O dia sempre começa muito cedo quando Capitão Davi está em Poxoréu. Há tanta coisa para se fazer. Tantos cantos e recantos para se explorar. Não há tempo a perder.
Levantei bem cedo, com as galinhas fazendo a festa ao redor da barraca onde acampamos para amanhecer hoje. Pena Rocha cantava com efusiva alegria. À sua moda, dizia: Quem manda no terreiro é o galo! Não adianta montar essas barracas em meu território. Aqui é o Reino de Pena Rocha, filho do famoso Crista Vermelha.
Fui molhar as plantas enquanto Capitão e sua turma se preparava para mais um dia de aventuras. Tiadriano me acompanhou nos trabalhos matinais. Enquanto eu molhava um pé de planta aqui, outro pé de planta ali, eu ia mostrando para ele a variedade de espécies vegetais que temos na Mata do Vô: abóboras, batata-doce, muitas guarirobas, pupunhas, bananeiras, abacaxis, entre tantas outras. Tenho grande satisfação de falar de minhas plantinhas. Cada uma é muito especial e tem a sua história. E quando conto a história delas eu também vou compondo a minha. E de uma coisa não tenho dúvidas. Eu gosto muito de cuidar de minhas plantinhas.
Mas ainda nem começara direito e eis que surge o valente e intrépido explorador da Mata do Vô. Capitão chegou entusiasmado e foi direto para o primeiro Acampamento que ele e Kaká começara a construir ontem.
Ele queria acabar o serviço. E lá se foi o moço, arregaçando as mangas do pijama e mandando ver.
Fez o que pode, mas não estava muito entusiasmado sozinho. E aí foi atrás de Kaká. Aí, sim. Fizeram e aconteceram. Muitas melhorias e reformas no velho Acampamento que se tornou novo. Até cadeiras eles levaram para se sentar.
Levei a água para as brincadeiras. Eles gostaram muito. E assim foi a manhã desse segundo dia das férias de julho de 2017.
Só paramos, porque Vovó Lurdes chamou: o almoço está na mesa.
E corremos para nos lavar e comer as delícias que ela fez para nós: arroz com galinha, gueroba e pequi. Uma deliciosa comida goiana. Todos gostamos demais.
À tarde vamos à Cachoeira do Porto, um local em que ainda não estive, mas que me foi bastante recomendado, como sendo uma das mais belas cachoeiras de Poxoréu.
Nossos pensamentos isolados podem transformar nossa vida; um "somatório de idéias" pode transformar o universo em um lugar fantástico para todos os seres vivos.
sábado, julho 08, 2017
Acampamento na Mata do Vô
Capitão Davi chegou hoje à tarde em Poxoréu. Estávamos com mútua e intensa saudade. Nosso abraço foi renovado com ardor. Ele me apertou com força. Não disse nada. Não precisava. Não tive dúvidas de sua mensagem. Compreendi cada letra de todas as palavras que não foram ditas. Tive que controlar meus impulsos para não chorar de emoção. A maior alegria de um avô é ser amado pelos seus netos. E isso é coisa que não tem faltado entre Capitão e eu.
Ele veio com Tiadalva, Tiadriano e suas primas Bel e Kaká. E tão logo chegou já correu a fazer o reconhecimento de seu território, de seus brinquedos. E com a mesma pressa foi esparramando tudo pela área. E brincou bastante. Ele e Kaká fizeram a festa.
E aí fomos para a Mata ver as novidades. E ele ia na frente mostrando tudo para Kaká, como se sempre estivesse vivido aqui. Como me sinto bem ao ver essa manifestação de intimidade com a Mata do Vô.
E fomos parar lá no fundão, sob a sombra acolhedora de um velho cajueiro, cujos cajus são muito doces e cuja florada promete muitas frutas para os próximos meses.
E lá eles brincaram até começar a escurecer. Capitão disse que o Acamámento deles era muito legal. Eu limpei a área, cortei folhas de gueroba para que eles forrassem o chão. Foi muito bacana vê-los desenvolvendo aquela aventura de acampamento. E foi então que tomei a decisão e lhe pergumtei: Você quer acampar essa noite aqui na Mata? E dá para imaginar a alegria dele. Saiu correndo para dizer as novidades para todo mundo. E assim começamos mais uma aventura: o primeiro acampamento na Mata do Vô, embaixo da velha Mangueira.
Isso é que foi uma festa das boas. Enquanto fui na escola, Tiadriano ficou providenciando a lenha para a fogueira. Acampamento tem que ter fogueira,
E quando voltei a festa já tinha começado. Tiricardo também chegou e tomou conta do churrasco. Vovó Lurdes cozinhou a mandioca, fez o arroz e o vinagrete. E a fogueira já estava crepitando.
E então foi só animação. Cantamos para a linda cheia o "Luar do Sertão" que estava demais de lindo. Capitão e Kaká também cantaram as músicas que aprenderam este ano.
E então jantamos em volta da fogueira. Um churrasco para lá de especial, Foi maravilhoso. A carne estava no ponto. Comemos até lamber os beiços. Delícia!
E aí cantamos mais até que o pessoal foi indo dormir. Estavam cansados. Afinal, viajaram quase oitocentos quilômetros para estar hoje conosco. Mas nossa aventura ainda não tinha acabado. Pelo contrário, só estava começando, pois íamos passar a noite na Mata.
As barracas á estavam armadas e eles foram se acomodando. Mas decidi ficar mais um pouco e conversar com a lua enquanto tivesse fogo na fogueira.
Tiricardo ficou comigo ao pé da fogueira. E contamos algumas histórias. Foi uma experiência maravilhosa poder estar com meu caçula ali naquela aventura.
Mas agora também vou dormir. O galo acabou de cantar a primeira vez nessa madrugada de Acampamento na Mata do Vô. O fogo já está quase apagando, Acho que vai ser difícil esquecer esse dia.
Seja benvindo, Capitão Davi. A casa estava sentindo a sua ausência e agora tudo voltará a sorrir de novo. Vou dormir e sonhar com nossas aventuras nessas férias. Vamos aproveitar o máximo, porque o tempo passa e a gente só leva daqui o que consegue aproveitar.
Ele veio com Tiadalva, Tiadriano e suas primas Bel e Kaká. E tão logo chegou já correu a fazer o reconhecimento de seu território, de seus brinquedos. E com a mesma pressa foi esparramando tudo pela área. E brincou bastante. Ele e Kaká fizeram a festa.
E aí fomos para a Mata ver as novidades. E ele ia na frente mostrando tudo para Kaká, como se sempre estivesse vivido aqui. Como me sinto bem ao ver essa manifestação de intimidade com a Mata do Vô.
E fomos parar lá no fundão, sob a sombra acolhedora de um velho cajueiro, cujos cajus são muito doces e cuja florada promete muitas frutas para os próximos meses.
E lá eles brincaram até começar a escurecer. Capitão disse que o Acamámento deles era muito legal. Eu limpei a área, cortei folhas de gueroba para que eles forrassem o chão. Foi muito bacana vê-los desenvolvendo aquela aventura de acampamento. E foi então que tomei a decisão e lhe pergumtei: Você quer acampar essa noite aqui na Mata? E dá para imaginar a alegria dele. Saiu correndo para dizer as novidades para todo mundo. E assim começamos mais uma aventura: o primeiro acampamento na Mata do Vô, embaixo da velha Mangueira.
Isso é que foi uma festa das boas. Enquanto fui na escola, Tiadriano ficou providenciando a lenha para a fogueira. Acampamento tem que ter fogueira,
E quando voltei a festa já tinha começado. Tiricardo também chegou e tomou conta do churrasco. Vovó Lurdes cozinhou a mandioca, fez o arroz e o vinagrete. E a fogueira já estava crepitando.
E então foi só animação. Cantamos para a linda cheia o "Luar do Sertão" que estava demais de lindo. Capitão e Kaká também cantaram as músicas que aprenderam este ano.
E então jantamos em volta da fogueira. Um churrasco para lá de especial, Foi maravilhoso. A carne estava no ponto. Comemos até lamber os beiços. Delícia!
E aí cantamos mais até que o pessoal foi indo dormir. Estavam cansados. Afinal, viajaram quase oitocentos quilômetros para estar hoje conosco. Mas nossa aventura ainda não tinha acabado. Pelo contrário, só estava começando, pois íamos passar a noite na Mata.
As barracas á estavam armadas e eles foram se acomodando. Mas decidi ficar mais um pouco e conversar com a lua enquanto tivesse fogo na fogueira.
Tiricardo ficou comigo ao pé da fogueira. E contamos algumas histórias. Foi uma experiência maravilhosa poder estar com meu caçula ali naquela aventura.
Mas agora também vou dormir. O galo acabou de cantar a primeira vez nessa madrugada de Acampamento na Mata do Vô. O fogo já está quase apagando, Acho que vai ser difícil esquecer esse dia.
Seja benvindo, Capitão Davi. A casa estava sentindo a sua ausência e agora tudo voltará a sorrir de novo. Vou dormir e sonhar com nossas aventuras nessas férias. Vamos aproveitar o máximo, porque o tempo passa e a gente só leva daqui o que consegue aproveitar.
sexta-feira, janeiro 27, 2017
Dia de Lourdes
Dia de Lourdes
![]() |
| Família Andrade |
O dia em
que você veio ao mundo
Trazendo
alegrias para a família Andrade.
Papai Tião
e mamãe Gasparina
Tinham como
seu sonho mais profundo
Ter uma
filha em sua mocidade.
Com a
chegada de sua primeira menina,
Morena
clara, cabelos pretos, bela, um céu!
E que ao nascer,
levou um tapinha e chorou,
Diante de
todos que aguardavam a sua vinda
E que
sorriram alegres pelo choro seu.
Você chorava
pela alegria de ter nascido,
De ter sido
amavelmente desejada.
Você seria
Maria de Lourdes, a lindeza
De papai e
mamãe; o tesouro mais querido
Que a
esmeralda goiana cobiçada!
E o tempo
passou! E você, Lourdes, cresceu.
Tornou-se,
entre todas, a mais linda mulher
Que eu já
conheci neste mundo de Deus.
Foi por
você que meu coração se rendeu
Desde que
soube que você queria me ter
Como amado
para os beijos seus.
O recado
alvissareiro veio por Zezé,
De suas
primas, com certeza, a mais chegada,
Minha amiga
daqueles tempos de escola:
__ Tenho um
recado, você quer saber o que é?
__ Claro! Desde
que não seja uma “pegada”.
__ Eu tenho
uma prima que está te dando bola!
Passei em breve
revista, a sua família inteira
E não encontrei
você, oh bela morena
Que um dia
me poria a fazer rimas,
Por ser
menina faceira e minha primeira
E única
mulher, que para viver, valesse a pena!
E então nos
conhecemos, namoramos,
Nos apaixonamos
e nos casamos, enfim,
Depois de
mil anos de namoro.
E tenho
vivido ao seu lado, em todos esses anos
Como homem
que na vida encontrou seu fim,
Feliz
aniversário! Parabéns por toda a sua vida!
Que Deus te
dê saúde, paciência e tolerância
Para me
aguentar como marido ao seu lado
Para o
lugar que Ele preparou-nos desde a infância
Para
vivermos sempre, eternos, juntos e irmanados.
Poxoréu,
MT, 27 de janeiro de 2017.
Izaias
Resplandes
quinta-feira, janeiro 26, 2017
Alô, Alô Pé da Serra
| Izaias e Waldomiro na Fazenda da Mata, no Pé da Serra |
Município
de Torixoréu, MT.
Izaias
Resplandes, filho dessa terra,
Avisa que
não precisa alvoroço,
Que está
bem e que agora no fim do mês
Também
avisa ao povo de seu avô
Que já não aguenta
mais de saudade,
Que sente
no peito uma grande dor
E que não
quer mais ficar na cidade.
Que é na
fazenda que quer morar
E com seu
povo é que quer estar.
O favor de comunicar
Que lugar
bom como esse aí,
Nem aqui,
nem em qualquer lugar.
Manda a
todos um abraço de coração,
Com
carinho, ternura e gratidão!
Poxoréu,
MT, 26/01/2017
Izaias
Resplandes
segunda-feira, janeiro 16, 2017
A brincadeira do caracol
A brincadeira do caracol
Vovô está com saudade
De brincar com seu netinho.
O brincar não tem idade,
Só precisa de carinho!
E aí, meu garotinho:
Vamos brincar o cacaracol!
_ Vamos sim, vovozinho.
Mas, como é que se binca o caracol?
Para brincar o caracol
Tem que saber fazer curva.
E ele é bom para os dias de sol
E também nos dias de chuva.
Primeiro faça o desenho circular
Das várias casas, do céu até a primeira,
Onde cada um, com empenho irá,
Pulando de pé em pé, a brincadeira.
Se você for ao céu e voltar
Sem pisar nas riscas em qualquer lugar,
Uma casa, como sua, poderá marcar
E nas outras vezes, nela descansar.
E assim, um por vez, todos vão pulando
Até as casas serem todas conquistadas.
E nessa brincadeira sairá ganhando
Aquele que tiver mais casas marcadas.
Izaias Resplandes
quarta-feira, janeiro 04, 2017
A hora do Ó
A hora do Ó
Izaias
Resplandes
“Ah, vovó! Só mais um pouquinho. Deixa eu ficar acordado
só mais um pouquinho”, respondeu Davi meio acordado, meio dormindo.
“Está bem, mas só até a vovó
fazer o seu mamá”. E lá se foi para a cozinha, enquanto seu avô Bigodão, escutando
tudo, pensava muito preocupado.
Ainda que estivessem vendo o
filme “Imagine Só”, que era muito legal, já estava quase na hora do Ó e todos
na sala já estavam cochilando fazia um tempão, pois não queriam estar acordados
quando ela chegasse. A bisavó Maria chega roncava de fazer tremer os bigodes: ROOOM,
ROOOOM, ROOOOOM... Seu ronco a cada tique-taque aumentava o tanto de Ó.
Naquela hora Bigodão deu uma
olhada no relógio da parede para ver as horas. E entre as vozes do filme e os
roncos da bisavó dava bem para ouvir a voz do relógio dizendo que já se aproximava
a terrível e temida hora do Ó.
Tique-taque, tique-taque, tique-taque...
Faltavam vinte vezes sessenta tique-taques para iniciar o quarto dia do ano primeiro
que vem depois dos quatro primeiros bissextos do século vinte e um. Contei nos
dedos, fiz a conta, mas o roncar da bisavó me fez errar.
Levantei. Fui até a janela e
olhei o tempo. Ouvi um trovão: TROÃO-VÃO-VRÃO-VRÃO-TROAO-VRÃO... O céu estava coberto por um véu mais negro que
o negro da noite sem lua. Vi que também não havia mais ninguém na rua. Todos
tinham ido dormir há muitos tique-taques atrás. Ninguém queria estar acordado quando
chegasse a hora do Ó.
Capitão Davi sempre soubera
o quanto a hora do Ó era perigosa. Desde os tempos em que ele e Bigodão exploravam
a Mata do Vô, que ele aprendeu que criança naquela casa deveria dormir cedo,
antes que chegasse a hora do Ó, a hora do pega pra cantá. Vovô Bigodão sempre
lhe dizia para tomar muito cuidado, porque quando chegasse a hora do Ó, ele não
deixaria ninguém escapar e pegaria todo mundo que estivesse acordado para
cantar com ele o terrível canto do Ó, em muitas e diferentes línguas, até não
poder mais cantar e cair no sono de cantaço, o cansaço de tanto cantar.
Na verdade, todo mundo lá gostava
de cantar. Na hora do almoço cantavam: “AO SENHOR AGRADECEMOS, ALELUIA! O
ALIMENTO QUE TEREMOS, ALELUIA!” Também
cantavam na hora da janta e em muitas outras horas. E todo mundo achava legal.
O problema era cantar na hora do Ó, porque a música que Bigodão inventava na
hora era uma música comprida e sem graça e que não acabava nunca, pois após se
cantar em uma língua, ele chamava para cantar em outra língua e outra língua e
outra... Aí ninguém conseguia dormir tão cedo, porque aquele Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró não saía
mais da cabeça. E quando a gente dormia, acabava sonhando com o canto e
acordando de novo. Era muito terrível!
E o vovô Bigodão começava:
Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos
cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos
cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos
cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Agora
vocês. Vamos lá. Bis!!!
Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró-Ró! Oh! Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró!
Vamos cantar, ó bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar Vovó, Vovó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Agora é o canto do POCOTÓ!
Vamos
cantar, ó bisavó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos
cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos
cantar Vovó, Vovó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ, PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Mais uma vez.... E assim
prosseguia, inventando outras rimas esquisitas com o Ó, desafiando os acordados
para repetir o verso do Ó que acabara de ser inventado.
E a partir de agora essa
vai ser a história do Ó, que afinal não tinha nada de mais, pois era apenas
isso só.
Oh, outro Ó! Então vamos
cantar: E ERA APENAS ISSO SÓ!
Vamos cantar, ó Bisavó: Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
Vamos cantar neto da Vó: PÓ-CÓ-PÓ-TÓ-
PÓ-CÓ-PÓ-TÓ.
Vamos cantar, Vovó, Vovó: QUE
ERA APENAS ISSO SÓ!
Aí encerrava o Vovô, dando
um Boa Noite para todos. Mas ninguém mais respondia. Todos imitavam a bisavó: ROOOM,
ROOOOM, ROOOOOM... E se alguém que até então não dormira de verdade, também a imitava até que dormisse, sonhando com aquele terrível canto do Ró-Ró-Ró e Ró-Ró-Ró.
terça-feira, dezembro 20, 2016
POR AMOR A KARITA
POR AMOR A KARITA
Antes de tudo, quero me apresentar: eu sou um
TUNIQUINHO! Esse é o nome que nós escolhemos para o nosso grupo familiar, em
homenagem ao meu avô Antônio Gomes de Sousa, notoriamente conhecido e
respeitado na região de Torixoréu, MT, como o TUNICO SOUSA. Neste ano de 2016
nós participamos de três campanhas de saúde em nosso próprio meio, além de nos envolvermos
também em outras frentes de ação. A primeira começou ainda no ano passado e
marcou o início desse ano, quando lutamos pela vida de meu filho Ricardo
Resplandes. Depois veio a luta pela saúde de tia Zulmira de Sousa. E agora,
estamos chegando ao fim do ano lutando POR AMOR A KARITA. Lutamos pela
realização de cirurgias delicadas e muito onerosas. Infelizmente, ainda que
nossa Constituição diga que “saúde é um direito de todos e dever do Estado”,
isso está longe de ser realidade no Brasil, quando vemos ser noticiados quase
que diariamente a morte de pessoas nas filas de espera para realização de
cirurgias eletivas. É nessas horas que a gente se desespera, porque apesar dos
avanços tecnológicos, tais benefícios somente são colocados à nossa disposição,
quando temos recursos financeiros para assegurá-los. E isso, em um país onde a
maioria da população é muito pobre, nós sabemos que não é algo fácil de
conseguir. Mesmo assim, nós nunca deixamos de acreditar que com a união dos
esforços de muitas mãos e com muito amor em nossos corações, nós sempre
poderemos ver e vivenciar milagres em nossas vidas.
E então eu pude dizer hoje à noite esse breve
mais tão significativa frase. Vencemos! Bastou-me uma só palavra para traduzir
o meu sentimento de gratidão às centenas de pessoas que nos ajudaram na
obtenção dos recursos necessários para que a cirurgia renal de minha prima
Karita se tornasse realidade.
Foram três dias intensos de conversas e muita
ação. E ao final dessa Campanha, quero dizer que foi maravilhoso poder receber
e dar um abraço de amor como esse que cada um de nós conseguiu dar e receber
durante essa operação por AMOR A KARITA.
Eu sei como é grande o coração e a capacidade
de amar de tantos dos tantos que convivem comigo. Eu sei porque eu tenho sido
amado por demais. E isso me sensibiliza para tentar compreender e amar também,
na mesma medida, ainda que isso seja quase impossível, porque sempre recebi
bênçãos com medida transbordante, recalcada e sacudida!
Eu não gosto do amor de gogó. Eu gosto do
amor de fato. Da mesma forma, eu gosto muito de orações, mas de orações ativas,
carregadas de ação, pesadas de concretude, conscientes e saborosas. Não gosto
de falatórios vazios e hipócritas, que falam, falam, mas não produzem nenhuma
ação. Gosto de orações que me mostram a face de Deus agindo na minha vida,
porque o Deus que eu acredito não é um Deus de fala vazia, mas é um Deus que
quando fala, as coisas acontecem.
O que Deus nos mobilizou para fazer por três
dias foi uma grande missão de amor pela vida de Karita. Isso, sim, é o amor que
eu conheci e quero que Deus me ajude a praticar muitas e muitas vezes até ser
capaz de não discutir, mas apenas amar!
Quero dizer que é desse tipo amor que estou me esforçando para
aprender. E que é sendo amado com esse tipo de amor que eu também estou aprendendo
a amar. Essa nessa dimensão pedagógica que faço esse meu discurso. Afinal, como
não amar se a cada instante dessa vida eu sou muito amado? É o exemplo e não a
teoria que produz o resultado desejado por mim e, com certeza, por todos nós.
Além disso, eu tenho
aprendido que para amar é preciso ser capaz de ver além daquilo que se vê.
Normalmente nós vemos apenas as aparências e por isso temos dificuldades de
amar.
O amor não é fruto de aparências. O amor brota na alma e se
espalha pelo coração e pela mente. Quando se é possuído pelo amor, a gente faz as
coisas sem perguntar por quê; a gente consegue ver o que é invisível para os
olhos normais; a gente consegue sentir a dor e a alegria que está dentro do
outro; e a gente se dispõe a ser instrumento nas mãos de Deus para trazer o alívio
ao sofrimento de nosso irmão.
Eu quero agradecer a cada um dos meus queridos TUNIQUINHOS e
das centenas de amigos que vamos colecionando pela vida afora, pelos tantos
lugares que passamos, pela alegria que me proporcionaram de poder viver e
sentir as emoções desses dias de lutas por AMOR A KARITA!
E a mensagem que deixo a cada um é esta: vamos em frente! Nós
estamos nos tornando uma família de verdade, nós estamos aprendendo a ser
família. Não é difícil amar e se relacionar com uma ou duas pessoas, mas estar
presente na vida de centenas já não é uma tarefa tão fácil. Mas nós estamos nos
aperfeiçoando na medida em que caminhamos para sermos milhares de TUNIQUINHOS!
Começamos com os filhos, netos e bisnetos de Tunico Sousa. Incorporamos genros,
noras, primos, sobrinhos, tios... Estamos realmente nos transformando em uma
Grande Família, principalmente quando deixamos fluir em nosso meio o sangue de
nossos ancestrais, que sempre valorizaram a família e a amizade. É esse fluxo
que nos anima, que nos enche de saudades deles e nos faz sentir vontade de seguir
os seus passos e ser pelo menos um pouquinho do que eles foram.
Parabéns aos TUNIQUINHOS & AMIGOS que hoje dormem o sono
feliz de quem fez o bem da melhor forma que foi possível fazer. Saúde para
todos, mas em especial para a musa inspiradora dessa nossa Campanha de Amor.
Que Deus abençoe a você, KARITA DIOGO GOMES e que sua operação seja bem
sucedida para que sua alegria de viver feliz e sem dor seja restabelecida.
Amém!
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