sábado, julho 08, 2017

Passeio na Cachoeira do Porto

Foi uma linda tarde de sábado. Bastante sol e pouco frio. Uma tarde maravilhosa para um banho de cachoeira. E tomada a decisão, combinamos de sair ali por volta das duas da tarde. Vovó Lurdes ficou encarregada de tudo que se precisaria levar, porque ela é uma pessoa extraordinária para essas funções. Não esquece nada. Aí ela preparou o lanche, um bolo delicioso, suco e refrigerantes.

E lá fomos nós pela estrada afora esperando obter uma tarde show de bola. E realmente valeu a pena, porque o lugar é espetacular.

A estrada vai até bem perto da cachoeira. Atualmente, o seu José Porto, proprietário do sítio está cobrando R$ 5,00 por pessoa para a entrada, mas vale a pena.

E fomos até a primeira cachoeira. Ficamos deslumbrado diante de tanta beleza. Esse poço é muito fundo Não dá para ver o fundo. É bom para nadar, mas é melhor banhar nos lugares rasos.

Há muitas piscinas naturais. Os caldeirões. É uma delícia banhar dentro deles. A água forma uma espuma linda. Dá vontade de ficar ali o tempo todo.
E foi o que nós fizemos. E então descemos até a segunda cachoeira. Meu Deus, que coisa linda! É espetacular!
Brincamos. Fizemos a festa. Você fica sem palavras diante daquele monumento da natureza. Não resisti. Fiz uma oração a Deus agradecendo por nos presentear com aquela visão panorâmica que ainda não tinha visto em Poxoréu. Também pedi a proteção, porque o lugar não deixa de ser perigoso.
Com a companhia ideal, tivemos que ensaiar um momento love para marca a visita. Amei a cachoeira e também a companhia de Vovó Lurdes, minha amada goiana.
Capitão Davi gostou demais, ainda que tenha reclamado da água fria. Mas essa que é a água boa. Banhamos. Tiramos mil fotos. Nunca vamos esquecer desse lugar.

Ficamos enquanto tinha sol. E voltamos para casa agradecidos. Foi uma tarde daquelas. Obrigado, Senhor.

Um novo Acampamento

O dia sempre começa muito cedo quando Capitão Davi está em Poxoréu. Há tanta coisa para se fazer. Tantos cantos e recantos para se explorar. Não há tempo a perder.

Levantei bem cedo, com as galinhas fazendo a festa ao redor da barraca onde acampamos para amanhecer hoje. Pena Rocha cantava com efusiva alegria. À sua moda, dizia: Quem manda no terreiro é o galo! Não adianta montar essas barracas em meu território. Aqui é o Reino de Pena Rocha, filho do famoso Crista Vermelha.

Fui molhar as plantas enquanto Capitão e sua turma se preparava para mais um dia de aventuras. Tiadriano me acompanhou nos trabalhos matinais. Enquanto eu molhava um pé de planta aqui, outro pé de planta ali, eu ia mostrando para ele a variedade de espécies vegetais que temos na Mata do Vô: abóboras, batata-doce, muitas guarirobas, pupunhas, bananeiras, abacaxis, entre tantas outras. Tenho grande satisfação de falar de minhas plantinhas. Cada uma é muito especial e tem a sua história. E quando conto a história delas eu também vou compondo a minha. E de uma coisa não tenho dúvidas. Eu gosto muito de cuidar de minhas plantinhas.

Mas ainda nem começara direito e eis que surge o valente e intrépido explorador da Mata do Vô. Capitão chegou entusiasmado e foi direto para o primeiro Acampamento que ele e Kaká começara a construir ontem.

Ele queria acabar o serviço. E lá se foi o moço, arregaçando as mangas do pijama e mandando ver.

Fez o que pode, mas não estava muito entusiasmado sozinho. E aí foi atrás de Kaká. Aí, sim. Fizeram e aconteceram. Muitas melhorias e reformas no velho Acampamento que se tornou novo. Até cadeiras eles levaram para se sentar.

Levei a água para as brincadeiras. Eles gostaram muito. E assim foi a manhã desse segundo dia das férias de julho de 2017.

Só paramos, porque Vovó Lurdes chamou: o almoço está na mesa.

E corremos para nos lavar e comer as delícias que ela fez para nós: arroz com galinha, gueroba e pequi. Uma deliciosa comida goiana. Todos gostamos demais.
À tarde vamos à Cachoeira do Porto, um local em que ainda não estive, mas que me foi bastante recomendado, como sendo uma das mais belas cachoeiras de Poxoréu.

Acampamento na Mata do Vô

Capitão Davi chegou hoje à tarde em Poxoréu. Estávamos com mútua e intensa saudade. Nosso abraço foi renovado com ardor. Ele me apertou com força. Não disse nada. Não precisava. Não tive dúvidas de sua mensagem. Compreendi cada letra de todas as palavras que não foram ditas. Tive que controlar meus impulsos para não chorar de emoção. A maior alegria de um avô é ser amado pelos seus netos. E isso é coisa que não tem faltado entre Capitão e eu.
Ele veio com Tiadalva, Tiadriano e suas primas Bel e Kaká. E tão logo chegou já correu a fazer o reconhecimento de seu território, de seus brinquedos. E com a mesma pressa foi esparramando tudo pela área. E brincou bastante. Ele e Kaká fizeram a festa.

E aí fomos para a Mata ver as novidades. E ele ia na frente mostrando tudo para Kaká, como se sempre estivesse vivido aqui. Como me sinto bem ao ver essa manifestação de intimidade com a Mata do Vô.
E fomos parar lá no fundão, sob a sombra acolhedora de um velho cajueiro, cujos cajus são muito doces e cuja florada promete muitas frutas para os próximos meses.
E lá eles brincaram até começar a escurecer. Capitão disse que o Acamámento deles era muito legal. Eu limpei a área, cortei folhas de gueroba para que eles forrassem o chão. Foi muito bacana vê-los desenvolvendo aquela aventura de acampamento. E foi então que tomei a decisão e lhe pergumtei: Você quer acampar essa noite aqui na Mata? E dá para imaginar a alegria dele. Saiu correndo para dizer as novidades para todo mundo. E assim começamos mais uma aventura: o primeiro acampamento na Mata do Vô, embaixo da velha Mangueira.
Isso é que foi uma festa das boas. Enquanto fui na escola, Tiadriano ficou providenciando a lenha para a fogueira. Acampamento tem que ter fogueira,
E quando voltei a festa já tinha começado. Tiricardo também chegou e tomou conta do churrasco. Vovó Lurdes cozinhou a mandioca, fez o arroz e o vinagrete. E a fogueira já estava crepitando.
E então foi só animação. Cantamos para a linda cheia o "Luar do Sertão" que estava demais de lindo. Capitão e Kaká também cantaram as músicas que aprenderam este ano.
E então jantamos em volta da fogueira. Um churrasco para lá de especial, Foi maravilhoso. A carne estava no ponto. Comemos até lamber os beiços. Delícia!
E aí cantamos mais até que o pessoal foi indo dormir. Estavam cansados. Afinal, viajaram quase oitocentos quilômetros para estar hoje conosco. Mas nossa aventura ainda não tinha acabado. Pelo contrário, só estava começando, pois íamos passar a noite na Mata.
As barracas á estavam armadas e eles foram se acomodando. Mas decidi ficar mais um pouco e conversar com a lua enquanto tivesse fogo na fogueira.
Tiricardo ficou comigo ao pé da fogueira. E contamos algumas histórias. Foi uma experiência maravilhosa poder estar com meu caçula ali naquela aventura.
Mas agora também vou dormir. O galo acabou de cantar a primeira vez nessa madrugada de Acampamento na Mata do Vô. O fogo já está quase apagando, Acho que vai ser difícil esquecer esse dia.
Seja benvindo, Capitão Davi. A casa estava sentindo a sua ausência e agora tudo voltará a sorrir de novo. Vou dormir e sonhar com nossas aventuras nessas férias. Vamos aproveitar o máximo, porque o tempo passa e a gente só leva daqui o que consegue aproveitar.

sexta-feira, janeiro 27, 2017

Dia de Lourdes

Dia de Lourdes
Família Andrade

Hoje é o teu dia, minha linda!
O dia em que você veio ao mundo
Trazendo alegrias para a família Andrade.
Papai Tião e mamãe Gasparina
Tinham como seu sonho mais profundo
Ter uma filha em sua mocidade.

E então, o sonho de seus pais se realizou
Com a chegada de sua primeira menina,
Morena clara, cabelos pretos, bela, um céu!
E que ao nascer, levou um tapinha e chorou,
Diante de todos que aguardavam a sua vinda
E que sorriram alegres pelo choro seu.

Porque não era um choro de tristeza.
Você chorava pela alegria de ter nascido,
De ter sido amavelmente desejada.
Você seria Maria de Lourdes, a lindeza
De papai e mamãe; o tesouro mais querido
Que a esmeralda goiana cobiçada!
 
E o tempo passou! E você, Lourdes, cresceu.
Tornou-se, entre todas, a mais linda mulher
Que eu já conheci neste mundo de Deus.
Foi por você que meu coração se rendeu
Desde que soube que você queria me ter
Como amado para os beijos seus.
 
O recado alvissareiro veio por Zezé,
De suas primas, com certeza, a mais chegada,
Minha amiga daqueles tempos de escola:
__ Tenho um recado, você quer saber o que é?
__ Claro! Desde que não seja uma “pegada”.
__ Eu tenho uma prima que está te dando bola!

__ O que? Sua prima gosta de mim? Qual prima?
Passei em breve revista, a sua família inteira
E não encontrei você, oh bela morena
Que um dia me poria a fazer rimas,
Por ser menina faceira e minha primeira
E única mulher, que para viver, valesse a pena!
 
E então nos conhecemos, namoramos,
Nos apaixonamos e nos casamos, enfim,
Depois de mil anos de namoro.
E tenho vivido ao seu lado, em todos esses anos
Como homem que na vida encontrou seu fim,
Pois minha riqueza e você, minha linda, meu tesouro!

Feliz aniversário! Parabéns por toda a sua vida!
Que Deus te dê saúde, paciência e tolerância
Para me aguentar como marido ao seu lado
De hoje e sempre, até o dia de nossa partida
Para o lugar que Ele preparou-nos desde a infância
Para vivermos sempre, eternos, juntos e irmanados.

Poxoréu, MT, 27 de janeiro de 2017.

Izaias Resplandes

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Alô, Alô Pé da Serra

Izaias e Waldomiro na Fazenda da Mata, no Pé da Serra

Alô, alô Pé da Serra
Município de Torixoréu, MT.
Izaias Resplandes, filho dessa terra,
Avisa que não precisa alvoroço,
Que está bem e que agora no fim do mês
Voltará para casa outra vez.

Também avisa ao povo de seu avô
Que já não aguenta mais de saudade,
Que sente no peito uma grande dor
E que não quer mais ficar na cidade.
Que é na fazenda que quer morar
E com seu povo é que quer estar.

Pede a quem ouvir
O favor de comunicar
Que lugar bom como esse aí,
Nem aqui, nem em qualquer lugar.
Manda a todos um abraço de coração,
Com carinho, ternura e gratidão!

Poxoréu, MT, 26/01/2017

Izaias Resplandes

segunda-feira, janeiro 16, 2017

A brincadeira do caracol


A brincadeira do caracol 

Vovô está com saudade 
De brincar com seu netinho.
O brincar não tem idade,
Só precisa de carinho! 

E aí, meu garotinho:
Vamos brincar o cacaracol!
_ Vamos sim, vovozinho.
Mas, como é que se binca o caracol?

Para brincar o caracol
Tem que saber fazer curva. 
E ele é bom para os dias de sol 
E também nos dias de chuva. 

Primeiro faça o desenho circular
Das várias casas, do céu até a primeira,
Onde cada um, com empenho irá,
Pulando de pé em pé, a brincadeira. 

Se você for ao céu e voltar
Sem pisar nas riscas em qualquer lugar,
Uma casa, como sua, poderá marcar
E nas outras vezes, nela descansar. 

E assim, um por vez, todos vão pulando
Até as casas serem todas conquistadas.
E nessa brincadeira sairá ganhando 
Aquele que tiver mais casas marcadas.

Izaias Resplandes

quarta-feira, janeiro 04, 2017

A hora do Ó

A hora do Ó

Izaias Resplandes

“Davi, o ponteiro pequeno já passou em cima do X faz tempo. Está na hora! Vamos pra cama, meu filho”, disse Vovó Lourdes.
“Ah, vovó!  Só mais um pouquinho. Deixa eu ficar acordado só mais um pouquinho”, respondeu Davi meio acordado, meio dormindo.
“Está bem, mas só até a vovó fazer o seu mamá”. E lá se foi para a cozinha, enquanto seu avô Bigodão, escutando tudo, pensava muito preocupado.
Ainda que estivessem vendo o filme “Imagine Só”, que era muito legal, já estava quase na hora do Ó e todos na sala já estavam cochilando fazia um tempão, pois não queriam estar acordados quando ela chegasse. A bisavó Maria chega roncava de fazer tremer os bigodes: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... Seu ronco a cada tique-taque aumentava o tanto de Ó.
Naquela hora Bigodão deu uma olhada no relógio da parede para ver as horas. E entre as vozes do filme e os roncos da bisavó dava bem para ouvir a voz do relógio dizendo que já se aproximava a terrível e temida hora do Ó.
Tique-taque, tique-taque, tique-taque... Faltavam vinte vezes sessenta tique-taques para iniciar o quarto dia do ano primeiro que vem depois dos quatro primeiros bissextos do século vinte e um. Contei nos dedos, fiz a conta, mas o roncar da bisavó me fez errar.
Levantei. Fui até a janela e olhei o tempo. Ouvi um trovão: TROÃO-VÃO-VRÃO-VRÃO-TROAO-VRÃO...  O céu estava coberto por um véu mais negro que o negro da noite sem lua. Vi que também não havia mais ninguém na rua. Todos tinham ido dormir há muitos tique-taques atrás. Ninguém queria estar acordado quando chegasse a hora do Ó.
Capitão Davi sempre soubera o quanto a hora do Ó era perigosa. Desde os tempos em que ele e Bigodão exploravam a Mata do Vô, que ele aprendeu que criança naquela casa deveria dormir cedo, antes que chegasse a hora do Ó, a hora do pega pra cantá. Vovô Bigodão sempre lhe dizia para tomar muito cuidado, porque quando chegasse a hora do Ó, ele não deixaria ninguém escapar e pegaria todo mundo que estivesse acordado para cantar com ele o terrível canto do Ó, em muitas e diferentes línguas, até não poder mais cantar e cair no sono de cantaço, o cansaço de tanto cantar.
Na verdade, todo mundo lá gostava de cantar. Na hora do almoço cantavam: “AO SENHOR AGRADECEMOS, ALELUIA! O ALIMENTO QUE TEREMOS, ALELUIA!”   Também cantavam na hora da janta e em muitas outras horas. E todo mundo achava legal. O problema era cantar na hora do Ó, porque a música que Bigodão inventava na hora era uma música comprida e sem graça e que não acabava nunca, pois após se cantar em uma língua, ele chamava para cantar em outra língua e outra língua e outra... Aí ninguém conseguia dormir tão cedo, porque aquele Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró não saía mais da cabeça. E quando a gente dormia, acabava sonhando com o canto e acordando de novo. Era muito terrível!
 E o vovô Bigodão começava:
Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

Agora vocês. Vamos lá. Bis!!!

Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

 Agora é o canto do POCOTÓ!
Vamos cantar, ó bisavó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar Vovó, Vovó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.

Mais uma vez.... E assim prosseguia, inventando outras rimas esquisitas com o Ó, desafiando os acordados para repetir o verso do Ó que acabara de ser inventado. 

E a partir de agora essa vai ser a história do Ó, que afinal não tinha nada de mais, pois era apenas isso só.

Oh, outro Ó! Então vamos cantar: E ERA APENAS ISSO SÓ!
Vamos cantar, ó Bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ- PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar, Vovó, Vovó: QUE ERA APENAS ISSO SÓ!


Aí encerrava o Vovô, dando um Boa Noite para todos. Mas ninguém mais respondia. Todos imitavam a bisavó: ROOOM, ROOOOM, ROOOOOM... E se alguém que até então não dormira de verdade, também a imitava até que dormisse, sonhando com aquele terrível canto do Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

  Fazendo Discípulos para a Nova Terra Graça e paz aos meus irmãos e irmãs. Hoje, trago uma reflexão que nasceu não apenas da leit...