sexta-feira, setembro 29, 2006

Plantão de Eleição



Izaias Resplandes[1]


É dia de eleição outra vez. Ah, mas isso todo mundo já sabe; não é nenhuma novidade, diria alguém. A esse eu responderia dizendo que, de fato, isso seria, provavelmente, uma verdade relativa. E que, apesar das campanhas educativas realizadas, principalmente pelos meios de comunicação de massa, ainda persiste muita desinformação e confusão em torno da temática eleição, conduzindo os brasileiros, por um lado, ao exercício enviesado da cidadania e, por outro, à prática da infração penal. E se existem dúvidas, ainda é tempo de esclarecer. É esse o diapasão condutor da presente reflexão.
Os brasileiros, principalmente os remanescentes do período discricionário 1964/1984, têm muito orgulho do atual momento democrático. Naquele tempo temia-se expressar as idéias e os sentimentos que latejavam dentro do peito de cada um, reclamando liberdade, democracia e exercício pleno da cidadania. O grito era sufocado na garganta. Aqueles que ousavam soltá-los sofriam perseguições diretas e indiretas, pois não raras vezes também os seus familiares eram alvos da retaliação. Contra aquela situação, fazia-se um trabalho subterrâneo, de sótão e de porão, semeando coragem e esperança nos corações dos brasileiros. A restauração da democracia não caiu do céu, foi resultado de muitas lutas, lágrimas e sacrifícios. Até hoje não se tem claro o número de todos os “desaparecidos” durante o regime de exceção. Aqueles que não viveram os malfadados dias precisam saber dessas coisas, mesmo que seja a minutos do momento em que se exercitará o sufrágio eleitoral por meio do voto direto e secreto.
A campanha partidária está encerrada. Não é mais a hora de ninguém estar batendo na sua porta e no seu ouvido para te entregar “santinhos” e pedir o seu voto para o Fulano ou para o Beltrano de Tal. Mas a aquisição do conhecimento não tem hora para acontecer, como diz o cantor Geraldo Vandré: “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
Dia de eleição é um dia de ser cidadão por inteiro e não cidadão de meia pataca. Nós temos o costume de ir votar “mais tarde”, depois que os outros votaram, “quando acabar as filas”. Por conta disso, não poucos deixam de votar, seja porque chegam ao local de votação depois da hora, seja porque nem lá conseguem chegar por um ou outro imprevisto.
Dia de eleição é dia levantar cedo, tomar um bom café da manhã e, sem perda de tempo, ir logo à sua seção eleitoral e exercer o seu direito de decidir os rumos do país. Saia de casa sabendo os números certos dos candidatos em que vai votar: do deputado federal, do deputado estadual, do senador, do governador e do presidente. Escreva os números em um papel. Lembre-se de que apenas essa cola é permitida; os santinhos não são.
O brasileiro gosta de fazer boca de urna. Isso é proibido. É crime. O que deveria ter sido feito em prol do candidato A ou B, já foi feito. Agora cada um deve permitir que o outro exerça livremente o seu direito de votar, sem qualquer embaraço. É bom saber também que um voto válido poderá ser suficiente para eleger um candidato, o qual, depois de eleito será o deputado, ou o senador, ou o governador ou o presidente de todos nós. O voto nulo e o branco não são válidos para eleger. O Código Eleitoral e a Constituição Federal dizem claramente que somente os votos válidos serão computados para eleger. A eleição não será anulada se muitas pessoas deixarem de votar. Quem não vota, também ajuda a eleger.
Dia de eleição é um dia de plantão para todos os verdadeiros cidadãos. É dia de honrar a todos aqueles que no passado lutaram para que hoje pudéssemos ter o direito de decidir quem nos representará e quem governará por nós. É dia de mostrar aos olheiros internacionais que aqui no Brasil a democracia funciona e o povo participa de fato e de direito do processo decisório. E por fim, é dia de educar pelo exemplo, aos nossos filhos e às próximas gerações. Palavras são simples palavras, são como escritos na areiam que logo são apagadas pelo vento e esquecidas. Exemplos são eternos, são como escritos feitos na rocha, ficam para sempre.

[1] Izaias Resplandes de Sousa, pedagogo, professor de Matemática e acadêmico de Direito das Faculdades UNICEN, em Primavera do Leste, MT.

domingo, setembro 17, 2006

Primavera sem nepotismo

Izaias Resplandes[i]

Segundo o Prof. Marcus Acquaviva, em seu Dicionário Jurídico Brasileiro Acquaviva, “nepotismo é a forma impura de governo na qual os governantes visam tão somente ao bem particular próprio e dos parentes”. É uma prática muito comum no serviço público brasileiro, onde se caracteriza pela nomeação em comissão ou contratação sem concurso e sem teste seletivo de parentes daqueles que governam o ente federativo: Município, Distrito Federal, Estado e União, incluindo também suas fundações, autarquias, agências reguladoras, empresas públicas e sociedades de economia mista.
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 37, caput, veda expressamente essa prática pessoal e imoral, estabelecendo que “a administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência”.
Ufanamos em dizer que derrocamos o Império, que derriçamos as ditaduras e que vivemos uma democracia plena no Brasil. Certamente encontraremos entre as mais de quinhentas definições de democracia, catalogadas pelo sociólogo americano Robert Dahl, a correspondente brasileira. Mas, também é certo que temos cometido os desvios já previstos por Aristóteles, em sua obra A Política, transformando a forma democrática de governo.
Em quase todos os municípios brasileiros predomina o governo das oligarquias, onde poucos governam e quase sempre em benefício e no interesse deles mesmos. São políticos carreiristas que passam toda a sua vida usufruindo das benesses que o suor do povo proporciona. Não abrem espaço para que outros também possam governar. Alegam que não impedem ninguém, que todos podem concorrer. Mas, elaboram leis que favorecem as suas candidaturas em relação aos estreantes, como por exemplo, a norma esculpida no artigo 8º, § 1º, da Lei 9.504/97, a qual preceitua que “aos detentores de mandato de Deputado Federal, Estadual ou Distrital, ou de Vereador, e aos que tenham exercido esses cargos em qualquer período da legislatura que estiver em curso, é assegurado o registro de candidatura para o mesmo cargo pelo partido a que estejam filiados”. Felizmente, por iniciativa da Procuradoria Geral da República e decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), a citada norma está com seus efeitos suspensos liminarmente, em decorrência da ADIN Nº 2530-9, apesar da intenção dos veteranos. A interferência é tamanha, que foi necessária a inclusão de dispositivo que assegurasse a participação dos dois sexos no processo eleitoral. Assim diz o art. 10, § 3: “Do número de vagas resultante das regras previstas neste artigo, cada partido ou coligação deverá reservar o mínimo de trinta por cento e o máximo de setenta por cento para candidaturas de cada sexo”. Até então, a política era praticamente o império dos homens.
Nesse diapasão, mesmo com os carreiristas, têm ocorrido alguns avanços no sentido de alcançar a verdadeira democracia que tanto orgulha o povo brasileiro.
É digno de nota, v. g., o Projeto de Lei nº 004/06, protocolado em 12/09/2006, de autoria do Presidente da Câmara Municipal de Primavera do Leste, MT, vereador Angelin dos Santos Baraldi, o qual “disciplina o exercício de cargos, empregos e funções por parentes, cônjuges e companheiros de vereadores, prefeito e vice-prefeito, secretários municipais e de servidores investidos em cargos de direção e assessoramento, no âmbito dos Poderes e órgãos do Município de Primavera do Leste – MT”.
O Projeto contém apenas 7 artigos, mas todos contundentes, estribados nos princípios constitucionais do artigo 37 da Carta Magna da República Brasileira. Sendo aprovado, fica “vedada a prática do nepotismo no âmbito dos poderes do Município de Primavera do Leste, sendo nulos os atos assim caracterizados” (art. 1º). Nenhum parente até o quarto grau das autoridades já mencionadas poderá ser nomeado para cargo em comissão, ou contratado sem teste seletivo. Apenas aqueles que lograrem obter aprovação em concurso ou teste seletivo, serão excepcionados e estarão aptos ao serviço público municipal.
O combate ao nepotismo que, oportunamente, chega à Câmara Municipal de Primavera do Leste é o caminho dos políticos sérios que realmente desejam a democracia no Brasil, contrapondo-se àqueles que trilham nos caminhos da oligarquia e que somente pensam em si mesmos. É digno de aplausos.
A propósito do tema, o Ministro Carlos Ayres de Britto, ao analisar a Reclamação nº. 4.512, julgada em 28/08/2006, oriunda do Estado do Maranhão, relembrou que o STF já reconheceu que “a interpretação dos incisos II e V do art. 37 da CF não pode se desapegar dos princípios que se veiculam pelo caput do mesmo art. 37”. Segundo ele, a decisão do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de vedar a prática do nepotismo no Poder Judiciário, fundamentou-se nas “mesmas restrições já impostas pela Constituição de 1988, dedutíveis dos republicanos princípios da impessoalidade, da eficiência e da igualdade, sobretudo”. Continua, dizendo: “O que já era constitucionalmente proibido permanece com essa tipificação, porém, agora, mais expletivamente positivado”. E conclui, esclarecendo que a decisão não discrimina o Poder Judiciário em face dos “outros dois Poderes Orgânicos do Estado, sob a equivocada proposição de que o Poder Executivo e o Poder Legislativo estariam inteiramente libertos de peias jurídicas para prover seus cargos em comissão e funções de confiança, naquelas situações em que os respectivos ocupantes não hajam ingressado na atividade estatal por meio de concurso público."
É de destacar, portanto, que ao mandatário cabe governar na medida da autoridade que lhe foi delegada pelo povo através do voto, zelando pela coisa pública e não simplesmente compartilhando-a com os seus parentes mais chegados. E ao povo, acompanhar e aplaudir as iniciativas bem sucedidas em defesa do interesse comum.

[i] Izaias Resplandes de Sousa, escritor mato-grossense, membro-fundador da UPE é pedagogo e matemático pela UFMT, Gerente de Cidades pela FAAP/SP e membro do IMGC (Instituto Mato-grossense de Gerentes de Cidade), Especialista em Estatística pela UFLA/MG e Acadêmico de Direito pela UNICEN, de Primavera do Leste, MT.

domingo, setembro 03, 2006

Família: decepção e bênção



Izaias Resplandes[1]


Malvada tensão, tristeza e decepção. Essa é a rotina diária da mulher que trabalha fora e que ao chegar a casa verifica que seus queridos, marido e filhos, não se incomodaram com as coisas que precisavam ser feitas, deixando tudo por fazer.
Ao criar o homem, Deus plantou um jardim no Éden, onde o colocou com a responsabilidade de “cultivar e guardar”. No entanto, o Senhor entendeu que não era bom o homem ficar sozinho na administração e realização de todas as tarefas do jardim, pelo que criou também a mulher para que fosse sua “auxiliadora” na condução dessas tarefas (Gn 2: 7, 8, 15, 18).
Posteriormente, veio o pecado e, como conseqüência de sua prática, dentre outras, Deus condenou a mulher a estar sob o governo de seu marido na administração dos negócios da família Gn 3: 1-6, 16).
A partir daí, numa interpretação conveniente, muitos homens iniciaram o seu tempo de mando sobre a mulher, ao ponto de alçarem-se à condição de seus senhores, transformando-as em verdadeiras escravas de sua preguiça e comodismo. Leis também foram feitas para assegurar os privilégios masculinos e os sofrimentos femininos.
No Brasil, até 2002, quando entrou em vigor o atual Código Civil, o ordenamento jurídico mantinha essa situação de “pátrio poder”, ou poder do pai tanto em relação aos filhos, quanto em relação à mulher. Hoje, conforme essa nova legislação, o instituto vigente é o do “poder familiar”. A mulher volta à condição de “auxiliadora” do homem, dividindo com ele o poder familiar.
Isso representou um grande avanço social em nosso país. Nunca fora a intenção divina que o homem dominasse a sua família com tirania. Mas muitos homens não entenderam isso e conseqüentemente tivemos milênios de abusos nessa área.
Já no Decálogo, Moisés registrava a proibição do adultério e a cobiça “à mulher do próximo”. O homem deveria contentar-se e ser feliz com a sua companheira. Também a mulher enquanto mãe deveria ser honrada pelos seus filhos (Ex 20: 14, 17, 12).
Salomão declarou que a esposa era um bem de grande valor e aquele que a encontrasse, teria alcançado a “benevolência do Senhor” (Pv 18:22).
Já nos dias da Igreja, o apóstolo Paulo doutrina sobre as relações familiares. Cada homem deve ter a sua própria esposa e cada esposa o seu próprio marido (1 Co 7:2). Quanto à questão do governo do homem sobre a mulher, a regra estabelecida é que essa submissão seja semelhante àquela devida ao Senhor. O jugo deve ser “leve e suave”, deve ser o jugo do amor (Ef 5:22; Mt 11:29-30). O domínio do homem é exercido pelo exemplo, pelas ações realizadas em favor da família e pela sua dedicação a ela. Nenhuma mulher está obrigada a viver com alguém que não lhe respeita, que não lhe tem consideração (1 Pe 3:7, Mt 19: 8). O domínio a ser exercido é o domínio do amor (Ef. 5:25, 28, 33).
Todavia, é de destacar que a Bíblia não mudou. Os homens é que não eram capazes de entender a mensagem dada pelo Criador, da mesma forma que ainda hoje não entendemos muitas coisas. Todavia, não devemos ignorar o que já está claro. “As coisas reveladas no pertencem, a nós e a nossos filhos, para sempre, para que cumpramos” (Dt 29:29). Está claro que o amor deve ser o elemento dominante na relação familiar.
Sejamos, portanto, parceiros de nossas esposas e de nossos filhos. Ajuda-los não é vergonha, é honra. Com certeza, exostem tantas coisas que podemos fazer por eles. Isso fortalecerá em muito o relacionamento e aumentará a felicidade de toda a família. Será muito útil não somente para este, como também para outros fins, a fidelidade à regra de ouro dada pelo apóstolo Paulo em Fp 3:16 “Andemos de acordo com o que já alcançamos”. Felicidades!


[1] Izaias Resplandes de Sousa, professor, evangélico, esposo de Lourdes e pai de Fernando, Mariza e Ricardo.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Literatura Poxorense















Parte da Comunidade Upenina. Em pé, da esquerda para a direita: Izaias Resplandes, Kautuzum Coutinho, João de Sousa, Joaquim Moreira, Luís Carlos Ferreira e Jurandir Xavier. Sentados: Zenaide Farias, Josélia Neves e Gaudêncio Amorim.




Literatura Poxorense

Izaias Resplandes[i]

Poxoréu é turismo. As vozes são uníssonas. Tem um patrimônio turístico invejável, mas, infelizmente, desconhecido desse mundão de Deus. Após tantas falas, eis que neste limiar de século surge uma luz no meio do túnel, sob a liderança do americano Kenneth Paul Raeder (10108 Deckhand Drive Burke, Virginia, USA), o Paulo Americano, um grande amigo do povo poxoreano, que bebeu das águas do Areia "lindo rio de águas cristalinas", contemplou a lua cheia nascendo atrás do Morro da Mesa, ouviu os "causos" dos garimpeiros nos monchões e nas grupiaras, e que, enfim, tomou e gostou muito do café forte e aromático servido na "terrinha que meus mininos pôs nos palcos como artistas". O movimento tem sido um trabalho de formiguinha, ajuntando de todos os cantos do país e do exterior, aqueles que nasceram, conheceram ou viveram em Poxoréu e que sabem de seu potencial turístico e desejam ver todo seu inventário compartilhado com o mundo globalizado, de forma a proporcionar o desenvolvimento econômico da região. O esforço é para a construção cooperativa de um grande sítio turístico na internet, com informação, foto, mapas de orientação, roteiros, eventos, atrações etc. Sem querer prognosticar, é quase certo que depois de navegar pelas páginas do novo sítio virtual, ninguém que gosta mesmo de participar de turismo-aventura vai deixar de estar mais perto de Poxoréu pelo menos uma vez por ano. Vão levar o CD do poxorense AURÉLIO MIRANDA e vão cantar com ele MINHA DOCE POXORÉU:

"Anseio chegar as férias, para rever a minha terra boa,
escalar o Morro da Mesa e aos domingos banhar na Lagoa,
rever florestas, colinas e montes,
riachos e fontes e rios ligeiros,
brincar no cascalho que marca o passado,
no fértil trabalho de seus garimpeiros".

Poxoréu é natureza. A cidade é cercada de montes de grande beleza, com destaque para o "Morro da Mesa" que foi, inclusive, o responsável pelo primeiro nome da cidade - Influência do Morro da Mesa, dado pelos primeiros garimpeiros que ali chegaram em 1926, conforme noticia o historiador JURANDIR DA CRUZ XAVIER, em sua obra POXORÉO E O GARÇAS, Edições Calendário do Sol, Cuiabá, MT, 1999, pp. 92-94. Segundo conta, naquele tempo travava-se uma guerrilha na região do Garças entre as tropas governamentais lideradas por Carvalinho e os garimpeiros liderados por Morbeck. Havia a necessidade de homens de coragem para disputar a peleja. Os garimpeiros de todos as lavras estavam sendo "convidados" para engrossar a resistência. Por causa disso, muitos deles, não querendo se envolver nos conflitos, debandaram para outras áreas. Assim aconteceu com João Dourado, Joaquim Penteado, Albertino Peito Roxo, Doroteu "Maroto" Sodré e Barbosinha, os quais se aventuraram na direção do Morro da Mesa, onde acamparam e fizeram as prospecções que acabaram chegando ao conhecimento de outros e outros, atraindo-os também para a região. Assim nasceu Poxoréu, cuja epopéia é narrada de forma romanesca e muito gostosa de ler, pelo upenino Jurandir Xavier. É um bom petisco para aqueles que se deliciarem aventurar-se pelas terras poxoreanas, com muitos cantos e recantos ainda naturais, encravados na altura do paralelo 16, ma Microrregião Tesouro, na Mesoregião Sudeste Mato-grossense, no centro-oeste brasileiro, a 250 km da Capital Cuiabá. A edição foi encomendada pelo autor e pode ser solicitada ao mesmo (Av. Brasil esquina com Av. Tancredo Neves, Centro, CEP 78.800-000, Poxoréu, MT, Brasil).

Poxoréu é história. Uma saga de heróis. Homens simples, rudes, de pouca instrução, ambiciosos, sedentos da fortuna fácil, aventureiros que deixaram seus familiares, sua terra natal, seu povo e partiram em busca do eldorado poxoreano. Levas e levas foram se aglomerando nas proximidades do Morro da Mesa. Mas não apenas os garimpeiros avançaram as fronteiras conhecidas. Também os fazendeiros e os colonos. O povoamento levou à organização político-administrativa da terra. Surgiu o Distrito de Paz de Poxoréu (1932, vinculado à Capital do Estado, Cuiabá). Seguiu-se a emancipação assinada pelo interventor "Cel. Júlio Müller" (1938). E no nóvel Município os Distritos. No início, eram eles Coronel Ponce, Ponte de Pedra, Rondonópolis, todos desmembrados de Cuiabá. As novas divisões do Estado foram mudando a estrutura. Atualmente Poxoréu tem os Distritos de Alto Coité (criado em 1948), Paraíso do Leste (criado em 1953) e Jarudore (criado em 1958). O historiador upenino Gaudêncio Filho Rosa de Amorim escreveu uma brilhante monografia acerca do surgimento e evolução histórica desses Distritos. É uma abordagem acadêmica de inegável valor literário, escrita em um estilo simples, mas de qualidade. Ao ler o trabalho, o leitor sentirá como se estivesse ao lado dos pioneiros biografados pelo autor no curso de suas páginas. O livro, intitulado "LINHAS HISTÓRICAS DE POXORÉO: um olhar sobre o nascimento dos Distritos numa contribuição às escolas e à sociedade" foi editado pela Editora DEFANTI, Cuiabá, em 2001. São 172 páginas ilustradas. A capa é um trabalho artístico de Renato Zanettin, de Vedelago, Itália. Antes de aventurar-se pelos montes poxoreanos, por suas serras e rios, vale a pena conhecer um pouco da histórica evolução de seus domínios. A obra pode ser solicitada ao autor (Av. Brasília, 809, Jardim das Américas, CEP 78.800-000, Poxoréu, MT, Brasil).

Poxoréu é poesia. Gonçalves Dias cantou o Brasil em sua canção do exílio: A "Marrom" Alcione destaca em sua música: "todos cantam sua terra, também vou cantar a minha". O escritor baiano Jorge Amado descreve a Bahia de tal forma, que nem se precisaria ir lá para conhecê-la. Assim os poetas poxoreanos vêm também cantando e decantando em verso e em prosa as belezas naturais de Poxoréu, como "a poxorense menina de morena meiga cor", os garimpeiros, os garimpos, as ruas, os rios, as serras, as cachoeiras. Nada passa despercebido aos olhares atentos dos notáveis poetas upeninos, como são conhecidos os membros da UPE - União Poxorense de Escritores. A terra da aventura é descortinada pela sua verve poética. Assim ZENAIDE FARIAS PINTO, com seu RAIOS MISTURADOS. Edição da autora, em Poxoréu, 2002.; LUIS CARLOS FERREIRA e seu PEGADAS DE LONGE: para ler de A a Z. Editora ARTEPRES, Dois Vizinhos, PR. Edição do autor, 2005. Luís é um escritor de talento incomparável e vale a pena ler a sua obra; JOAQUIM MOREIRA, "o príncipe dos poetas poxorenses" que escreveu NO MEIO DAS PEDRAS HÁ DIAMANTES, lançado este ano de 2006 pela Editora Defanti, Cuiabá, MT; e, por último, o destaque dessa seleção poética é para a ANTOLOGIA POÉTICA, Cuiabá: Gráfica Genus, 2004, de autoria de doze upeninos, sob a coordenação de Gaudêncio Amorim. Além desses, a poesia poxoreana tem outros expoentes como JOILSON RIBEIRO DE SOUSA que compôs "SOLTE-ME, VOU SUBIR" (esgotado); NIDES DE FREITAS, que escreveu SANDICE ME DISSE pela Editora Trinta e 3, Vitória, ES (nides@bol.com.br), WILSON GARCIA DE ALENCAR, autor de GRÃOS DE AREIA (esgotado) e que recentemente publicou GOTÍCULAS DE PORTUGUÊS, pela Editora Defanti, Cuiabá, 2004 (wgarcia@pop.com.br), KAUTUZUM ARAÚJO COUTINHO, que escreveu junto com GAUDÊNCIO AMORIM e IZAIAS RESPLANDES em 1987, SAUDADES E MELANCOLIAS (esgotado). Todos os livros dos membros da UPE podem ser solicitados à LIVRARIA GELMA. na Rua Mato Grosso esquina com Rua Rosa Bororo, Centro, CEP 78.800-000, Poxoréu, MT).

Poxoréu é cultura. Desde 31 de março de 1988, o Município conta com uma entidade atuante "em defesa da arte e da cultura", através da publicação da revista "A UPENINA" (Nº 01, em 1989; nº 02 em 1998), do jornal "O UPENINO" (Nº 15: março de 2006. O nº 16 está a caminho ainda para este ano), do programa radiofônico MOMENTO DE ARTE E CULTURA que vai ao ar, às 9 horas da manhã pela Rádio Sulmatogrossense (iniciado na Rádio Cultura de Poxoréo em 1988). Um dos picos culturais da entidade é o RECITAL DE POESIAS que acontece anualmente no dia 20 de outubro, por ocasião dos festejos do aniversário da cidade de Poxoréu, MT e que conta com a participação dos jovens e adolescentes das escolas locais. A UPE é uma das grandes riquezas "deste tão lindo lugar" chamado Poxoréu. Ela zela com carinho pela memória e cultura deste povo dos monchões e grupiaras poxorenses.

Publicado no SOMATÓRIO DE IDÉIAS (http://www.poxoreu.cjb.net/) em 20/08/2006. Reprodução autorizada, desde que citada a fonte e a autoria.

[i] Izaias Resplandes de Sousa, escritor mato-grossense, membro-fundador da UPE é pedagogo e matemático pela UFMT, Gerente de Cidades pela FAAP/SP e membro do IMGC (Instituto Mato-grossense de Gerentes de Cidade), Especialista em Estatística pela UFLA/MG e Acadêmico de Direito pela UNICEN, de Primavera do Leste, MT. E-mail: respland@uol.com.br

quarta-feira, maio 10, 2006

Rochinha

Eis que mais um patriarca poxoreano se vai para o descanso eterno dos justos no “seio de Abraão”, o pai de todas as Nações. “Rochinha faleceu!”.
Joaquim Nunes Rocha, o “Rochinha”, o “Rocha”, “seo Rocha”, cidadão dos céus, membro da família dos santos, pertencente à comunidade Assembléia de Deus, nosso irmão, companheiro e líder já está discursando na Tribuna Celeste. Nosso amigo já está com Deus. A sua passagem para a eternidade aconteceu em Cuiabá, a Capital do Estado, às 11 horas e trinta minutos de 20 de Outubro de 2001, Sábado, no segundo dia das festividades alusivas ao 63º aniversário de emancipação político-administrativa de Poxoréo. Acompanhado por autoridades políticas, civis e religiosas, ele foi sepultado no jazigo da família Nunes Rocha, no Cemitério de Poxoréo.
“Poxoréo está de luto”. O povo poxoreano pranteou e homenageou seu grande líder. A Câmara Municipal foi pequena para receber as centenas de pessoas que lá compareceram para dar o seu adeus a Rochinha. O sentimento e a comoção da população foi transmitido pelo presidente da Câmara Municipal Adolfo Fernandes Catalá Neto e pelo prefeito municipal Antônio Rodrigues da Silva. Ambos destacaram o exemplo, a dedicação e o amor do do ex-prefeito pelo Município de Poxoréo, qualificando a sua perda como dano irreparável.
Rochinha veio de Goiás, da terra das preciosas esmeraldas do Anhangüera, para ser em Mato Grosso um dos construtores da cidade de Poxoréo, nossa eterna Capital dos Diamantes. Herdou a tenacidade e a firmeza das pedras preciosas, conservando a lucidez e sendo sempre um homem brilhante e ativo em todos os seus 85 anos de vida, advogando as causas dos mais pobres e menos favorecidos da fortuna, mediando, assim, os litígios sociais de sua gente. Essa sua dedicação foi lembrada na homenagem póstuma que a OAB - Ordem dos Advogados do Brasil, secção de Poxoréo/Primavera do Leste/Paranatinga fez ao seu ilustre membro Dr. Joaquim Nunes Rocha, através do Dr. Carlos Mandú da Silva, presente na ocasião.
“Rochinha foi um forte até a morte!” Inquiridor irrequieto, persistente, metódico, disciplinado e muito inteligente, ele sempre soube como conduzir. E por isso foi, com certeza, um líder durante toda a sua vida. Como político amou a terra mato-grossense, dando-se por ela em diversos mandatos como deputado federal e estadual, vereador e prefeito de Poxoréo. Inegavelmente, ele foi o maior e mais importante líder político que esta terra poxorense já produziu e que por ela se dedicou com tamanha intensidade. Aqui ele não veio passear, não veio visitar. Ele veio para ficar e aqui estará para sempre, nos corações de seus amigos, de seus seguidores políticos, de seus descendentes e até mesmo de seus adversários, que irão se lembrar dele e de sua lealdade nas disputas pelo poder.
“Rochinha continuará vivo entre nós!”. A Igreja Assembléia de Deus, através do seu pastor Abel Azambuja enfatizou a fé, a esperança e o caminho que ele encontrou na pessoa de Cristo de Jesus, do qual se tornou dedicado discípulo nos últimos anos. Segundo Azambuja, Rochinha escreveu um documento onde declarou que "depois de percorrer várias igrejas e de examinar várias doutrinas, finalmente havia encontrado o caminho na pessoa de Jesus". Na religião ele encontrou o caminho para os céus. Na terra, ele foi o patriarca de uma família que tem feito as coisas acontecerem neste país. Junto com seus sete filhos (Louremberg - ex-deputado-federal e ex-senador da República, Lindberg - ex-prefeito, Lindemberg - médico, Sílvio Romero - Advogado, Benedito César - Sociólogo e historiador, e, Lindsey - sua única filha), Joaquim Nunes Rocha escreveu muitas páginas na história do Brasil, razão porque sempre está vivo na nossa memória.
"Rochinha sonhou, pensou e projetou". Pensar o futuro é uma questão de responsabilidade. Principalmente quando esse é o futuro da nossa cidade. Seu filho Lindberg Ribeiro Nunes Rocha, nas poucas palavras que pronunciou em agradecimento ao apoio, à solidariedade e ao amor que estava sendo dedicado ao seu pai, lembrou que ele sempre proclamava nos discursos que fazia, os seus sonhos de ter uma Poxoréo com avenidas largas e floridas, com espaço para que a juventude pudesse viver e ser feliz. Ele foi um crente extremado que sempre acreditou na possibilidade de seu povo ser feliz. Com certeza foi no seu exemplo que Lindberg aprendeu que "para se administrar uma cidade, antes de tudo é preciso amá-la", o que lhe garantiu quatro mandatos como administrador de Poxoréo.
“Rochinha discursou.” E como! Garcia Neto, antigo companheiro de Rocha, da velha UDN - União Democrática Nacional, ex-governador de Mato Grosso presente nas homenagens póstumas, relembrou dos 50 anos que caminhou lado a lado com Rochinha por esse Estado, construindo as suas estruturas políticas.
"Rochinha proclamou!". Ainda está bem vivo em minha mente as palavras de seo Rocha sobre os seus sonhos de felicidade para a cidade de Poxoréo, quando disputou a Prefeitura de Poxoréo em 1992. Ele disse e eu gravei para a história: “Com muita satisfação eu me dirijo ao povo de Poxoréo, para que nos ajudem nessa peleja, porque essa peleja é uma peleja legítima a defender os interesses daqueles que vivem nessa região. Nós estamos disputando o cargo de Prefeito Municipal, não por vaidade. Absolutamente! Não por aventureirismo. Nós estamos disputando, porque verificamos que dispomos das condições necessárias para trazer a esta coletividade o dinheiro que seja necessário à construção de obras, à abertura de outras atividades, à instalação de novas empresas que tragam os benefícios ao povo, que tragam a felicidade desta região. Dessa forma, nós nos encontramos na condição de carrear para a nossa gente, toda sorte de benefícios para assegurar a felicidade do nosso povo e o engrandecimento da nossa cidade”. Ao finalizar seu discurso, ele disse: “Eu estou oferecendo um prêmio, eu estou oferecendo um serviço, estou oferecendo os meus conhecimentos nas últimas décadas da vida. Quero trazer isso como prêmio para o meu povo, para minha gente, trabalhando, conseguindo recursos, encaminhando estudantes, conseguindo o aprimoramento do ofício daqueles que laboram aqui dentro de nossas fronteiras”. Ele se doou por inteiro ao povo de Poxoréo. Desde então, nuca mais deixou essa cidade.
“Rochinha foi um grande intelectual.” Membro honorário da UPE - União Poxorense de Escritores, ele escreveu vários artigos que foram publicados em diversos jornais. Ao lado de João José Freire, Joaquim Dias Coutinho, foi um dos fundadores do Jornal Correio de Poxoréo, no qual registrou muito do seu pensamento. Mas a sua sede pela cultura e pelo conhecimento nunca foi saciada. Não faz muitos dias, ele esteve em minha casa para conversar comigo. Ele sempre me procurara para tratar sobre assuntos profissionais e eu pensava que nossa conversa daquele dia versaria sobre a pauta costumeira. Mas não foi assim. Ele puxou da memória a história e conversamos durante mais de hora sobre diversos assuntos da cultura geral. E, em nossa última conversa, por telefone, ele me solicitou que pesquisasse e o informasse sobre quem foi o filho que Júlio César teve com Cleópatra, quando andou lá pelas bandas do Egito. Infelizmente não pude passar-lhe a informação, pois logo ele adoeceu e foi em busca de tratamento especializado na Capital. Daniel, seu neto, disse que guardaria do avô, o seu o último sorriso. De minha parte, guardarei dele como última lembrança, esse seu interesse apaixonante pelo conhecimento, pelo qual me inspiro a continuar buscando as respostas para os novos problemas que a atual era do conhecimento irá desafiar-nos.
Até breve, Rochinha! Não te daremos um adeus, mas um até breve, na certeza de que logo nos encontraremos na eternidade dos céus, onde os dias não são contados. Que sua dedicação e seu amor por esta terra doce e amada chamada Poxoréo, continue sendo uma inspiração para aqueles que continuarem a sua trajetória no governo deste Município e deste Estado. Seja também nosso o "obrigado" que Pe. Pietro Melesi, da Missão Salesiana de Mato Grosso lhe fez postumamente. Obrigado, de coração, pelo seu exemplo concreto de liderança.
Descanse em paz, amigo! Nós continuaremos a sua luta pela felicidade de Poxoréo. (Poxoréo, MT, 21/10/2001).

A unidade upenina

Izaias Resplandes
Caríssimos confrades upeninos. Quero saudá-los com as palavras do imortal Machado de Assis e dizer-lhes com ele que "pode a sorte separar-nos, ou a morte de um ou de outro; mas o amor subsiste, longe ou perto, na morte ou na vida" (Machado de Assis, Páginas Recolhidas, p. 203).

Quero também cumprimentá-los pelos dez anos de existência de nossa agremiação cultural. Quem duvidava de nossos ideais e propósitos e que não conseguia conceber uma organização como a nossa, formada por tantas crenças, tantas definições e ideologias diferentes, com certeza também duvidava que haveríamos de subsistir e que um dia estivéssemos comemorando um aniversário tão importante com esse, ao qual quero chamar de aniversário da unidade.

O jargão é velho, mas a sua praticidade é cada vez mais atual. Nenhuma entidade, de qualquer natureza que seja, pode sobreviver se não estiver assentada sobre as bases da união. Sem união nós não venceremos, não seremos e nem existiremos. A união é a base da existência. E, se não fôssemos unidos, com toda certeza não teríamos chegado até aqui, neste momento tão especial e tão sublime para a União Poxorense de Escritores. Nossa união não é apenas um mote para batizar a nossa entidade. Nossa união é marcada pelos dez anos de existência desse grupo que se caracteriza pela singularidade de cada um de seus membros.

Não somos uma união de iguais; não somos clones uns dos outros. Cada um de nós possui as suas peculiaridades, a sua identidade, as suas crenças, a sua ideologia, as suas particularidades. Somos uma união de desiguais e é por isso que temos sempre, a cada dia, algo novo para ofertar aos nossos semelhantes. Há bem pouco tempo uma pessoa muito ingênua e desavisada pichava a calçada em frente à sede de nossa entidade, a frase "desunião de escritores", a qual permanece ali, recebendo a resposta do vento para quem foi dirigida, porque a mesma não fora dirigida a nós, haja visto que nunca estivemos tão unidos como agora estamos, com dez anos de relacionamento positivo, construído sobre as nossas diferenças e desigualdades.

Quero aproveitar esse momento especial para homenagear a memória dos nossos co-irmãos que já partiram dessa vida. Quero abraçar ao Fraga Filho e ao Mestre Aquilino Souza Silva, os quais hoje escrevem seus versos nas estrelas dalém Terra e os transportam através dos raios de luz pelas galáxias que Deus construiu neste universo. E se dalém eles continuam vivos, daquém não é diferente. Fraga e Aquilino são poetas imortais da União Poxorense de Escritores. Aqui haverão de continuar vivos na nossa memória e na memória de nosso povo.

Não choro e nem sofro por esses companheiros que já partiram. Eles vieram, mostraram para o que vieram, concluíram sua missão e se foram. Essa é, inexoravelmente a trajetória de todos nós. Hoje eles são espíritos e a poesia, que também é um produto do espírito, não poderia estar nas mãos de melhores intérpretes que esses nossos companheiros. De Fraga e Aquilino guardo apenas três coisas: saudade, saudade e saudade!

Por outro lado, a vida continua. E cá estamos nós elegendo mais uma Diretoria Upenina. A décima primeira. E quero desejar a todos os novos eleitos, os meus votos de sucesso e de felicidades no desempenho da nobre tarefa de conduzir os destinos da cultura poxoreana.

Que Deus nos ilumine, para que possamos semear o amor, a união e a paz entre os homens deste mundo e desta cidade. Um abraço a todos.

Poxoréo, MT, 18 de Abril de 1998

Prof. Izaias Resplandes de Sousa

A última esperança

Izaias Resplandes

Onde estás que os homens não te encontram?
Eles clamam por ti, pois são pobres
E se vêem náufragos da miséria,
humilhados!
Esquecidos da fortuna,
Até da alegria e paz consigo mesmos,
vivem a fome:
Mina que lhes minam
Até a minguada ânsia de esperança
Que lhes restam, de terem cor e calor,
Em melhores dias contigo, ó Justiça!

Choram sobre o suor; regam a terra
Esperando os frutos que não lhes dás;
Esperando as folhas verdes
Brotarem do vermelho sangue
Que seus corações sofridos
Orvalham sobre a terra.

Onde estás, se é que existes
E não passes de utopia
Para desesperados mortos de fome?
Onde te encontras, que buscam e não te acham,
Se é que estais em algum lugar deste Universo infinito?

Dais lugar à incredulidade
E, à fé, destróis,
Se não voltares ao mundo
Para acabares com as desgraças que lhe acabam!
Sois a última esperança, ó Cristo,
Deste mundo sofrível que ainda acredita:
"Um dia haverá justiça!"
Volte, antes que seja tarde demais
Até para a esperança continuar existindo na Terra.

Poxoréo, 19 de dezembro de 1983

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

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