O Banho das Flores
Izaias Resplandes
A noite foi de chuva generosa, daquelas que lavam a alma e renovam os pactos com a terra. Nesta manhã, a poeira deu trégua e o cenário na Casa do Lago é de uma vivacidade absoluta. As plantas acordaram radiantes, mas são as flores que roubam o espetáculo. Gotas de cristal ainda repousam sobre as pétalas mimosas, como joias que a madrugada esqueceu pelo caminho.
Não resisti. Peguei a câmera para registrar esse "book" das minhas princesas vegetais. Enquanto as fotografava, pensava na elegância de quem sabe florescer com o tempo: as flores parecem se enfeitar para a festa de 80 anos da prima Zuraide Sousa de Oliveira, que hoje, neste 10 de fevereiro, completa oito décadas de luz. E, no compasso da renovação, celebram também os 5 aninhos do meu sobrinho-neto Luiz Cândido. A vida é esse ciclo eterno de primaveras.
De Goiânia, recebo as cores da Tia Agda e sua "cinquentaçao", fotos que transbordam uma energia contagiante. Pelo WhatsApp, converso com minha filha Mariza, que de Rondonópolis traz notícias de sua própria jornada. Ela observa, com a sabedoria de quem vê além, que a mãe, Lourdes, e a tia Agda parecem ter bebido da mesma fonte de vitalidade e vaidade sadia.
Mariza compartilha sua rotina de cuidados — o treino cedo, o pilates, a disciplina na alimentação e o onipresente conselho materno: "Bebe água, filha!". Ver minha filha assim, dedicada ao próprio bem-estar, enche meu coração de orgulho. Eu a encorajo daqui: a firmeza no autocuidado é o que faz o dia no mundo valer a pena.
Aqui fora, a calçada ao redor da casa é o meu santuário. A estrada hoje está "barrenta" por causa da chuva, mas a calçada nos abraça. O barulho da água corrente que não para de cair em nosso reservatório na área, quando passamos, é a sinfonia que dita o ritmo dos nossos passos. Eu e Lourdes caminhamos juntos. Sabemos que ferro parado enferruja e água parada apodrece. Queremos a agilidade da prima Zuraide aos 80, e quem sabe, o fôlego para os cem.
Caminhar em casal é ter um estímulo constante ao lado. Lurdes é o meu norte, e eu espero ser o dela. Enquanto nossos pés tocam o chão, o pulsar da felicidade bate rítmico no peito. É uma estrada de vida feliz que percorremos, passo a passo, sob o olhar atento das flores que parecem declamar poesias para nós. Mando mensagens para os parentes, amigos e irmãos de fé:
"Não fique parado. Venha caminhar com este "velhinho" e sua companheira. Afinal, a vida é movimento e beleza, e hoje ela acordou lavada e perfumada".
Casa do Lago, 10 de fevereiro de 2026, de manhã.

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