quinta-feira, abril 20, 2006

Viva o Brasil


Izaias Resplandes
O artigo abaixo foi escrito em 2002. Já se passaram quatro anos. Continuo pensando que devemos começar a conhecer o Brasil pelo lugar onde moramos. No meu caso em particular que moro em "Poxoréu", a descoberta começa por aqui. No artigo eu falava da subida ao Morro da Mesa. É realmente uma aventura maravilhosa e eu tenho subido lá outras vezes. Cada vez que isso acontece eu renovo o meu deslumbramento com a grandeza de Deus, acima de tudo e do meu país que novamente aniversaria. Em que pese muito os desgostos políticos que temos, o gozo diante da beleza prevalece e me faz dizer com a boca cheia: Viva o Brasil!
A redescoberta do Brasil
Já se foram 502 anos da chegada dos portugueses em nosso país. Com certeza, no 22 de abril de 2002 não tivemos a homérica comemoração dos 500 anos de 2000, mas de qualquer forma é mais um ano que se passa e que, para a grande maioria de nós, continua não significando nada em termos de redescobrimento de nossa pátria. Para o povo brasileiro, o Brasil continua sendo um mundo para se conhecer, haja vista que dele conhecemos muito pouco, tanto que muita gente só o conhece pelo apelido Brasil, apesar dele possuir nome e sobrenome: República Federativa do Brasil.
Mas como conhecer um Brasil continental de 8.511.965 km2 de território, quando a maioria de nós brasileiros vive em estado de pobreza e de miséria e não pode viajar sequer até a cidade visinha? Isso é uma tarefa que pode parecer bastante difícil, mas não é impossível. Vejamos os porquês:
Primeiro: ninguém conhece o Brasil inteiro, tim-tim por tim-tim. Segundo: qualquer tarefa que formos realizar, deve ter um começo.
Pois bem, a tarefa da redescoberta do Brasil por nós, brasileiros que aqui nascemos, deve “começar do começo”. Nós sempre somos tentados a começá-la do meio, ou mesmo pelo fim. Então você me pergunta: mas onde é o começo?
O começo do nosso Brasil, como o começo de qualquer coisa é diferente para cada pessoa. É algo particular. O meu Brasil começa exatamente onde eu vivo, por isso quando me perguntam onde eu moro, eu digo com todas as letras: “eu moro no Brasil!” E quando me redargúem sobre qual lugar do Brasil eu moro, respondo com a boca cheia: “eu moro em Poxoréo!” Aí muita gente me diz: “Ah, mas então você mora no fim do mundo!”
Viu que confusão. Aliás, a Física do competente Prof. Ubaldo Tolentino, da UFMT já nos deixa bastante claro que essa questão de começo e fim, de longe e perto, de parado e em movimento é algo que depende de um ponto referencial. E no caso em questão, o ponto de referência para o redescobrimento do Brasil é o lugar onde eu moro e que, por ser o lugar mais perto de mim é então o começo do meu país.
Aula à parte, porque até parece que estou em sala de aula e isso é mal de professor, me desculpem por ser um pedagogo, devemos começar a conhecer o nosso país pelo lugar onde nós escolhemos para morar. Partindo daí nós teremos a oportunidade de interferir na melhoria e no desenvolvimento da nossa região, posto que a nossa colaboração em alguma coisa só é possível de se realizar se nós tivermos conhecimento de causa. É praticamente impossível colaborar sem ter um mínimo de conhecimento. Vou dar um exemplo.
Faz 25 anos que eu pisei em Poxoréo pela primeira vez. Nesse tempo todo tenho procurado conhecer os problemas dessa terra, para poder contribuir de alguma maneira com o seu desenvolvimento. Dentre as minhas contribuições creio que a mais importante foi a da fundação da União Poxorense de Escritores (UPE), hoje presidida pelo cientista político, pedagogo e historiador Gaudêncio Filho Rosa de Amorim, na qual juntamente com os demais membros da entidade, temos tentado resgatar e registrar para a posteridade os feitos e desfeitos do povo de Poxoréo. Isso tem sido dez! Mas dia 21 de abril, aniversário da Capital do Brasil, fiz algo que valeria pelo menos dez e meio: saí de minha casa em Poxoréo e subi a 800 metros acima do nível do mar. Em companhia do Émerson Pinto e de meus filhos Fernando, Ricardo e Mariza (aquela de “O dia da Mariza”, publicação de A Gazeta, do dia 13/04/2000, pág. 3A), subimos ao topo do “Morro da Mesa”.
Ah, meu amigo, que canseira! Quando cheguei em casa eu estava moído de cansaço, mas feliz da vida. Eu conhecia aquele morro de longe. Sabia que seu cume tinha o formato de uma mesa e daí o seu nome “Morro da Mesa”, que estava a 350 metros de altitude acima de Poxoréo e a 800 do nível do mar, que seu primeiro nome, ainda dado pelos bororos coroados era kurugugwári (que quer dizer Casa do Gavião Penacho ou Caracaraí), e outras tantas informações que aprendi com o historiador Jurandir da Cruz Xavier (também membro da UPE), mas não conhecia o principal: os caminhos do Morro da Mesa. Eu nunca havia subido ao seu topo. E quem nunca fez isso, não conhece toda a beleza daquela construção divina. E, infelizmente essa é uma daquelas experiências que não dá para descrever. Cada pessoa vai ter uma emoção e sensações diferentes. No topo do Morro da Mesa pode-se ter tudo o que imaginarmos e pode não ter nada mais do que uma vegetação rasteira típica dos campos e cerrados mato-grossenses. Tudo é uma questão de sensibilidade e identificação.
Do alto do Morro da Mesa eu pude ver a grandeza do Criador e a pequenez do homem que deseja ser grande, mas que é tão pequeno quando visto lá de cima. A paisagem que se descortina para o aventureiro é majestosa. São quilômetros que ficam sob nossas vistas, cortados por vários riachos sinuosos e cercados por uma cadeia de montanhas. É uma planície linda de se ver. Além disso, há diversas espécies de aves que vivem no topete daquele morro, em total liberdade, cantando alegremente, inclusive o gavião caracaraí. Passamos a tarde lá em cima e quando iniciávamos a descida, presenciamos um espetáculo inebriante: centenas de andorinhas que não sei de onde saíram, voaram, voaram e cantaram sobre nossas cabeças numa alegria inexplicável. Foi o coroamento da nossa aventura. Abri os braços para os céus e dei graças a Deus por aquele presente que o Brasil nos dava.
E foi assim que, no aniversário dos 502 anos do redescobrimento do Brasil, tivemos a oportunidade de a partir de nosso lar em Poxoréo, conhecer mais um pedacinho do Brasil, o qual está esperando que você também venha conhecê-lo. Te garanto que a redescoberta do Brasil, com toda certeza, começa aqui em Poxoréo, com essa aventura que é pura adrenalina. Te aguardo!

quarta-feira, abril 19, 2006

O Centro Juvenil precisa de nosso apoio


Juscilene Vieira de Souza


Quem conta hoje com mais de vinte anos de idade por certo nunca se esqueceu do troféu da juventude, dos concorridos campeonatos de férias de voleibol, handebol e futebol de salão, das colônias de férias, dos grupos de estudos, do shoping center de final de ano, dentre outras atividades desenvolvidas no nosso Centro Juvenil de Poxoréo.

Essas atividades foram o sustentáculo na formação do caráter, da moral e da personalidade de inúmeros jovens poxorenses, que hoje se destacam enquanto profissionais, cidadãos e pessoas. Para muitos como eu, seria impossível imaginar a nossa adolescência e juventude sem a presença (tão necessária) do Mestre Armando Catrana, do professor Neuvany Veriano Martins, do professor Ademar Mafra, dentre outros, que passaram (ou ficaram?) pelas nossas vidas e deixaram muito de si; seria intolerável imaginá-las sem o Centro Juvenil.

Infelizmente tudo isso que nos foi oportunizado está em declínio por absoluta falta de auxílio financeiro. Com a saída do Mestre Armando, as dificuldades se acentuaram pois as contribuições do exterior, que eram intuito personae (em razão da pessoa) passaram a acompanhá-lo em sua nova cidade,Três Lagoas-MS, onde também está realizando um belíssimo trabalho; “siga em paz mestre Armando, com a certeza de cumpriu honradamente sua missão”.

Hoje, o Centro Juvenil passa por sérias dificuldades e as poucas atividades esportivas que ainda são desenvolvidas, o são em precárias condições. O troféu da juventude, após mais de trinta anos de tradição, no ano passado deixou de ser realizado em virtude de problemas no campo e falta de condições financeiras. De igual forma, as demais atividades desportivas sofreram profunda diminuição em razão das dificuldades. A estrutura física do Centro Juvenil também está necessitando de urgente reforma sob pena de deterioração, fato que já ocorreu com os brinquedos do antigo parquinho de diversões. A quadra precisa de pintura e iluminação e o campo de futebol carece de tratamento, tudo ainda não se acabou graças à dedicação e trabalho dos atuais dirigentes e funcionários da Missão Salesiana.

O declínio do Centro Juvenil aliado à absoluta falta de atividades desportivas e de lazer para as nossas crianças, jovens e adolescentes, não poderia produzir senão outra conseqüência trágica e presumível: a busca pelas drogas e prostituição infantil.

Sensível a todas essas dificuldades e com o propósito absolutamente apolítico está se formando uma comissão de ex-freqüentadores e alunos do centro juvenil para reestruturá-lo e resgatar todas as atividades anteriormente desenvolvidas. No sábado (15/04/06) foi realizada uma reunião entre a comissão e os dirigentes do Centro Juvenil para diagnosticar a extensão das dificuldades e buscar solução para os problemas emergenciais.

Foi-nos passado que atualmente o Centro Juvenil só conta com o apoio de Programas desenvolvidos pelos governos Estadual e Federal (v.g. Aplauso e PETI), em sua maioria temporários, cuja verba tem aplicação restrita e limitada às atividades do Programa, não podendo ser direcionadas às atividades e manutenção do Centro Juvenil, ressaltando a contribuição mensal de alguns colaboradores e as festas beneficentes que são realizadas.

Segundo nos informou a Srª Lúcia Voltan, o gasto mensal do Centro Juvenil totaliza um valor aproximado de R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00 l, sendo que a entidade não tem esta arrecadação, passando, muitas vezes por dificuldades até mesmo para pagar a conta de energia elétrica. Desse modo, noticiou-nos a falta de materiais de manutenção permanente, material esportivo e para recreação, dentre outros.

Tomamos conhecimento ainda de que muitos voluntários como o Neguinho, Adenilson, Ademilson e Adão Maurício estão dando sua contribuição na criação de escolinhas de voleibol, futebol de salão e de campo, fato que está trazendo novamente os jovens e adolescentes ao convívio do Centro Juvenil. A escolinha de vôlei hoje registra aproximadamente cinqüenta crianças, entre meninos e meninas. Entretanto, falta material esportivo para a efetiva e regular prática das aulas.

Conforme se infere do seu projeto de desenvolvimento, a Obra Social Salesiano-Centro Juvenil de Poxoréo, não está limitada apenas às crianças e adolescentes, contribuindo também para a formação profissional de muitos pais e mães de família. Hoje os projetos desenvolvidos são o oratório, centro de formação profissional e cultural (Pintura), laboratório internet, programas sociais de atendimento integral e a Cooperativa de Marchetaria Comclap “Luigi Galimberti”.

Os recursos materiais, espaço físico e estrutura utilizada para o desenvolvimento dos projetos são: doze salas, auditório, sala para celebrações, salão de jogos, sala de música, biblioteca, campo de futebol, quadra de areia, quadra coberta, sala de ginástica, pista montain-bike, parque infantil, oficina de marcenaria, oficina de mecânica e elétrica, laboratório de pintura em tela, oficinas polivalentes, dois laboratórios de informática e internet, laboratório de marchetaria, setor administrativo, cozinha e refeitório, capela, pátio/depósito e república.

O oratório, que tem como público alvo crianças, adolescentes e jovens de 06 a 25 anos, tem por objetivo geral: “acolher as crianças, adolescentes e jovens de diferentes condições econômicas, sociais de ambos os sexos, oferecendo atividades religiosas e recreativas, que levam ao desenvolvimento integral”.

È Justo deixar tudo isso se exaurir?

Nós, crianças de ontem, sabemos o quanto esse objetivo foi concretizado no nosso “desenvolvimento integral”. Assim, não podemos cruzar os braços, mantendo-nos inertes, impedindo que as nossas crianças, jovens e adolescentes de hoje não tenham as mesmas condições do nosso ontem. O Mestre Armando cumpriu fielmente a sua missão, agora cabe a nós, seus discípulos, perpetuar esse trabalho tão dignificante e essencial para a nossa juventude.

Senhores políticos da nossa Amada Terra, nós da sociedade civil vamos fazer a nossa parte, e esperamos que vocês cumpram a sua, obrigação inerente ao exercício da função pública para as quais foram eleitos. Seria suficiente dizer que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente todos os direitos insculpidos na nossa Constituição Federal, entretanto, preferimos, não o argumento legal, mas o moral, qual seja, “não se deixem contagiar por tamanho malefício a ponto de se esquecerem que um dia foram crianças e que também passaram pelo Centro Juvenil”.

As pessoas que desejam fazer parte da comissão de reestruturação do Centro Juvenil ou contribuir com idéias e sugestões podem entrar em contato através do e-mail jusci.vs@terra.com.br ..
Para a aquisição de materiais permanentes e desportivos que irão possibilitar a implementação das escolinhas de voleibol, futebol de salão e de campo, necessita-se arrecadar verbas, para tanto, quem puder pode contribuir através de depósito bancário na conta corrente: Banco do Brasil – Ag. 0553-3, c/c n.º 7.343-1 – MSMT SJB – JUVENTUDE. Para aqueles que preferirem encaminhar o material direto ao Centro Juvenil o endereço é: Av. Dom Bosco, 01, centro, Poxoréo-MT, CEP 78800-000 .
A nossa perspectiva, porém, não se esgota aí, pretendemos muito mais. Temos consciência de que não será uma luta sem esforço, entretanto não existe frustração maior do que a inatividade. Já se pronunciou Ruy Barbosa, (in oração aos moços) “o tremer próprio é dos que se defrontam com as grandes vocações, e são talhados para as desempenhar. O tremer, mas não o descorçoar. O tremer, mas não o renunciar. O tremer, com o ousar. O tremer, com o empreender. O tremer, com o confiar. Confiai, senhores. Ousai. Reagi.”

JUSCILENE VIEIRA DE SOUZA (CILA) é bacharel em Pedagogia pela UFMT e em Direito pela UNIC, ex-aluna do Centro Juvenil de Poxoréo.
E-mailjusci.vs@terra.com.br

sexta-feira, abril 14, 2006

Um novo Código de Posturas para Poxoréu

Izaias Resplandes[i]

Poxoréu poderá ter um novo Código de Posturas. Para tanto, o Chefe do Poder Executivo Municipal, Antônio Rodrigues da Silva, encaminhou ao Poder Legislativo o Projeto de Lei nº 21/2006, onde se encontra em discussão e debate com a sociedade local.
Como se sabe, a cidade é o lugar onde vive a maioria das pessoas. Ela abrange o seu lugar de morar, de circular, de divertir, de negociar, de fabricar, além de tantos mais. Diante de tamanha complexidade, não se pode pensá-la como um lugar desorganizado, onde todo mundo faz o que quer e da maneira que bem quer, tipo uma “Casa da mãe Joana”. A verdade é que nem na casa da “mãe” e nem em qualquer lugar aonde se vá ou se permaneça, se faz as coisas de qualquer maneira. Esse modo de agir vem de longe, passando de geração a geração.
Desde que o homem constatou que os recursos naturais eram insuficientes para atender às suas inúmeras e ilimitadas necessidades e que precisaria agir para produzir aquilo que faltava, ele também entendeu que precisaria estabelecer regras para garantir que o produto de suas ações fosse respeitado pelos demais. Houve muita luta ao longo dos séculos, haja vista que muita gente preferia se apoderar do esforço dos demais a envidar os próprios para construir seu patrimônio de subsistência. O filósofo modernista Thomas Hobbes (1588-1679), analisando esse comportamento humano em sua obra, o “Leviatã” , concluiu que a autopreservação é a primeira lei natural do homem, induzindo-o a uma “guerra de todos contra todos”, para se impor sobre os demais, na qual “o homem é o lobo do homem”. Nesse diapasão, raciocinava o filósofo que somente renunciando a uma parte de seus direitos e liberdades em favor de alguém, capaz de assegurar o exercício pleno do restante, por meio de um “contrato social”, o homem conseguiria construir uma sociedade de bem-estar. E concluía dizendo que esse alguém somente poderia ser o Estado Soberano. Anos mais tarde, outro modernista, Jean-Jacques Rousseau, em seu livro “Contrato Social”, retomou a idéia, defendendo a construção de um Estado ideal, a partir do consenso, no qual todos os cidadãos têm os direitos assegurados. Esse é o pensamento que ainda prevalece até hoje.
Todos são donos da cidade. Não “um” tão somente, mas “todos”. Destarte, para que possam ter o direito de usufruir sua cidade, faz-se necessário transferir parte de seus direitos ao Brasil, ora representado pela União, ora pelo Estado-membro ou Distrito Federal, ora pelo Município. Aos entes federados cabe a responsabilidade de garantir que os direitos de todos sejam respeitados, sempre que estes cumprirem com a sua parte do contrato, i.e., com os seus deveres e obrigações.
A vida em sociedade é uma via de mão dupla. Ninguém têm apenas direitos, nem somente obrigações. Ela é uma parceria, onde um cede um pouco aqui, outro cede um pouco lá e assim se vai vivendo em paz e harmonia uns com os outros.
O Código de Posturas nada mais é do que um conjunto de regras estabelecidas para esse pacto de convivência. Por isso mesmo, elas não podem ser decididas a sete chaves. Elas são as regras de um contrato e devem ser discutidas uma a uma, principalmente numa democracia como pretende ser a brasileira. Nesse sentido, está de parabéns o Poder Público, quando chama o seu povo para discutir as novas posturas que deverão ordenar a vida de todos, para que ninguém amanhã seja pego de surpresa com medidas indesejáveis que sequer tinha conhecimento existir. Mais importante ainda é a proposição de um Novo Código de Posturas. Isso significa ver que a cidade não é uma coisa estática, parada no tempo, senão que é dinâmica e tem se desenvolvido. Portanto, ela necessita de um novo conjunto de regras para disciplinar os novos relacionamentos surgidos, que coadune com o seu desenvolvimento econômico, social e urbanístico.
O repensar, evidentemente, tem um ponto de partida. Não se começa do zero. Parte-se do que já existe. Não se vai inventar tudo de novo, mas apenas readequar o antigo código aos novos instrumentos como o Plano Diretor, o Zoneamento de Uso do Solo, os Planos Estratégicos entre outros.
O Código de Posturas do Município regulará as medidas de polícia administrativa, de higiene, ordem pública e funcionamento dos estabelecimentos comerciais, industriais e prestadores de serviço, além do comércio eventual e ambulante, determinando as relações entre o Poder Público e os Munícipes.
Por medidas de polícia administrativa entende-se o exercício do poder de polícia. Segundo Hely Lopes Meirelles, “poder de polícia é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado” (MEIRELES, H.L., Direito Municipal Brasileiro. 9.ed. São Paulo: Malheiros, 1997, p. 334). Legalmente, o conceito está grafado no Código Tributário Nacional, o qual assim dispõe:
Art. 78. Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que,
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de
ato ou a abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à
segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranqüilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

O Município pode legislar em seu território, com exclusividade, sobre todas as posturas “de interesse local” e, suplementarmente, sobre aquelas que a legislação federal ou a estadual admitir (Art. 30, I e II, CF/88), englobando entre outros temas a concessão de alvarás de Licença; a proteção do aspecto paisagístico e histórico; a higiene e saúde pública; a insalubridade dos estabelecimentos comerciais e industriais; a segurança, o direito de ir e vir, o sistema de trânsito, a limpeza e conservação dos locais públicos, o meio ambiente. Além disso, poderá dispor sobre as infrações e penalidades ao que legislou e sobre o processo administrativo para apurá-las. E, sobre essa legislação, tem o direito ao exercício do poder de polícia, ou seja, de fiscalizar e assegurar o seu efetivo cumprimento.
Isso é o Código de Posturas, cuja revisão periódica se impõe no sentido de dotar o poder público com instrumentos mais adequados à dinâmica atual da cidade, tornando mais eficaz a sua atuação como gestor das Posturas Municipais. Posturas essas que, dentro do universo da legislação urbanística, talvez constitua a lei que de maneira mais estreita, estabeleça os limites da relação entre os setores público e privado, reportando-se acima de tudo aos cidadãos e às suas relações no meio urbano, resgatando assim, a finalidade de um dos mais importantes princípios da vida em sociedade, que é o respeito ao direito individual e coletivo.


[i] Izaias Resplandes de Sousa, escritor mato-grossense, membro-fundador da UPE é pedagogo e matemático pela UFMT, Gerente de Cidades pela FAAP/SP e membro do IMGC (Instituto Mato-grossense de Gerentes de Cidade), Especialista em Estatística pela UFLA/MG e Acadêmico de Direito pela UNICEN, de Primavera do Leste, MT.Blogger: www.respland.blogspot.com

quinta-feira, abril 06, 2006

Vereador Osmar Resplande RESPONDE


Matéria divulgada pelo Vereador Osmar Resplandes à imprensa mato-grossense em 06/04/2006

O Jornal O CORREIO DE PRIMAVERA, publicou na data de 31 de março de 2006, segundo o “Sr. José de Lima”, a pedido do Vereador Jailton Costa Xavier (PP) uma reportagem com teor simplesmente absurdo, de profunda má fé e extremo mau gosto da tática política oposicionista, cujas informações fogem o princípio da física , da racionalidade e da coisa lógica. Segundo, João Batista de Oliveira (O Batistão), consta as mesmas informações veiculadas na grande rede com o seguinte teor “...conforme o Vereador Jailton Xavier, descobriu-se que na prestação de contas do “Muro da Vergonha”, além das 500 bolsas de cimento iniciais, incluíram mais 200 bolsas de cimento, 17.200 tijolos, 200 bolsas de cal para pintura, 200 bolsas de cal para massa, 08 carrinhos de mão, 51 Telha Eternit, 125 barras de ferro para construção, 20 enxadas, totalizando a quantia de R$: 25.000,00 gastos em um muro de menos de 50 metros...”

Equivoco! E provavelmente má fé! do vereador Jailton – que sabia que parte dessas aquisições foram adquiridas no governo atual de Antônio Rodrigues da Silva. Na verdade, as auditoras do Tribunal de Contas já apuraram os fato e não constataram NENHUMA IRREGULARIDADE, simplesmente porque os materiais informados não foram utilizados apenas no MURO DA SECRETARIA DE OBRAS, mas nas várias obras QUE MUDARAM A CARA DE POXORÉU, em menos de 40 dias de administração.
O próprio Secretário de Obras (Gilmar Alves de Lima) responsável pelo controle de Cimento naquele período, já esteve na Câmara e esclareceu a questão, segundo o qual, além dos serviços cotidianos da Prefeitura, o cimento foi utilizado nas seguintes obras:
1. Construção de um lavador Sec. de Obras 25 sacas
2. Construção de um Depósito (Cemitério) Alto Coité 25 sacas
3. Reforma – Ala dos idosos Alto Coité 17 sacas
4. Construção de calçadão – Canteiro Central J. das Américas 233 sacas
5. Construção de Meio fio e sarjeta V. Irantinópolis 103 sacas
6. Construção de Guarita e Muro Sec. de Obras 65 sacas
7. Reparos de Meio fios Vila Irantinópolis 06 sacas
8. Construção de Mureta de Concreto Ponte do Rio Areia 10 sacas
9. Reparos nas cabeceiras de manilhas
para captação de águas pluviais Na cidade 08 sacas
10. Construção de mureta de proteção
da quadra de esporte do C. Comunitário Vila Santa Maria 08 sacas

Total ................................. 500 sacas

As demais sacas de cimento foram utilizadas em outras obras como reparos de Reforma da quadra da Vila santa Maria, , reforma de escolas, construção de sala de aula, Conclusão do Refeitório da Escola Carlos Mariguela e da reforma da mesma escola etc. aliás, foram 38 OBRAS, ENTRE OBRAS E AÇÕES PONTUAIS E IMPORTANTES DO GOVERNO INTERINO DO VEREADOR OSMAR RESPLANDES, entregues ao povo de Poxoréu, uma a cada dia, isto sem contar os inúmeros atendimento significativos, com ações menores, que fizeram a diferença na vida dos cidadãos que procuraram a Prefeitura naquele período.
Frisa-se que, no muro em discussão, gastou apenas 65 SACAS DE CIMENTO, pouco mais de 10% da quantidade informada na reportagem, custando pouco menos de R$: 8.300,00 (oito mil e Trezentos) reais, não R$: 25.000,00 (vinte e cinco) mil, como foi, equivocadamente, noticiado.
É de considerar que as ENXADAS e os carrinhos mencionados, embora houvesse necessidade, não foram adquiridos naquele período, mas no governo do atual prefeito conforme atesta Nota Fiscal n.º. 001843 da Empresa Ofertão emitida em 07/03/05. De qualquer forma, também nesta nota, VEJA BEM, o histórico do empenho foi registrado equivocadamente, pois, infelizmente, continuaram os erros de digitação enfatizando que tais materiais foram adquiridos para a citada obra, já terminada no governo interino do Vereador Osmar Resplandes. No que se refere a aquisição de ferro, na verdade, no governo interino adquiriu-se apenas 40 barras, sendo as demais no governo de Antônio Rodrigues da Silva, como se pode observar pelas Notas Ficais e empenhos, emitidas nos meses de março e abril, em que não estava o denunciado – Prefeito de Poxoréu.

Na verdade, o único erro que se pode depreender desse emaranhado de informações, a princípio maldosas e COM ALVO CERTO é o registro contábil dos materiais, já corrigidos e explicados pelo chefe da Contabilidade Sr. Gerson Januário de Amorim (TC CRC 001823/0-6 MT) que em nota explicativa sobre a Nota de empenho n.º. 95/2005 de 11/01/05 no valor de R$:11.20,0 conforme Nota Fiscal n.º. 001830, da firma Ofertão – Indústria e Comércio de Materiais para Construção Ltda, diz
“. (..) refere-se a 500 bolsas de cimento e 10.000 tijolos de 08 furos (...) O valor confere integralmente com o relatório n.º. 11/05, emitido pelo secretário Gilmar Alves de Lima em 28/08/05 – TENDO SIDO OS MATERIAIS DESTINADOS A EXECUÇÃO DE VÁRIAS OBRAS E SERVIÇOS”.
E continua a nota:
“... RESSALTAMOS QUE HOUVE FALHA TÉCNICA NA EMISSÃO DA NOTA DE EMPENHO 95/2005 DO HISTÓRICO, em virtude de falha de comunicação entre a Secretaria de Obras e o Departamento de Execução Orçamentária” Poxoréu, 04/04/06. GERSON JANUÁRIO DE AMORIM (CONTADOR)
NÃO FOI APENAS ESTA NOTA DE EMPENHO ERRADA NA CONTABILIDADE, segundo o Contador a Nota Fiscal n.º. 001831, da mesma firma, emitida em 11/01/05 no valor de 1.700,00 (Hum Mil e Setecentos Reais) também não confere com o histórico do empenho. A nota refere-se a aquisição de 200 sacos de cal de 20Kg para massa e 200 sacos de cal de 50 Kg para pintura, cuja explicações do contador sobre fato transcrevemos:
“Ressaltamos que no histórico da Nota de Empenho n.º. 96/2005 emitida na mesma data da nota fiscal, foi colocada como cimento e tijolos para a construção de meio fio e muro da Secretaria de Obras, devido a erro de digitação, conforme comprova a realidade dos fatos” Poxoréu – MT, 04/04/06 (GERSON JANUÁRIO DE AMORIM).
Como o leitor deve ter percebido, no jornal nem na Internet, não apareceram as Manchetes!: CONTABILIDADE COMETE ERROS EM NOTA FISCAL! ou FOI EQUIVOCADO O REGISTRO CONTÁBIL DO MURO DA SECRETARIA DE OBRAS!, apesar de o vereador denunciante ter amplo conhecimento desses fatos. É impossível, para um administrador, ainda mais tendo o curto período de tempo que teve, controlar 100% a máquina pública, aliás, o próprio presidente da República, que tem a sua disposição um plantel técnicos especializados, carrega uma administração cheia de erro, e isto não faz dele um crápula, nem um governo de desmando ou de improbidade, apesar de a oposição, a exemplo do que acontece aqui, também tentar maculá-lo e caluniá-lo.
A tentativa de macular tem sido tão grosseira que na verdade, todo cimento adquirido naquele período, chegou a 620 sacas, e não 700 bolsas como veiculado na reportagem.
O Vereador Osmar Respalndes de Carvalho, em nenhum momento de sua trajetória política, deixou duvidosa sua postura ético/moral. Pautou sempre pela lisura, pela transparência, pelo compromisso, pela democracia e muito particularmente, pelo TRABALHO, sua identidade maior e não possui qualquer estereótipo que o rotule, pejorativamente, na opinião pública.

O Vereador Osmar Resplandes de Carvalho se notabilizou um PREFEITO DESENVOLVIMENTISTA E DEMOCRATA em sua breve passagem pelo Executivo. Em poucos dias demonstrou sua capacidade gerencial e suas habilidades políticas: Quase em todos os cantos do município deixou plantada uma obra ou uma ação, construindo e realizando-as segundo a vontade do povo, não por imposição ou projetos de gabinete executados pela vaidade política, mas pela necessidade, prioridade e pelo desejo da comunidade. Em 38 dias de governos, quase todos os segmentos sociais, através dos seus representantes, foram ouvidos e em face de suas sugestões, as ações aconteceram.
É CLARO QUE A FORMA DEMOCRÁTICA, EFICIENTE E EFICAZ COM QUE TRABALHOU O PREFEITO INTERINO INCOMODOU O VEREADOR. Aliás, o Ver. Osmar Resplandes, quando Prefeito Interino, recebeu em seu gabinete membros da oposição ao governo Antônio Rodrigues da Silva, exigindo que nada fizesse, ameaçando contestar judicialmente qualquer ação, com o nítido propósito de inibir, amedrontar, desestabilizar, supostamente em nome de um lema escuso e implícito da insígnia: “quanto pior, melhor”, afinal sabiam que o Vereador Osmar era um Líder Sério e que suas ações marcariam profundamente o cotidiano de Poxoréu, e que ele não seria uma liderança do caos, do desmando, muito menos da improbidade, da hipocrisia e do menosprezo para com a coisa pública.
O muro da vergonha, (assim alcunhado pela maldade) na verdade, foi uma obra do compromisso com o erário público, da proteção e do controle de material e principalmente da frota municipal. Além do mais, a guarita, passou ser o local privilegiado para a guarda municipal que, além de controlar entrada e saída de veículos ainda registra o controle de pessoas no ambiente.

DESAFIO: Na verdade, se o vereador JAILTON COSTA XAVIER tem tanta certeza do que fala, exija apuração dos fatos na Justiça, afinal, quem não deve não teme, e quando ela se pronunciar seja o vereador responsável o bastante, para retornar á opinião pública e se desculpar, mas não com discursos ou acovardamanto, mas com ação. Só assim, será possível, a opinião pública perceber um pouco de grandeza, nas denúncias infelizes que fizera.

domingo, março 26, 2006

A medalha de bronze




Izaias Resplandes

Século XXI. Na linha do tempo, esse século deverá ficar assinalado como o marco zero da “era do conhecimento”, caracterizada pela imprescindibilidade do saber. Nesse sentido, temos presenciado o surgimento de uma onda gigantesca de cursos, os quais abrangem desde a mera alfabetização até as pós-graduações em nível superior. Que ótimo, poderíamos dizer! Todavia, a coisa não está sendo tão boa assim. Junto com essa multiplicação de centros de escolarização e de modalidades de aquisição do conhecimento, também está acontecendo a banalização do conjunto.
Conhecimento e diploma de escolarização estão sendo vistos como produtos de mesma grandeza, embora nem sempre um esteja relacionado com o outro. Em tempos remotos, a pessoa que possuía um diploma, realmente possuía um atestado a respeito do seu nível de conhecimento. Hoje em dia o diploma tem pouco significado, principalmente em decorrência da velocidade com que o conhecimento se torna obsoleto e ultrapassado.
Com a globalização da informação, principalmente através da internet, as pesquisas científicas nas mais diversas áreas foram incrementadas e hoje já não são mais feitas a duas mãos. Centenas de cabeças pensam sobre um mesmo assunto e, colocando suas idéias na grande rede www, permitem que outros possam contribuir para o avanço da pesquisa. O maior exemplo do que estamos falando foi o mapeamento do genoma humano, quando cientistas do mundo inteiro foram envolvidos no processo.
Por outro lado, se é verdadeiro que as descobertas hoje são muito mais aceleradas do que antigamente, também é verdade que elas perdem o seu caráter de atualidade com a mesma rapidez. Tais fatos requerem das pessoas de nossos tempos, uma dinâmica cada vez mais intensa na busca da atualização e da reformação de seus conhecimentos, sob pena delas se tornarem inúteis como cooperadoras do desenvolvimento da humanidade.
Ter o conhecimento hoje é uma questão de sobrevivência. A cada dia, dezenas de postos de trabalho são extintos, aumentando os índices de desemprego no mundo. Conhecimento é um poder inerente ao seu possuidor, o qual é colocado à disposição da organização para a qual trabalhamos. Se nossos conhecimentos estão atualizados à luz das mais recentes descobertas, nós somos interessantes para as organizações e aumentamos as nossas possibilidades de permanecer ativos no processo produtivo. Caso contrário, somos peças descartáveis e, fatalmente, seremos substituídos por outros que detenham os novos poderes da transformação.
Já foi o tempo em que ter um diploma era garantia de ser aproveitado no mercado de trabalho. A ferramenta de hoje é o conhecimento. Quem sabe mais, pode mais. Por isso não basta ter um diploma. É preciso que esse diploma seja sinônimo de novos e atualizados conhecimentos. Caso contrário esse documento não tem qualquer valor.
Ao concluir, queremos enfatizar a necessidade do conhecimento como questão de sobrevivência, ao tempo em que fazemos um alerta contra os milhares de fábricas de diplomas que estão espalhadas por todo o mundo e que estão seduzindo muitos incautos, tomando seu suado dinheiro e não oferecendo, em contrapartida, o necessário conhecimento. Nossa orientação é para que a pessoa não se matricule em nenhum curso e em nenhuma escola apenas pelo diploma, mas que se matricule pelo conhecimento. E se a escola ou o curso não puder oferecer-lhe isso, que se fuja dela. Que ninguém se deixe enganar. No mundo capitalista de nossos dias, só existe lugar para os “primeiros”. Até se admitem alguns “segundos”, mas com toda certeza, não existem vagas para “terceiros”. A medalha de bronze já não vale mais nada. É “ouro” ou prata. É tudo ou nada! Ou se conhece e se participa, ou se ignora e se está fora. Conhecer ou não conhecer, com certeza, “eis a questão”!

terça-feira, março 21, 2006

MÃE CELINA COMPLETOU SUA CARREIRA




Izaias Resplandes


Os dias da nossa vida sobem a setenta anos ou, em havendo vigor, a oitenta; nesse caso, o melhor deles é canseira e enfado, porque tudo passa rapidamente e nós voamos” (Sl 90:10).


Meus queridos. Nascer, crescer, constituir família, ter filhos, netos, bisnetos, tataranetos e ir para Deus. Essa não seria uma vida simples. Seria uma vida excepcional. Não são muitos os que tiveram esse privilégio. Graças a Deus, “Mãe Celina” teve essa satisfação. No dia 25 de dezembro de 2005 ela festejou seus 89 anos de vida, cercada pelo carinho de sua parentela, em completa lucidez, pegando os bisnetos no colo, abraçando e sendo abraçada. Foi um dia muito feliz e que ficará em nossa lembrança enquanto nós vivermos, da mesma forma que também guardamos outros momentos felizes que passamos juntos com outros familiares que também já partiram para a eternidade.
Assim é a vida do homem. Ninguém veio ao mundo para viver aqui para sempre. Viemos para cumprir a missão de ser feliz e de fazer os outros felizes.
Esse sempre foi o plano de Deus para o homem. Diz no Gênesis que no sexto dia da criação, Deus fez o homem. Mas entendeu que “não era bom que o homem estivesse só” (2:18). Então fez também a mulher. Em seguida os abençoou e disse: “sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra.” (1:28) Diz também que “viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” (1:31). Diz ainda que Deus plantou para o homem cuidar e guardar “um jardim no Éden”, com “toda sorte de árvores agradáveis à vista e boas para alimento” (2:8-9) e deu orientações ao homem de quais árvores ele poderia apenas apreciar e de quais ele poderia comer sem correr o risco de morrer (2:16-17). Percebemos, assim, que desde o início do mundo, Deus queria que o homem fosse feliz, que tivesse sua família, que tivesse um lugar para trabalhar, que tivesse o que comer, enfim, que tivesse tudo o que fosse necessário para que ele vivesse bem. Vó Jorcelina teve os seus dias de glória na Terra, foi feliz no meio daqueles com quem viveu e agora chegou a sua hora de partir, a sua hora de dizer juntamente com o apóstolo Paulo:
Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2 Tm 4:7-8).
Em nossa vida nos relacionamos com diferentes tipos de pessoas. Muitas delas não fizeram, nem fazem qualquer diferença para nós. Há outras, no entanto, que nos inspiram, que nos estimulam a continuar vivendo cada vez com mais intensidade. Vó Jorcelina, com sua simplicidade, seu jeito humilde e paciente desempenhava o papel da mulher que ensina com seu procedimento e com seu modo de viver. Não era uma mulher de muitas palavras. Falava pouco. Mas dizia muito com seus atos, com seu modo de viver. E a sabedoria é essa: o nosso verdadeiro valor não está naquilo que falamos, mas naquilo que fazemos. Um bom ato vale mais do que todos os discursos vazios e teóricos que possamos realizar. A autoridade não está no falar, mas no praticar.
Embora já debilitada pelas enfermidades da velhice, dificilmente víamos essa mulher desanimada. Se perguntássemos se estava boa, era honesta e incisiva: “não tô muito boa, não”. No entanto, quando era levada para o tratamento estava sempre dizendo que queria voltar para casa. Somente em casa ela se sentia verdadeiramente bem.
Agora, neste dia 21 de março de 2006, ela nos deixa por um breve espaço de tempo e parte para estar com o Senhor da Glória, em casa. Tendo se preparado em tempo oportuno, tornando-se serva de Jesus, Vó Jorcelina vai para o céu tomar posse de uma daquelas moradas que o Senhor foi preparar para os seus discípulos, conforme ele disse, antes de também deixar este mundo:
Não se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Não casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu vo-lo teria dito. Pois vou preparar-vos lugar” (Jo 14:1-2).
Vovó agora se mudou de vez para a sua nova casa. Para todos nós que conhecemos a Palavra de Deus, isso é uma grande vitória. Quantas pessoas começaram essa corrida da fé e desistiram no meio do caminho. A respeito disso o apóstolo Paulo conversa com eles e pergunta: “Vós corríeis bem; quem vos impediu de continuardes a obedecer a verdade?” (Gl 5:7). Vovó não desistiu. Ela continuou obedecendo a verdade. Quantos outros não ficaram desmaiando de desanimados diante da carreira cristã! O autor de Hebreus registra uma longa lista de exemplos de pessoas que viveram com fé, que não desanimaram, que não desistiram, que continuaram fiéis até o fim e concluiu:
Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos assedia, corramos com perseverança, a carreira que nos está proposta, olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus, o qual, em troca da alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, não fazendo caso da ignomínia, e está sentado à destra do trono de Deus” (12:1-2).
Irmã Jorcelina está inclusa nessa lista de heróis da fé a partir de hoje, porque foi uma vencedora, perseverando até o fim da vida, fiel ao Senhor. Que ela sirva de exemplo para os suas filhas, sua nora, seus genros, netos, bisnetos, tataranetos e demais parentes e amigos. Sigam as pegadas dela. A todos, ela diz com o salmista Davi: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37:5). Não vejam a morte de nossa irmã como o fim, mas como o começo de uma nova etapa da vida dela. A sua partida certamente será sentida por todos, mas ela se sentiria muito mais valorizada e muito mais amada, se a sua descendência seguisse o seu exemplo de vida como crente em Jesus, porque somente dessa forma é que uma pessoa pode ser completamente feliz. E tendo sido feliz, tenho certeza de que “Mãe Celina” desejava que você também fosse muito feliz.
Essa é a pregação que faço em nome de minha vó.
Que Deus nos abençoe!

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D. Jorcelina de Sousa Carrijo, a “Mãe Celina”, nasceu em Mineiros, GO, em 25/12/1916 e faleceu em 21/03/2006, em Primavera do Leste, MT. Deixou uma prole de 8 filhos, 48 netos, 100 bisnetos e 14 tataranetos. Foi sepultada em Santo Antônio do Leste, MT. Izaias Resplandes de Sousa é o seu primeiro neto.

sexta-feira, março 17, 2006

Parentes de sangue


Izaias Resplandes

Nós temos uma preocupação particular com os nossos parentes de sangue e isso faz parte da natureza humana. No início do mundo, quando Deus criou os animais, podemos observar que Adão não se interessou por nenhum deles em particular, continuando sozinho. Diz a Bíblia que Deus o viu assim e disse: “Não é bom que o homem esteja só, far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2:18). Então Deus o fez adormecer, retirou uma de suas costelas, transformou-a em uma mulher e trouxe-lha. Então o homem se sentou completo e feliz. Ali nascia a família.
Um homem sem família não é um homem completo. O homem necessita da companhia dos seus idôneos. Poderíamos generalizar e dizer que todos os homens são idôneos entre si, mas na medida em que a humanidade cresceu e se multiplicou, também foram se formando os grupos, as famílias, as parentelas, os de casa (1 Sm 10:5; Gn 10:5; 12:1; 7:1).
Quando nós descobrimos alguma coisa boa, as pessoas que normalmente nós procuramos para compartilhar, são os nossos parentes. Também quando nós vemos algum perigo pela frente, logo nos preocupamos em livrar os nossos de suas conseqüências. A Igreja começou assim. André conheceu Jesus e levou seu irmão Pedro até ele (Mt 4:18). Depois os irmãos André e João também foram chamados (Mt 4:21). E a idéia da influência da família era tão real que na mensagem apostólica, Paulo dizia: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa” (At 16:31).
Quando um homem encontra-se com a verdade, logo ele se preocupa em fazê-la conhecida do resto de sua família. Diz a Bíblia que o crente que não se preocupa com os seus é pior do que os descrentes. O texto de 1 Tm 5:3-16 nos dá uma excelente lição de responsabilidade com os nossos parentes. Os filhos que não amparam suas mães quando se tornam viúvas são chamados à responsabilidade. Antes de termos outras pretensões missionárias, devemos aprender a ser generosos com os nossos familiares (vv. 4, 8). Muitas vezes nós vemos crentes que se omitem em relação aos seus, querendo ir de imediato até aos “confins da terra” para falar de Cristo, sob os auspícios financeiros da igreja, sem antes realizar o trabalho em “Jerusalém e na Judéia” (Mt 1:8), ou seja, no seu próprio meio familiar. Isso é uma irresponsabilidade que precisa ser reparada.
Há muito que se aprender, mas uma das coisas que todo crente precisa saber é como ter responsabilidade administrativa. O evangelho não progride, muitas vezes, porque nós “lançamos nossas pérolas aos porcos”, gastando os nossos poucos recursos com os “nossos próprios interesses”, não se importando nem com nossos parentes, nem com mais ninguém a não ser com nós mesmos. Gastamos tudo com nós mesmos, demonstrando que não sabemos administrar o “talento” que Deus nos deu.
O crente irresponsável onera a igreja e ela não consegue cumprir a sua missão de ser “luz para o mundo”. Os seus recursos financeiros quase sempre não são suficientes para atender sequer às necessidades locais, quanto menos do campo missionário, principalmente porque normalmente são mal gerenciados. Um exemplo disso é o fato de termos o costume de pagar para fazer aquilo que seria a mínima obrigação que teríamos de fazer, mas que deixamos de fazer, que ignoramos como se não fosse nossa responsabilidade.
Olhemos para a ilustração dos filhos que não cuidam de suas mães viúvas e que sobrecarregam a igreja com esse fardo, impedindo que a igreja aplique os seus parcos recursos em benefício daqueles que realmente precisam. Não podemos ser coniventes com tal situação. A Igreja não pode ser solidária com os maus administradores, que se envolvem nessas situações. A obra de Deus é prioridade. Se não podemos ir, não podemos deixar de contribuir para que outros sejam a nossa boca e falem por nós.
Todo crente tem a sua primeira responsabilidade missionária com a sua família. E não deve desistir dela, antes deve lutar para levar todos à presença de Jesus, como fez André com Pedro (Jo 1:40-42). Enquanto houver vida, há esperança. Serve como referência a atitude de Davi quando Deus feriu de morte a criança que ele tivera com Bate-Seba em adultério. Ele buscou a Deus pela criança, prostrado em terra, chorando e jejuando por sete dias, esperando alcançar a complacência de Deus. Mas não conseguindo o seu intento e morrendo a criança, levantou-se, comeu e se fortaleceu novamente. Quando criticado, lembrou que enquanto a criança vivia, ainda era possível a sua salvação da morte, mas depois da morte, já nada mais podia ser feito (2 Sm 12:13-23). Devemos fazer alguma coisa pelos nossos enquanto estamos vivos.
A parábola do rico e do mendigo Lázaro é outro bom exemplo dessa argumentação (Lc 16:19-31). Nessa história, vemos uma pessoa se preocupando com os seus familiares, tarde demais. O rico que fora parar no inferno pede que Lázaro seja mandado à sua casa para falar aos seus sobre os riscos que corriam, para que eles também não fossem parar naquele lugar. Infelizmente ele não foi atendido da forma que desejava. Que seus parentes ouvissem a Palavra de Deus, escrita por Moisés e pelos profetas, foi a resposta que obteve. A hora de nos preocuparmos com os nossos familiares é agora, enquanto nós estivermos vivos e eles também. Depois que morrermos, nada mais poderemos fazer por eles. Essa é uma responsabilidade que não podemos escusar. Nossos parentes são nossa responsabilidade primeira.
Finalmente, uma argumentação para aquele que alega não saber falar, ou que é pesado de língua. Tal pessoa deve tomar as providências para que o conhecimento da mensagem aconteça. Lembremos do exemplo de Moisés (Ex 3 e 4). Ele fez tantas alegações (Ex 3:11, 13, 4:1, 10, 13). Deus deu uma resposta para todas elas, dizendo-lhe ao fim da discussão que ele usasse a boca de seu irmão Arão (Ex 4:16). Se não estamos preparados para falar por meio de palavras, então devemos falar por meio de atos. Devemos ser um exemplo a ser seguido e devemos contribuir com os nossos recursos para que outros possam chegar até eles. Mas não podemos ficar omissos, sob pena de estarmos negando a fé que temos abraçado (1 Tm 5:3-16). Jesus fez por nós. Deu o melhor de si pela nossa salvação. Agora é nossa vez de fazer pelos demais. Sigamos os seus exemplos (Jo 13:15; 13:34). E que Deis nos abençoe!

Izaias Resplandes é membro da Igreja Neo-Testamentária de Poxoréo, MT.

Fazendo Discípulos para a Nova Terra

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