sábado, julho 04, 2026

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

 


Fazendo Discípulos para a Nova Terra



Graça e paz aos meus irmãos e irmãs.

Hoje, trago uma reflexão que nasceu não apenas da leitura silenciosa das Escrituras, mas do contato direto com a terra, com a brisa do inverno e com o sorriso das novas gerações. Vivemos em um tempo em que as palavras são abundantes, mas os exemplos escasseiam. Por isso, hoje eu escrevo, eu prego, eu ensino e eu publico, para que a mensagem de Cristo ecoe mesmo quando a minha voz não puder mais ser ouvida. O que vamos compartilhar aqui é um testamento, um legado sobre o que verdadeiramente significa cumprir a maior de todas as ordens deixadas pelo nosso Senhor.

Convido os irmãos a abrirem suas Bíblias no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18 a 20:

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém."

A ordem é clara e ressoa através dos milênios: "Fazei discípulos". Mas, afinal, de quem serão os discípulos que nós vamos fazer? E mais importante: como se faz um discípulo nos dias de hoje?

Muitas vezes, quando escrevo nas redes sociais, quando publico crônicas e reflexões sobre a vida, percebo que as pessoas acompanham, curtem, comentam e dizem apreciar aquelas palavras. Isso traz alegria, é claro. Mas será que isso, por si só, é fazer discípulos? Será que o discipulado se resume a ter pessoas que leem o que escrevemos ou será que exige algo mais profundo? Acaso fazer discípulos significa apenas recitar a mesma mensagem, com as exatas mesmas palavras e os mesmos exemplos usados pelos profetas do passado?

Eu olho para a Bíblia como a nossa bússola inegociável. Eu me inspiro nela e procuro pautar cada passo da minha vida pelos seus princípios. Contudo, a Bíblia nos disciplina para sabermos como viver o Reino dos Céus aqui na terra, no mundo físico que Deus criou para o ser humano habitar.

Jesus foi o maior de todos os mestres, e o Seu método de ensino não se limitava às sinagogas. Ele caminhava com Seus amigos. Ele partilhava o pão. Ele usava o cotidiano e a natureza para explicar verdades eternas. O semeador que lança a semente, o trigo e o joio, a videira e os ramos, as aves do céu e os lírios do campo. Jesus ensinava por parábolas, comparando o Reino de Deus com aspectos visíveis do nosso mundo, porque Ele sabia que o nosso mundo físico é a sombra, o ensaio e a matéria-prima do nosso mundo vindouro.

E é seguindo os passos do Mestre que nós também precisamos criar as nossas próprias parábolas modernas. Nós fazemos discípulos quando as pessoas se inspiram no nosso modo de viver e procuram viver de modo semelhante, buscando a Deus na integridade do dia a dia.



O Sopro de Vida e a Mata dos Crentes

Quero compartilhar com vocês uma dessas parábolas que a vida me deu. Na manhã do dia 4 de julho de 2026, o segundo dia das férias de inverno do meu neto caçula, a Casa do Lago amanheceu com aquele frescor característico que revigora a alma. O dia convidava para estar lá fora. Foi assim que eu e ele saímos para uma caminhada de exploração pelas trilhas da Mata dos Crentes, que circunda a nossa casa.

Nossa missão era simples, daquelas que só a paz do campo proporciona: ir até a porteira verificar se um solitário pé de mamão havia nos presenteado com frutos maduros. O trajeto até lá será um corredor verde. Eu plantei com minhas próprias mãos palmeiras elegantes de gueroba, açaí e pupunha, dividindo espaço com mangueiras, cajueiros, ingás, jatobazeiros, entre outras frutíferas. Elas ainda estão pequenas, mas já nos observavam como se fossem velhas testemunhas do tempo.

Durante essa caminhada, paramos no meio da mata porque o meu neto disse que iria me ensinar a construir um fogão de formigueiro. Então eu pedi que eu me explicasse mostrando os detalhes, como se estivesse diante de uma estrutura pronta. E ali, naquela manhã, foi a vez do meu neto assumir o papel de mestre. E ele me deu uma verdadeira aula sobre a antiga e engenhosa arte de construir um fogão de cupinzeiro. Ele me explicou sobre a energia da terra, sobre como o vento faz o trabalho de fole, e me contou até lendas antigas sobre guardiões da natureza e o respeito que devemos ter ao usar os recursos da mata.

Eu o ouvia com atenção, com o coração transbordando, sabendo que as melhores riquezas não são posses, mas momentos. Naquele instante, também convidei o meu neto para um exercício. Pedi a ele que parasse, fizesse um exercício de inspiração e expiração. Pedi que ele sentisse o ar entrando e saindo de seus pulmões, o ar puro da mata preservada.

Irmãos, o livro de Gênesis 2:7 nos diz:

"E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente."

É de ver que a palavra original para fôlego e espírito, Ruah, é a mesma. Quando ensinamos nossas crianças a respirarem o ar puro e a respeitarem a mata, estamos conectando-as com o próprio sopro do Criador. Estamos ensinando que a terra não é um mero recurso a ser explorado e devastado sem necessidade. Ela é um dom.



Cuidando do Jardim: A Teologia da Terra

Isso nos leva a um ponto fundamental da nossa teologia, algo que a igreja moderna muitas vezes tem esquecido. Gênesis 2:15 declara:

"E tomou o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar."

Antes de qualquer outra instituição, antes de haver reis, profetas ou templos de pedra, a primeira tarefa dada por Deus ao homem foi cuidar da terra. A terra pode estar sob o efeito da Queda, aguardando com expectativa a redenção, e sabemos que há espinhos, pragas e fadiga no entremeio. Mas ela ainda é a criação abençoada de Deus.

Qualquer pedacinho de chão que nós possamos usar faz parte da bênção de Deus para nós. É preciso aprender a usar e a dar valor à terra. Plantar, cuidar, jardinar... Isso é adoração. É um legado que eu e minha esposa fazemos questão de ensinar com a nossa vida na Casa do Lago. Eu costumo dizer que todos nós temos um pedacinho de terra para plantar. Particularmente, eu amo plantar nas beiras do muro, aproveitando cada centímetro do terreno, porque não há lugar tão pequeno que não caiba pelo menos uma planta. Olhem, por exemplo, para a beleza dos mamoeiros! Ocupam tão pouco espaço e nos presenteiam com mamões maravilhosos o ano inteiro.

Eu escuto muitas pregações focadas exclusivamente em "morar no céu", "viver no céu", passar a eternidade flutuando em um céu etéreo e imaterial. Mas a Bíblia nos apresenta uma esperança muito mais concreta. O livro do Apocalipse 21:1-3 nos revela o ápice da história da redenção:

"E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe. (...) E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus."

O nosso destino final não é escapar da criação, mas ver a criação restaurada. A Nova Terra será o lar dos justos, um lugar físico, perfeito, onde o homem habitará para ser plenamente feliz em comunhão com o Criador. O Reino de Deus abrange tudo; Ele é Senhor tanto do mundo invisível quanto do visível. Se no mundo vindouro a nossa vida espiritual será também física, habitando uma Terra restaurada, então aprender a cuidar deste planeta, das plantas, dos animais e do solo hoje é o nosso exercício mais importante. É o estágio probatório para a eternidade.



A Batalha Espiritual e a Redenção da Matéria

Nós sabemos que hoje enfrentamos a influência de forças espirituais da maldade que atuam no mundo. O inimigo de Deus odeia a Sua criação. Ele quer ver a terra devastada, os rios poluídos, as florestas derrubadas pela ganância e as famílias desconectadas da simplicidade da vida.

Mas também sabemos que há milhares de seres e pessoas do bem atuando na terra, lutando contra essas forças para preparar o caminho para o Novo Mundo. Como nós entramos nessa batalha? Fazendo discípulos concretos.

Quando plantamos uma árvore, quando construímos um lar de paz, quando ensinamos nossos netos a não derrubarem uma árvore sem necessidade, quando usamos a terra com racionalidade, estamos em guerra contra a cultura da morte e da destruição. Estamos dizendo ao universo: "Nós cremos na ressurreição, nós cremos na restauração, nós somos mordomos fiéis do Rei que está voltando".

O Legado do Exemplo

A verdadeira pedagogia cristã é a pedagogia do exemplo. O livro de Provérbios 22:6 nos instrui:

"Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele."

Como instruímos? Apenas falando? Não apenas isso, mas também. As crianças podem crescer, mas elas jamais esquecerão o que viram, o que cheiraram, o que tocaram e o que ouviram quando eram pequenas. A lembrança do exemplo sempre falará mais alto.

As sementes de memória que plantamos hoje, nas caminhadas pelas estradas de terra, nas conversas ao lado de um fogão caipira, na colheita de um fruto no quintal, virão a germinar. Elas falarão mais forte na formação do caráter deles. São essas memórias afetivas e espirituais que farão dos nossos netos mordomos fiéis, homens e mulheres que saberão cuidar bem da criação divina.

Não tem como acreditar no futuro se não prepararmos as crianças para ele. Elas precisarão viver esse futuro dia a dia, para que, quando chegar a hora delas instruírem os seus próprios filhos, elas tenham o desejo de também ser exemplos embasados nos exemplos que receberam de seus avós e pais.

Eu quero ver os meus netos, e todas as pessoas que minha vida pode influenciar agora, fazendo novos discípulos para cuidar do mundo que Deus criou para o homem. Eu vejo uma urgência enorme em fazer discípulos para este mundo, para esta realidade concreta, e não para um conceito abstrato onde as nossas ações físicas não significam nada.



Conclusão: A Palavra que Permanece

Quero dizer que a verdadeira colheita daquele sábado não foram apenas os mamões, mas a lenda, a sabedoria e o fôlego de vida compartilhados na beira da estrada. É por isso que escrevo, prego e publico. É por isso que faço questão de registrar todas essas palavras. Assim como Deus ordenou aos profetas que escrevessem as visões em tábuas para que pudessem ser lidas por gerações futuras, eu também deixo meu testemunho. O corpo físico tem seu tempo de validade nesta terra não redimida e eu posso partir a qualquer momento, mas a mensagem que Deus me deu, essa mensagem ficará.

Façamos discípulos ensinando-os a amar o Criador através do cuidado com a Criação. Vivamos de tal modo que, ao olharem para nossos quintais, para nossas casas e para a nossa família, as pessoas vejam um pequeno e vibrante ensaio da Nova Terra.

Que o Senhor nos abençoe e nos dê sabedoria para jardinar o pedaço de terra que nos foi confiado, seja no vasto campo ou na beirada de um muro, e que Ele nos conceda a graça de deixarmos um legado inesquecível de amor, trabalho e fé para as gerações que hão de herdar a Terra.

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.


Fazendo Discípulos para a Nova Terra

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