O Tempo que não se Perde
por _Izaías Resplandes_
Hoje, 17 de junho, o relógio parece ter decidido caminhar mais devagar. Aqui na Casa do Lago, o tempo tem uma métrica diferente; ele não se mede pelas horas que passam, mas pela profundidade dos instantes que a gente se permite viver. Olhando para a água, percebo que a vida é um fluxo constante, e que muitas vezes a gente se cansa tentando nadar contra a correnteza, quando o segredo está em simplesmente boiar e confiar.
A gente vive numa pressa danada de chegar a algum lugar, de concluir tarefas, de riscar itens de uma lista infinita. Mas, no fim das contas, o que fica não é o que a gente fez, mas quem a gente se tornou enquanto fazia. Aprendi que a dependência de Deus é o que nos dá o ritmo certo. Quando a gente entende que não é o dono do tempo, mas apenas um passageiro privilegiado, a ansiedade perde a força e a gratidão assume o comando.
É maravilhoso notar como o altruísmo floresce nesse repouso. Quando não estou mais ocupado tentando garantir o meu amanhã, meus olhos finalmente conseguem ver a necessidade do meu irmão. A oração deixa de ser um monólogo de pedidos e se torna um diálogo de amor. Como é bom poder usar o silêncio deste lugar para interceder por aqueles que estão no meio do barulho das cidades, pedindo que eles também sintam esse refrigério que vem do alto.
Que o dia de hoje não seja apenas mais uma data no calendário, mas uma oportunidade de ser presença.
Que a gente não perca o tempo tentando ganhá-lo, mas que saibamos entregá-lo a Quem sabe exatamente o que fazer com cada um de nossos segundos.
Casa do Lago, 17/06/2026

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