sábado, agosto 08, 2015

A honra aos pais II


A honra aos pais II
Prof. Izaias Resplandes de Sousa
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; Para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra. Efésios 6:2-3.
Todos os dias nós cumprimentamos nossos amigos que aniversariam, com expressões do tipo: vida longa; que Deus multiplique seus dias; que Deus te dê muitos anos de vida; e frases semelhantes.
A Palavra de Deus nos dá uma receita de como isso pode acontecer, de como poderemos ter nossos dias prolongados na terra.
Honra a teu pai....
Segundo o apóstolo São Paulo, em Ef. 6:2, esse “é o primeiro mandamento com promessa”.
A promessa é de longevidade.
Filhos, vocês querem viver muitos anos?
Então honrem a teus pais!
Incorporem em seus comportamentos aquelas virtudes que seus pais tanto valorizam: honestidade, dignidade, coragem...
Sejam honestos. Falem a verdade. Não mintam. Não deturpem as coisas. Sejam sinceros. Contentem-se com o que é seu. Respeitem o que é dos outros. Sejam reconhecidos como pessoas de reputação ilibada, pessoas que merecem confiança, pessoas sérias.
Todo pai gostaria que o filho fosse assim.
Mas o que se vê por aí?
Vemos pessoas sadias fingindo-se de doentes para obter os privilégios de licenças remuneradas, aposentadorias precoces. Elas montam seus ardis de tal forma que até conseguem convencer profissionais de saúde a respaldarem suas mentiras. E passam a vida se mantendo com os recursos públicos, ao invés de trabalharem e de contribuírem para o seu próprio crescimento e também o crescimento de seu país.
Vemos estudantes se promovendo nos estudos na base de colas, de cópias, de plágios e de outras falsificações, e que se tornam profissionais vis e desprezíveis ao invés de profissionais de respeito e valorizados por todos.
Vemos pessoas contrabandeando ou adquirindo produtos contrabandeados dos países vizinhos sem o devido recolhimento dos impostos, para comprar mais barato e ainda defendendo que isso está certo, porque em seu país se cobra impostos em demasia, ao invés de comprarem em suas respectivas cidades e em seu país, para valorizarem a prata da casa. É possível que se todos fossem honestos e pagassem seus impostos, provavelmente haveria uma menor oneração sobre nós.
Vemos pessoas casadas se passando por solteiras para seduzirem jovens despreparadas ou despreparados para conhecerem sobre a malícia dos seres humanos, ao invés de valorizarem as suas próprias famílias, seus cônjuges, seus filhos.
Vemos muita gente querendo levar vantagem em tudo, ao invés de se contentarem apenas com aquilo que é seu de direito.
Assim, filhos... Sejam dignos. Comportem-se de tal forma que todos falem a seu respeito com uma boca boa, cheia de prazer e satisfação.
Se vocês levarem uma vida nessa linha, com certeza vocês estarão honrando aos seus pais, mesmo que eles não tenham levado a mesma vida que vocês levam. As pessoas vão dizer de seus pais sobre cada um de vocês: o filho (ou filha) daquele homem é realmente uma pessoa de valor.
Atitudes como essas estão na base do ato de honrar aos pais!
Mas a honra ainda vai muito além...
Estejam junto de seus pais o máximo que vocês puderem. Convidem-nos para suas festas, mesmo que vocês seja pessoas importantes e eles sejam pessoas humildes. Valorizem o ato de estar ao lado deles. Honrem-nos em seus estudos tirando boas notas; convidem-nos para irem à escola ver como vocês estão se comportando por lá. Ah, meus queridos filhos! Seus pais vão gostar muito de ouvirem seus professores falando bem de cada um de vocês, dizendo que é um aluno estudioso, aplicado, respeitador, participativo...
Se escreverem um livro, dediquem-no à memória de seus pais, que certamente te incentivaram a estudar.
Façam seus pais sentirem que vocês realmente apreciam a companhia dele, sua conversa, suas orientações. Deixem claro que, mesmo discordando de algumas coisas, vocês respeitam os pensamentos e as ideias deles. Conversem sobre suas discordâncias, sempre com respeito, procurando entender e valorizar o que seus pais querem dizer a vocês e que certamente serão coisas boas, pois qual é o pai que o filho pede um peixe e ele lhe dá uma cobra?
O pai sempre quer o melhor para o seu filho. E somente deve ser ignorado quando for um mau pai e quiser levar você a fazer coisas vis, imorais, erradas, indignas, ilegais e injustas.
E às queridas filhas, eu quero dizer:
Ah, meninas, como deve se sentir honrado aquele pai que leva sua filha ao altar no dia de seu casamento! Deem essa alegria ao seu velho. Ainda que muita gente veja esse casamento religioso como sem muita importância, toda filha e todo pai sonha com esse dia.
O dia do casamento dos filhos, quando os noivos se vestem em seus mais lindos trajes para comparecerem diante da igreja, a fim de receberem a bênção de Deus através da irmandade, dos amigos, dos familiares e de outros convidados é um dia de grande honra. Todos os que ali estiverem se sentirão honrados por estarem ali. E seu pai, meninas, talvez até mais do que vocês, se sentirá o homem mais feliz do mundo.
Então, meus queridos filhos...
Que cada um de vocês seja sempre um filho, ainda que já seja maior de idade. Honre seu velho, permitindo-lhe que ele seja seu pai. Ouça-o! Pergunte as coisas para ele e reflita calma e profundamente em suas declarações antes de rejeitá-las. Dê-lhe a honra de ser sempre seu pai, como se você ainda fosse uma criança.
Se as orientações que seu pai lhe deu foram boas e se você também educa seus filhos no mesmo sentido, então não se desvie dessas instruções, ainda que você já tenha uma boa idade.
Isso é honrar a seus pais.
A honra deve alcançar palavras e ações. A honra só de boca é hipócrita. Lábios e corações devem estar casados. A boca deve falar daquilo que o coração está cheio, para que a honraria seja um ato de autêntico valor.
Falando sobre essa falta de sintonia que costumeiramente vemos entre nós, Jesus disse:
Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens. E, chamando a si a multidão, disse-lhes: Ouvi, e entendei: O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem. Mateus 15:8-11.
As palavras que saírem de nossa boca devem ter boa praticidade, devem alcançar bons resultados. Resultados, todas as palavras trazem. Mas, bons resultados, nem sempre...
Ao finalizar queremos apontar que a honra prestada  aos nossos pais, por estarem nessa condição de pais, na verdade reflete a própria honra que fazemos ao Nosso Pai Celestial, nosso verdadeiro Pai.
O apóstolo João nos alerta sobre a relação de amor entre nós e Deus. Ela deve começar entre nós,  pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1 João 4:20.
Parafraseando a ideia: quem não honra a seu pai na Terra, a quem conhece e com o qual convive, como pode honrar alguém que está no Céu e a quem nunca viu?


E essa é a mensagem. Que Deus nos abençoe e nos ajude a estar colocando essas ideias em prática durante todos os dias de nossa vida.

A honra aos pais I

É certo que este é um dos temas mais explorados de todos os tempos, mas que, mesmo assim, deve ser objeto de reflexão constante pelas partes diretamente envolvidas – pais e filhos –, seja de forma conjunta, seja de forma isolada, dada a importância exercida pela família no contexto social. Trata-se de uma relação de mão dupla, onde os dois lados envolvidos têm responsabilidades mútuas. É isso que a Bíblia nos ensina e que procuraremos resgatar durante essa reflexão.
A Bíblia é a base moral e ética da família ocidental. O cristianismo é a maior religião do ocidente. “Pais e Filhos” é um tema bíblico. E é do livro sagrado que temos as primeiras orientações acerca dessa relação. “Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR teu Deus te ordenou, para que se prolonguem os teus dias, e para que te vá bem na terra que te dá o SENHOR teu Deus” (Dt 5:16; Mc 10:19).
Honrar é ter orgulho, prazer, satisfação, respeito, consideração. Aquele que não sente nada disso em relação aos seus pais certamente não será uma pessoa feliz. Eu sei que muitos não tiveram “pais” na verdadeira conotação que se gostaria de dar a
essa palavra, mas não se pode fazer da exceção a regra. Além disso, é muito difícil para um menino sobreviver sozinho. De forma que, mesmo indiretamente, cada um de nós teve alguém que se preocupou com a nossa existência. E por conta dessa preocupação, nós chegamos até esse estágio da vida. Nesse sentido poderemos dispensar o tratamento de pai a essa pessoa que se preocupou conosco, que fez alguma coisa, mesmo que pequena, para garantir o nosso lugar ao sol.
O pai não é somente o biológico, mas é também. Aliás, embora muitos destes “biológicos” não fizeram nada mais do que nos colocar no mundo, o que pode ser considerado muito pouco, é de destacar que sem isso não existiríamos. De forma que, se temos satisfação de estar vivos e de existir, então temos que ser gratos também a este pai biológico. Ele pode ter feito muito pouco, mas fez, todavia, o essencial para que viéssemos ao mundo. Não seríamos filhos de Deus se não fôssemos gratos até mesmo pelas pequenas coisas que nos acontecem. Deus promete bênçãos até para quem der a um de seus discípulos um simples “copo de água fria” (Mt 10:42). E certamente o direito à vida vale muito mais do que um copo de água. Não nos esqueçamos disso. Às vezes o nosso coração está tão amargo que não conseguimos ser bem agradecidos. Deus não ensina os seus filhos a agir com amargura, mas com amor (Ef 4:26; Hb 12:15)
A Bíblia registra uma promessa de longa vida para aquele que honrar seus pais. Não importa se sejam biológicos, adotivos, espirituais ou apenas carismáticos. O que importa é que sejam pais, que se preocupem hoje ou que alguma vez se preocuparam de alguma forma, com a existência de alguém. Paulo faz esse destaque especial em Ef 6:2, dizendo que esse ato de honraria “é o primeiro mandamento com promessa”.
Sobre essa questão de honraria. desejo dar um testemunho pessoal. Tenho três filhos maravilhosos: Fernando, Mariza e Ricardo. Todos estão chegando à maioridade, mas respeitando e valorizando as orientações que receberam de seus pais durante a adolescência de suas vidas. São estudiosos, trabalhadores e seguem junto conosco o “caminho, e a verdade e a vida” que nos conduz “ao Pai” (Jo 14:6). Quero acreditar que eles continuarão trilhando pelo “caminho que devem andar” (Pv 22:6), mesmo depois que Lourdes e eu tivermos partido desse mundo. Nós nos sentimos muito honrados e abençoados com os nossos filhos.
Muitos filhos deixam os pais para estudar, ou quando se casam. Diz a Bíblia que um dia “deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma só carne”. Essa é uma experiência necessária. Ao se casar, o jovem deve passar um tempo somente com sua esposa, para se adaptar à vida a dois, para conhecê-la e também para ser conhecido por ela. Isso não significa que nunca mais devam procurar seus pais. Pelo contrário. A partir de um determinado momento, devem, inclusive, assumir a responsabilidade por cuidar deles (1 Tm 5:8; Jo 19:27). Deus abençoa os pais para fazerem o seu melhor por seus filhos e depois abençoa os filhos para também fazerem o seu melhor por seus pais.
Nós temos sido abençoados sobremaneira. Nada nos têm faltado (Ef 1:3). Sem dúvida alguma podemos dizer com Samuel que “até aqui nos ajudou o Senhor” (1 Sm 7:12).  E temos certeza de que Deus continuará nos ajudando e nos abençoando, bem como aos nossos filhos para que, em parceria, continuemos construindo nossas vidas conforme a sua vontade. Essa é uma relação que deve acontecer não somente conosco, mas com todos os pais e filhos, porque esse é o desejo de Deus para todos os seus.
Por outro lado, é de destacar que hoje, além dos pais biológicos, todos nós temos um pai adotivo que é Deus e muitos irmãos e mães. Como disse Jesus: “qualquer que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, este é meu irmão, e irmã e mãe”. Fazemos parte de uma família espiritual, onde cada um se preocupa com cada um, sofrendo e se alegrando conjuntamente. Com certeza existem muitas pessoas sozinhas neste mundo, mas não existe crente sem ninguém. “Deus faz que o solitário viva em família; liberta aqueles que estão presos em grilhões; mas os rebeldes habitam em terra seca” (Sl 68:6). Cada crente deve honrar aquele que o encaminhou na vida espiritual como se fosse seu pai (1 Tm 1:2; Tt 1:4; Hb 13:17). Deus aprecia aquele que é bem agradecido pelo que recebeu (Lc 17:17) e haverá um coroa de honra para aquele que soube honrar e valorizar os seus pais, caracterizada pela vida longa e pelos cabelos brancos da velhice abençoada (Pv 16:31). Que todos nós possamos recebê-la. Esse é o objetivo da instrução.


segunda-feira, julho 13, 2015

Saudades de Torixoréu

Saudades de Torixoréu
Prof. Izaias Resplandes de Sousa

Meu Torixoréu pequeno
Tenho saudades de ti.
Eu não vi você crescendo.
Mas de ti não desisti.

É tão triste aqui morar
Longe de meu pessoal.
Eu queria era sempre estar
Na doce terra natal.

Eu nasci no Pé da Serra,
Pertinho de Pouso Alto.
Seja em paz, ou seja em guerra
No amor por ti não falto.

E se me sobrar um tempinho,
Correrei a te abraçar
Vou levar-te meu carinho
Povo amado do meu lar.


domingo, julho 12, 2015

Histórias de Poxoréu

Os diamantes do Kurugugwári
Prof. Izaias Resplandes de Sousa


Poxoréu é uma cidade garimpeira. Ela foi construída na terra dos índios Bororos Coroados, no delta formado pelos rios Bororo, Areia e Poxoréu (Pó Ceréu), bem à sombra do Morro da Mesa, que os índios chamavam de Morro Kurugugwári[1], que quer dizer Casa do Gavião de Penacho ou Caracaraí[2] . Herdou seu nome do Rio Pó Ceréu, que significava rio de águas escuras.
O Morro Kurugugwári era visto a centenas de léguas de distância, por causa de sua altura.
Essa história aconteceu há muito tempo atrás, antes que Poxoréu existisse, quando apenas os ferozes índios Bororos Coroados andavam por ali.

A terra era coberta por uma mata fechada, com árvores enormes crescendo desde a beira dos rios até o topo do Kurugugwári. Animais ferozes também viviam naquelas matas e eram caçados pelos bravos e corajosos índios. Havia até onças pintadas. As onças pardas eram bem comuns. Mas também havia antas, capivaras, caititus, pacas, cobras de muitas espécies e muitos outros bichos. Os rios fervilhavam de peixes. Era uma terra muito farturenta e boa para se viver. Mas era uma terra selvagem, onde somente os ferozes índios Bororos Coroados viviam. E as histórias contadas por alguns que se aventuraram ir até lá e que conseguiram voltar, não animavam a ninguém mais fazer as penetrações naquela região, pois a maioria dos que iam, jamais voltava.

Eu conheci um velho índio chamado Rikaimbaúba e que nascera naquela região. Ficamos amigos e então ele me contou essa história.
Ele me disse que, em certo dia, de noite muito escura, os bororos David Inapacanim e Izazá Urutaurana montaram uma espera no alto do Kuruguguwári para caçar um animal. Eles tinham grandes habilidades para caçar, sendo muito admirados pelos garotos da aldeia bororo de Pó Ceréu, a qual ficava no lado poente do morro que a balizava.

Durante muito tempo eles descansaram no alto da espera, feita na copa de um Pateiro centenário, enquanto aguardavam a saída da lua. Era nessas horas de luar que os animais saíam de suas tocas para procurar comida. Eram então que muitos deles também acabam se tornando comida de outros bichos mais ladinos e espertos.
Foi então que tudo aconteceu. A noite escura virou dia. Uma enorme bola de fogo, com muitas estrelinhas brilhando ao seu redor tomou conta do céu, iluminando tudo como seu fosse o meio dia. A bola ia de um lado para outro, parando em um ponto aqui, outro ali do céu, como que sondando o imenso vale dos rios Areia, Bororo e Pó Ceréu. Ela também girava em torno de si. E girava, girava, emitindo um zumbido de milhões de abelhas. Até que veio e parou sobre o topo do Kurugugwári, descendo ali, queimando o mato em volta, o qual virou cinza apenas pelo contato com aquela bola de fogo. Inapacanim e Urutaurana perderam a fala naquele momento. Ficaram encantados com aquilo. Parecia que o sol e muitas estrelas haviam caído do céu ali no topo daquele morro. Eles imaginaram que, com certeza, Deus chegava à terra dos índios para fazer o juízo. E assim pensavam, até que foram despertos de seu êxtase por uma terrível vibração da terra. Parecia que o morro estava se desmanchando.


O barulho durou muito tempo. A lua apareceu, mas quase não se via o seu brilho. Ela já estava no meio do céu, no alto de suas cabeças quando a bola de fogo voltou a girar e girar, levantando-se outra vez e fazendo novamente um imenso voo rasante pela região, parando aqui ou ali, até precipitar-se em alta velocidade pela imensidão do céu de onde ela viera, indo em direção à lua. Inapacanim e Urutaurana ficaram observando a subida dela até que sumiu de suas vistas.
Naquela noite, nenhum animal apareceu debaixo do velho Pateiro. Mesmo assim, eles não conseguiram dormir. Somente no outro dia, quando o sol clareou o topo do morro, foi que eles desceram da árvore e foram até a clareira feita pela bola de fogo.
A área devastada era circular e cobria quase a metade do morro. O chão estava coberto de cinzas ainda mornas, apesar da friagem da noite. E lá no meio daquele círculo via-se uma grande cratera. Teria sido ali o lugar que a bola de fogo descera. Os índios se aproximaram do lugar. Era um buraco em formato de árvore. Na boca era bem largo, como se fosse a copa da árvore. Depois se afunilava, como se fosse o tronco de uma árvore grossa, que poderia ser abraçada se umas seis pessoas dessem suas mãos. O buraco-tronco sumia morro adentro. Eles olharam para baixo, mas não conseguiram ver o fundo lá de cima.

Os dois caçadores ainda estavam na admiração daquela nova paisagem quando começaram a chegar os outros índios da aldeia, que também viram a bola de fogo e estavam curiosos para saber o que tinha acontecido. Depois de analisarem a situação, decidiram descer no buraco e ver até onde ele ia.
Os índios fizeram uma grande e grossa corda com embira de buriti. Formaram vários rolos de corda. Amarraram-na nas árvores mais grossas do morro e jogaram as pontas dos rolos pelo buraco. Então começaram a descida. O pequeno valente Inapacanim, segurando uma tocha acesa e seu amigo Urutaurana puxaram a fila, iluminando a descida. Desceram a altura de uns dez pés de buriti buraco adentro. E então chegaram no fundo. Ali o buraco se alargava novamente, como se fossem as raízes se espalhando em várias direções, formando uma grande caverna. E por todo lado que se olhava, o que se viam eram lindas pedras que refletiam à luz das tochas.
Em um dos lados daquela caverna brotava um forte olho d’água, jogando-se para cima quase até a altura de Urutaurana. A água dessa mina estava enchendo a caverna.
Eles ficaram encantados com o brilho daquelas pedras que estavam sendo cobertas pelas águas. Mas viram que não poderiam demorar muito ali e se preparam para voltar. Cada um pegou o tanto de pedras que pode e subiram novamente por onde haviam vindo.
No topo do morro mostram aquelas lindas pedras aos seus companheiros, que não tinham descido, dando-lhes algumas de presente. Depois voltaram à aldeia.
Durante muito tempo, o que se falava ali era sobre a bola de fogo e as lindas pedras encontradas dentro do Kurugugwári, as quais agora enfeitam os pescoços de todos os índios da aldeia.
Somente muitos anos depois, com a chegada dos homens brancos à região é que se descobriu que aquelas pedras eram chamadas de diamantes e que tinham grande valor. Por conta disso, muita gente morreu naquela região, pois todos queriam ser os donos dos diamantes do Kurugugwári, como passaram a ser chamados. Muitos índios foram torturados até a morte para dizerem onde haviam encontrado aquelas pedras, mas nenhum deles rompeu o pacto de silêncio.

Mas os diamantes não foram os únicos presentes. Aquela nascente que foi existia embaixo do morro e que foi liberada com aquele túnel, logo, logo o encheu, atingindo o topo do morro, formando uma linda piscina natural na cratera onde a Bola de Fogo descera, escoando dali na superfície do morro por uns trezentos metros através de uma depressão natural, chegando até a borda do abismo, de onde se lançou em linda cachoeira até a base do Kurugugwári, formando um pequeno regato que deságua na margem direita do Rio Bororo. A cachoeira tinha uns duzentos metros de altura. Era um espetáculo muito lindo de se ver.

Mas na medida que o tempo foi passando a pressão exercida por aquela piscina de mais de cem metros de profundidade, nas paredes do morro foi provocando rachaduras, por onde a água foi passando, penetrando nas suas entranhas até atingir a sua parte externa, de modo que surgiram pequenas nascentes de água em vários pontos, formando pequenas grotas d’água que corriam para o rio Bororo e para o rio Pó Ceréu. Algumas maiores e outras menores. Com o tempo, essas nascentes foram se alargando, aumentando o fluxo de suas águas, de modo que acabaram carregando muitos dos diamantes do Kurugugwári para os leitos dos rios, alguns dos quais, mais tarde foram descobertos pelos primeiros garimpeiros que ali chegaram.
E o fluxo de água para a superfície do morro foi diminuindo, diminuindo, até que secou de vez. E então ficou aquela fenda enorme no centro do morro, que representava um grande perigo para as pessoas que subiam até lá. E assim os índios decidiram soterrá-la. Eles passaram muitas luas carregando pedras e terra lá para cima do morro até que encheram completamente aquele grande buraco. Também replantaram toda a área devastada e após alguns anos não ficou o menor sinal dela. O chão voltou a ser recoberto de vegetação rasteira, embora as árvores já não cresciam tanto quanto antes, talvez porque as fontes de água agora estavam muito profundas e pendendo para outra direção. Mesmo assim, nunca mais alguém tentou reabrir a cratera. E o tempo foi passando e tudo aquele acontecimento foi se tornando apenas uma lenda que era contada para entreter as crianças.
A partir da descoberta dos diamantes pelos garimpeiros brancos que chegaram ao Kurugugwáre, houve uma grande corrida em busca dessa grande riqueza. Veio gente de todo lado em busca dos diamantes milionários que se espalhavam pelos lendários garimpos pra mais de mil que povoaram o Vale do Pó Ceréu, balizados pelo majestoso Morro Kurugugwári, ao qual rebatizaram de Moro da Mesa, porque tinha o formato de uma mesa. Formou-se ali uma povoação, também chamada de Morro da Mesa, nome mais tarde mudado para Poxoréu.
Quando os garimpeiros chegaram, os índios bororos logo se espalharam para outras terras, não se acomodando na convivência com eles, os quais reviravam sua terra como besouros em busca dos ricos diamantes presenteados pelo Deus da Bola de Fogo, do Sol e das Estrelas, que um dia descera do céu sobre o velho Kurugugwári.
Com o tempo se descobriu que não apenas nas águas dos rios Bororo e Poxoréu havia diamantes, mas em toda aquela região que fora sobrevoada pela grande Bola de Fogo. Por todo lado onde ela passara e não apenas na região de Poxoréu, a bola fora cristalizando as pedras e formando os tão cobiçados diamantes.
Pelo que se sabe, até os dias atuais ainda tem muita gente procurando diamantes nas terras abençoadas pelo Kurugugwári. 

E foi assim que nasceu Poxoréu.




[1] Sousa, Izaias Resplandes de. Viva o Brasil. Somatório de Ideias.  http://respland.blogspot.com.br/2006/04/viva-o-brasil.html
[2] Gavião Penacho. Crédito: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/5/54/Spizaetus_ornatus_crop.png. O gavião-de-penacho (Spizaetus ornatus) é um gavião florestal, da família dos acipitrídeos. É considerado pelo IBAMA como ameaçado de extinção no Brasil, mas não é tido como espécie globalmente ameaçada pela IUCN. Também é conhecido pelos nomes de apacanim, inapacanim e urutaurana.

domingo, março 08, 2015

Feliz dia da mulher

Feliz dia dos mulheres. À minha esposa, à minha filha, à minha mãe, à minha nora (que me deu o melhor neto de todos), às minhas irmãs, às cunhadas, cum-cunhadas, sogra, tias, primas, sobrinhas, alunas, colegas de trabalho, upeninas e amigas eu desejo um dia feliz, leve, com sabor de quero mais, com o ardor do sol da manhã, com o frescor das frutas da estação, com o perfume e o encanto da primavera... Eu te desejo um dia especial, que te ajude a ter mais fé na vida e que sirva de incentivo para que você continue sendo essa mulher especial que você é... Beijos a todas!!!
 — com Maria De Lourdes Resplandes e Mariza Resplandes.

sábado, março 07, 2015

Dia da Mulher

A mulher cristã no século XXI
Prof. Izaias Resplandes
1. Introdução. Antes de tudo, façamos uma breve introdução sobre a mutabilidade e imutabilidade das coisas.
Assim diz a Bíblia em Hb.. 12:27: A palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam.

É certo que, no mundo criado por Deus, temos uma constante evolução, um aperfeiçoamento das coisas feitas, de sorte que há muitas mudanças da noite para o dia. Apesar disso, sabemos que nem tudo é mutável e que certas coisas são perenes, são para toda a vida, são eternas.

Diz a Bíblia que, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento, para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos poderosa consolação, nós, os que nos refugiamos em lançar mão da esperança proposta, Hb. 6:17-18.

Vemos que apenas as coisas feitas podem mudar. O que é eterno é o que é e não mudará nunca. Quando Deus enviou Moisés para libertar o seu povo da escravidão no Egito, este perguntou-lhe sobre quem diria ao povo que o havia enviado, ao que Deus respondeu: EU SOU O QUE SOU. E disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós, Êxodo 3:14.

Deus é o que é: eterno. Sempre foi, é e sempre será. E assim, seus conselhos, orientações e determinações, por exemplo, são imutáveis. Seus pensamentos, que não são iguais aos nossos, são permanentes. Ele é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente, Hb. 13:8.

É muito importante que compreendamos bem o que seja mutável e o que seja permanente, para não incorrermos na tentação de querer mudar o imutável.

A Palavra de Deus é imutável. O que Ele disse para ontem, vale para hoje e para sempre. E esse é um dos legados mais preciosos que temos recebido do Criador, pois nos dá a segurança de que tudo será como foi estabelecido.

Maria de Lourdes Resplandes

2. O plano de Deus para a mulher. A mulher foi criada. Como algo feito, encontra-se sujeita às mutações do tempo. Embora todas sejam mulheres, cada uma tem a sua própria identidade. Mas os objetivos de sua existência enquanto mulher são eternos e foram estabelecidos pelo Criador, antes mesmo de criá-la.

Assim disse o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele, Gn. 2:18.

A mulher foi criada para ajudar o homem a cumprir a sua missão de conquistar e dominar o mundo criado, tirando dele todo o proveito para a sua existência. Homem e mulher deveriam seguir o princípio da cooperação, com o homem tendo a responsabilidade de liderar o processo e a mulher, a função de ajudá-lo na execução das decisões tomadas. E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne, Mc. 10:8.

É muito importante que homem e mulher compreendam as vantagens de agirem como casal, ao invés de fazerem um trabalho isolado e individual. Assim diz o Pregador, no Eclesiastes:  Há um que é só, e não tem ninguém, nem tampouco filho nem irmão; e contudo não cessa do seu trabalho, e também seus olhos não se satisfazem com riqueza; nem diz: Para quem trabalho eu, privando a minha alma do bem? Também isto é vaidade e enfadonha ocupação. Melhor é serem dois do que um, porque têm melhor paga do seu trabalho. Porque se um cair, o outro levanta o seu companheiro; mas ai do que estiver só; pois, caindo, não haverá outro que o levante. Também, se dois dormirem juntos, eles se aquentarão; mas um só, como se aquentará? E, se alguém prevalecer contra um, os dois lhe resistirão; e o cordão de três dobras não se quebra tão depressa. Ec. 4:8-12.

Deus sabe sempre o que é melhor para nós, porque Ele está simultaneamente presente, tanto no nosso passado, quanto em nosso presente ou futuro. Ele vê todas as etapas de nossa vida ao mesmo tempo. E por isso sabe por que certas escolhas não são convenientes para nós. No entanto, Ele não quis ser um tirano e dotou-nos de livre arbítrio, princípio pelo qual nós temos a liberdade de escolha e de tomarmos as nossas próprias decisões, ainda que contrárias à Sua Palavra.

A mulher foi criada para ajudar o homem, mas tem a liberdade de estabelecer outro curso para sua vida. Todavia, o que Deus sempre desejou foi que, tanto a mulher quanto o homem seguissem, de bom grado, o plano de vida que Ele estabeleceu para o casal. Não por força ou por violência, não por obrigação, mas por entenderem que essa seria a melhor escolha.

Infelizmente, desde o princípio, desde o antigo Jardim do Éden, nós vemos o plano de Deus sendo quebrado. Já naquele tempo, encontramos a mulher tomando a iniciativa de um projeto, contrariando o que fora estabelecido por Deus quando a criou. Ela deveria ajudar o homem a executar suas decisões e não tomar decisões autônomas. Mas não foi o que aconteceu. No primeiro registro de atuação da mulher na terra, ela se apresenta fazendo uma reflexão sobre a validade da ordem de Deus de que seu marido e ela não comessem do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, para que não morressem. Vemos a mulher discutindo o assunto com a serpente e depois concluindo que, provavelmente, Deus errara, porque o fruto daquela árvore era bom para se comer, era agradável aos olhos e, realmente, parecia bom para dar entendimento. E diante disso, tomou a decisão de comer do fruto e depois deu ao seu marido, o qual também comeu. E isso foi a introdução do inferno na vida da humanidade.

É de saber que embora tivesse a liberdade de fazer a escolha que quisesse fazer, a melhor escolha era obedecer a ordem daquele que sabia de tudo o que iria acontecer; o melhor seria ouvi-lo e obedecê-lo, pois Ele havia dito que não comessem, porque se fizessem essa escolha encontrariam pela frente o caminho da morte.

Salomão escreveu: Há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte, Pv. 14:12.

É certo que temos o direito de escolher o que fazer de nossas vidas, mas existe escolha e escolha. Podemos seguir nossa própria opinião ou podemos seguir os conselhos e orientações da Palavra de Deus, os quais, às vezes, mesmo sem compreender direito, pela experiência e pelos exemplos que temos, certamente serão as nossas melhores escolhas.

Voltando ao Éden, novamente vamos encontrar a mulher diante de uma nova decisão de Deus, resultante do julgamento de sua escolha anterior, de comer do fruto proibido.

Assim disse Deus à mulher:

Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará, Gn. 3:16.

Deus reafirma a posição de liderança do homem em relação à mulher. A este caberia a tomada de decisão e à mulher ajudá-lo na execução. Para que as coisas pudessem ser concertadas dali para frente, o desejo de fazer qualquer coisa seria do homem, como desde o princípio fora. Essa foi a decisão de Deus. E muitas mulheres, no exercício de seu livre arbítrio, optaram por conduzir suas vidas dessa forma, tendo casamentos felizes e duradouros. Outras, porém, exercendo o mesmo livre arbítrio, optaram por conduzirem suas vidas de forma autônoma, em relação aos homens. E assim vão lutando, algumas parecendo bem sucedidas e outras não.

Ricardo e Mariza Resplandes

3. Conclusão. O plano de Deus para a humanidade ainda é o mesmo. E assim será, porque a Palavra de Deus é imutável e para sempre.

É possível que algumas mulheres vivam de forma independente e até pareçam ser bem sucedidas, mas a vida sozinha é muito difícil. É muito fácil de ver isso, observando os casais que se separam ou as viúvas que não decidem se casar novamente, ou até mesmo as mulheres solteiras que se tornam mães. Os filhos, que deveriam ser motivos de alegria, muitas vezes são vistos como obstáculos. A mulher precisa trabalhar para sustentar a si e a aos filhos, mas não tem com quem deixá-los, precisando relegá-los aos cuidados de outras pessoas, que não tem o mesmo carinho, o mesmo zelo e a mesma ternura que elas, como mães, teriam por eles.

Há crianças que passam o dia todo em creches, vindo apenas dormir em casa. Não há conversa desses filhos com a mãe. O diálogo entre eles se resume em algumas palavras, principalmente porque essa mulher-mãe trabalhou o dia todo e está cansada. E na maioria das vezes ainda tem que fazer mil e um trabalhos de casa. E ao final, depois de todo esse trabalho, ainda terá que dormir sozinha, sem o consolo e o abraço de alguém, ou então dormindo um dia com um e outro dia com outro, sem construir nenhum relacionamento sólido que possa trazer um pouco de alívio para a sua missão de vida.

É verdade que muitos relacionamentos não demonstram valer a pena, sendo carregados de sofrimento e decepção. Mas, provavelmente, tais relacionamentos não foram começados de acordo com a Palavra de Deus, mas segundo decisões desconexas do casal.

A vida a dois é melhor do que a vida sozinha, disso nós não temos nenhuma dúvida. Mas essas duas pessoas devem estar vivendo na sintonia divina, conforme o plano de Deus para o casal, com o homem tomando as decisões e a mulher ajudando-o a executá-las. Não quero dizer que o homem não possa ouvir a sua esposa antes de tomar a decisão. Sempre é bom se aconselhar antes de tomar uma decisão, seja com a esposa, seja com outras pessoas. Quando não há conselhos os planos se dispersam, mas havendo muitos conselheiros eles se firmam, Pv. 15:22.

A mulher, depois da vida, foi o maior presente que Deus deu ao homem. Ela é um tesouro sem igual para ele, que deve amá-la e valorizá-la da mesma forma que amar e valorizar a si mesmo.

O livre arbítrio continua sendo um princípio divino. As mulheres de todos os tempos, inclusive as deste século, tem toda a liberdade de decidirem o rumo de suas vidas, mas se desejarem uma vida harmônica e feliz, ouçam os conselhos da Palavra de Deus. Casem-se. Tenham filhos. Vivam em harmonia com seus maridos, ajude-os a cumprir suas respectivas missões e a construir um bom legado de vida para quando a velhice chegar para vocês.


Que Deus abençoe a todos e a todas.

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