domingo, janeiro 22, 2006

A guerra do Iraque



Izaias Resplandes


Hoje é um domingo de guerra. Há três dias estamos presenciando os ataques dos EUA e de seus aliados contra o povo iraquiano. O dia 19 de março de 2003 marcou o início da invasão, a qual se deu sem a necessária autorização da ONU – Organização das Nações Unidas. Trata-se de um atentado contra a comunidade internacional, posto que a maioria dos países entendeu que os Estados Unidos não poderia atacar o Iraque sob o pretexto de que aquele país possuía armas de destruição em massa, as quais poderiam ser algum dia utilizadas por Saddan Russein contra os americanos. Foram contra pelo menos por duas razões principais: primeiro, porque não se conseguiu provar a existência das alegadas armas; segundo, porque mesmo que estas existissem, elas nunca foram utilizadas contra os EUA. Pelo que se sabe, o Iraque realmente teve armas químicas e bacteriológicas no passado, as quais usou contra os Curdos, uma parte da população iraquiana que vive no norte do país, mas que, atualmente não foram mais encontradas, sendo que os iraquianos afirmam que eles não mais as têm. O entendimento internacional é que esse ataque americano abre um precedente muito perigoso para todo o mundo, uma vez que se isso for admitido, qualquer nação poderá desferir um ataque contra outra, sob a alegação de que aquela um dia poderia se voltar contra esta. O que vemos é realmente um caos, o qual nós, evangélicos, não podemos ignorar. Não podemos apoiar uma guerra tão desigual como essa, onde é incomparável o poder das forças em litígio e cujos objetivos não são os defendidos pelo nosso Rei Jesus.
Recordo-me daquela vez em que Jesus e seus discípulos se aproximavam de uma aldeia samaritana, onde solicitaram abrigo, o qual lhes foi recusado. Naquela oportunidade, alguns dos apóstolos queriam usar o grande poder celestial que estava em suas mãos para dizimar aquele povo. Mas então nós ouvimos de Jesus o brado contrário a essa intenção e a reafirmação dos objetivos de sua vinda ao mundo: “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salva-las” (Lc 9:51-56).
A Inglaterra e os EUA são dois países onde a maioria professa ser seguidora de Cristo. “Pouco mais da metade da população é protestante (as principais denominações são a metodista, luterana, presbiteriana, pentecostal, batista e episcopal), enquanto cerca de um quarto da população professa o catolicismo. Esses dois ramos do cristianismo somam mais de 85% do total” (Barsa, 2001, p. 79). “A Inglaterra é majoritariamente anglicana” (Barsa, 2001, p. 268). Sendo seguidores de Cristo, essas nações tem realmente a obrigação de investir os seus bilhões de dólares e euros numa guerra não somente contra o Iraque, mas contra todo o mundo. Todavia, não para mata-los, não para destruí-los, senão que para salva-los. O que as chamadas “tropas de coalisão” estão fazendo hoje no Iraque é um ataque frontal aos propósitos de Jesus.
O povo iraquiano, juntamente com milhares de pessoas em todo o mundo aguarda ansiosamente pelo dia em que lhes for anunciada a mensagem do Evangelho de Jesus, que de certa forma lhes foi prometida, quando Ele determinou aos seus discípulos que fossem por todo o mundo e que fizessem discípulos de todas as nações (Mc 16:15; Mt 28:19). Essa é a guerra de Jesus, a guerra contra a incredulidade, a guerra contra o mal, a guerra contra as hostes espirituais do mal. A nossa luta não é contra e nem a favor da carne.
A nossa luta deve ser espiritual (Ef 6:12) e é uma luta em prol da paz; da paz dos homens para com o nosso Deus. Assim, em diversas partes da Bíblia, somos orientados a seguir a paz com todos (Mc 9:50, 1 Ts 5:13, Hb 12:14) e a buscar a paz com Deus (Sl 34:14; Rm 14:17, Gl 5:22), a qual é um dos frutos do Espírito.
Com toda certeza, esse é um momento de suma importância para todas as pessoas refletirem na sua situação pessoal com Deus. Quantos mulçumanos estão morrendo sem ouvir a mensagem de Deus que diz a respeito da possibilidade de salvação da morte eterna através da pessoa de Jesus. Há poucos dias os iraquianos estavam em paz e de repente veio sobre eles esse fogo cruzado e eles estão morrendo às tantas, sob as bombas e mísseis dos americanos e britânicos, sem antes terem a oportunidade de aceitarem a salvação de Deus. É lamentável que isso esteja ocorrendo. Todavia, mais lamentável ainda é que muitas pessoas que não estão sendo bombardeadas e que estão tranqüilas em suas casas também precisam de Jesus para salvá-las e não estão se dando conta de que a oportunidade de fazerem a decisão pela vida eterna oferecida por Jesus também está com os dias contados e que acabará no dia em que morrermos.
Hoje, com certeza, é tempo de nos preocuparmos com a nossa salvação. E se você pensa dessa maneira, eu quero te dizer que Jesus está somente aguardando que você abra a porta de seu coração e o convide para habitar ali (Ap 3:20). Hoje é dia de salvação (2 Co 6:2). Pense nisto! Que Deus nos abençoe!

2 comentários:

Prof. Izaias Resplandes disse...

Depois dos EUA, a França agora também ameaça atacar prováveis terroristas, utilizando, inclusive, armas atômicas. Não dá para ficar calado. Esse artigo foi escrito no início da guerra do Iraque, mas continua sendo inédito para aqueles que ainda não leram e que tiverem algum tempo para investir em sua leitura. Abraços.

Luiz Roberto Lins Almeida disse...

qto à guerra do Iraque a vejo sob dois aspectos:
1 - teoria constitucionalista do Estado: um desrespeito à soberania Estatal;
2 - Direitos humanos: embora a guerra, com suas mazelas, os mínimos direitos fundamentais não eram reconhecidos em solo iraquiano.
Complicado. muito complicado.