sábado, abril 25, 2026

O Sheik


O Sheik

Por _Izaias Resplandes_ 

Tudo começou em Goiânia, na época em que o amor entre mim e a Lourdes ainda dividia o muro de casa. Minha casa ficava logo ali, ao lado da dela. E, no pacote desse romance, vinha um pequeno detalhe peludo e teimoso: o Sheik, o cachorrinho da Lourdes.

Quando nos casamos e fomos começar a nossa vida a dois em uma edícula no fundo do lote do meu pai, lá no Setor Bela Vista, o Sheik simplesmente decidiu que o nosso novo lar também era o dele. Fez as malas do jeito dele e se mudou com a gente. No começo, confesso, eu não queria saber de cachorro ali. Eu brigava, tentava espantá-lo, mandava ele de volta para a casa dele. Cheguei até a dar umas chineladas no chão para assustá-lo — *left, left!* —, na esperança de que ele desistisse de mim. Mas não adiantava absolutamente nada. Ele me olhava, abaixava as orelhas, dava uma voltinha e continuava exatamente onde estava: na nossa casa.

Vencido pela teimosia (e, admito, pelo charme daquele bicho), decidi hastear a bandeira branca. Parei de xingar e passei a alimentá-lo e a fazer carinho. Foi a melhor derrota da minha vida. A partir daquele momento, o Sheik me adotou. Ele passou a gostar tanto de mim que nós nos tornamos inseparáveis.

O tempo passou e os ventos nos levaram para Poxoréu. Na mudança, achamos prudente deixar o Sheik em Goiânia. O problema é que a distância revelou o quanto já tínhamos aprendido a amá-lo. A saudade bateu forte, invadiu a casa nova e não nos deu trégua. Foi então que tomei uma decisão: eu precisava buscar o meu amigo.

Fui a Goiânia em uma verdadeira missão de resgate. Naquela época, os motoristas eram rigorosos e não permitiam animais nos ônibus de viagem. Mas o amor sempre dá um jeito. Comprei uma caixa, ajeitei o Sheik lá dentro e o cobri cuidadosamente com a minha blusa de frio. Atravessei a porta do ônibus com a respiração presa, torcendo para que ninguém notasse a minha bagagem clandestina.

Sentei na poltrona e coloquei a caixa no chão, bem apertada entre os meus pés. E foi aí que aconteceu a mágica: o Sheik sentiu o cheiro dos meus sapatos, reconheceu o dono que ele tanto amava, e ficou ali, quietinho, aconchegado e em silêncio durante toda a viagem. Não me deu um pingo de trabalho.

Quando descemos em Rondonópolis, tirei ele da caixa. O ônibus não havia parado na rodoviária, mas na garagem da empresa. As pessoas ao redor olhavam torto, cochichavam e falavam da audácia de viajar com um cachorro. Eu não dei a mínima atenção. Segurei firme na coleira dele e fomos andando, a pé, da garagem até a rodoviária. Antes de embarcar no ônibus final para Poxoréu, repeti a operação: Sheik na caixa, blusa por cima, caixa entre os pés. Chegamos ao nosso destino sãos e salvos, sem nenhum problema. A chegada dele em casa foi a maior alegria que poderíamos ter.

Os anos se passaram em Poxoréu. Nossos filhos — Fernando, Marisa e Ricardo — cresceram tendo o Sheik como parte da família. Ele era a minha sombra. Onde quer que eu me sentasse, lá vinha ele, se aninhando aos meus pés como se dissesse: "Daqui ninguém me tira". E não tirava mesmo. Se alguém tentasse se aproximar muito rápido, ele soltava um rosnado de aviso. Era o meu guardião particular.

Nós vivemos altas aventuras juntos, mas, infelizmente, o tempo cobra seu preço. Quando o Sheik já estava mais velho, uma cachorrinha da vizinhança entrou no cio e atraiu uma matilha para a porta de casa. O Sheik, valente como sempre, acabou entrando em uma briga de rua com cachorros muito maiores que ele. Ele apanhou muito, ficou gravemente machucado, adoeceu e não resistiu.

Eu mesmo preparei o seu descanso final e o sepultei no nosso quintal. As lágrimas rolaram soltas naquele dia; chorei muito a perda daquele amigo. Até hoje, quando olho para certos cantos da casa, sinto uma saudade imensa dele.

Hoje, nossa casa é alegre com a presença do Shazam e da Shakira. Eles gostam de nós e nós gostamos deles, mas a verdade é que um amor canino é como impressão digital — nunca existe um igual ao outro. O amor do Sheik era único.

Onde quer que fique o céu dos cachorros, tenho certeza de que ele está lá, deitado tranquilamente. E, quem sabe, guardando um lugarzinho aos pés de onde eu um dia irei sentar. Saudades, Sheik.

Casa do Lago, 24 de abril de 2026.

quinta-feira, abril 23, 2026

O inventário da Eternidade

 


O Inventário da Eternidade: Entre o Atacadão e o Infinito

*Por Izaías Resplandes*

Hoje, o despertador não marcou apenas o início de um feriado de 21 de abril; ele deu o sinal para o início de mais um capítulo. Descobri, no silêncio de um áudio e na clareza de um raciocínio, que a vida não é feita de minutos, mas de narrativas. Tudo, absolutamente tudo, se resume a uma história. E a Grande História Universal, essa senhora imponente, nada mais é do que um imenso coral de vozes particulares, onde a minha e a sua voz buscam o seu lugar na partitura.

Lembrei-me de Eça de Queirós em *A Cidade e as Serras*. O mestre português dizia que o homem do campo vive pelo estômago e pelo instinto de reprodução. É a sobrevivência bruta, o esforço de não deixar a chama da espécie apagar. Mas, enquanto olho para o horizonte de Mato Grosso, percebo que queremos mais. Não nos basta apenas "parar em pé" e gerar filhos; queremos que esses filhos, e os filhos deles — como o meu David, o Tupande e o Pett — saibam que estivemos aqui. Queremos sobreviver para sempre. E a única forma de fazer isso, já que o corpo é matéria perecível, é transformando a vida em relato.

Nossas pequenas aventuras cotidianas são, na verdade, fragmentos de uma epopeia. Enquanto planejo com Esmeralda nossa ida a Primavera do Leste para as compras no Atacadão, o que vejo não é apenas uma lista de suprimentos. Vejo o capítulo do "Mutirão de Primeiro de Maio". Cada saca de mantimento comprada é um parágrafo escrito na história da nossa igreja em Poxoréu. As mãos que carregam as sacolas são as mesmas que levantam paredes, unindo irmãos que vêm de Rondonópolis, Jaciara e Nova Olímpia em uma caligrafia de fraternidade.

Nesta tarde, se o destino permitir, faremos uma pausa na casa do mano Enivaldo. Uma visita de feriado, um café, um abraço. Para o mundo, um evento trivial. Para a nossa "Geografia da Alma", um registro essencial de que o afeto é o que dá liga aos nossos dias.

A vida se divide em dimensões. Existe a material, do suor e do tijolo; a espiritual, dos sentimentos e dos prazeres que a cidade nos ensinou a cultivar; e a transdimensional, onde a nossa história se funde com a raça, com os antepassados e com o próprio Deus. É nessa última que a nossa crônica deixa de ser fumaça e se torna eterna.

A verdade é que somos o que nossas histórias contam. Se não há narrativa, o átomo é mudo e o homem é nada. É a história que nos torna "alguém". E o que é mais belo em tudo isso: escrevemos a muitas mãos. Um capítulo é rascunhado aqui em Poxoréu, outro é lido em voz alta acolá, e assim a trama se tece.

Enquanto raciocino e escrevo estas linhas, sinto o peso e a leveza de ser um "animal narrador". Que privilégio o nosso, de poder olhar para um carrinho de compras ou para um mutirão de obras e enxergar ali a beleza de uma obra literária divina.

Que linda história é a nossa história! Sigamos escrevendo, com fé e tinta, pois cada gesto nosso é um verso que o tempo não poderá apagar.


Casa do Lago, 21/04/2026

quarta-feira, abril 22, 2026

O tempo do abraço


 O Tempo do Abraço


Izaias Resplandes 


Todo dia é dia, não importa a ocasião

O abraço é o compasso que bate no coração

Cedo no café, para o dia despertar

Um laço bem apertado para a jornada começar.


Abraço, abraço, abraço... coisa boa, né?

É energia que contagia, mantém a gente de pé!

Toda hora, todo dia, quando entra ou quando sai

É um pedaço de carinho que no peito a gente atrai.


Tem o abraço do almoço, com sabor de alegria

No meio da rotina, renova a nossa energia

Quando chega, quando vai, não tem hora pra parar

O mundo fica melhor quando a gente se encontrar.


Que tal agora? Um abraço de luz

Pois o tempo do abraço é o que nos conduz!


Casa do Lago, 20/04/2026

domingo, abril 12, 2026

Além do Esquecimento



ALÉM DO ESQUECIMENTO


Por Izaias Resplandes


Meus amados irmãos e irmãs, graça e paz da parte do nosso Senhor Jesus Cristo.

Neste tempo de adoração que temos juntos hoje, eu quero conversar com vocês sobre um dos temas mais difíceis, mais dolorosos e, ao mesmo tempo, mais essenciais da nossa caminhada cristã: o perdão. Mas eu não quero falar daquele perdão romantizado que a gente costuma ver em filmes ou ouvir em frases de efeito. Eu quero falar do perdão na vida real. O perdão de quem tem cicatrizes.


Introdução.


O Mito e o Fardo.

Existe um conselho, um ditado muito popular que circula tanto fora quanto dentro das nossas igrejas. É muito provável que você já tenha ouvido, ou quem sabe, até dito para alguém: “Quem perdoa de verdade, esquece”. Ou então: “Se você ainda lembra, é porque ainda não perdoou”.

Irmãos, pensem comigo no peso absoluto que essa frase coloca sobre os nossos ombros. Alguém te fere profundamente. Alguém trai a sua confiança, fala mal de você, comete uma injustiça contra a sua vida ou contra a sua família. O seu coração é quebrado. Então, em obediência a Cristo, com muito choro e oração, você decide perdoar. Você entrega aquela pessoa a Deus. Você decide não se vingar.

Mas, de repente, você acorda no dia seguinte... e a lembrança da ofensa está lá. O pensamento ruim vem à sua mente enquanto você está lavando a louça, enquanto está dirigindo para o trabalho, ou quando deita a cabeça no travesseiro.


A Frustração e a Culpa.

E o que acontece conosco quando a lembrança vem? A frustração nos domina. A gente pensa: “Senhor, eu orei pedindo para esquecer! Por que eu ainda lembro?”. E é exatamente nesse momento de vulnerabilidade que o Inimigo das nossas almas se aproxima para sussurrar uma mentira cruel. Ele diz: “Viu só? Você lembrou. Seu perdão foi falso. Você é um hipócrita. Você não perdoou coisa nenhuma”.

E assim, nós nos tornamos prisioneiros de um ciclo de culpa. Tentamos forçar a nossa mente a apagar um arquivo, a deletar uma memória. Nós nos esforçamos para focar só em coisas boas, tentamos empurrar a sujeira para debaixo do tapete da nossa mente... e falhamos miseravelmente. Porque quanto mais a gente tenta não pensar em algo, mais a gente pensa. A tentativa de apagar a memória na força do próprio braço é uma batalha perdida que só gera exaustão espiritual.


A Honestidade da Nossa Humanidade.

Nós precisamos ser honestos diante de Deus e diante de nós mesmos: nós somos humanos.

O nosso Deus nos criou com um cérebro formidável, um cérebro que foi projetado pelo próprio Criador para registrar as nossas vivências. A nossa memória tem, inclusive, uma função de proteção. Quando você encosta a mão em uma panela quente e se queima, o seu cérebro registra aquela dor para que você não coloque a mão no fogo de novo. A dor cria uma memória que nos ensina a ter prudência.

Se a mente humana não tem um botão de "deletar", por que nós exigimos de nós mesmos uma amnésia que Deus não nos deu a capacidade de ter? A falha em esquecer não é um sinal de falta de espiritualidade, é apenas um sinal da sua humanidade. Jesus Cristo sabe como a mente que Ele criou funciona. Ele não nos pediria algo que violasse a nossa própria biologia sem nos dar um caminho de graça para lidar com isso.

O que eu quero propor a vocês neste tempo que temos juntos é que nós deixemos essa falsa obrigação de esquecer aqui, agora mesmo, aos pés da cruz. Nós precisamos desmascarar esse fardo que não é bíblico.

O perdão que Jesus nos ensina não exige amnésia. Ele exige algo muito mais profundo, muito mais sobrenatural e muito mais libertador. Se você tem carregado a culpa de ainda lembrar de quem te feriu; se os pensamentos ruins têm assaltado a sua mente; ou se você tem tentado aconselhar alguém que está sangrando com frases prontas que não funcionam... prepare o seu coração. Nós vamos olhar para a Palavra de Deus e descobrir o que o perdão NÃO é, o que ele de fato É, e como nós podemos, em Cristo, ter as nossas lembranças curadas.


I - O que o perdão NÃO é.


A Verdadeira Hipocrisia.

Nós terminamos a introdução falando sobre a mentira do Inimigo, que nos chama de hipócritas porque perdoamos, mas ainda lembramos da ofensa. Mas irmãos, pensem comigo: a verdadeira hipocrisia seria exatamente o oposto! Hipocrisia é o que nós fazemos quando engolimos o choro, colocamos uma máscara de super crentes e dizemos: "Ah, eu já esqueci. Isso não me afeta mais", enquanto por dentro a ferida continua sangrando.

Deus não nos chama para sermos atores em um palco, fingindo que a dor desapareceu por mágica. Ele nos chama para a verdade. E a verdade é que perdão não é amnésia. Você não tem que esquecer. O que se requer de nós não é apagar a memória, mas sim tirar o julgamento das nossas próprias mãos e colocá-lo aos critérios de Deus.


Perdão não é Minimizar a Dor.

Em segundo lugar, nós precisamos entender que perdoar não é dizer "não foi nada".

Muitas vezes, as pessoas tentam consolar quem foi ferido dizendo: "Deixa pra lá, o tempo cura tudo". Mas o tempo, por si só, não cura nada; o tempo apenas esconde. Quem cura é Jesus!

Se a ofensa não fosse nada, se não tivesse doído, você não precisaria perdoar. O perdão só existe porque houve uma infração, houve uma dívida real, houve um dano real. Não minimize a sua dor. Jesus nunca minimizou a dor humana. Ele foi ferido, Ele chorou, Ele suou sangue. Para perdoar de verdade, você primeiro precisa reconhecer o tamanho da ferida.


Perdão não é Confiança Cega.

Outro grande mito que nós precisamos derrubar hoje, é: perdão não é o mesmo que reconciliação imediata ou confiança cega.

Irmãos, o perdão é incondicional. Depende apenas de você e de Deus. Você pode perdoar alguém que nunca te pediu desculpas, alguém que já até faleceu, porque o perdão acontece dentro do seu coração.

Mas a confiança... ah, a confiança precisa ser reconstruída. A reconciliação exige que o outro lado se arrependa e mude. A Bíblia diz que devemos ser "prudentes como as serpentes e simples como as pombas". Você pode perdoar a pessoa que te prejudicou, livrando o seu coração do ódio, e ao mesmo tempo decidir, com sabedoria, que não vai mais fazer negócios com ela ou não vai mais permitir que ela o fira da mesma forma. O perdão te liberta do passado; a sabedoria te protege no futuro.


Deixando os Cuidados aos Pés da Cruz.

Então, se o perdão não é esquecer, não é minimizar a dor e não é confiar cegamente… o que nós fazemos com a lembrança ruim quando ela vem à mente?

Temos um hino maravilhoso em nossa igreja que diz: "Deixe os cuidados aos pés da cruz, com Jesus". É exatamente isso! Quando a lembrança dolorosa bater à porta da sua mente, você não vai fingir que ela não existe. Você vai pegar essa lembrança e levá-la aos pés da cruz. Você vai dizer: "Senhor, eu lembrei de novo. Mas eu declaro que eu não sou o juiz dessa causa. Eu deixo esse cuidado, essa ofensa, aos pés da Tua cruz. O Senhor sabe como tratar cada caso com a verdadeira justiça. Eu abro mão do meu direito de vingança".

Irmãos, é Jesus quem vai nos ajudar a curar essa ferida aberta. Mas há uma condição: *nós precisamos estar dispostos a ser curados por Ele*. Você está disposto a deixar que Ele toque nessa ferida hoje? Porque o propósito de Deus não é que você tenha uma mente vazia, mas sim que amanhã você possa se levantar e dar testemunho! Você vai poder olhar para trás e testemunhar como colocou essa questão nas mãos do Senhor, e como Ele, com Sua justiça e graça, te deu paz em meio às tempestades da memória.


II - O que o perdão É.


O Nosso Passado como Testemunho e Proteção.

A Palavra de Deus nos garante: "As coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo". Mas preste muita atenção, igreja: o passado é passado, sim, mas ele é o nosso passado. A nossa história. E o nosso passado deve ser lembrado por um motivo muito importante: para não nos esquecermos da forma maravilhosa como Jesus nos libertou das consequências dele!

Se nós tivéssemos uma amnésia divina e apagássemos tudo o que sofremos, nós perderíamos o nosso testemunho. Como contaríamos aos outros o que Jesus fez por nós? E mais: não devemos esquecer o passado porque, se esquecermos as dores e as rasteiras que levamos, corremos o grave risco de repetir os mesmos passos errados. A memória redimida nos dá prudência.


O Presente é Jesus.

Sim, é verdade que nós sofremos muito com o que aconteceu no passado. Mas, em Cristo, há uma nova realidade: nós não precisamos continuar sofrendo hoje por conta dele. A ferida foi lá atrás, o sangramento tem que parar hoje. Sabe por quê? Porque o passado já foi tratado na cruz do Calvário!

O nosso presente tem nome: O presente é Jesus! Ser uma nova criatura é entender que este "presente" em que vivemos hoje é, de fato, um presente, uma dádiva de Deus para nós. E Deus não nos deu o dia de hoje para vivermos abraçados com as amarguras de ontem. O perdão, irmãos, é abrir as mãos e soltar a amargura, para que elas estejam livres para receber o presente que Deus tem para nós hoje. É rasgar a nota promissória e dizer: "Eu decido não cobrar mais essa dívida".


A Sabedoria da Nova Criatura.

Mas como fazemos isso na prática, quando a dor ainda é real? A nova criatura que somos hoje tem a mente e a sabedoria de Cristo. E qual foi a atitude de Jesus no momento de maior angústia no Getsêmani? Ele sentiu o peso do que viria, Ele sentiu a dor, e Ele entregou tudo aos cuidados do Pai. Ele orou: "Pai, se possível passe de mim esse cálice, mas que seja feita, acima de tudo, a Sua vontade".

Perdoar é ter a coragem de fazer essa mesma oração. É olhar para a ofensa e dizer: "Pai, este cálice de amargura é pesado demais para mim. Eu entrego essa dor aos Teus cuidados. Faça a Tua vontade, porque a Tua vontade é boa, perfeita e agradável". É render a nossa dor à soberania de Deus.


A Luz que Ilumina o Caminho.

Houve um tempo em nossas vidas em que nós éramos filhos perdidos. Andávamos tateando no escuro, aprisionados no ódio, na sede de vingança e na mágoa, simplesmente porque não tínhamos Jesus. Mas hoje, nós temos a Luz! Uma Luz que ilumina todo o nosso entendimento e que nos mostra o verdadeiro caminho.

Nós não andamos mais pelas trevas do ressentimento. O caminho de Jesus é o caminho da liberdade. E por causa dessa luz, por termos deixado todo o cuidado aos pés da cruz, nós podemos declarar e cantar juntos com toda a força do nosso coração: "Sigo alegre com Jesus!"


III - Lidando com as Lembranças na Prática.


O Ataque Inesperado.

Irmãos, nós já entendemos que não precisamos esquecer e que seguimos alegres com Jesus. Mas nós precisamos ser práticos. O que nós fazemos em uma terça-feira à tarde, no meio do trabalho, quando do nada aquela memória ruim nos ataca? O que fazemos quando a lembrança da traição, da palavra dura ou da injustiça invade a nossa mente como um assalto? O nosso primeiro instinto, como já falamos, é tentar lutar contra a memória. É tentar bloquear. Mas a Bíblia nos ensina uma estratégia muito superior. O apóstolo Paulo diz em 2 Coríntios 10:5 que nós devemos “levar cativo todo pensamento à obediência de Cristo”.


Levando o Pensamento Cativo.

Levar um pensamento cativo significa que você não permite que ele ande livremente pela sua mente fazendo estragos. Você o prende. Quando o pensamento ruim vier, você não diz: "Senhor, apaga isso da minha mente". Você o leva como um prisioneiro até Jesus e diz: "Senhor, olha o que acabou de bater na porta da minha cabeça. Essa lembrança dói. Ela tenta me puxar de volta para a amargura. Mas eu trago esse pensamento cativo a Ti. Eu declaro que ele não vai dominar o meu dia. Eu reafirmo que já coloquei esse ofensor aos pés da cruz e a justiça está nas Tuas mãos.


Do Gatilho de Dor ao Gatilho de Graça.

Sabe o que acontece quando você faz isso, igreja? Você transforma a estratégia do Inimigo contra ele mesmo! O Inimigo lança a lembrança ruim como um "gatilho" para te causar dor e raiva. Mas a partir de hoje, você vai usar essa mesma lembrança como um alarme para a oração. Toda vez que a memória ruim vier, use-a como um lembrete para orar. Ore por você mesmo, pedindo a paz de Deus. E, se tiver forças, ore pelo ofensor, pedindo que a luz de Cristo que alcançou a sua vida alcance a dele também. Eu garanto a vocês: o Diabo vai parar de trazer essa lembrança ruim à sua mente quando ele perceber que, toda vez que você lembra, você dobra os joelhos e se aproxima ainda mais de Deus! Ele não vai querer te dar motivos para orar!


Focando no que é Bom (Filipenses 4:8).

Por fim, depois de entregar a dor a Cristo mais uma vez, aí sim nós fazemos o que a Palavra nos manda: preenchemos a mente com o que é bom. Filipenses 4:8 nos diz para pensarmos em tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável e de boa fama.

Trocar o pensamento ruim não é uma "positividade cega". Se a pessoa que te feriu teve atitudes boas no passado, você pode, com a ajuda de Deus, tentar se lembrar delas para ver que ali há um ser humano falho, que precisa de salvação tanto quanto nós. Mas se a dor for grande demais e for difícil achar algo de bom naquela pessoa, não tem problema. Mude o foco para a suprema bondade do nosso Senhor!

Diga: "Senhor, eu não quero mais gastar o meu tempo lembrando do mal que me fizeram. Eu quero gastar a minha mente lembrando do bem maravilhoso que o Senhor me fez! A dor que eu sofri não se compara com a alegria que eu tenho em Ti". É assim que nós blindamos a nossa mente: esvaziando a amargura aos pés da cruz e enchendo o coração com a presença do próprio Cristo.


Conclusão e Apelo.


Recapitulando a Jornada.

Meus irmãos, nós caminhamos por águas profundas nesta hora de adoração. Nós entramos aqui hoje, muitos de nós, carregando fardos pesados. Fardos de culpa por lembrarmos do que sofremos. Fardos de amargura por tentarmos fazer justiça com as próprias mãos. Mas a Palavra de Deus nos mostrou o caminho da liberdade.

Nós aprendemos que perdoar não é ter amnésia, não é fingir que não doeu. Perdoar é tirar o julgamento das nossas mãos e colocá-lo aos pés da cruz. Aprendemos que o nosso passado é um testemunho da graça, que o nosso presente é o próprio Cristo, e que toda vez que a lembrança ruim vier, nós vamos levá-la cativa e transformá-la em oração.


O Momento de Decisão / Apelo.

Nós vamos encerrar este momento, mas antes de darmos o amém, nós precisamos ter uma atitude prática. A adoração verdadeira exige rendição.

Eu quero convidar você, onde você está agora, a fechar os seus olhos. Esqueça quem está do seu lado. Pense, por um instante, naquela lembrança que tem roubado a sua paz. Pense naquela pessoa que te feriu, que te traiu, que te prejudicou. Pense na dor que você tem carregado e na "nota promissória" de vingança que você tem guardado no bolso da sua alma, esperando o dia em que o outro vai pagar pelo que fez.

Irmão, irmã... o preço já foi pago. Jesus pagou o preço na cruz.
Se você quer ser verdadeiramente livre hoje; se você quer parar de sofrer no presente por causa do que aconteceu no passado; eu te convido a abrir as suas mãos e levantá-las aos céus. No mundo espiritual, nós vamos pegar essa nota promissória da ofensa, e nós vamos rasgá-la! Nós vamos entregar essa pessoa ao Justo Juiz. Nós vamos deixar esse cuidado com Jesus.


Oração de Entrega e Cura.

"Senhor nosso Deus e nosso Pai. Nós estamos diante de Ti com as mãos abertas e o coração despido. Tu és o Criador das nossas mentes, Tu conheces as nossas memórias e sabes o tamanho de cada ferida que carregamos.

Pai, nesta hora, nós decidimos perdoar. Nós declaramos que abrimos mão do direito de nos vingarmos. Nós abrimos mão da amargura. Nós pegamos toda essa dor, toda essa lembrança difícil, e nós a depositamos aos pés da Tua cruz. Senhor, nós não Te pedimos para apagar a nossa mente, mas nós clamamos para que o Senhor cure as nossas emoções. Que a cicatriz fique apenas como um lembrete de que o Senhor nos curou, e não como uma ferida que ainda sangra.
Quando o pensamento ruim vier amanhã, Espírito Santo, nos ajude a levá-lo cativo. Nos ajude a orar. Preencha a nossa mente com a Tua presença, com a Tua paz que excede todo o entendimento. Nós éramos filhos perdidos, mas hoje temos a Tua luz! Que a partir de hoje, nós possamos caminhar leves, sem as amarras do passado, seguindo alegres com Jesus. É o que nós Te pedimos, em nome do nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. Amém e amém!"


Bênção Final.

Que a graça do Senhor Jesus, que nos perdoou quando não merecíamos; o amor de Deus, que nos acolhe com todas as nossas marcas; e a comunhão do Espírito Santo, que cura a nossa mente e o nosso coração, sejam com todos vocês, hoje e para todo o sempre. Vão em paz, e sejam livres em nome de Jesus!


Poxoréu, MT, 12 de abril de 2026.


sábado, abril 11, 2026

O Legado do Pãozinho e a Matemática da Esperança

 


O Legado do Pãozinho e a Matemática da Esperança

Por Izaias Resplandes

A vida de cada um é um relógio de ponto muito particular. Cada pessoa segue o compasso que consegue imprimir e, por mais que a gente observe, parece não haver força externa capaz de mudar essa engrenagem. É curioso notar como, às vezes, alguém pisa fundo no acelerador, gasta combustível, perde o fôlego, mas, ao olhar pela janela, a paisagem é a mesma. Continua no mesmo lugar, vivendo com a mesma qualidade. Quando a exaustão bate e a velocidade reduz, o cenário também não se altera. A vida, teimosa, continua do mesmo jeito.

Levanta-se cedo. Enquanto a manhã ainda desponta e o calor começa a dar as caras, cumpre-se a rotina doméstica e corre-se apressado. O relógio é um patrão implacável. Se não chegar na hora exata, o contracheque no fim do mês cobra a conta do atraso, e isso é um luxo que não se pode ter. Cada centavo ali tem endereço certo para manter a precária ilusão de segurança que chamamos de "qualidade de vida".

E então o fim do mês chega, pontual como a angústia. O salário cai na conta e evapora no balcão do mercado e nos boletos empilhados. Compra-se tudo de uma vez, come-se tudo durante os trinta dias, e o ciclo recomeça. Parece uma engrenagem perfeitamente normal, mas o espelho não mente: não está. O tempo passa, o corpo envelhece, a saúde pede garantias que a rotina não dá. Fico me perguntando se o FGTS, aquele fundo intocável, vai dar conta de segurar as pontas quando a força de trabalho minguar. Vejo muitos sendo dispensados, substituídos por sistemas, algoritmos e pelas exigências de um mercado que não tem paciência para cabelos brancos. Pegam o FGTS, fazem aquela viagem à praia que adiaram a vida inteira e, na volta, o sal no corpo seca junto com o dinheiro. Tudo volta ao "normal" — um normal assombrado pelo desemprego e pela concorrência com as máquinas.

Isso me faz lembrar do tempo em que eu estava na ativa, diante do quadro-negro. Como professor de matemática, eu olhava para os meus alunos e dizia que passar a juventude na escola era um sacrifício necessário. A promessa era o futuro. No fundo, eles achavam uma missão impossível e, confesso, às vezes eu também sentia um gosto amargo de dúvida. Quantos diplomados estavam por aí, espremidos em subempregos, provando que o diploma não é um passe de mágico? Eu pedia que eles fossem os melhores, porque a vida lá fora não perdoaria os medianos. Eles reviravam os olhos para as minhas equações. Achavam que a matemática não servia para nada. E a verdade é que a escola ensina muito do que o dia a dia ignora, mas deixa de ensinar o essencial para a sobrevivência.

A aposentadoria que espera a imensa maioria dos brasileiros é a do salário mínimo. É a fila da assistência social, a dependência do auxílio, o malabarismo doloroso de fazer os dias caberem no dinheiro que acaba antes do mês. Tem quem se conforme com o mínimo, abrindo mão do protagonismo do próprio destino.

Mas a vida é um ciclo de quatro estações. A lição mais valiosa que aprendi não veio de um currículo escolar, mas de José do Egito, lá na Bíblia: guardar uma parte na época das vacas gordas para sobreviver ao tempo das vacas magras. Ao longo dos anos, eu escolhi não viver apenas do meu suor, mas fazer com que os meus investimentos começassem a suar por mim. Eu poupava os centavos, reinvestia os retornos, construía a minha própria previdência silenciosa.

Sempre tentei passar esse estilo de vida adiante, mas a resistência é enorme. As pessoas dizem que não sobra nada. Que não conseguem abrir mão nem daquele pãozinho de R$ 1 real todas as manhãs para economizar os R$ 30 no fim do mês.

Como velho professor de matemática, eu não resisto a fazer a conta. Vamos supor que você pegue esses R$ 30 por mês do pãozinho e aplique no Tesouro Direto, com uma taxa de juros realista de cerca de 0,8% ao mês (aproximadamente 10% ao ano).

  • Em 5 anos, guardando apenas o dinheiro desse pão diário, você teria acumulado cerca de R$ 2.300. Já é um respiro, um fundo de emergência que a maioria não tem.

  • Mas a mágica dos juros compostos recompensa a paciência. Se você mantiver esse hábito por 35 anos — o tempo de uma vida de trabalho —, o valor que saiu do seu bolso terá sido de R$ 12.600. No entanto, com os juros trabalhando a seu favor, você teria acumulado aproximadamente R$ 105.000.

Ninguém morre de fome por não comer um pãozinho matutino. Mas a ausência dessa pequena disciplina pode matar de inanição a dignidade na velhice.

Minha vida hoje é simples e humilde. Não sou dono do mundo, mas sou dono do meu tempo. Eu gosto do jeito que posso viver hoje, com a tranquilidade de quem plantou as próprias sementes e não depende apenas da chuva do governo ou do patrão. E, enquanto vejo a pressa das pessoas na rua, continuo me fazendo a mesma pergunta: será que os outros também gostam do jeito que vivem hoje?

*****

Quase todos os dias nós cumprimentamos alguém pelo nascimento de um filho. É a vida que se renova. E isso nos traz alegria. Mas, um novo nascimento sempre nos traz também alguma preocupação. Os tempos estão muito difíceis e o aumento da família nem sempre vem acompanhado de possibilidades de melhoria na qualidade de vida do grupo. Pelo contrário, na fria matemática do cotidiano, significa dividir o bolo com mais um.

Eu gostaria de apresentar uma proposta prática para mudar essa situação. Talvez, não melhore imediatamente para os pais do menino que acaba de nascer, mas certamente poderá mudar o destino desse menino e de seus descendentes. É claro que os pais terão que fazer a primeira parte, de forma disciplinada, e devem educá-lo para continuar com essa mesma constância até o final, passando esse princípio para as gerações vindouras. Creio que isso trará uma nova perspectiva de qualidade de vida, moldando a nossa própria geografia.

Vou propor a situação da supressão de um simples pãozinho para uma criança que nasceu este mês e viverá até os 90 anos. Pensemos em um dos nossos, um pequeno David, Tupande ou Pett, recém-chegado a este mundo.

Se os pais decidirem economizar o equivalente a um pãozinho diário — cerca de R$ 30,00 por mês — e investirem esse valor a uma taxa conservadora de 0,8% ao mês, a mágica do tempo começa a agir. Quando esse menino completar 35 anos, período em que ele mesmo já assumiu os depósitos com o suor de seu próprio trabalho, ele terá acumulado cerca de R$ 105.000,00, que lhe renderia em torno de R$ 840,00 por mês.

Vê-se que, a partir daí, a semente já virou uma árvore de raízes fundas e já começa a frutificar. Então, já se poderá começar a usufruir do investimento feito. Já poderá voltar a comer o seu pãozinho e muitas coisas mais. Mas esse menino só tem 35 anos e agora entra em sua melhor fase produtiva. Mas, mesmo assim, nossa proposta é que ele poderá fazer uma retirada mensal de 50% dos juros desse capital de R$ 105.000,00 que seria inicialmente, de aproximadamente R$ 420,00 (no ano 36 de sua vida), mantendo o restante dos juros e mais o capital principal acumulado nos 35 anos anos anteriores rendendo no fundo ao longo de sua vida produtiva. Os juros compostos farão o trabalho silencioso. Aos 65 anos, quando for se aposentar, ele já estaria recebendo R$ 1.684,75 mensais daqueles 50% de juros e aquele fundo inicial terá se transformado em um robusto patrimônio de R$ 421.187,02.

É aqui que a colheita verdadeira começa. Ele para de trabalhar, mas o seu dinheiro não. Para garantir uma velhice próspera, ele passará a retirar 80% dos rendimentos mensais para somar à sua aposentadoria (seja ela de um salário mínimo ou mais), e deixará os 20% restantes reinvestidos para que o bolo continue crescendo e vencendo a inflação.

Vejam como essa dinâmica desenha um horizonte de dignidade a cada primeiro de janeiro, dos 65 até os 90 anos:

Idade (01/Jan)

Fundo Acumulado

Incremento Mensal (80% dos Juros)

65 anos

R$ 421.187,02

R$ 2.695,60

66 anos

R$ 429.343,89

R$ 2.747,80

67 anos

R$ 437.656,76

R$ 2.801,00

68 anos

R$ 446.128,88

R$ 2.855,22

69 anos

R$ 454.763,55

R$ 2.910,49

70 anos

R$ 463.564,13

R$ 2.966,81

71 anos

R$ 472.534,08

R$ 3.024,22

72 anos

R$ 481.676,96

R$ 3.082,73

73 anos

R$ 490.996,44

R$ 3.142,38

74 anos

R$ 500.496,25

R$ 3.203,18

75 anos

R$ 510.180,21

R$ 3.265,15

76 anos

R$ 520.052,22

R$ 3.328,33

77 anos

R$ 530.116,28

R$ 3.392,74

78 anos

R$ 540.376,46

R$ 3.458,41

79 anos

R$ 550.836,92

R$ 3.525,36

80 anos

R$ 561.491,95

R$ 3.593,55

81 anos

R$ 572.352,53

R$ 3.663,06

82 anos

R$ 583.421,80

R$ 3.733,90

83 anos

R$ 594.703,99

R$ 3.806,11

84 anos

R$ 606.203,42

R$ 3.879,70

85 anos

R$ 617.924,49

R$ 3.954,72

86 anos

R$ 629.871,69

R$ 4.031,18

87 anos

R$ 642.049,58

R$ 4.109,12

88 anos

R$ 654.462,82

R$ 4.188,56

89 anos

R$ 667.116,16

R$ 4.269,54

90 anos

R$ 680.014,40

R$ 4.352,09



Ao completar 90 anos, esse "bebê" de hoje terá vivido um quarto de século de aposentadoria com um conforto raro. Seu incremento mensal começou em mais de R$ 2.600,00 e terminou acima de R$ 4.350,00, sempre se somando ao seu benefício oficial de aposentadoria (seja o valor que seja).

E o mais impressionante: ao dar seu último suspiro, encerrando seu ciclo sob o sol, ele não terá consumido o seu patrimônio. Pelo contrário. Por ter mantido a firmeza de deixar 20% dos juros reinvestidos, o fundo que ele deixará para os seus herdeiros — a próxima geração de Dani Jr., Marçal ou Luiza — será de exatos Ao completar 90 anos, esse "bebê" de hoje terá vivido um quarto de século de aposentadoria com um conforto raro. Seu incremento mensal começou em mais de R$ 2.600,00 e terminou acima de R$ 4.350,00, sempre se somando ao seu benefício oficial de aposentadoria (seja o valor que seja).

E o mais impressionante: ao dar seu último suspiro, encerrando seu ciclo sob o sol, ele não terá consumido o seu patrimônio. Pelo contrário. Por ter mantido a firmeza de deixar 20% dos juros reinvestidos, o fundo que ele deixará para os seus herdeiros — a próxima geração de Dani Jr., Marçal ou Luiza — será de exatos... 

Será de exatos R$ 680.014,40, ou seja, bem mais de meio milhão de reais.

Olhando para essa jornada, com Lourdes ao meu lado e as lembranças de uma vida inteira de trabalho, vejo que isso prova uma grande verdade. Com a disciplina de um pãozinho e o respeito aos ciclos da vida, é possível atravessar as quatro estações deixando o solo muito mais fértil para quem vem depois. Não é apenas acumulação de moedas; é a matemática servindo à alma, à família e à mais bela posteridade.

Olhando para essa jornada, com Lourdes ao meu lado e as lembranças de uma vida inteira de trabalho, vejo que isso prova uma grande verdade. Com a disciplina de um pãozinho e o respeito aos ciclos da vida, é possível atravessar as quatro estações deixando o solo muito mais fértil para quem vem depois. Não é apenas acumulação de moedas; é a matemática servindo à alma, à família e à mais bela posteridade.

Casa do Lago, 11 de abril de 2026.





O Sheik

O Sheik Por _Izaias Resplandes_  Tudo começou em Goiânia, na época em que o amor entre mim e a Lourdes ainda dividia o muro de casa. Minha c...