domingo, março 29, 2026

A Dança do Sol e do Vento

 A Dança do Sol e do Vento



Izaias Resplandes 


O Sol se levanta na linha do horizonte e, antes de castigar com o calor intenso que promete para o dia, ele me acaricia a face com raios suaves. É o seu "bom dia", um convite iluminado para mais uma jornada de vida. Que fantástico! O que eu mais desejo é exatamente isso: uma existência sob o Sol, aquecida pelas almas solares, pelo Sol da Justiça, pelo Sol Divino. Meu rosto reflete essa luz brilhante e eu sorrio, feliz pela oportunidade de ser tocado quase toda manhã por essa energia nascente.

Prossigo na minha "caminhada milionária". Ela não tem fim no sentido de uma reta final, mas tem um objetivo claro: o movimento. Minha finalidade é nunca parar. Sigo a linha da eternidade; desde que conheci esse conceito, meu prazer é percorrer suas longas estradas de vida, de sol, de alegria e de entusiasmo.

Aqui no Jardim Marselha, minha caminhada é circular. A pista não é um círculo perfeito, mas um percurso de 2.400 metros que margeia os muros do condomínio. Dou três voltas matutinas, que se fundem como se fossem uma só. Pode parecer que caminho sobre minhas próprias pegadas existenciais, mas não. Não creio que eu repita, passo a passo, a mesma trajetória. Cada volta é original, trazendo uma nova perspectiva.

Ao levantar os olhos, vejo o Sol se ocultar atrás das nuvens, deixando o clima mais ameno e fresco. Agora, meu rosto é acariciado pelo vento. Observo as copas das pequenas árvores do Marselha balançando ao som de suas notas musicais. O vento é, de fato, um grande compositor. Suas canções, muitas vezes tempestuosas, são verdadeiros dramas trágicos que começam leves e alcançam o ponto culminante na crista de um furacão. Mas hoje, nesta manhã maravilhosa, a canção do vento é mansa, calma. Seus tons são inferiores ao canto entusiasmado do gavião quero-quero, que faz seu show pelos gramados. É gostoso sentir essa carícia do vento no rosto, no pescoço, no corpo todo. Ficamos mais animados para prosseguir na jornada.

Caminhar com o vento é revigorante. Se eu pudesse dar um conselho sobre caminhada, diria: "Caminha com o sol e com o vento". Prefiro o sol da manhã ou o da tardezinha. O pôr do sol aqui no Jardim Marselha é lindo de se ver. Mas, na verdade, será que existe um pôr do sol que não seja melancólico? Que a gente não queira degustar como se fosse uma comida, em toda a sua intensa grandeza?

Sim, após o sol vem a noite. Ela também tem seus encantos, mas, particularmente, eu sou do dia, da luz. Como já disse, sou uma alma do Sol. E quando ele começa a sumir à tarde, já não sei se o verei novamente nascer neste mesmo plano no dia seguinte. Por isso, quando posso, faço questão de aproveitar ao máximo essa visão do Astro-Rei se pondo.

O céu está de um azul bonito, compartilhado em muitos pontos por nuvens brancas e lindas. Não parecem nuvens de chuva, pelo menos por hora. Mas o tempo muda rapidamente; o vento sopra essas nuvens brancas para longe e atrai outras, mais densas, trazendo a chuva.

Eu continuo caminhando, conversando com as palavras, olhando e apreciando tudo. É a melhor das maravilhas e minha jornada infinita e eterna. Sempre encontro paisagens lindas, naturais ou construídas — retratos do Criador Divino e dos recriadores humanos, os arquitetos e paisagistas que se revezam ao longo do caminho.

Vou prosseguindo minha jornada pelas trilhas da recreação, sempre novas, sempre originais, quando abrimos os olhos para ver da forma correta. Ver corretamente é ser capaz de perceber que a visão não se repete e que é sempre nova e original. E toda originalidade merece o nosso olhar e os nossos aplausos.

Viva a Vida!


Jardim Marselha, Aparecida de Goiânia, 24 de março de 2026.

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