como escritos feitos na rocha, ficam para sempre.

[1] Izaias Resplandes de Sousa, pedagogo, professor de Matemática e acadêmico de Direito das Faculdades UNICEN, em Primavera do Leste, MT.

Nenhum comentário: