quarta-feira, fevereiro 18, 2026

A Cachoeira do Porvir

 

A Cachoeira do Porvir

Izaias Resplandes 

Quatro meses. O tempo na Terra tem essa régua insistente, que marca os dias com o compasso da ausência. Mas, enquanto o relógio de parede aqui na Casa do Lago dita o ritmo da minha missão, o coração se projeta para onde Maria Resplandes de Sousa agora habita. O apóstolo Paulo, em sua "contemplação visionária", já havia dado o veredito: aquele é o melhor lugar para se viver. E quem sou eu para discordar?

Imagino essa Cidade Santa não como um lugar de silêncio estático, mas como a plenitude de tudo o que experimentamos de mais belo por aqui. Se as águas de Poxoréu nos encantam, como não seriam os rios da eternidade?

Lembro-me, com uma melancolia mansa — nunca com tristeza, pois o amor não combina com o luto amargo —, de um dia em que o céu parecia ter descido um pouquinho até nós. Estávamos em um tour pela região, eu e a trupe dos Carrijos, os filhos de tia Marina e tio Itamario, que passavam férias conosco. No meio do caminho, uma cachoeira. Não era uma queda monumental, dessas que assustam pela altura, mas tinha a delicadeza necessária para o descanso da alma.

O que ficou gravado na retina, porém, não foi apenas o volume da água, mas a imagem da mamãe. Ver Esmeralda, meu neto David e toda aquela algazarra de primos reunidos já seria motivo de festa, mas ver mamãe ali, despojada, brincando na água e se permitindo o puro deleite do balneário, foi um presente do mestre.

As fotos daquele dia são relíquias. Olho para elas e entendo que a vida não é apenas o "trabalho, trabalho e trabalho" que tanto nos consome. O próprio Cristo, em sua missão terrena, sabia a hora de se retirar com os discípulos para o repouso. O descanso é parte da liturgia da vida; é o momento em que a alma se refaz para continuar a jornada.

Hoje, quatro meses após sua partida, a saudade aperta, mas a certeza consola. Sei que meus irmãos compartilham desse sentimento. Estamos aqui, cuidando do que nos foi confiado, enquanto ela já desfruta da cachoeira definitiva, aquela cujas águas nunca secam e onde o sol da justiça nunca se põe.

Desejamos o melhor para quem amamos, e o melhor, sem dúvida alguma, é o Paraíso. Por enquanto, guardo a foto, o sorriso dela molhado pelo frescor daquela tarde em Poxoréu e sigo a missão. Afinal, a caminhada continua, mas o destino já conhecemos.

Casa do Lago, 18 de fevereiro de 2026.

A Sinfonia da Neblina

 


A Sinfonia da Neblina e o Livro de Hóspedes

Izaias Resplandes 

O dia 18 de fevereiro amanheceu com a calmaria típica das manhãs que sucedem os grandes eventos da alma. O XLIV Retiro de Famílias terminou. As duzentas e cinquenta pessoas que encheram o Rio dos Crentes de vida, louvor e passos apressados já voltaram para seus lares. O acampamento repousa, agora, em um silêncio profundo, quase reverente.

Saí para a minha caminhada matinal e a paisagem me presenteou com um espetáculo de mistério, que logo transformei em crônica:

A Sinfonia da Neblina

 A manhã despertou neblinada. Uma névoa baixa e serena repousa sobre a paisagem, convidando o pensamento a vagar junto com os primeiros passos da caminhada. Enquanto a vista tenta desvendar o que se esconde no horizonte de Rio dos Crentes, a velha sabedoria popular ecoa na mente em um duelo de provérbios: diz o ditado que "neblina baixa é sol que racha", mas também se ouve que "neblina na serra é chuva na terra".

 Fica o mistério pairando no ar úmido. Teremos um dia de sol escaldante ou a bênção das águas descendo dos céus?

 A resposta pouco importa quando se presta atenção ao que já acontece ao redor. O acampamento Rio dos Crentes repousa em um silêncio profundo, quase reverente. Contudo, aqui na Casa do Lago, o silêncio não é vazio; ele é preenchido por uma verdadeira orquestra da natureza.

 Os pássaros, em sua infinita alegria matinal, cantam animados, desafiando a bruma e saudando a luz que tenta romper as nuvens. Fazendo o contrabaixo dessa melodia alada, a água da mina segue seu curso incessante. Ela cai, límpida e cristalina, lavando as pedras e embalando a alma de quem passa.

 E assim, embalado por essa sinfonia de águas e pássaros, continuo minha caminhada. O sol pode rachar ou a chuva pode regar a terra, mas a paz desta manhã neblinada já é, por si só, o melhor destino para o dia.

Ao retornar da caminhada, encontrei a Casa do Lago já respirando o ar de normalidade. Esmeralda, com sua eficiência incansável, já havia dado uma "geral" na casa. Tudo em seu devido lugar.

Neste feriado prolongado, nossa Casa de Hóspedes cumpriu seu nobre papel. Tivemos a alegria de hospedar dois casais abençoados: o Pastor Júlio Alt e sua esposa Ana Aline; e o irmão Héli Ricardo, sua esposa Camila e os filhos Júlio e Elisa.

Fiz as contas: com eles, já temos um registro de 26 pessoas que ali ficaram hospedadas desde que construímos esse espaço. É um sentimento indescritível ter pessoas conosco, partilhando o nosso pão e a nossa paz, mesmo que temporariamente. A hospitalidade é um dom que multiplica a alegria do anfitrião.

Mas o calendário não para, e a engrenagem da rotina voltou a girar para todos.

Marçal já vestiu o jaleco e seguiu para sua rotina de trabalho como farmacêutico na Drogaria Ultra Popular.

Luiza, que também esteve conosco sorvendo as bênçãos do Retiro 44, pegou a estrada de volta para o trabalho no Cartório, em Rondonópolis.

E o nosso pequeno Pett, que encheu nossos dias com sua energia neste fim de semana estendido, voltou para a casa da mãe em Poxoréu. O dever chama, e as salas de aula do ensino fundamental o aguardam.

Resta-me, nesta quarta-feira de cinzas e de neblina, uma tarefa burocrática e necessária. Vou pegar o telefone e ligar para a oficina em Goiânia. Preciso saber se o mistério das peças da S-10 já foi resolvido, se todas chegaram e se finalmente posso agendar a viagem para curar a lataria da nossa valente caminhonete.

A neblina lá fora vai se dissipando aos poucos. O Retiro ficou na memória. E a vida na Casa do Lago, com seus mistérios, sua rotina e suas águas incessantes, segue o seu curso.

PARA APROFUNDAR A VIAGEM:Leituras Bíblicas relacionadas:

1. A Hospitalidade (Casa de Hóspedes). "Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela alguns, não o sabendo, hospedaram anjos". Hebreus 13:2. (As 26 pessoas que já passaram pela Casa de Hóspedes trouxeram bênçãos como anjos).

2. O Mistério da Neblina e a Confiança. "Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece." Tiago 4:14. (A neblina matinal nos lembra da brevidade da vida e de que o amanhã pertence a Deus).

3. O Retorno ao Trabalho. "E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como ao Senhor, e não aos homens." Colossenses 3:23. (Aplicado ao retorno de Marçal à farmácia, Luiza ao cartório e Pett à escola).

Casa do Lago, 18/02/2026

quarta-feira, fevereiro 11, 2026

A Roça da Casa do Lago


 A Roça da Casa do Lago

Izaias Resplandes 

Nossa roça é um exercício de fé e biodiversidade. Chamo de "superpopulação de plantas", pois aqui temos um pacto com a terra: tiramos uma mata para plantar outra, garantindo que o solo jamais fique descoberto, sentindo-se nu. É uma selva organizada pelo carinho.

O feijão de corda, valente e explorador, sobe pelo pé de alfavaca, conquista o limoeiro e continua sua escalada rumo ao sol. Lá de trás, o mamoeiro observa a cena, quase apreensivo, perguntando-se em silêncio: "Será que esse cipó de feijão vai me pegar também?". Um pouco mais à frente, o jambo, as amarílis e as bananeiras desfilam diante dos meus olhos como modelos em uma passarela verde. Se essa mistura dá resultado técnico, eu não sei; mas sei que é de uma beleza que acalma a alma. Planta-se de tudo um pouco, e colhe-se paz em cada folha.

E a chuva? Ah, ela joga conosco! Vai e volta, num bailado que durou a noite inteira. A grama verde, os hibiscos, o limãozinho, a gueroba e as inúmeras bananeiras... todos agradecem. A chuva lava e rega essa nossa fábrica de alimentos e de estética. Hoje cedo, o mamoeiro nos serviu o desjejum e, olhando bem, já vi outro no ponto de colheita. Vara na mão, mamão no cesto. Amanhã, a doçura na mesa está garantida.

Não custa lembrar nossa regra de ouro: aqui, o desperdício é uma palavra proibida no vocabulário "casalaguense". O ciclo é ativo, dinâmico e sagrado. O que não nos serve de alimento agora, serve aos animais ou vira adubo para as novas mudas. Devolvemos à Terra, com gratidão, o que dela recebemos.

O café da manhã de hoje foi um banquete da roça: mamão suculento, cuscuz com ovo, bolacha caseira, pão e bolo de mandioca. Lourdes (minha eterna Esmeralda) não deixa faltar as delícias que só ela sabe preparar com os frutos do nosso chão. Morar na roça e não desfrutar do que ela oferece seria um desperdício de oportunidade — e oportunidade é coisa que aproveitamos bem por aqui.

Agora, sentado na rede da varanda, recebo o "carinho úmido" de Shazam e Shakira. Eles se aproximam para me lamber e eu caio no riso; é a linguagem deles para dizer que me amam. Ao fundo, o "tererê" da água caindo no reservatório continua sua música original.

Que o nosso dia seja tão fértil e generoso quanto essa terra que nos abraça.

Casa do Lago, 11 de fevereiro de 2026.

terça-feira, fevereiro 10, 2026

A Especialidade do Dia

 


A Especialidade do Dia


Izaias Resplandes 

Cada amanhecer carrega em si uma especialidade única. É um convite para uma nova alegria, um sentimento inédito e uma emoção que se renova, alimentando a alma com o vigor da vida. Tenho pressa em viver com intensidade cada segundo desta existência, transformando o efêmero em eterno através da memória e da beleza dos detalhes. São os frutos e as flores que me alimentam os olhos, a alma e, acima de tudo, o coração.

Hoje, meus olhos se demoram no cacho de bananas que pende da bananeira, pesado de promessas. Mais adiante, uma flor se eleva aos céus, altaneira e orgulhosa de sua própria existência. E o que dizer daquele arroxeado magnífico das flores do Jequitibá Rosa? É uma cor que parece pintada pela mão do Criador.

Admito que, às vezes, troco os nomes das plantas ou das árvores que me cercam. Mas logo me lembro de que o nome é apenas um rótulo; o que importa é a essência. Cada ser já traz sua identidade impregnada em seu DNA, em cada fibra e folha. É como Lourdes, a minha Esmeralda: ela é única, sem par, uma joia que não precisa de definições para brilhar.

Nessa caminhada pela vida, não estou sozinho. Meus fiéis guardiões, Shazam e Shakira, seguem meus passos por todos os lados. Não economizo nos elogios, pois eles entendem a linguagem do carinho:

— Shakirinha! Você é linda, muito linda!

— E você também, Shazam! Você é lindo, rapaz! Forte, garboso... tem pose de rei.

E como trilha sonora para esse momento, ouço o "tererê" da água caindo no reservatório. É uma música original, orgânica, que nenhum compositor conseguiria igualar. É uma melodia que vem do alto ou que brota da terra; no nosso caso, vem diretamente da mina para o coração da Casa do Lago. É a vida fluindo, pura e cristalina, assim como deve ser cada um de nossos dias.

Casa do Lago, 10 de fevereiro de 2026.

A Dança das Flores, os 50 da Tia Agda e a Espera do Retiro

 

A Dança das Flores, os 50 da Tia Agda e a Espera do Retiro

Izaias Resplandes 

Hoje, 09 de fevereiro, a Casa do Lago decidiu ser palco de um monólogo da natureza: o dia da chuva.

Pela manhã, o céu fez carranca, armou o cenário e anunciou o dilúvio, mas segurou as águas. Foi só à tarde que a cortina se abriu de vez. E aí, meu amigo, choveu a tarde toda.

A chuva teve seus humores. Em alguns momentos, era uma "chuva brava", chuva de pesadelo, batendo no telhado com raiva, lavando a alma do mundo à força. Mas, na maior parte do tempo, Deus mandou a chuva mansa. Calma. Serena. Daquelas que convidam o corpo ao descanso e a mente à viagem.

De barriga cheia, aceitei o convite. Fui para a rede na varanda. O balanço suave e o barulho da água eram a canção de ninar perfeita para uma siesta. Mas, enquanto o sono não vinha, a janela digital do celular se abriu para uma festa que a chuva não apagou.

Vi as imagens de Barra do Garças. Tia Agda Martins completou seu meio século! As fotos mostravam uma alegria contagiante. E lá estava o Tio Carlinhos, irmão dela, com o coração na boca e a poesia na língua. O discurso dele foi animado e terminou com rima de cordel:

"Tia Agda, mulher de fibra, mãe de família, mulher de muito amor, é a caçulinha de Tunico Sousa, que agora cinquentou".

Ri sozinho na rede. Cinquentar com essa fibra é privilégio. Ela avisou que está indo para Goiânia e de lá manda mais notícias da "cinquentação".

Falando em Goiânia, o telefone tocou. Era meu irmão Alcir.

A voz dele estava boa, firme. Disse que está bem, graças a Deus. A preocupação dele era prática:

— E aí, Izaias? Já consertou a S-10?

Infelizmente, tive que dar a notícia da espera.

— Ainda não, Alcir. A oficina não deu sinal das peças. Mas agora, só depois do Carnaval.

Expliquei a ele nossa prioridade sagrada: estamos às vésperas do XLIV Retiro de Famílias aqui no Rio dos Crentes. O carro pode esperar; as almas, não. A S-10 amassada vai ficar na garagem, enquanto nós cuidamos do acampamento do Senhor.

O boletim meteorológico familiar continuou. Meu irmão Antônio postou de Primavera do Leste: chuva sem parar por lá também. O Mato Grosso inteiro parece estar debaixo d'água.

Mas o grande final do dia não veio pelo celular. Veio pelo quintal.

Olhei para fora e vi um espetáculo que me tirou da rede. As flores da Casa do Lago não estavam apenas recebendo a chuva; elas estavam dançando.

Era um balé sincronizado. A água batia nas pétalas, o vento sacudia os caules, e elas respondiam com um movimento de gratidão e resistência. Cores vivas explodindo no cinza da tempestade.

Não resisti. Peguei o celular e saí. Tive que me molhar, sim. A chuva mansa molhou minha camisa, escorreu pelo rosto, mas eu precisava registrar aquilo. Nunca havia visto nada igual. As flores pareciam aplaudir o Criador.

Voltei para a varanda encharcado, mas com a alma lavada. Valeu a pena viver para ver isso.

A noite cai agora. A chuva continua, a Tia Agda celebra, o Alcir se recupera, o Antônio se molha em Primavera e eu, aqui, seco o corpo e guardo no coração a imagem das flores dançarinas.

Casa do Lago, 09/02/2026

O banho das flores

 


O Banho das Flores

Izaias Resplandes 

A noite foi de chuva generosa, daquelas que lavam a alma e renovam os pactos com a terra. Nesta manhã, a poeira deu trégua e o cenário na Casa do Lago é de uma vivacidade absoluta. As plantas acordaram radiantes, mas são as flores que roubam o espetáculo. Gotas de cristal ainda repousam sobre as pétalas mimosas, como joias que a madrugada esqueceu pelo caminho.

Não resisti. Peguei a câmera para registrar esse "book" das minhas princesas vegetais. Enquanto as fotografava, pensava na elegância de quem sabe florescer com o tempo: as flores parecem se enfeitar para a festa de 80 anos da prima Zuraide Sousa de Oliveira, que hoje, neste 10 de fevereiro, completa oito décadas de luz. E, no compasso da renovação, celebram também os 5 aninhos do meu sobrinho-neto Luiz Cândido. A vida é esse ciclo eterno de primaveras.

De Goiânia, recebo as cores da Tia Agda e sua "cinquentaçao", fotos que transbordam uma energia contagiante. Pelo WhatsApp, converso com minha filha Mariza, que de Rondonópolis traz notícias de sua própria jornada. Ela observa, com a sabedoria de quem vê além, que a mãe, Lourdes, e a tia Agda parecem ter bebido da mesma fonte de vitalidade e vaidade sadia.

Mariza compartilha sua rotina de cuidados — o treino cedo, o pilates, a disciplina na alimentação e o onipresente conselho materno: "Bebe água, filha!". Ver minha filha assim, dedicada ao próprio bem-estar, enche meu coração de orgulho. Eu a encorajo daqui: a firmeza no autocuidado é o que faz o dia no mundo valer a pena.

Aqui fora, a calçada ao redor da casa é o meu santuário. A estrada hoje está "barrenta" por causa da chuva, mas a calçada nos abraça. O barulho da água corrente que não para de cair em nosso reservatório na área, quando passamos, é a sinfonia que dita o ritmo dos nossos passos. Eu e Lourdes caminhamos juntos. Sabemos que ferro parado enferruja e água parada apodrece. Queremos a agilidade da prima Zuraide aos 80, e quem sabe, o fôlego para os cem.

Caminhar em casal é ter um estímulo constante ao lado. Lurdes é o meu norte, e eu espero ser o dela. Enquanto nossos pés tocam o chão, o pulsar da felicidade bate rítmico no peito. É uma estrada de vida feliz que percorremos, passo a passo, sob o olhar atento das flores que parecem declamar poesias para nós. Mando mensagens para os parentes, amigos e irmãos de fé:

"Não fique parado. Venha caminhar com este "velhinho" e sua companheira. Afinal, a vida é movimento e beleza, e hoje ela acordou lavada e perfumada".

Casa do Lago, 10 de fevereiro de 2026, de manhã.

terça-feira, setembro 22, 2020

A hora do juízo



 

A hora do juízo



Izaias Resplandes de Sousa



Saudações aos queridos amigos que nos acompanham a partir de agora, durante essa nossa transmissão extraordinária na qual falaremos um pouco sobre o juízo de Deus, o qual, ao longo dos anos tem sido parcialmente executado por Ele e que será encerrado pelo chamado juízo final.

Antes de tudo eu quero dizer que o próprio Deus declara em sua palavra que o seu prazer está na vida e não na morte. Assim diz Ez 18:23, 31-32: Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? (18:23) Lançai de vós todas as vossas transgressões com que transgredistes, e fazei-vos um coração novo e um espírito novo; pois, por que razão morreríeis, ó casa de Israel? Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei  (18:31,32).

É de ver, no entanto, que apesar de não gostar de ver os homens sofrerem, Deus deu-lhes o livre arbítrio de decidirem o seu destino e de fazerem suas escolhas, ainda que jamais tenha deixado de orientá-los sobre a maneira mais adequada de viver. E é justamente por conta disso que tem vindo o sofrimento e o juízo corretivo de Deus.

O Senhor sempre executou os seus juízos. Desde Adão até os nossos dias, nós sofremos as consequências desses julgamentos. Mas parece que nunca aprendemos as lições.

A Ciência do Direito nos ensina que a função social da pena é a correção e não a vingança. O homem corrige os seus filhos e os seus semelhantes toda vez que eles passam dos limites. Isso é fazer juízo. E Deus também faz o mesmo, toda vez que a humanidade se desvia para os caminhos da perdição. Ele não faz um juízo vingativo, mas um juízo educativo.

Assim diz a Palavra: Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho. Se suportais a correção, Deus vos trata como filhos; porque, que filho há a quem o pai não corrija? Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois então bastardos, e não filhos. Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Hebreus 12:6-11.

Os juízos que Deus têm feito tiveram o objetivo de reorientar a humanidade para que não se perdesse totalmente. Assim foi nos dias de Adão, assim foi nos dias de Noé, assim foi nos dias de Sodoma e Gomorra e assim tem sido em diversas outras ocasiões. Todo juízo traz uma condenação para os erros praticados, mas sempre objetiva muito mais a salvação do que a condenação.

Deus não quer condenar. Ele quer salvar. Ainda lá no Éden, quando do julgamento de Adão, Deus prometeu um Salvador que haveria de esmagar a cabeça da serpente (a nossa tendência para fazer as escolhas erradas). E é de notório conhecimento que, na plenitude dos tempos, Deus enviou Jesus ao mundo para cumprir aquela missão prometida a Adão e repetida aos seus descendentes ao longo de sua trajetória histórica de vida. É de destacar, no entanto que Jesus por várias vezes declarou que viera salvar os perdidos e não condenar a ninguém por conta de seus erros. É assim a Palavra: Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. João 3:16,17.

Temos ouvido muitas pessoas falando que Deus está executando seu juízo neste momento em que vivemos a pandemia do coronavírus. Pode até ser que seja assim, mas a verdade é que ainda podemos estar sofrendo as consequências de outros julgamentos passados. Toda escolha que fizemos ao longo de nossa vida enquanto ser humano, gerou consequências. Não apenas algumas, mas todas. É lei de Deus e também é lei dos homens.

A Palavra diz: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Gálatas 6:7.

Por outro lado, a Física, através da terceira lei de Newton, afirma que a “toda ação corresponde uma reação de igual intensidade, mas que atua no sentido oposto”.

Esse é um critério que está inserido no DNA de nossa criação. Nós já nascemos sabendo disso e colocamos isso em prática durante toda a nossa existência. Transformamos isso em leis, estabelecendo quais seriam as consequências para cada uma de nossas ações. Portanto, não devemos estranhar os reptos da natureza, porque essas regras também valem para ela.

É certo que haverá um juízo final para todos após a morte. E neste juízo, cada alma sofrerá as últimas consequências pelos atos que praticou em sua existência material. Uns receberão recompensa (galardão) e outros castigo.

É assim a Palavra: E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo, assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação. Hebreus 9:27,28.

Essa é uma mensagem revelada há mais de dois mil anos e que vem sendo repetidamente pregada. Sim, queridos! Haverá um juízo que determinará o destino de cada um. E é evidente que ninguém teme o juízo compensatório, mas, certamente, nenhum de nós, de bom senso, desejaria enfrentar um tribunal acusatório. 

A missão de Jesus na Terra foi exatamente essa: salvar a humanidade do castigo final, do juízo final. Assim diz Ele: Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens. O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância. Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10:9-11.

Jesus veio pregando a vida, a salvação, a liberdade. Ele veio cumprir a promessa das Escrituras, oferecendo a vida dele em resgate da nossa. E essa Palavra é a chave que abre a porta da nossa salvação. Jesus disse que “assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer. E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo; Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida”. João 5:21-24.

E essa é a mensagem. Que possamos ouvir a Palavra de Deus, que possamos lê-la; que possamos compreendê-la e praticá-la, porque ela é o nosso escrito de vida que nos livrará do juízo final condenatório, substituindo-o por um juízo compensatório. Se você ainda não for, torne-se discípulo de Jesus; se estiver andando torto e desanimado, conserte o seu passo e anime-se, porque “estar com Cristo é muito melhor” do que estar do outro lado. Que Deus nos abençoe!

A Cachoeira do Porvir

  A  Cachoeira do Porvir Izaias  Resplandes  Quatro meses. O tempo na Terra tem essa régua insistente, que marca os dias com o compasso da a...