quinta-feira, agosto 14, 2014

Um Convite Especial

Bom dia, caminhante...

Tenho a grata satisfação de dizer que Deus me concedeu a graça de aprender um pouco mais de seus mistérios revelados nas páginas de seu grande livro "A Natureza". Fiz um resumo desse aprendizado na mensagem "Aprendendo pela Observação", a qual, com maior satisfação ainda compartilho com você.

"Aprendendo pela Observação" poderá ser ouvida durante todo esse mês de agosto, a partir desse sábado (16/08/2014), às 14 horas( Horário de Brasília ), na Rádio Gospel Cristão, nos seguintes endereços:

Endereço do Portal: www.gospelcristao.com.br

Endereço direto da Rádio: http://www.gospelcristao.com.br/radio.htm    (24 horas).


A mensagem "Aprendendo pela Observação" também poderá ser ouvida HOJE na Rádio Neo Duque Pantanal, de Corumbá, MS, às 15:00 horas e às 19:00 horas, a qual poderá ser acessada no seguinte endereço:

http://neoduquepantanal.wix.com/ndpms

Caso prefira ler a mensagem, poderá fazê-lo no seguinte endereço:

http://www.umnt.blogspot.com.br/2014/08/aprendendo-pela-observacao.html

Caso você tenha ouvido ou lido a mensagem "Aprendendo pela Observação", de minha autoria e queira fazer-me alguma observação ou pergunta, fique à vontade para mandar-me sua comunicação através de meu e-mail: respland@gmail.com

Abraço e até uma outra oportunidade.

Prof. Izaias Resplandes de Sousa 


domingo, agosto 10, 2014

Em busca de mamãe

Em 1977, meu irmão Antônio Resplandes e eu viemos de Goiás, onde residíamos com nosso pai Marcelino Sousa, para Mato Grosso. Viemos à procura de nossa mãe Maria Resplandes. Pensávamos que ela morava em Rondonópolis, pois eu a tinha visitado em julho de 1976, quando então ela morava naquela localidade, em uma fazenda de nome "Fazenda A Jato". Mas ela mudara para algum lugar depois do Rio das Mortes, conhecido como Corgão e que,  atualmente, é território do município de Santo Antônio do Leste.
O nosso dinheiro estava acabando. Não dava para comprar passagens para seguirmos em frente. Então decidimos ir para o Corgão a pé. Pelas informações que recebemos na Igreja Neotestamentária de Rondonópolis, da qual a minha mãe fazia parte, deveríamos ir até a cidade de Poxoréu e depois prosseguir em direção ao Rio das Mortes, passando pelo atual município de Primavera do Leste, o qual naquela época contava com apenas um posto de combustível. É o Posto Barril, que ainda existe até hoje.

E aí então pegamos a estrada. Compramos um pão e algumas balas doces. Mais ou menos na metade da estrada entre Rondonópolis e Poxoréu, conseguimos uma carona que nos deixou na cidade de Poxoréu. Ali, tínhamos que obter informações sobre como prosseguir. Deveríamos perguntar pelo Senhor João Poxoréu, no bar Pinga no Coco, que ficava no centro da cidade. Acredito que seja no lugar onde hoje está a loja “A Pecuarista”. 

quinta-feira, agosto 07, 2014

Bacuriesia Poxorense


FÉRIAS DE JULHO
IV
BACURIESIA POXORENSE

Izaias Resplandes

A gente vive no meio de tanto corre-corre que não é capaz de ver a maioria das belas coisas que Deus fez ao nosso redor. Nessas férias de julho eu tive a oportunidade de parar um pouco em minha corrida e caminhar em passos mais lentos com algumas pessoas muito especiais para mim e que imagino não ter dado a atenção devida. Foi aí que eu vi a Bacuriesia Poxorense!
Mas antes de falar da Bacuriesia, deixe-me lembrar um pouco de algumas dessas pessoas que eu vi e que não poderia ter deixado de ter visto, porque elas são os patriarcas e matriarcas de minha família.
E então, deixa eu falar um pouco deles...
Izaias Resplandes de Sousa e João Berocan de Sousa
Vou começar lá pelo Pouso Alto, onde eu encontrei Tiberó. Ele é um dos irmãos de meu pai. É mais velho que o carreiro Marcelino. Seu Marcelo nasceu em 1937, logo depois de Tiberó, que nasceu em 1935, embora nos documentos, os dois tenham nascido em 1935, com diferença de dias. É que naquela época se registravam as pessoas no período de eleições, para se ter mais votos na família e poder exigir mais compromisso dos candidatos com aquele interiorzão onde vivíamos, encravado lá no Pé da Serra da Irara, a duas léguas do velho Pouso Alto, onde dizem que os antigos boiadeiros, depois de darem de beber aos seus bois da água gelada do Marruais, os colocavam para adormecer e descansar das longas e poeirentas jornadas que faziam, de fazenda, em fazenda Mato Grosso afora.
Tio João Berocan de Sousa (TIBERÓ) e sua esposa Tesilda Pereira de Sousa (TITEZILDA)
Tiberó já está cansado de trabalhar. Ele não quer mais saber de correrias pra cá e pra lá. Ficou viúvo de Titezilda, sua companheira de nem sei quantos anos. Sei que quando eu nasci, Titezilda já era a mulher de Tiberó. E nós gostávamos de ir passear na casa dela, porque lá sempre saía alguma coisa boa pra gente comer. Era a maneira dela nos agradar e que agradava mesmo. Nas minhas mais gostosas lembranças de Titezilda sempre estamos pertos do fogão de lenha, em sua cozinha.
Titezilda também gostava de plantar uma hortona, com muitos tipos de plantas. Mas o seu carro-chefe era o coentro, o alho e a cebolinha branca. Todo ano ela colhia litros de sementes de coentro para plantar no ano seguinte. E fazia réstias e mais réstias de alho e cebola. Acho que ganhava muito dinheiro naquele serviço, mas também pode ser que não.
Dinheiro, nos meus tempos de menino, valia muito. Eu me lembro que com uma moeda eu enchia os bolsos de caramelo nos bolichos que haviam por aquela redondeza. Havia o  bolicho do Mané Bizuta, o bolicho do Tirani e muitos outros. Inclusive, meu pai também tocou um bolicho por muito tempo, tanto lá na fazenda do Pé da Serra, quanto lá no Pouso Alto.
Iraildes Pereira de Sousa (filha de Tiberó)

Bom, mas eu estava falando do Tiberó... Pois é... Encontrei o meu velho tio de 79 anos passando uns dias lá no Pouso Alto, na casa de sua filha Iraildes. Foi um encontro bom demais. Eu não me lembro de já ter caminhado algum dia com Tiberó. Mas naquele dia nós caminhamos, falamos até escumar o canto da boca... Tiberó disse que eu era um “Sousa” mesmo, porque os Sousas é que tem essa mania de conversar ser parar. Eles nem terminam um assunto e já vão passando pra outro e não param... Sorri gostoso.

Izaias Resplandes na Cachoeira da Cabeceira Alta (Fazenda do Zé do Odilo)
É! Acho que nós somos bem falantes mesmo, assim como diz o Tiberó. E então, como eu disse antes, nós passeamos pelas casas de alguns de meus primos... Até numa cachoeira linda que tem lá na casa do primo Zé de Odilo, nós fomos. Tiramos fotos, comentamos a beleza do lugar... Foi demais. É claro que eu aproveitei para tomar um belo banho naquelas águas frias que só vendo.


Tia Leidomar Martins de Sousa

Depois eu vi Tialeide. Ela é da segunda geração dos irmãos de meu pai. Vovô Tunico se casou por duas vezes. Primeiro, com minha vó Maria, com a qual teve Tikiló, Tijosias, Tirani, Timarina, Tiberó, o Timarcelo – que é meu pai, o Tiodilo, a Tipaulina e a Tizulmira. Nove filhos. Depois que minha vó morreu, ele se casou com Dona Loriana. Com ela, vovô teve o Tieriovaldo, a Tialeide, o Tieriovan, o Tiluciano, o Ticarlinhos e a Tiáguida. Eles ainda tiveram uns gêmeos que nasceram e morreram em poucos dias. De forma que só estou contando os seis que viveram mais, pois os outros eu nem conheci. Então vovô Tunico teve quinze filhos, contando das duas mulheres. Dezessete com o Timarçal e a tia Maria Joana, que o vovô também criou como seus filhos. O Timarçal era filho da Tikló com o Tialfredo, o primeiro marido dela. E a tia Maria Joana era uma filha que a Vó Loriana já tinha quando casou com Vô Tunico.
Tia Leidiomar Martins de Sousa, na beira da bica que abastece a piscina, antigo calabouço
Tialeide é mais nova do que eu, mas também já está cansada daquela lida dura da fazenda. Tem vontade de mudar pra cidade, principalmente agora que os filhos todos já estão lá. Acho que vai acabar mudando. Mas, enquanto esse dia não chega, ela continua ali na Fazenda da Mata, na casa onde nasceram a maioria dos filhos e muitos dos netos de vovô Tunico. Eu mesmo nasci ali, naquela velha fazenda, a qual, para mim é e sempre será o lugar que e mais lindo do mundo.
Minha esposa Maria de Lourdes Resplandes, Tia Leidomar e Tio Osvaldo, seu esposo
Tialeide não nega nenhum sorriso quando nos vê. Ela nem precisaria dizer muita coisa. Só o seu sorriso já valeriam as férias. Mas ela é muito atenciosa. Veja que nós chegamos tarde da noite lá na casa dela, mas ela estava nos esperando pra jantar. Eu tinha falado que ia pousar lá e então ela fez uma janta para nos esperar. Essa é a Tialeide.
Sede da Fazenda da Mata, onde nasci e que hoje pertence à Tia Leidomar e Tio Osvaldo
Ficamos até bem tarde da noite conversando e falando da família. Vimos fotos. Lembramo-nos de muitas coisas boas. No outro dia cedo caminhamos mais um pouco ali por perto da casa, onde ela me mostrou sua horta bem cuidada e outras plantações. O prazer de alguém que mora na roça é mostrar suas plantas. Aproveitei aquela hora para dar uma olhada no chiqueiro e ver os porcos do Tiosvaldo, marido de Tialeide. Tinha dois “capadão” bem bonitos lá no chiqueiro. Logo, logo algum deles vai cair na faca. Essa é uma das coisas boas da fazenda. Lá pode até faltar aquelas novidades da cidade, mas sem carne a gente não fica. É carne de porco, carne de galinha, carne de gado, carne de caça, peixe... Isso tudo a gente sempre tem lá na fazenda, com fartura. Não vou dizer peixe grande, mas umas piabas a gente sempre consegue pescar ali naqueles córregos. Eu me lembro de que uma vez eu pesquei uma piaba com um anzol sem isca. Eu ia passando perto de um poço que tinha na grota do Tiberó, quando ia lá pra casa de meu pai, vindo da fazenda de meu avô. Então joguei o anzol no poço, apenas por jogar. E foi aí que senti a mordida. Fisguei! E lá estava a bitela. Ré-ré-ré... Vocês estão pensando que é só pescador de cidade que tem dessas histórias. Nós também pescávamos lá na fazenda... Eu tive até um primo, que já morreu, que ficou conhecido como “Piaba”, de tanto que ele gostava de pescar. Era o Valdeson da Timarina, irmão do Beraldo e do Toim. Eu gostava muito dele. Pescamos juntos algumas vezes lá em Alto Araguaia, quando eu fiquei morando na casa deles para estudar. Também tenho boas lembranças daquele tempo ali. Talvez algum dia eu conte essas histórias.
Primo Rafael Rodrigues de Sousa e seu pai, Tio Eriovaldo Martins de Sousa
Bem, depois que eu sai da Tialeide, fui passear lá no Tieriovaldo, na Fazenda Sucuri, que pertence à Tia e Dorcilene e suas filhas. É Tieriovaldo que cuida da fazenda. São mais de duas mil hectares. Eles construíram ali uma casa nova e bonita, mas o que me chamou mesmo a atenção foi a velha casa do Tilazo Ambrozo e da Dona Ana, os pais de minha madrastra Maria Cândida, segunda mulher de meu pai.
A velha casa dos Ambrosos ainda está de pé e ainda é testemunha das tantas histórias vividas ali naquele lugar. Dona Ana é filha de tia Carolina, irmã de minha bisavó Maria Cará, a esposa de meu bisavô João Carrijo de Sousa, conhecido como João Bem. Bisavô João Bem é irmão de Bisavô Jerônimo, pai de padrinho Tunico, meu avô.
Eu sei que estive algumas vezes na Fazenda Sucuri, mas não me recordei de nada naquele lugar. Mas nem por isso deixei de apreciar a beleza daquelas paisagens. Dediquei atenção especial à cerca de pedra canga que foi feita em volta da sede da fazenda. Ficou muito boa. É uma cerca para muitos anos. O chiqueiro, onde havia belos capados, também fora feito com pedra canga. Gostei de ver o aproveitamento da matéria prima da região. O material de construção ali sempre foi difícil de conseguir. Me lembro que nos meus tempos de menino, tinha a olaria do Leopoldino, um de meus primos, filho da tia Verginia, irmão de meus bisavós João Bem e Jerônimo Sousa, tia de padrinho Tunico Sousa. Naquela olaria o Leopoldino e seus filhos fabricavam tijolos e telhas para toda aquela região.
Há uma linda represa lá na Fazenda Sucuri. Local para belas fotos, que apressei em aproveitar. Quem sabe quando vou ter uma outra oportunidade de estar lá.
Depois do almoço, pegamos a estrada para Torixoréu, a sede do Município, onde Tiáguida nos esperava com os filhos Renan e Layla para assistirmos o jogo entre Brasil e Chile. Acho que foi o jogo pelo qual eu mais torci em toda a minha vida. E nós ganhamos, embora tivemos que por à prova, nos pênaltis, o goleirão Júlio César, que foi dormir como herói nacional naquele dia.
Escrevendo sobre a partida, o Portal UOL registrou o seguinte: “A seleção brasileira teve sua primeira prova de fogo na Copa do Mundo. E passou raspando. Dominada na maior parte do jogo, sofreu demais diante do antigo 'freguês' Chile e empatou por 1 a 1 no tempo normal. Nos pênaltis, porém, brilhou a estrela de Júlio César. O goleiro defendeu duas cobranças, salvou o Brasil de uma eliminação precoce e classificou os anfitriões para as quartas de final”.
(Disponível em: http://copadomundo.uol.com.br/noticias/redacao/2014/06/28/julio-cesar-brilha-nos-penaltis-e-brasil-elimina-chile-em-jogo-dramatico.htm>. Acesso em: 07 ago. 2014).
Passei o dia em Torixoréu, limpando as vistas nas belas praias de nosso querido rio Araguaia. Mas isso já é história para outro dia, pois ainda tenho que falar pelo menos um pouquinho da bacuresia poxorense, que me inspirou nestas lembranças.
* * *
No princípio, eu disse que nas férias de julho deste ano eu consegui fazer uma parada em minhas correrias. Sim, de fato foi assim. E então pude ver em volta de mim, a enorme quantidade de coisas tão belas que Deus criou e colocou em minha volta.
Eu já tinha visto que Deus fizera de minha vida um jardim, um jardim muito especial, cheio de flores de todas as cores e odores. E até essas férias, eu achava que estava bom demais assim. Mas a partir desse julho momento, em que pude apreciar toda a riqueza dos detalhes de cada uma das flores do jardim de minha vida, eu vi que nenhuma delas, por mais especial que fosse, era igual à flor que encontrei e apreciei de fato, em todos os detalhes durante todo esse mês de julho de 2014 e que mostrei para todo o mundo em muitas e muitas fotos que postei na internet.
A flor a que me refiro é belíssima. Eu já a tinho visto várias vezes, mas não com essas cores, com esses odores. A minha flor de julho era diferente de todas as outras. Era uma flor tal, que não me lembro de já tê-la encontrado antes com essa formatação. E depois de vê-la, eu entendi que, sendo assim tão maravilhosa, ninguém pode deixar de cultivá-la no seu "Jardim Secreto", como diz meu amigo Osmar do Nascimento, um incorrigível poeta amante das flores.
Eu sei que como eu, a maioria das pessoas estão sem tempo, por causa dessa grande competição promovida pela nossa sociedade capitalista, que acaba envolvendo a todos nós. Eu também sei que todos querem vencer, subir ao podium e receber uma medalha de ouro ou de prata. Certa vez eu até falei dessa corrida, lembrando que ninguém quer mesmo uma medalha de bronze. Ou é ouro, ou é prata, ou não é nada. Eu já acrescentei algumas ideias nesse pensamento tão capitalista e que irei compartilhando pela estrada afora, enquanto a gente vai caminhando. Mas por ora, o que eu gostaria mesmo de dizer a você é que tire alguns minutos de cada um de seus dias para cultivar a mais linda e perfumada de todas as flores que cada um de nós deve cultivar em seu Jardim Secreto: a nossa família.
Para mim, a minha família hoje ainda mais linda que essa bacuriesia poxorense que desabrochou em um dos cantinhos da “Mata do Vô” do Davi, na cidade de Poxoréu, Brasil. Desejo que a sua também seja assim.

Que Deus nos abençoe! Boa noite a todos.

quarta-feira, julho 30, 2014

Meus irmãos




quinta-feira, julho 24, 2014

A TEORIA DA EDUCAÇÃO NIVELADA POR CIMA



FÉRIAS DE JULHO

III
A teoria da educação nivelada por cima

Izaias Resplandes de Sousa, pedagogo, professor de Matemática e advogado militante em Mato Grosso.

“A educação vai mal”. Esse é o eco que se ouve nesse Brasil cada vez mais recheado de gente por todos os lados. De gente, de carros, de lixo e de miseráveis gentalhas, pessoas que estão se mantendo vivas abaixo da linha das gentes, em condições subumanas. E no eco dos ecos se ouve muito que “o culpado” disso tudo é o professor, categoria em que me encaixo.
É de ver que não resisto à boa crítica. Sou a favor das avaliações de meu desempenho enquanto professor. Aliás, faço sempre o meu ato pessoal de contrição no que se refere à minha atuação. Reconheço a minha culpa em muitas de minhas ações que não deram certo e em tantas omissões e covardias, por ter amarelado e sequer tentado em outras tantas situações. Repito que aceito a crítica e que também faço a autocrítica. Mas, discuto a mera crítica pela crítica, que não aponta uma eventual solução para os nossos dramas de incompetência profissional. Criticar sem mostrar pelo menos uma idéia de como resolver o problema, ao meu juízo é pura abobrinha chocha inapreciável. Pelo direito de falar e de ouvir, eu escuto, às vezes discuto, mas na maioria dos casos deixo que entre por um ouvido e saia pelo outro, ou então, para não me arrepender mais tarde, que se arquive na lixeira recuperável, para o caso de poder ser utilizada algum dia, se de alguma forma se tornar apreciável.
Sim, é possível que a educação vá mal. O que precisaríamos descobrir, para servir como parâmetro é quando foi que ela esteve bem, se é que algum dia ela tenha sido boa. E olhe que isso não é desabafo de professor inútil e incompetente, que talvez seja o que eu seja. Não! Isso é autocrítica. Isso é uma conversa comigo mesmo, numa tentativa de dialogar com alguém na busca de uma solução que produza a tão cobiçada educação de qualidade.
Sabemos que toda regra tem exceção e que no meio dessa multidão que simplesmente prossegue, “tocando em frente” como diz o Almir Sater, como uma “Maria que vai com as outras” ou como boi e vaca em estouro de boiada, existem aqueles que pensam e agem de forma a fazer a diferença. Tenho defendido a nivelação do ensino de qualidade por estes, valorizando o seu esforço para ultrapassar as linhas da média, porque acredito que serão eles que realmente farão a diferença em prol de todos nós, que simplesmente choramos, lamentando o fato de que “Inês já é morta”, mas nada fazemos para que nós e as demais Inezes, também não sucumbam ao mesmo desatino cruel, por conta da falta de respostas reparadoras.
Eu cogito que, proporcionalmente falando, a educação formal, aquela ministrada em escolas, continua mantendo os mesmos índices de aproveitamento de todos os tempos, ou seja, pouco mais que nada. De igual forma, cogito também que as pessoas que têm se destacado no aprendizado escolar de alguma arte do saber e proporcionado alguns avanços para os nossos males de progresso e desenvolvimento são exatamente aquelas que bem pouco necessitaram de seus mestres para adquirirem os fundamentos básicos de sua formação. Elas já chegavam na escola com essa base pronta. E, justamente por isso, podiam exigir deles uma orientação mais especializada, o que lhes possibilitavam avançar sempre, enquanto seus demais colegas de classe patinavam nas recuperações e provas de vexames finais para conseguirem passar de ano.
Ao propor a nivelação do trabalho educacional por cima da média e não por baixo, como se costuma fazer em nossos dias, não estou pensando como Hitler e seu grande apego pela raça ariana, que considerava superior às demais e que, por conseguinte seriam as que deviam sobreviver, enquanto que as demais, como os judeus, por exemplo, deveriam ser eliminadas. Não estou querendo eliminar ninguém , tampouco ressuscitar teorias de controle do crescimento populacional como as Malthus que recomendava “a sujeição moral de retardar o casamento, a prática da castidade antes do casamento e que se tivesse apenas o número de filhos que se pudesse sustentar”. Pelo contrário...
Meu desejo e minha eterna busca são no sentido de salvar a todos, até
que consigamos encher, não apenas o planeta Terra, mas sim, todo o universo, como determinou o Deus criacionista, no qual eu creio, quando criou o primeiro casal de humanos: crescei, multiplicai e enchei a terra. Cogito que, em um futuro bem distante, talvez tenhamos que pensar em controle de natalidade, mas não por hora, quando ainda imaginamos a existência de tantos e tantos planetas desabitados por esse universo afora.
No compasso da Teoria da Nivelação Por Cima da Média que ora defendo, proponho que se faça em favor de todos, apenas a chamada educação básica, com critérios rígidos de progressão, para que se dêem oportunidades de reação às mentes presentes no processo formativo, no intuito de buscarem ser selecionadas para a fase seguinte.  Somente os melhores deverão ser promovidos de fase, de série ou de ano como se costuma denominar o progresso no ensino formal. A reprovação será benéfica, pois fará com que o indivíduo busque sair do comodismo. E assim, com essa estratégia seletora se vai formando o grupo das pessoas geniais que não avança aritmeticamente, mas sim, geometricamente, aqui novamente relembrando Thomas Maltus.
Ao diminuir o número de pessoas nas etapas do ensino que vão além da
educação básica, dispor-se-á de muito mais recursos materiais e financeiros, para dar suporte a esse trabalho avançado, em favor da sobrevivência da grande maioria populacional.
Os professores dos níveis superiores serão bem remunerados. Não terão que se matar de trabalhar para garantir sua subsistência com um mínimo de dignidade. Trabalharão jornadas saudáveis. Terão alimentação, descanso e lazer de qualidade. Desfrutarão de boas companhias sexuais e conseguirão extravasar seu estresse ao final de cada jornada. Serão pessoas bem humoradas, bem dispostas, felizes e super produtivas.
Os grupos de pesquisa de soluções para os males da humanidade serão bem sucedidos porque terão suas necessidades básicas e fundamentais devidamente atendidas. Conforme prevê a Teoria de Maslow, estarão muito bem motivados para encontrar soluções que permitam um viver ainda mais excepcional. E então os homens poderão desfrutar de um eterno welfare state, teoria originária no pensamento keynesiano surgida após a Grande Depressão dos anos trinta.
Pelos princípios do Estado de bem-estar social, todo o indivíduo teria o
direito, desde seu nascimento até sua morte, a um conjunto de bens e serviços que deveriam ter seu fornecimento garantido, seja diretamente através do Estado ou indiretamente, mediante seu poder de regulamentação sobre a sociedade civil. Esses direitos incluiriam a educação em todos os níveis, a assistência médica gratuita, o auxílio ao desempregado, a garantia de uma renda mínima, recursos adicionais para a criação dos filhos, etc.
Defendo ainda que a educação infantil seja responsabilidade dos pais e que o Estado tutele apenas a educação dos órfãos e dos muito necessitados. Caberá aos pais a incumbência de contratar pedagogos para conduzir, segundo os valores familiares de cada família, a educação dos pequenos infantes, quando eles mesmos não puderem levar a cabo essa nobre missão de promoção da educação de berço.
A educação infantil será realizada de forma lúdica. A criança deve aprender brincando, de forma prazerosa, desfrutando da agradável companhia de seus pais, avós e outros ancestrais que ainda estiverem vivos.
Seguindo esses princípios, com  certeza teremos uma educação de qualidade para todos, investindo os recursos públicos de forma mais intensa na formação das mentes que mais genialmente se destacarem durante o período da educação básica obrigatória e gratuita prestada pelo Estado.
Essas são as linhas gerais da proposta que tenho para produzir uma educação de qualidade que redunde em benefício para todos os homens, nadando em confronto direto contra a Teoria da Educação Nivelada Por Baixo, atualmente praticada em nosso país. Se ainda tiver oportunidade, retornarei ao tema.

quarta-feira, julho 23, 2014

O duende do Osmar

Férias de Julho
II
O duende do Osmar
Izaias Resplandes de Sousa

A vida não pára. Ainda nem terminei um primeiro conto e já tenho mil contos outros para contar. Então, ninguém se aveche. Eu vou contar tudo o que aconteceu nas minhas férias de julho que ainda estou desfrutando na companhia maravilhosa e espetacular de meu Superneto Davi Resplandes do Nascimento, que estão programadas para terminar no fim desse mês, mas que, através do poder que me foi concedido pelo Grande Rei dos Reis, espero esticar por muitos e muitos anos, escrevendo e comentando nossas grandes e memoráveis aventuras pelos Reinos Selvagens dos Bororos Coroados de Poxoréu e dos Goyases de Goiás. E podem se preparar e encontrar um canto para sentar, porque há muita coisa ainda por contar...
E então começo esse conto dizendo que ando lendo muitas das histórias cheias, tanto de encanto, como de magia e fantasia, do doutor Osmar Nascimento, um amigo de pena e alma serena, natural das Lavras mineiras e que há tempos vivem no Reino dos Bororos, em Poxoréu, Mato Grosso.
 Tem sido maravilhoso ler o Doutor Osmar. Como ele, eu também gosto de viver no meu canto, em meu recanto fantástico onde tudo é possível! Sim, eu disse tuuudo. Até pegar luta no sofá da sala, brincar nos buracos de lama de minha densa floresta de trilenares segundos, ou comer o que eu bem quiser e na hora que bem entender, as tortas, bolos, doces e tudo que sua lama permitir você fazer.
Quando era criança eu estive em vários reinos, conheci tanta gente fantástica e miticamente maravilhosa. Conversei muito com aqueles seres encantados da fantasia estrangeira de La Fontaine e da nacional de Monteiro Lobato...
 Ah, o Lobato! Suas histórias me faziam parar no tempo. Houve uma vez em que ele teve até que mexer na “Chave do Tamanho”, para consertar o meu crescimento, porque eu ficava tão extasiado nas brincadeiras e aventuras, como os meninos perdidos da Terra do Nunca, que me esquecia de crescer. Eu me encantara tanto com o Peter e tantas vezes eu também desejei não crescer como ele e ficar sendo criança para sempre. Ainda me lembro de algumas prosas daquele tempo, que de tão marcantes, meus amos anos não conseguiram apagar. Se bem que muito tentaram. Mas quando a prosa é boa, menino... A gente não esquece não! E aquelas eram fantasticamente fantásticas. Fantasticíssimas!!!
 A história do Nascimento é muito parecida com a minha. Tem muitos e muitos capítulos. De forma que eu ainda não cheguei ao Epílogo. Na verdade, acho que ainda nem saí do Prólogo. Tio João Berocam de Sousa me disse que as  histórias dos Sousas são ”histórias sem fim” e, na verdade, parece que é mesmo assim.
Quanto aos Sousas, huuum!!! Vocês já devem ter ouvido falar nos Sousas! A nossa família é muito grande. Há Sousa por todo lado. Alguns famosos, outros nem tanto. Tem um que foi o Comandante da primeira expedição colonizadora no Brasil: o português Martim Afonso. Houve outro que foi o primeiro Governador Geral do Brasil: o português Tomé. Também mais recente teve uns que fundaram com outros cabras bons, a União Poxorense de Escritores, a UPE: o cearense João e o mato-grossense torixorino Izaias Resplandes, descendente do cearense Manuel e do goiano Jerônimo.
Manoel Resplandes de Araújo foi um jovem cearense, natural da “Serra Grande”, que visitou, no Maranhão, o lugar da futura Fazenda Jenipapo, em 1831, quando procurava terras férteis para ocupar e expandir o seu rebanho bovino de gado. Em abril de 1832, Manoel iniciou a ocupação das terras em companhia de sua esposa Bernardina, trazendo um rebanho de aproximadamente 80 cabeças de gado bovino. Sua residência foi construída no Alto do Canção (na entrada que vai para Rancharia), um lugar arejado que seria capaz de evitar a febre amarela, “impaludismo”, que era muito comum nas áreas alagadas do Brejo Grande e do Varjão[i].
Manoel gerou uma grande prole de maranhenses que se espalharam por todo o mundo, conseguindo alguns atingirem o distante Reino de Poxoréu, onde fica a famosa “Mata do Vô”, os “Buracos de Lama”, a “Cachoeira da Torneira” e tantas outras coisas paisagens geográficas de notória memória. Famosíssimas.
Os Sousas são gente simples, mas com muita ambição. Quase todos se ainda não tem, já tiveram o seu Reino Encantado. Eles não fazem acepção de ninguém. Não se incomodam de misturar o sangue com outras famílias e assim vão surgindo Sousas em tudo quanto é família. Só para vocês verem: eu sou dos Resplandes, mas também sou dos Sousas. E meu Neto, Dr. Osmar, é Resplandes e é Nascimento, mas também é Sousa, porque traz até a alma o sangue de nossa “Grande Família” Sousa.
Mas voltando ao assunto, eu falava mesmo era sobre a impressionante história do doutor Osmar Nascimento que vem sendo publicadas em seu perfil público no Facebook. Ela está a me encher o coração de emoção. Então, meu irmão e amigo Osmar Nascimento de Perspectiva 21, peço sua permissão para falar o que fiquei sabendo sobre certo duende riliento que muito se pareceu com esse de seu pensamento.
O tal duende riliento era um Cupido avexado, meu irmão, mas que tinha uma boa intenção. Ele não queria a ninguém machucar. Quando conversei com ele, me disse que era um duende do amor e que seu pequeno coração, ficava como que desesperado, a gritar que deveria suas flechas de amor espalhar. E unirrr. E ajuntarrr... Então eu lhe disse: Sim, sim pequeno ser. Eu sei que és um duende!  Um duende do amor. Eu entendo isso. Sei que tu só desejas estimular na flexão, o verbo amar.  Mas não estás pronto para a missão de flechar o coração de ninguém, pequeno irmão. É por isso que andas um tanto tonto, jogando flechas para lá e para cá, feito uma barata tonta, como um tonto. Observe que não estás preparado para a milenar missão dos duendes de sua estirpe, a missão singular que ensina aos mortais e aos não mortais, o beabá de como amar. És uma criança!  Há pouco, quando estive em França, tive a satisfação de participar de sua festança pelo primeiro meio milênio de sua existência terna, quase eterna.
“Calma, paciência!”, disse-lhe. E continuei...
 Só agora você começa a desabrochar. E, como as azuis borboletas a voar por aqui, por ali e acolá, o vôo perdido de suas flechas infantes, resultados ainda não garantem. É preciso esperar seu amadurecimento, para que suas flechas unam de verdade e sem fingimento, pares de seres que viverão um grande e puro amor. O que estás fazendo, duende menino, é um horror! Um duende de valor, um Cupido do amor como tu, não pode atirar flechas a esmo. Guarde-as para nossas crianças, hoje meninas de tranças que estão a crescer muito mais lépidas do que tu e que vão precisar encontrar um grande amor, que lhes dêem valor e lhes cubram todas as noites com um abraço protetor, enquanto sussurram em seus ouvidos palavras que não consigo entender, mas que me parecem ser algo como... “Eu amo você!”.
E então, amigo Osmar... Será que seu duende é o meu? Ou quem sabe o meu é que é o seu! Tchuz! Tchuz- Tchuz... Sei lá... Será?!




i SOUSA, Izaias Resplandes de. História dos Resplandes: de Sobral, CE a Fernando Falcão, MA. Disponível em: . Acesso em: 23 jul. 2014.

terça-feira, julho 15, 2014

PASSEIO EM POUSO ALTO



FÉRIAS DE JULHO

I

PASSEIO EM POUSO ALTO, MUNICÍPIO DE TORIXORÉU, MT

Izaias Resplandes
  
Descansar é uma necessidade de todas as pessoas. Embora o trabalhar seja do homem, não vivemos apenas para trabalhar. Parafraseando Jesus, podemos dizer que nem só de trabalho vive o homem. 

Ao criar o homem, Deus o colocou em um jardim com a finalidade de guardá-lo e cultivá-lo. O homem deveria trabalhar nesse jardim, mas não deveria viver exclusivamente para isso. Seguindo o exemplo do Criador,  o qual depois de fazer o mundo em 6 dias descansou no sétimo dia, o homem também deveria descansar. Deus criou o sétimo dia para que o homem descansasse do seu trabalho.  Como disse Jesus, não foi o homem criado por causa do dia de descanso, mas o dia de descanso criado por causa do homem.
As férias, embora sejam instituídas pela legislação de nosso país, tem essas uma fundamentação bíblica muito interessante.  
Vejamos ...
Certa vez os discípulos de Jesus retornavam de uma missão.  Jesus, ao vê-los observou que muitos não tinham tempo nem para comer.  Então convidou-os para se retirar em um lugar à parte, para que pudessem descansar. Desse modo, nosso Senhor mostrava-lhes a importância de descansar de suas labutas  e trabalhos.
 Durante este mês de julho de 2014 minha esposa e eu tiramos férias de duas semanas. Na verdade, saímos no dia 27 de junho, de Poxoréu, a cidade onde moramos  Há muito tempo eu vinha sentindo o cansaço pesando sobre os meus  ombros.  E então decidimos viajar até o Estado de Goiás,  passando por Torixoréu, MT,  a cidade onde nasci e onde ainda vivem muitos de meus parentes,  como por exemplo,  tios e primos.
No município de Torixoréu  fizemos nossa primeira parada no povoado Pouso Alto,  onde encontramos o tio João Berocam, nosso velho tio Beró.  Ele estava passando uns dias na casa de sua filha Iraildes  e seu genro Ilton.  Ali também encontramos o irmão Simão,  genro de tio  Beró, esposo de Ilma, com seus dois pequenos filhos Michael e Eliel. E também o primo Nelson e a prima Iohana.
 Iraildes nos preparou um delicioso almoço, me mostrou sua  pequena horta, onde planta alface, cebolinha, tomate e outras cultivares. Tiramos fotos na horta.
Após o almoço, convidei tio Beró  e o primo Nelson  para nos acompanhar até a fazenda do nosso primo Zé,  filho de tio  Odílio.  O primo Zé tem duas fazendas na região do Pouso Alto.   
Fomos até a fazenda Cachoeira Alta, a qual tem esse nome por causa de uma cachoeira mais alta que uma casa, localizada bem próximo à sede da fazenda.  Infelizmente, não pudemos encontrar o primo Zé,  pois o mesmo estava trabalhando na outra fazenda.  Encontramos apenas Ana, sua esposa,  acompanhada de sua netinha  e da cunhada Juraci.
 Enquanto minha esposa Lourdes conversava com Ana, convidei o Nelson e o  tio Beró para irmos até a cachoeira.  Ali tiramos fotos magníficas, porque o lugar é muito lindo.
É claro que tive a oportunidade de tomar um delicioso banho nas águas daquele riacho. Muito frias aquelas águas, mas valeu a pena. O primo Nelson fez lindas fotos.  Belíssimas recordações do início de nosso passeio nestas férias escolares de julho de 2014.
 Saindo da casa de primo José do Odílio,  vamos até a casa da prima Valcenir,  filha de tia Creuza  e de tio Adão, irmão de minha mãe, já falecido.  Ela é casada com o André  e tem duas filhas.  Ao chegarmos na fazenda, onde vivem,  estavam trabalhando. A prima Valcenir estava moendo açafrão. Puríssimo! Amarelinho! Convidou-nos para sua casa.  Logo, logo chegou o seu esposo André acompanhado de seu irmão Rossano.  Depois também veio sua sogra, dona Fátima. A prima Valcenir se apressou em tomar banho e depois preparou-nos um delicioso lanche: pão caseiro, doces, leite, café e refrigerante. Após o lanche tiramos fotos para registrar o importante encontro.
E então iniciamos as despedidas para irmos embora,   mas André e Rossano  insistiram para que fôssemos ver a ordenha mecânica instalada na fazenda. Então fomos conhecer a tecnologia. Ali eles tiram o leite de 4 vacas de cada vez. Enquanto tiram o leite dessas, outras 4 ficam aguardando numa baia ao lado.  As vacas são muito mansas.  A filha mais nova da prima Valcenir  brinca com uma delas, acariciando sua cabeça.
 O leite retirado vai direto para um resfriador instalado ali mesmo. Todos os dias um caminhão de laticínio vem recolher o leite ali produzido. Ficamos entusiasmados com o sistema da ordenha mecânica, com o qual se garante a qualidade do leite produzido na fazenda.  Tio Beró nos chama para irmos embora. E, mais uma vez nos despedimos daqueles parentes e retornamos para Pouso Alto. Em Pouso Alto convidei o Nelson  para um passeio pelo povoado. Queria rever as casas, as pessoas e matar um pouco a saudade daquele lugar onde passei minha infância. Andamos pelas ruas da corrutela.  Tirei várias fotos daquelas casas que traziam lembranças saudosas para mim.   
Estive no lugar onde meu pai morou. Nossa antiga casa ficava ao lado do salão de festas, próxima ao seu Hermógenes. Depois subimos a rua em direção à igreja. No caminho, encontramos o primo Salvador, filho de dona Antonieta, esposa do Cesário, filho de Maria do Nhô Chico, irmã de meus bisavós Jerônimo e João Bem.  Ele foi meu colega de escola quando eu tinha por volta de oito ou nove anos. Conversamos.  Relembramos  aqueles tempos.
Ao passar em frente à igreja, recordei que uma vez havíamos tirado uma foto com todos os nossos colegas de aula ali em frente daquele templo, quando meu pai era professor ali. Éramos uns 50 alunos  estudando em uma sala multisseriada.
Da igreja convidei o primo Nelson para irmos até o córrego Marruais,  na antiga passagem de carro de bois,  onde tantas vezes passei como o candieiro de meu pai,  o qual além de professor era também carreiro naquela região.   
Quantas lembranças aquela passagem me trouxe. Acredito que eu não passava por ali há mais de 45 anos. A paisagem é linda, mas me pareceu que não tinha mais o brilho de minha infância. Alias, isso é uma coisa interessante.  As lembranças que eu guardava de Pouso Alto  antes de retornar ali há alguns anos era de que o lugar parecia ser um pouco maior.  Em minhas lembranças o povoado parecia ser um grande círculo de casas,  tendo no seu diâmetro, de um lado, a igreja católica e do outro, o salão de festas, o salão social da comunidade. Mas agora via que era bem menor. Eu acredito que essas dimensões estavam relacionadas com o meu tamanho. Como eu era pequeno, o lugar me parecia muito grande. E agora que eu cresci, o lugar assumiu suas dimensões reais, voltando a ser pequeno, como na verdade sempre fora.
 Da ida até o córrego Marruais  voltamos para casa da prima Iraildes,  a qual nos esperava já com o jantar pronto. Em nossos planos, iríamos jantar na casa de tia Leidiomar, nossa tia Leide,  lá no pé da serra, na casa onde nasci.  Mas como o jantar já estava pronto ali, fomos bem agradecidos e jantamos com eles.  A prima havia feito frango com guariroba, que nós chamamos de "gueroba" e que é o prato de nossos sonhos.
Depois do jantar, despedimo-nos de tio João Berocan, o qual o completou 79 anos no último dia 4 de julho de 2014 e também de seus filhos. Aí, sim, partimos para o Pé da Serra,  para a Fazenda da Mata,  aonde chegamos à noite.  Mesmo assim, tia Leide ainda nos esperava para o jantar. Tivemos que agradecer e deixar o jantar para outro dia porque havíamos comido bastante em Pouso Alto.
 Felizes por estarmos ali depois de um dia intenso de atividades, agradecemos a Deusfomos dormir.
 Esse foi nosso primeiro dia de férias no mês de julho de 2014. Um dia maravilhoso, o qual dificilmente esqueceremos. Obrigado Senhor por essas férias.

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