quarta-feira, julho 23, 2014

O duende do Osmar

Férias de Julho
II
O duende do Osmar
Izaias Resplandes de Sousa

A vida não pára. Ainda nem terminei um primeiro conto e já tenho mil contos outros para contar. Então, ninguém se aveche. Eu vou contar tudo o que aconteceu nas minhas férias de julho que ainda estou desfrutando na companhia maravilhosa e espetacular de meu Superneto Davi Resplandes do Nascimento, que estão programadas para terminar no fim desse mês, mas que, através do poder que me foi concedido pelo Grande Rei dos Reis, espero esticar por muitos e muitos anos, escrevendo e comentando nossas grandes e memoráveis aventuras pelos Reinos Selvagens dos Bororos Coroados de Poxoréu e dos Goyases de Goiás. E podem se preparar e encontrar um canto para sentar, porque há muita coisa ainda por contar...
E então começo esse conto dizendo que ando lendo muitas das histórias cheias, tanto de encanto, como de magia e fantasia, do doutor Osmar Nascimento, um amigo de pena e alma serena, natural das Lavras mineiras e que há tempos vivem no Reino dos Bororos, em Poxoréu, Mato Grosso.
 Tem sido maravilhoso ler o Doutor Osmar. Como ele, eu também gosto de viver no meu canto, em meu recanto fantástico onde tudo é possível! Sim, eu disse tuuudo. Até pegar luta no sofá da sala, brincar nos buracos de lama de minha densa floresta de trilenares segundos, ou comer o que eu bem quiser e na hora que bem entender, as tortas, bolos, doces e tudo que sua lama permitir você fazer.
Quando era criança eu estive em vários reinos, conheci tanta gente fantástica e miticamente maravilhosa. Conversei muito com aqueles seres encantados da fantasia estrangeira de La Fontaine e da nacional de Monteiro Lobato...
 Ah, o Lobato! Suas histórias me faziam parar no tempo. Houve uma vez em que ele teve até que mexer na “Chave do Tamanho”, para consertar o meu crescimento, porque eu ficava tão extasiado nas brincadeiras e aventuras, como os meninos perdidos da Terra do Nunca, que me esquecia de crescer. Eu me encantara tanto com o Peter e tantas vezes eu também desejei não crescer como ele e ficar sendo criança para sempre. Ainda me lembro de algumas prosas daquele tempo, que de tão marcantes, meus amos anos não conseguiram apagar. Se bem que muito tentaram. Mas quando a prosa é boa, menino... A gente não esquece não! E aquelas eram fantasticamente fantásticas. Fantasticíssimas!!!
 A história do Nascimento é muito parecida com a minha. Tem muitos e muitos capítulos. De forma que eu ainda não cheguei ao Epílogo. Na verdade, acho que ainda nem saí do Prólogo. Tio João Berocam de Sousa me disse que as  histórias dos Sousas são ”histórias sem fim” e, na verdade, parece que é mesmo assim.
Quanto aos Sousas, huuum!!! Vocês já devem ter ouvido falar nos Sousas! A nossa família é muito grande. Há Sousa por todo lado. Alguns famosos, outros nem tanto. Tem um que foi o Comandante da primeira expedição colonizadora no Brasil: o português Martim Afonso. Houve outro que foi o primeiro Governador Geral do Brasil: o português Tomé. Também mais recente teve uns que fundaram com outros cabras bons, a União Poxorense de Escritores, a UPE: o cearense João e o mato-grossense torixorino Izaias Resplandes, descendente do cearense Manuel e do goiano Jerônimo.
Manoel Resplandes de Araújo foi um jovem cearense, natural da “Serra Grande”, que visitou, no Maranhão, o lugar da futura Fazenda Jenipapo, em 1831, quando procurava terras férteis para ocupar e expandir o seu rebanho bovino de gado. Em abril de 1832, Manoel iniciou a ocupação das terras em companhia de sua esposa Bernardina, trazendo um rebanho de aproximadamente 80 cabeças de gado bovino. Sua residência foi construída no Alto do Canção (na entrada que vai para Rancharia), um lugar arejado que seria capaz de evitar a febre amarela, “impaludismo”, que era muito comum nas áreas alagadas do Brejo Grande e do Varjão[i].
Manoel gerou uma grande prole de maranhenses que se espalharam por todo o mundo, conseguindo alguns atingirem o distante Reino de Poxoréu, onde fica a famosa “Mata do Vô”, os “Buracos de Lama”, a “Cachoeira da Torneira” e tantas outras coisas paisagens geográficas de notória memória. Famosíssimas.
Os Sousas são gente simples, mas com muita ambição. Quase todos se ainda não tem, já tiveram o seu Reino Encantado. Eles não fazem acepção de ninguém. Não se incomodam de misturar o sangue com outras famílias e assim vão surgindo Sousas em tudo quanto é família. Só para vocês verem: eu sou dos Resplandes, mas também sou dos Sousas. E meu Neto, Dr. Osmar, é Resplandes e é Nascimento, mas também é Sousa, porque traz até a alma o sangue de nossa “Grande Família” Sousa.
Mas voltando ao assunto, eu falava mesmo era sobre a impressionante história do doutor Osmar Nascimento que vem sendo publicadas em seu perfil público no Facebook. Ela está a me encher o coração de emoção. Então, meu irmão e amigo Osmar Nascimento de Perspectiva 21, peço sua permissão para falar o que fiquei sabendo sobre certo duende riliento que muito se pareceu com esse de seu pensamento.
O tal duende riliento era um Cupido avexado, meu irmão, mas que tinha uma boa intenção. Ele não queria a ninguém machucar. Quando conversei com ele, me disse que era um duende do amor e que seu pequeno coração, ficava como que desesperado, a gritar que deveria suas flechas de amor espalhar. E unirrr. E ajuntarrr... Então eu lhe disse: Sim, sim pequeno ser. Eu sei que és um duende!  Um duende do amor. Eu entendo isso. Sei que tu só desejas estimular na flexão, o verbo amar.  Mas não estás pronto para a missão de flechar o coração de ninguém, pequeno irmão. É por isso que andas um tanto tonto, jogando flechas para lá e para cá, feito uma barata tonta, como um tonto. Observe que não estás preparado para a milenar missão dos duendes de sua estirpe, a missão singular que ensina aos mortais e aos não mortais, o beabá de como amar. És uma criança!  Há pouco, quando estive em França, tive a satisfação de participar de sua festança pelo primeiro meio milênio de sua existência terna, quase eterna.
“Calma, paciência!”, disse-lhe. E continuei...
 Só agora você começa a desabrochar. E, como as azuis borboletas a voar por aqui, por ali e acolá, o vôo perdido de suas flechas infantes, resultados ainda não garantem. É preciso esperar seu amadurecimento, para que suas flechas unam de verdade e sem fingimento, pares de seres que viverão um grande e puro amor. O que estás fazendo, duende menino, é um horror! Um duende de valor, um Cupido do amor como tu, não pode atirar flechas a esmo. Guarde-as para nossas crianças, hoje meninas de tranças que estão a crescer muito mais lépidas do que tu e que vão precisar encontrar um grande amor, que lhes dêem valor e lhes cubram todas as noites com um abraço protetor, enquanto sussurram em seus ouvidos palavras que não consigo entender, mas que me parecem ser algo como... “Eu amo você!”.
E então, amigo Osmar... Será que seu duende é o meu? Ou quem sabe o meu é que é o seu! Tchuz! Tchuz- Tchuz... Sei lá... Será?!




i SOUSA, Izaias Resplandes de. História dos Resplandes: de Sobral, CE a Fernando Falcão, MA. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2014.

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