terça-feira, junho 16, 2026

O Valor das Pequenas Coisas



O Valor das Pequenas Coisas

por Izaias Resplandes

Hoje, 16 de junho, o dia começou com uma daquelas brisas que parecem carregar segredos antigos. Sentado aqui na Casa do Lago, observando o movimento quase imperceptível da água, dei por mim pensando no valor do que é pequeno. Vivemos em um mundo que grita por grandiosidade, por feitos heróicos e conquistas barulhentas, mas a vida, a vida de verdade, acontece no silêncio dos detalhes.

É no café compartilhado sem pressa, no olhar atento a um amigo que não precisa dizer que está triste, ou na oração silenciosa que fazemos quando ninguém está vendo. Aprendi que a nossa história não é feita de capítulos monumentais, mas de frases curtas escritas com o coração. Deus, em Sua infinita sabedoria, não nos pede para sermos gigantes; Ele nos convida a sermos fiéis no pouco, a sermos presença no cotidiano de alguém.

Muitas vezes, a gente se perde tentando entender o amanhã, quando o hoje é o único território onde a Graça realmente opera. Estar aqui, respirando este ar puro e sentindo a paz deste lugar, me faz lembrar que a dependência de Deus é o nosso maior privilégio. Não precisamos carregar o mundo nas costas; precisamos apenas segurar a mão de Quem o sustenta.

Que possamos, neste dia, honrar as pequenas belezas. Que o nosso altruísmo seja discreto e o nosso amor seja constante. Afinal, no inventário da eternidade, o que sobra é apenas aquilo que entregamos com simplicidade.

Casa do Lago, 16/06/2026


domingo, junho 14, 2026

O Silêncio que Carrega o Mundo

 


O Silêncio que Carrega o Mundo

por Izaías Resplandes

O domingo amanheceu com aquele silêncio que só a Casa do Lago sabe oferecer. É um silêncio que não é vazio; é preenchido pelo som das águas e pelo pensamento que, vez ou outra, insiste em querer resolver o mundo antes do café. Mas hoje, enquanto olhava a linha do horizonte, lembrei-me de algo que tenho guardado no peito: a beleza de ser carregado.

Muitas vezes, a gente gasta uma energia danada tentando "descer do colo". Queremos ser independentes, resolver nossas pendências, curar nossas próprias feridas e mostrar para o Criador que já conseguimos caminhar sozinhos. Quanta ilusão. A maturidade, essa senhora que chega com as cãs e com o tempo, nos ensina que o lugar mais seguro do universo não é onde nossos pés alcançam, mas onde as mãos d’Ele nos sustentam.

Aprendi que o "problema" — aquele que a gente tanto pede para afastar — é, muitas vezes, o próprio ponto de contato. É o que nos mantém perto, dependentes, sentindo o pulsar da Graça que basta. Se eu não tivesse o espinho, talvez eu corresse para longe, achando que sou gigante. Mas, na minha fraqueza, descubro que sou um filho amado sendo levado para águas tranquilas.

E o mais bonito dessa entrega é que ela nos liberta de nós mesmos. Quando eu finalmente descanso na certeza de que o Proprietário da minha alma tem um inventário detalhado de tudo o que me falta, minha boca se cala para os meus desejos e se abre para a dor do outro. É a "amnésia santa". Como é bom poder orar pela saúde do vizinho enquanto a nossa própria carne desfalece; clamar pelo pão na mesa do irmão enquanto a nossa despensa desafia a lógica.

Isso é o altruísmo que Cristo nos ensinou: não é sobre não ter problemas, é sobre não ser ocupado por eles. É sobre ajudar o próximo a carregar a cruz dele, mesmo quando a nossa parece pesada, porque sabemos que, no fundo, quem carrega tudo é o Pai.

Hoje, meu único pedido é que eu continue assim: pequeno o suficiente para caber no colo, e grande o bastante para amar sem olhar para trás. O Guarda não dorme, e isso me permite fechar os olhos e simplesmente agradecer. Obrigado, Deus!

Casa do Lago, 14/06/2026

sexta-feira, maio 15, 2026

Surpresa na Casa do Lago

 


Uma Surpresa na Casa do Lago

**15 de maio de 2026**

A manhã de hoje não foi apenas de caminhada, mas de revelação. Enquanto eu e Zé do Rio percorríamos as margens do nosso espelho d'água, o cenário já nos preenchia os olhos. Observávamos o vigor das palmeiras buritis que plantamos — sentinelas que, em breve, desenharão o horizonte com sua elegância — e o desenvolvimento dos bambuzais, das bananeiras e das flores que dão vida a este chão.

Mas o lago guardava um segredo em suas bordas.

De repente, um lampejo colorido entre o barro e a água me chamou a atenção. Uma concha, aberta como um livro, refletia as cores da manhã com um brilho nacarado, quase místico. Chamei o Zé, que com sua calma habitual, a recolheu. Era um marisco de água doce. Confesso que, de perto, com aquela textura e aquele interior perolado, a emoção é outra; bem diferente de apenas ver imagens em telas de TV.

Fui pesquisar e descobri que esse pequeno habitante é, na verdade, um grande mensageiro. Ter mariscos no lago é o que chamo de "tudo de bom", e explico o porquê: eles são os guardiões da pureza. Como seres filtradores, eles só prosperam onde a água é limpa e generosa em oxigênio. Eles trabalham silenciosamente, filtrando impurezas e mantendo o equilíbrio do ecossistema. São, na prática, o selo de qualidade da natureza para a nossa **Casa do Lago**.

Recolhemos esse exemplar com o respeito que se dedica a um mestre. Agora, limpo e preservado, ele não é apenas um objeto de decoração. É um troféu da biodiversidade.

Ficará aqui, em lugar de destaque, esperando pela próxima visita do **David**, do **Tupande** e do **Pett**. Quero que eles segurem essa concha nas mãos e sintam que a natureza não apenas nos rodeia, ela nos presenteia quando cuidamos bem dela. Que este pequeno marisco conte a eles a história de um lago que pulsa vida em cada gota.

**Izaias Resplandes**

domingo, maio 10, 2026

Saudades de Mamãe

 


Saudades de Mamãe


Izaías Resplandes 


Mãe querida, a luz do meu caminho

Hoje meus braços buscam o teu vulto no vazio

Não tenho mais o teu abraço, o teu carinho

Resta-me o silêncio e este peito frio

Mas guardo em mim a lembrança mais amiga

De cada aurora que vivi ao lado teu

Para aplacar essa saudade que me fustiga

E honrar o amor que você me deu.


Como esquecer o teu zelo, a tua entrega?

Fazia mil coisas para me ver sorrir

A tua alma, que ao filho nunca se nega

Traçava os rumos para eu prosseguir.

Jamais houve dúvida, em nenhum momento

Do imenso afeto que por mim sentia

Eras o porto, o meu maior alento

A própria forma da santa alegria.


Ah, que prazer supremo foi te chamar de mãe!

Viver contigo foi a minha maior glória

E hoje, embora a ausência me acompanhe

Tu és a página mais linda da minha história.

Mãezinha querida, registro com esperança

O teu legado que o tempo não vai apagar.


E se a eternidade um dia me permitir

Atravessar o portal do eterno porvir

Eu sei, minha mãe...

Lá estarei, novamente, ao teu lado!


Saudades...

Eternas saudades, mamãe!


Casa do Lago, 10/05/2026, primeiro dia das mães, sem mamãe Maria Resplandes (26/04/1940 - 18/10/2025)

sábado, abril 25, 2026

O Sheik


O Sheik

Por _Izaias Resplandes_ 

Tudo começou em Goiânia, na época em que o amor entre mim e a Lourdes ainda dividia o muro de casa. Minha casa ficava logo ali, ao lado da dela. E, no pacote desse romance, vinha um pequeno detalhe peludo e teimoso: o Sheik, o cachorrinho da Lourdes.

Quando nos casamos e fomos começar a nossa vida a dois em uma edícula no fundo do lote do meu pai, lá no Setor Bela Vista, o Sheik simplesmente decidiu que o nosso novo lar também era o dele. Fez as malas do jeito dele e se mudou com a gente. No começo, confesso, eu não queria saber de cachorro ali. Eu brigava, tentava espantá-lo, mandava ele de volta para a casa dele. Cheguei até a dar umas chineladas no chão para assustá-lo — *left, left!* —, na esperança de que ele desistisse de mim. Mas não adiantava absolutamente nada. Ele me olhava, abaixava as orelhas, dava uma voltinha e continuava exatamente onde estava: na nossa casa.

Vencido pela teimosia (e, admito, pelo charme daquele bicho), decidi hastear a bandeira branca. Parei de xingar e passei a alimentá-lo e a fazer carinho. Foi a melhor derrota da minha vida. A partir daquele momento, o Sheik me adotou. Ele passou a gostar tanto de mim que nós nos tornamos inseparáveis.

O tempo passou e os ventos nos levaram para Poxoréu. Na mudança, achamos prudente deixar o Sheik em Goiânia. O problema é que a distância revelou o quanto já tínhamos aprendido a amá-lo. A saudade bateu forte, invadiu a casa nova e não nos deu trégua. Foi então que tomei uma decisão: eu precisava buscar o meu amigo.

Fui a Goiânia em uma verdadeira missão de resgate. Naquela época, os motoristas eram rigorosos e não permitiam animais nos ônibus de viagem. Mas o amor sempre dá um jeito. Comprei uma caixa, ajeitei o Sheik lá dentro e o cobri cuidadosamente com a minha blusa de frio. Atravessei a porta do ônibus com a respiração presa, torcendo para que ninguém notasse a minha bagagem clandestina.

Sentei na poltrona e coloquei a caixa no chão, bem apertada entre os meus pés. E foi aí que aconteceu a mágica: o Sheik sentiu o cheiro dos meus sapatos, reconheceu o dono que ele tanto amava, e ficou ali, quietinho, aconchegado e em silêncio durante toda a viagem. Não me deu um pingo de trabalho.

Quando descemos em Rondonópolis, tirei ele da caixa. O ônibus não havia parado na rodoviária, mas na garagem da empresa. As pessoas ao redor olhavam torto, cochichavam e falavam da audácia de viajar com um cachorro. Eu não dei a mínima atenção. Segurei firme na coleira dele e fomos andando, a pé, da garagem até a rodoviária. Antes de embarcar no ônibus final para Poxoréu, repeti a operação: Sheik na caixa, blusa por cima, caixa entre os pés. Chegamos ao nosso destino sãos e salvos, sem nenhum problema. A chegada dele em casa foi a maior alegria que poderíamos ter.

Os anos se passaram em Poxoréu. Nossos filhos — Fernando, Marisa e Ricardo — cresceram tendo o Sheik como parte da família. Ele era a minha sombra. Onde quer que eu me sentasse, lá vinha ele, se aninhando aos meus pés como se dissesse: "Daqui ninguém me tira". E não tirava mesmo. Se alguém tentasse se aproximar muito rápido, ele soltava um rosnado de aviso. Era o meu guardião particular.

Nós vivemos altas aventuras juntos, mas, infelizmente, o tempo cobra seu preço. Quando o Sheik já estava mais velho, uma cachorrinha da vizinhança entrou no cio e atraiu uma matilha para a porta de casa. O Sheik, valente como sempre, acabou entrando em uma briga de rua com cachorros muito maiores que ele. Ele apanhou muito, ficou gravemente machucado, adoeceu e não resistiu.

Eu mesmo preparei o seu descanso final e o sepultei no nosso quintal. As lágrimas rolaram soltas naquele dia; chorei muito a perda daquele amigo. Até hoje, quando olho para certos cantos da casa, sinto uma saudade imensa dele.

Hoje, nossa casa é alegre com a presença do Shazam e da Shakira. Eles gostam de nós e nós gostamos deles, mas a verdade é que um amor canino é como impressão digital — nunca existe um igual ao outro. O amor do Sheik era único.

Onde quer que fique o céu dos cachorros, tenho certeza de que ele está lá, deitado tranquilamente. E, quem sabe, guardando um lugarzinho aos pés de onde eu um dia irei sentar. Saudades, Sheik.

Casa do Lago, 24 de abril de 2026.

quinta-feira, abril 23, 2026

O inventário da Eternidade

 


O Inventário da Eternidade: Entre o Atacadão e o Infinito

*Por Izaías Resplandes*

Hoje, o despertador não marcou apenas o início de um feriado de 21 de abril; ele deu o sinal para o início de mais um capítulo. Descobri, no silêncio de um áudio e na clareza de um raciocínio, que a vida não é feita de minutos, mas de narrativas. Tudo, absolutamente tudo, se resume a uma história. E a Grande História Universal, essa senhora imponente, nada mais é do que um imenso coral de vozes particulares, onde a minha e a sua voz buscam o seu lugar na partitura.

Lembrei-me de Eça de Queirós em *A Cidade e as Serras*. O mestre português dizia que o homem do campo vive pelo estômago e pelo instinto de reprodução. É a sobrevivência bruta, o esforço de não deixar a chama da espécie apagar. Mas, enquanto olho para o horizonte de Mato Grosso, percebo que queremos mais. Não nos basta apenas "parar em pé" e gerar filhos; queremos que esses filhos, e os filhos deles — como o meu David, o Tupande e o Pett — saibam que estivemos aqui. Queremos sobreviver para sempre. E a única forma de fazer isso, já que o corpo é matéria perecível, é transformando a vida em relato.

Nossas pequenas aventuras cotidianas são, na verdade, fragmentos de uma epopeia. Enquanto planejo com Esmeralda nossa ida a Primavera do Leste para as compras no Atacadão, o que vejo não é apenas uma lista de suprimentos. Vejo o capítulo do "Mutirão de Primeiro de Maio". Cada saca de mantimento comprada é um parágrafo escrito na história da nossa igreja em Poxoréu. As mãos que carregam as sacolas são as mesmas que levantam paredes, unindo irmãos que vêm de Rondonópolis, Jaciara e Nova Olímpia em uma caligrafia de fraternidade.

Nesta tarde, se o destino permitir, faremos uma pausa na casa do mano Enivaldo. Uma visita de feriado, um café, um abraço. Para o mundo, um evento trivial. Para a nossa "Geografia da Alma", um registro essencial de que o afeto é o que dá liga aos nossos dias.

A vida se divide em dimensões. Existe a material, do suor e do tijolo; a espiritual, dos sentimentos e dos prazeres que a cidade nos ensinou a cultivar; e a transdimensional, onde a nossa história se funde com a raça, com os antepassados e com o próprio Deus. É nessa última que a nossa crônica deixa de ser fumaça e se torna eterna.

A verdade é que somos o que nossas histórias contam. Se não há narrativa, o átomo é mudo e o homem é nada. É a história que nos torna "alguém". E o que é mais belo em tudo isso: escrevemos a muitas mãos. Um capítulo é rascunhado aqui em Poxoréu, outro é lido em voz alta acolá, e assim a trama se tece.

Enquanto raciocino e escrevo estas linhas, sinto o peso e a leveza de ser um "animal narrador". Que privilégio o nosso, de poder olhar para um carrinho de compras ou para um mutirão de obras e enxergar ali a beleza de uma obra literária divina.

Que linda história é a nossa história! Sigamos escrevendo, com fé e tinta, pois cada gesto nosso é um verso que o tempo não poderá apagar.


Casa do Lago, 21/04/2026

quarta-feira, abril 22, 2026

O tempo do abraço


 O Tempo do Abraço


Izaias Resplandes 


Todo dia é dia, não importa a ocasião

O abraço é o compasso que bate no coração

Cedo no café, para o dia despertar

Um laço bem apertado para a jornada começar.


Abraço, abraço, abraço... coisa boa, né?

É energia que contagia, mantém a gente de pé!

Toda hora, todo dia, quando entra ou quando sai

É um pedaço de carinho que no peito a gente atrai.


Tem o abraço do almoço, com sabor de alegria

No meio da rotina, renova a nossa energia

Quando chega, quando vai, não tem hora pra parar

O mundo fica melhor quando a gente se encontrar.


Que tal agora? Um abraço de luz

Pois o tempo do abraço é o que nos conduz!


Casa do Lago, 20/04/2026

O Valor das Pequenas Coisas

O  Valor das Pequenas Coisas por  Izaias Resplandes Hoje, 16 de junho, o dia começou com uma daquelas brisas que parecem carregar segredos a...