domingo, agosto 26, 2012

O barista de Rezende

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"Graças ao Senhor Jesus Cristo que me libertou, há 18 anos só bebo refrigerante. Sou um alcoólatra sob controle. 
Izaias Resplandes 
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Certa vez, me parece que por volta do ano de 1978, quando morava em Goiânia, GO, decidi ir trabalhar no Rio de Janeiro. Ainda em Goiânia, fui contratado como Ajudante Geral pela empresa Servix Engenharia, para ir trabalhar na cidade de Volta Redonda, RJ, em obras de ampliação da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Saímos de Goiânia em um ônibus contratado pela empresa e, de parada em parada, fomos todos bebendo e enchendo a cara. Em Rezende, RJ, paramos em um posto de combustível à beira da Via Dutra e entramos na Lanchonete e Conveniência. Eu olhava os diversos produtos expostos à venda, quando um companheiro de nome Toninho se aproximou de mim e meteu-me um bone na cabeça, avançando a mão no meu bolço da camisa dizendo: "Tome esse boné pra você, Mato Grosso. E me dá um cigarro aí". E foi pegando o cigarro e afastando-se em seguida.
Com o boné "presentado" na cabeça me dirigi ao balcão e pedi: "me dá um Presidente e uma cochinha". Presidente era a marca de um conhaque que se vendia naquela época. O barista me atendeu. Tomei a bebida e comi o salgado. Fiquei ali no balcão conversando com outros colegas. Pedi mais uns dois presidentes e paguei com dinheiro trocado. Então o barista me disse que faltava pagar o boné, ao que lhe expliquei que o boné era meu; que eu o ganhara de um amigo. E ele insistiu que eu tinha pegado o boné e que tinha que pagá-lo.
Irritado com a insistência, virei as costas e fui saindo, parando no meio do salão para conversar com alguns colegas do grupo. Foi então que tudo começou.
O barista, ao me ver saindo, pegou um cacetete de madeira, pulou o balcão e me deu uma tremenda bordoada, ao tempo em que me tomava o boné. Eu caí ao chão na hora. Levantei-me e parti para cima dele, que revidou novamente com o cacetete. Depois de apanhar um pouco consegui tomar-lhe a arma e também lhe dei uns sopapos.
Larguei o barista, joguei o cacete no chão e saí do bar, parando na porte. Foi nesse instante que o mesmo Toninho que me dera o boné, gritou em alerta: "Cuidado, Mato Grosso!". Eu olhei para trás e só vi o brilho da faca na mão da barista que corria em minha direção.
Sarei a bebedeira na hora e corri em direção ao posto. Mas, ainda sob o efeito do álcool, tropecei nas pernas e caí ao chão. O barista, de faca em punho pulou sobre mim.Rolei ao chão e faca passou rente ao meu corpo, cortando a camisa e encravando-se no chão. Levantei rapidamente e marquei o rumo da Dutra a toda pressa, com o barista no meu encalço.
Consegui atravessar a rodovia sem morrer, mesmo não tendo olhado para nenhum dos lados, o que não aconteceu com o barista, o qual foi mais previdente. Parou e ficou esperando um momento propício para atravessar. Ao chegar do outro lado e vendo-o na outra banda da pista, griteo-lhe provocante: "Vem cá, seu vagabundo, vem cá que eu vou te mostrar como é que se mata um covarde".
O barista, fulo da vida, marcou uma carreira para o lado oposto da Dutra. Eu não esperei ele chegar lá. Corri de volta para o lado em que ele estava. E continuei a provocação: "Vem, seu covarde!". O barista veio de novo e eu voltei a atravessar e fiquei de lá provocando. Então ele desistiu e eu fiquei de lá observando ele voltar para a lanchonete do Posto. Então atravessei a pista de novo e fui para o ônibus, sempre atento na porta da lanchonete. Só respirei alividado quando nosso ônibus saiu.
Dentro do ônibus fiquei imaginando: "jé pensou, sair de Goiânia para vir morer no Rio de Janeiro por causa de um boné! É, Izaias, tem que tomar cuidado".
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 A bebida traz muitos malefícios para aquele que bebe, sua família, seus amigos e as pessoas com quem convive. Beber não faz bem para ninguém, mas principalmente para as pessoas que não conseguem se controlar.

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