sábado, julho 04, 2026

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

 


Fazendo Discípulos para a Nova Terra



Graça e paz aos meus irmãos e irmãs.

Hoje, trago uma reflexão que nasceu não apenas da leitura silenciosa das Escrituras, mas do contato direto com a terra, com a brisa do inverno e com o sorriso das novas gerações. Vivemos em um tempo em que as palavras são abundantes, mas os exemplos escasseiam. Por isso, hoje eu escrevo, eu prego, eu ensino e eu publico, para que a mensagem de Cristo ecoe mesmo quando a minha voz não puder mais ser ouvida. O que vamos compartilhar aqui é um testamento, um legado sobre o que verdadeiramente significa cumprir a maior de todas as ordens deixadas pelo nosso Senhor.

Convido os irmãos a abrirem suas Bíblias no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18 a 20:

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."

A ordem é clara e ressoa através dos milênios: "Fazei discípulos". Mas, afinal, de quem serão os discípulos que nós vamos fazer? E mais importante: como se faz um discípulo nos dias de hoje?

Muitas vezes, quando escrevo nas redes sociais, quando publico crônicas e reflexões sobre a vida, percebo que as pessoas acompanham, curtem, comentam e dizem apreciar aquelas palavras. Isso traz alegria, é claro. Mas será que isso, por si só, é fazer discípulos? Será que o discipulado se resume a ter pessoas que leem o que escrevemos ou será que exige algo mais profundo? Acaso fazer discípulos significa apenas recitar a mesma mensagem, com as exatas mesmas palavras e os mesmos exemplos usados pelos profetas do passado?

Eu olho para a Bíblia como a nossa bússola inegociável. Eu me inspiro nela e procuro pautar cada passo da minha vida pelos seus princípios. Contudo, a Bíblia nos disciplina para sabermos como viver o Reino dos Céus aqui na terra, no mundo físico que Deus criou para o ser humano habitar.

Jesus foi o maior de todos os mestres, e o Seu método de ensino não se limitava às sinagogas. Ele caminhava com Seus amigos. Ele partilhava o pão. Ele usava o cotidiano e a natureza para explicar verdades eternas. O semeador que lança a semente, o trigo e o joio, a videira e os ramos, as aves do céu e os lírios do campo. Jesus ensinava por parábolas, comparando o Reino de Deus com aspectos visíveis do nosso mundo, porque Ele sabia que o nosso mundo físico é a sombra, o ensaio e a matéria-prima do nosso mundo vindouro.

E é seguindo os passos do Mestre que nós também precisamos criar as nossas próprias parábolas modernas. Nós fazemos discípulos quando as pessoas se inspiram no nosso modo de viver e procuram viver de modo semelhante, buscando a Deus na integridade do dia a dia.



O Sopro de Vida e a Mata dos Crentes

Quero compartilhar com vocês uma dessas parábolas que a vida me deu. Na manhã do dia 4 de julho de 2026, o segundo dia das férias de inverno do meu neto caçula, a Casa do Lago amanheceu com aquele frescor característico que revigora a alma. O dia convidava para estar lá fora. Foi assim que eu e ele saímos para uma caminhada de exploração pelas trilhas da Mata dos Crentes, que circunda a nossa casa.

Nossa missão era simples, daquelas que só a paz do campo proporciona: ir até a porteira verificar se um solitário pé de mamão havia nos presenteado com frutos maduros. O trajeto até lá será um corredor verde. Eu plantei com minhas próprias mãos palmeiras elegantes de gueroba, açaí e pupunha, dividindo espaço com mangueiras, cajueiros, ingás, jatobazeiros, entre outras frutíferas. Elas ainda estão pequenas, mas já nos observavam como se fossem velhas testemunhas do tempo.

Durante essa caminhada, paramos no meio da mata porque o meu neto disse que iria me ensinar a construir um fogão de formigueiro. Então eu pedi que eu me explicasse mostrando os detalhes, como se estivesse diante de uma estrutura pronta. E ali, naquela manhã, foi a vez do meu neto assumir o papel de mestre. E ele me deu uma verdadeira aula sobre a antiga e engenhosa arte de construir um fogão de cupinzeiro. Ele me explicou sobre a energia da terra, sobre como o vento faz o trabalho de fole, e me contou até lendas antigas sobre guardiões da natureza e o respeito que devemos ter ao usar os recursos da mata.

Eu o ouvia com atenção, com o coração transbordando, sabendo que as melhores riquezas não são posses, mas momentos. Naquele instante, também convidei o meu neto para um exercício. Pedi a ele que parasse, fizesse um exercício de inspiração e expiração. Pedi que ele sentisse o ar entrando e saindo de seus pulmões, o ar puro da mata preservada.

Irmãos, o livro de Gênesis 2:7 nos diz:

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente."

É de ver que a palavra original para fôlego e espírito, Ruah, é a mesma. Quando ensinamos nossas crianças a respirarem o ar puro e a respeitarem a mata, estamos conectando-as com o próprio sopro do Criador. Estamos ensinando que a terra não é um mero recurso a ser explorado e devastado sem necessidade. Ela é um dom.



Cuidando do Jardim: A Teologia da Terra

Isso nos leva a um ponto fundamental da nossa teologia, algo que a igreja moderna muitas vezes tem esquecido. Gênesis 2:15 declara:

"E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar."

Antes de qualquer outra instituição, antes de haver reis, profetas ou templos de pedra, a primeira tarefa dada por Deus ao homem foi cuidar da terra. A terra pode estar sob o efeito da Queda, aguardando com expectativa a redenção, e sabemos que há espinhos, pragas e fadiga no entremeio. Mas ela ainda é a criação abençoada de Deus.

Qualquer pedacinho de chão que nós possamos usar faz parte da bênção de Deus para nós. É preciso aprender a usar e a dar valor à terra. Plantar, cuidar, jardinar... Isso é adoração. É um legado que eu e minha esposa fazemos questão de ensinar com a nossa vida na Casa do Lago. Eu costumo dizer que todos nós temos um pedacinho de terra para plantar. Particularmente, eu amo plantar nas beiras do muro, aproveitando cada centímetro do terreno, porque não há lugar tão pequeno que não caiba pelo menos uma planta. Olhem, por exemplo, para a beleza dos mamoeiros! Ocupam tão pouco espaço e nos presenteiam com mamões maravilhosos o ano inteiro.

Eu escuto muitas pregações focadas exclusivamente em "morar no céu", "viver no céu", passar a eternidade flutuando em um céu etéreo e imaterial. Mas a Bíblia nos apresenta uma esperança muito mais concreta. O livro do Apocalipse 21:1-3 nos revela o ápice da história da redenção:

"E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. (...) E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus."

O nosso destino final não é escapar da criação, mas ver a criação restaurada. A Nova Terra será o lar dos justos, um lugar físico, perfeito, onde o homem habitará para ser plenamente feliz em comunhão com o Criador. O Reino de Deus abrange tudo; Ele é Senhor tanto do mundo invisível quanto do visível. Se no mundo vindouro a nossa vida espiritual será também física, habitando uma Terra restaurada, então aprender a cuidar deste planeta, das plantas, dos animais e do solo hoje é o nosso exercício mais importante. É o estágio probatório para a eternidade.



A Batalha Espiritual e a Redenção da Matéria

Nós sabemos que hoje enfrentamos a influência de forças espirituais da maldade que atuam no mundo. O inimigo de Deus odeia a Sua criação. Ele quer ver a terra devastada, os rios poluídos, as florestas derrubadas pela ganância e as famílias desconectadas da simplicidade da vida.

Mas também sabemos que há milhares de seres e pessoas do bem atuando na terra, lutando contra essas forças para preparar o caminho para o Novo Mundo. Como nós entramos nessa batalha? Fazendo discípulos concretos.

Quando plantamos uma árvore, quando construímos um lar de paz, quando ensinamos nossos netos a não derrubarem uma árvore sem necessidade, quando usamos a terra com racionalidade, estamos em guerra contra a cultura da morte e da destruição. Estamos dizendo ao universo: "Nós cremos na ressurreição, nós cremos na restauração, nós somos mordomos fiéis do Rei que está voltando".

O Legado do Exemplo

A verdadeira pedagogia cristã é a pedagogia do exemplo. O livro de Provérbios 22:6 nos instrui:

"Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."

Como instruímos? Apenas falando? Não apenas isso, mas também. As crianças podem crescer, mas elas jamais esquecerão o que viram, o que cheiraram, o que tocaram e o que ouviram quando eram pequenas. A lembrança do exemplo sempre falará mais alto.

As sementes de memória que plantamos hoje, nas caminhadas pelas estradas de terra, nas conversas ao lado de um fogão caipira, na colheita de um fruto no quintal, virão a germinar. Elas falarão mais forte na formação do caráter deles. São essas memórias afetivas e espirituais que farão dos nossos netos mordomos fiéis, homens e mulheres que saberão cuidar bem da criação divina.

Não tem como acreditar no futuro se não prepararmos as crianças para ele. Elas precisarão viver esse futuro dia a dia, para que, quando chegar a hora delas instruírem os seus próprios filhos, elas tenham o desejo de também ser exemplos embasados nos exemplos que receberam de seus avós e pais.

Eu quero ver os meus netos, e todas as pessoas que minha vida pode influenciar agora, fazendo novos discípulos para cuidar do mundo que Deus criou para o homem. Eu vejo uma urgência enorme em fazer discípulos para este mundo, para esta realidade concreta, e não para um conceito abstrato onde as nossas ações físicas não significam nada.



Conclusão: A Palavra que Permanece

Quero dizer que a verdadeira colheita daquele sábado não foram apenas os mamões, mas a lenda, a sabedoria e o fôlego de vida compartilhados na beira da estrada. É por isso que escrevo, prego e publico. É por isso que faço questão de registrar todas essas palavras. Assim como Deus ordenou aos profetas que escrevessem as visões em tábuas para que pudessem ser lidas por gerações futuras, eu também deixo meu testemunho. O corpo físico tem seu tempo de validade nesta terra não redimida e eu posso partir a qualquer momento, mas a mensagem que Deus me deu, essa mensagem ficará.

Façamos discípulos ensinando-os a amar o Criador através do cuidado com a Criação. Vivamos de tal modo que, ao olharem para nossos quintais, para nossas casas e para a nossa família, as pessoas vejam um pequeno e vibrante ensaio da Nova Terra.

Que o Senhor nos abençoe e nos dê sabedoria para jardinar o pedaço de terra que nos foi confiado, seja no vasto campo ou na beirada de um muro, e que Ele nos conceda a graça de deixarmos um legado inesquecível de amor, trabalho e fé para as gerações que hão de herdar a Terra.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


quarta-feira, junho 17, 2026

O Tempo que não se Perde

 


O Tempo que não se Perde

por _Izaías Resplandes_ 

Hoje, 17 de junho, o relógio parece ter decidido caminhar mais devagar. Aqui na Casa do Lago, o tempo tem uma métrica diferente; ele não se mede pelas horas que passam, mas pela profundidade dos instantes que a gente se permite viver. Olhando para a água, percebo que a vida é um fluxo constante, e que muitas vezes a gente se cansa tentando nadar contra a correnteza, quando o segredo está em simplesmente boiar e confiar.

A gente vive numa pressa danada de chegar a algum lugar, de concluir tarefas, de riscar itens de uma lista infinita. Mas, no fim das contas, o que fica não é o que a gente fez, mas quem a gente se tornou enquanto fazia. Aprendi que a dependência de Deus é o que nos dá o ritmo certo. Quando a gente entende que não é o dono do tempo, mas apenas um passageiro privilegiado, a ansiedade perde a força e a gratidão assume o comando.

É maravilhoso notar como o altruísmo floresce nesse repouso. Quando não estou mais ocupado tentando garantir o meu amanhã, meus olhos finalmente conseguem ver a necessidade do meu irmão. A oração deixa de ser um monólogo de pedidos e se torna um diálogo de amor. Como é bom poder usar o silêncio deste lugar para interceder por aqueles que estão no meio do barulho das cidades, pedindo que eles também sintam esse refrigério que vem do alto.

Que o dia de hoje não seja apenas mais uma data no calendário, mas uma oportunidade de ser presença.

Que a gente não perca o tempo tentando ganhá-lo, mas que saibamos entregá-lo a Quem sabe exatamente o que fazer com cada um de nossos segundos.

Casa do Lago, 17/06/2026

terça-feira, junho 16, 2026

O Valor das Pequenas Coisas



O Valor das Pequenas Coisas

por Izaias Resplandes

Hoje, 16 de junho, o dia começou com uma daquelas brisas que parecem carregar segredos antigos. Sentado aqui na Casa do Lago, observando o movimento quase imperceptível da água, dei por mim pensando no valor do que é pequeno. Vivemos em um mundo que grita por grandiosidade, por feitos heróicos e conquistas barulhentas, mas a vida, a vida de verdade, acontece no silêncio dos detalhes.

É no café compartilhado sem pressa, no olhar atento a um amigo que não precisa dizer que está triste, ou na oração silenciosa que fazemos quando ninguém está vendo. Aprendi que a nossa história não é feita de capítulos monumentais, mas de frases curtas escritas com o coração. Deus, em Sua infinita sabedoria, não nos pede para sermos gigantes; Ele nos convida a sermos fiéis no pouco, a sermos presença no cotidiano de alguém.

Muitas vezes, a gente se perde tentando entender o amanhã, quando o hoje é o único território onde a Graça realmente opera. Estar aqui, respirando este ar puro e sentindo a paz deste lugar, me faz lembrar que a dependência de Deus é o nosso maior privilégio. Não precisamos carregar o mundo nas costas; precisamos apenas segurar a mão de Quem o sustenta.

Que possamos, neste dia, honrar as pequenas belezas. Que o nosso altruísmo seja discreto e o nosso amor seja constante. Afinal, no inventário da eternidade, o que sobra é apenas aquilo que entregamos com simplicidade.

Casa do Lago, 16/06/2026


domingo, junho 14, 2026

O Silêncio que Carrega o Mundo

 


O Silêncio que Carrega o Mundo

por Izaías Resplandes

O domingo amanheceu com aquele silêncio que só a Casa do Lago sabe oferecer. É um silêncio que não é vazio; é preenchido pelo som das águas e pelo pensamento que, vez ou outra, insiste em querer resolver o mundo antes do café. Mas hoje, enquanto olhava a linha do horizonte, lembrei-me de algo que tenho guardado no peito: a beleza de ser carregado.

Muitas vezes, a gente gasta uma energia danada tentando "descer do colo". Queremos ser independentes, resolver nossas pendências, curar nossas próprias feridas e mostrar para o Criador que já conseguimos caminhar sozinhos. Quanta ilusão. A maturidade, essa senhora que chega com as cãs e com o tempo, nos ensina que o lugar mais seguro do universo não é onde nossos pés alcançam, mas onde as mãos d’Ele nos sustentam.

Aprendi que o "problema" — aquele que a gente tanto pede para afastar — é, muitas vezes, o próprio ponto de contato. É o que nos mantém perto, dependentes, sentindo o pulsar da Graça que basta. Se eu não tivesse o espinho, talvez eu corresse para longe, achando que sou gigante. Mas, na minha fraqueza, descubro que sou um filho amado sendo levado para águas tranquilas.

E o mais bonito dessa entrega é que ela nos liberta de nós mesmos. Quando eu finalmente descanso na certeza de que o Proprietário da minha alma tem um inventário detalhado de tudo o que me falta, minha boca se cala para os meus desejos e se abre para a dor do outro. É a "amnésia santa". Como é bom poder orar pela saúde do vizinho enquanto a nossa própria carne desfalece; clamar pelo pão na mesa do irmão enquanto a nossa despensa desafia a lógica.

Isso é o altruísmo que Cristo nos ensinou: não é sobre não ter problemas, é sobre não ser ocupado por eles. É sobre ajudar o próximo a carregar a cruz dele, mesmo quando a nossa parece pesada, porque sabemos que, no fundo, quem carrega tudo é o Pai.

Hoje, meu único pedido é que eu continue assim: pequeno o suficiente para caber no colo, e grande o bastante para amar sem olhar para trás. O Guarda não dorme, e isso me permite fechar os olhos e simplesmente agradecer. Obrigado, Deus!

Casa do Lago, 14/06/2026

sexta-feira, maio 15, 2026

Surpresa na Casa do Lago

 


Uma Surpresa na Casa do Lago

**15 de maio de 2026**

A manhã de hoje não foi apenas de caminhada, mas de revelação. Enquanto eu e Zé do Rio percorríamos as margens do nosso espelho d'água, o cenário já nos preenchia os olhos. Observávamos o vigor das palmeiras buritis que plantamos — sentinelas que, em breve, desenharão o horizonte com sua elegância — e o desenvolvimento dos bambuzais, das bananeiras e das flores que dão vida a este chão.

Mas o lago guardava um segredo em suas bordas.

De repente, um lampejo colorido entre o barro e a água me chamou a atenção. Uma concha, aberta como um livro, refletia as cores da manhã com um brilho nacarado, quase místico. Chamei o Zé, que com sua calma habitual, a recolheu. Era um marisco de água doce. Confesso que, de perto, com aquela textura e aquele interior perolado, a emoção é outra; bem diferente de apenas ver imagens em telas de TV.

Fui pesquisar e descobri que esse pequeno habitante é, na verdade, um grande mensageiro. Ter mariscos no lago é o que chamo de "tudo de bom", e explico o porquê: eles são os guardiões da pureza. Como seres filtradores, eles só prosperam onde a água é limpa e generosa em oxigênio. Eles trabalham silenciosamente, filtrando impurezas e mantendo o equilíbrio do ecossistema. São, na prática, o selo de qualidade da natureza para a nossa **Casa do Lago**.

Recolhemos esse exemplar com o respeito que se dedica a um mestre. Agora, limpo e preservado, ele não é apenas um objeto de decoração. É um troféu da biodiversidade.

Ficará aqui, em lugar de destaque, esperando pela próxima visita do **David**, do **Tupande** e do **Pett**. Quero que eles segurem essa concha nas mãos e sintam que a natureza não apenas nos rodeia, ela nos presenteia quando cuidamos bem dela. Que este pequeno marisco conte a eles a história de um lago que pulsa vida em cada gota.

**Izaias Resplandes**

domingo, maio 10, 2026

Saudades de Mamãe

 


Saudades de Mamãe


Izaías Resplandes 


Mãe querida, a luz do meu caminho

Hoje meus braços buscam o teu vulto no vazio

Não tenho mais o teu abraço, o teu carinho

Resta-me o silêncio e este peito frio

Mas guardo em mim a lembrança mais amiga

De cada aurora que vivi ao lado teu

Para aplacar essa saudade que me fustiga

E honrar o amor que você me deu.


Como esquecer o teu zelo, a tua entrega?

Fazia mil coisas para me ver sorrir

A tua alma, que ao filho nunca se nega

Traçava os rumos para eu prosseguir.

Jamais houve dúvida, em nenhum momento

Do imenso afeto que por mim sentia

Eras o porto, o meu maior alento

A própria forma da santa alegria.


Ah, que prazer supremo foi te chamar de mãe!

Viver contigo foi a minha maior glória

E hoje, embora a ausência me acompanhe

Tu és a página mais linda da minha história.

Mãezinha querida, registro com esperança

O teu legado que o tempo não vai apagar.


E se a eternidade um dia me permitir

Atravessar o portal do eterno porvir

Eu sei, minha mãe...

Lá estarei, novamente, ao teu lado!


Saudades...

Eternas saudades, mamãe!


Casa do Lago, 10/05/2026, primeiro dia das mães, sem mamãe Maria Resplandes (26/04/1940 - 18/10/2025)

sábado, abril 25, 2026

O Sheik


O Sheik

Por _Izaias Resplandes_ 

Tudo começou em Goiânia, na época em que o amor entre mim e a Lourdes ainda dividia o muro de casa. Minha casa ficava logo ali, ao lado da dela. E, no pacote desse romance, vinha um pequeno detalhe peludo e teimoso: o Sheik, o cachorrinho da Lourdes.

Quando nos casamos e fomos começar a nossa vida a dois em uma edícula no fundo do lote do meu pai, lá no Setor Bela Vista, o Sheik simplesmente decidiu que o nosso novo lar também era o dele. Fez as malas do jeito dele e se mudou com a gente. No começo, confesso, eu não queria saber de cachorro ali. Eu brigava, tentava espantá-lo, mandava ele de volta para a casa dele. Cheguei até a dar umas chineladas no chão para assustá-lo — *left, left!* —, na esperança de que ele desistisse de mim. Mas não adiantava absolutamente nada. Ele me olhava, abaixava as orelhas, dava uma voltinha e continuava exatamente onde estava: na nossa casa.

Vencido pela teimosia (e, admito, pelo charme daquele bicho), decidi hastear a bandeira branca. Parei de xingar e passei a alimentá-lo e a fazer carinho. Foi a melhor derrota da minha vida. A partir daquele momento, o Sheik me adotou. Ele passou a gostar tanto de mim que nós nos tornamos inseparáveis.

O tempo passou e os ventos nos levaram para Poxoréu. Na mudança, achamos prudente deixar o Sheik em Goiânia. O problema é que a distância revelou o quanto já tínhamos aprendido a amá-lo. A saudade bateu forte, invadiu a casa nova e não nos deu trégua. Foi então que tomei uma decisão: eu precisava buscar o meu amigo.

Fui a Goiânia em uma verdadeira missão de resgate. Naquela época, os motoristas eram rigorosos e não permitiam animais nos ônibus de viagem. Mas o amor sempre dá um jeito. Comprei uma caixa, ajeitei o Sheik lá dentro e o cobri cuidadosamente com a minha blusa de frio. Atravessei a porta do ônibus com a respiração presa, torcendo para que ninguém notasse a minha bagagem clandestina.

Sentei na poltrona e coloquei a caixa no chão, bem apertada entre os meus pés. E foi aí que aconteceu a mágica: o Sheik sentiu o cheiro dos meus sapatos, reconheceu o dono que ele tanto amava, e ficou ali, quietinho, aconchegado e em silêncio durante toda a viagem. Não me deu um pingo de trabalho.

Quando descemos em Rondonópolis, tirei ele da caixa. O ônibus não havia parado na rodoviária, mas na garagem da empresa. As pessoas ao redor olhavam torto, cochichavam e falavam da audácia de viajar com um cachorro. Eu não dei a mínima atenção. Segurei firme na coleira dele e fomos andando, a pé, da garagem até a rodoviária. Antes de embarcar no ônibus final para Poxoréu, repeti a operação: Sheik na caixa, blusa por cima, caixa entre os pés. Chegamos ao nosso destino sãos e salvos, sem nenhum problema. A chegada dele em casa foi a maior alegria que poderíamos ter.

Os anos se passaram em Poxoréu. Nossos filhos — Fernando, Marisa e Ricardo — cresceram tendo o Sheik como parte da família. Ele era a minha sombra. Onde quer que eu me sentasse, lá vinha ele, se aninhando aos meus pés como se dissesse: "Daqui ninguém me tira". E não tirava mesmo. Se alguém tentasse se aproximar muito rápido, ele soltava um rosnado de aviso. Era o meu guardião particular.

Nós vivemos altas aventuras juntos, mas, infelizmente, o tempo cobra seu preço. Quando o Sheik já estava mais velho, uma cachorrinha da vizinhança entrou no cio e atraiu uma matilha para a porta de casa. O Sheik, valente como sempre, acabou entrando em uma briga de rua com cachorros muito maiores que ele. Ele apanhou muito, ficou gravemente machucado, adoeceu e não resistiu.

Eu mesmo preparei o seu descanso final e o sepultei no nosso quintal. As lágrimas rolaram soltas naquele dia; chorei muito a perda daquele amigo. Até hoje, quando olho para certos cantos da casa, sinto uma saudade imensa dele.

Hoje, nossa casa é alegre com a presença do Shazam e da Shakira. Eles gostam de nós e nós gostamos deles, mas a verdade é que um amor canino é como impressão digital — nunca existe um igual ao outro. O amor do Sheik era único.

Onde quer que fique o céu dos cachorros, tenho certeza de que ele está lá, deitado tranquilamente. E, quem sabe, guardando um lugarzinho aos pés de onde eu um dia irei sentar. Saudades, Sheik.

Casa do Lago, 24 de abril de 2026.

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

  Fazendo Discípulos para a Nova Terra Graça e paz aos meus irmãos e irmãs. Hoje, trago uma reflexão que nasceu não apenas da leit...